Vias Romanas em Portugal
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Hispânia Romana by Selina Hall - 1847; Hispânia Romana by Alex Findley - 1849 ; Hispânia Romana by Gustav Droysen - 1886 ; Hispânia Romana by viasromanas.pt - Mapa Geral - 2020 ;

Sobre este site

Este site tem vindo a ser continuamente actualizado desde o seu arranque em 2004 à medida que avança o nosso conhecimento sobre o tema. Assim, os itinerários aqui propostos não devem ser lidos como definitivos, mas como um documento dinâmico em constante evolução. Actualmente o site conta com mais de 80 referências em trabalhos científicos e está estruturado da seguinte forma:

Os Itinerários de Antonino

O chamado «Itinerário de Antonino» é uma compilação de rotas do período romano indicando as estações viárias e as respectivas distâncias intermédias expressas em milhas (cerca de 1500 m), sendo por isso um documento essencial no estudo da rede viária desse período. Das 372 rotas mencionadas no documento, 34 referem-se às províncias da Hispânia, sendo que 11 dessas rotas cruzam o actual território português.

O itinerário XVI de Lisboa a Braga
 XVI BRACARA a OLISIPO
Quatro itinerários de Braga a Astorga
 XVII BRACARA a ASTURICA por AD AQUAS (Chaves)
 XVIII BRACARA a ASTURICA por SALANIANA (Gerês)
 XIX BRACARA a ASTURICA por TUDAE (Tui)
 XX BRACARA a ASTURICA por AQUIS CELENIS
Três itinerários de Lisboa e Mérida
 XII OLISIPO a EMERITA por EBORA (Évora)
 XIV OLISIPO a EMERITA por ABELTERIO (Alter)
 XV OLISIPO a EMERITA por FRAXINUM
Um itinerário de Faro a Alcácer do Sal
 XIII SALACIA (Alcácer) a OSSONOBA (Faro)
Dois itinerários entre a Foz do Guadiana e Beja
 XXI BAESURIS a PAX IULIA por SALACIA (Alcácer)
 XXII BAESURIS a PAX IULIA por MYRTILIS (Mértola)

Índice de Outros Itinerários Romanos

 Braga (BRACARA) - Monção (Minius flumen)
 Braga (BRACARA) - Mérida (EMERITA)
 Braga (BRACARA) - Freixo (TONGOBRIGA)
 Freixo (TONGOBRIGA) - VISSAIUM (Viseu)
 Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Moimenta (Arabriga?)
 Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Celorico da Beira
 Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Peso da Régua
 Braga (BRACARA) - Peso da Régua
 Peso da Régua - Moimenta (Arabriga?)
 Moimenta (Arabriga?) - Marialva (ARAVO)
 Douro (Foz do Tedo) - Guilheiro por Longa
 Douro (Arnozelo) - Guilheiro por Numão
 Douro (Foz do Torto) - Guilheiro por Penedono
 Douro (Foz do Torto) - Belmonte (Centum Cellas?)
 Belmonte (Centum Cellas?) - Mérida (EMERITA)
 Astorga (ASTURICA) - Almofala (Cobelcorum)
 Ponte de Picões - Freixo de Numão (Meidubriga?)
 Porto (CALE) - Barcelos - Lima (LIMIA)
 Porto (CALE) - Viana - Caminha
 Porto (CALE) - Alfena - Guimarães
 Porto (CALE) - Freixo (TONGOBRIGA)
 Porto (CALE) - Rio Vouga pelo litoral
 Porto (CALE) - Viseu (VISSAIUM)
 Marnel (Vacca?) - Viseu (VISSAIUM)
 Lamego (Lamecum?) - Tarouca - Viseu (VISSAIUM)
 Lamego (Lamecum?) - C. Daire - Viseu (VISSAIUM)
 Viseu (VISSAIUM) - Moimenta (Arabriga?)
 Sernancelhe - Mangualde (Araocelum?)
 Celorico da Beira - Guarda
 Marialva (ARAVO) - Guarda
 Viseu (VISSAIUM) - Seia - Covilhã
 Mangualde (Araocelum?) - Coimbra (AEMINIUM)
 Viseu (VISSAIUM) - Belmonte (Centum Cellas)
 Condeixa (CONIMBRIGA) - Bobadela (civitas)
 Bobadela (civitas) - Celorico da Beira
 Viseu (VISSAIUM) - Bobadela (civitas)
 Mealhada (mansio) - Bobadela (civitas)
 Coimbra (AEMINIUM) - Viseu (VISSAIUM)
 Coimbra (AEMINIUM) - Bobadela (civitas)
 Bobadela (civitas) - Alvega (ARITIUM)
 Condeixa (CONIMBRIGA) - Aramenha (AMMAIA)
 Condeixa (CONIMBRIGA) - Alvega (ARITIUM)
 Condeixa (CONIMBRIGA) - Mérida (EMERITA)
 Coimbra (AEMINIUM) - Mestas (TUBUCCI)
 Tomar (SEILIUM) - Belmonte (Centum Cellas)
 Tomar (SEILIUM) - Salamanca (SALMANTICA)
 Santarém (SCALLABIS) - Évora (EBORA)
 Condeixa (CONIMBRIGA) - Leiria (COLLIPPO)
 Leiria (COLLIPPO) - Tomar (SEILIUM)
 Leiria (COLLIPPO) - Mestas (TUBUCCI)
 Leiria (COLLIPPO) - Santarém (SCALLABIS)
 Leiria (COLLIPPO) - Alenquer (IERABRIGA)
 Leiria (COLLIPPO) - Óbidos (EBUROBRITTIUM)
 Óbidos (EBUROBRITTIUM) - Santarém (SCALLABIS)
 Óbidos (EBUROBRITTIUM) - Lisboa (OLISIPO)
 Alcácer do Sal (SALACIA) - Évora (EBORA)
 Alcácer do Sal (SALACIA) - Beja (PAX IULIA)
 Alcácer do Sal (SALACIA) - Serpa (SERPA?)
 Évora (EBORA) - Serpa (SERPA)
 Évora (EBORA) - Moura (Arucci?)
 Évora (EBORA) - Beja (PAX IULIA)
 Évora (EBORA) - Faro (OSSONOBA)
 Alter do Chão (ABELTERIO) - Évora (EBORA)
 Alter do Chão (ABELTERIO) - Juromenha (Colarnum?)
 Idanha (IGAEDITANA) - Aramenha (AMMAIA)
 Beja (PAX IULIA) - SERPA - Sevilha (HISPALIS)
 Beja (PAX IULIA) - SERPA - Huelva (ONUBA)
 Beja (PAX IULIA) - Mértola (MYRTILIS)
 Moura (Arucci?) - Mértola (MYRTILIS)
 Mértola (MYRTILIS) - Tavira
 Cacém (MIROBRIGA) - Mértola (MYRTILIS)
 Cacém (MIROBRIGA) - Beja (PAX IULIA)
 Cacém (MIROBRIGA) - Lagos (Monte Molião)
 C. Marim (BAESURIS) - Faro (OSSONOBA)
 Faro (OSSONOBA) - Portimão - Alvor (IPSES)
 Querença - Moncarapacho - Bias do Sul (Olhão)

 Outras vias de BRACARA (Braga)
 Outras vias de AQUAE FLAVIAE (Chaves)
 Outras vias de CALE (Porto)
 Outras vias de TONGOBRIGA (Freixo)
 Outras vias da Civitas ARAVORUM (Marialva)
 Outras vias da Civitas COBELCORUM (Almofala)
 Outras vias da Civitas IGAEDITANORUM (Idanha)
 Outras vias da Civitas AMMAIENSIS (Marvão)
 Outras vias de Numão (Meidubrigenses?)
 Outras vias da Guarda (Transcudani?)

ITER XVI - Item ab OLISIPONE BRACARAM AUGUSTAM m.p. CCXLIIII
Mapa
Braga












Famalicão










Cabeçudos




Lousado


Trofa












Peça Má




Alvarelhos






Maia









ITINERARIO XVI - Braga (BRACARA) - Porto (CALE) - Coimbra (AEMINIUM) - Lisboa (OLISIPO)   CCXLIIII milhas
Item ab OLISIPONE
BRACARAM AUGUSTAM

IERABRIGA
SCALLABIN
SEILIUM
CONIMBRIGA
EMINIO
TALABRIGA
LANGOBRIGA
CALEM
BRACARA

* proposta correção
** proposta correção

m.p. CCXLIIII
m.p. XXX
m.p. XXXII
m.p. XXXII*
m.p. XXXIIII
m.p. X
m.p. XL
m.p. XVIII**
m.p. XIII
m.p. XXXV
m.p. XLII
m.p. XXIII
O itinerário romano de Bracara Augusta a Olisipo utiliza várias vias independentes. Inicialmente seguia a via romana de Bracara a Cale, num total de 35 milhas por um trajecto hoje praticamente seguro e bem documentado por inúmeros miliários (com pelo menos 25 referências). O troço seguinte ligava Porto a Coimbra pela via romana de Cale a Aeminium com duas estações permeio, Langobriga e Talabriga do qual apenas conhecemos quatro miliários atribuíveis a esta via, o miliário de Úl deslocado para o centro de Oliveira de Azeméis, o miliário de Adães depositado na Casa Paroquial de Úl, o miliário da Vimieira transladado para o átrio da C.M. da Mealhada indicando 12 milhas a Coimbra e o miliário do Arco da Traição indicando 4 milhas a Coimbra, actualmente no Museu Machado de Castro. Daqui seguia para a cidade de Conímbriga, onde se registam mais 5 miliários, e 8 milhas depois temos novo miliário no sítio de Tamazinhos, atestando a continuação da via rumo a Tomar. Por sua vez, o miliário que apareceu no Castelo de Soure está seguramente relacionado com uma outra via que ligava Conimbriga a Collippo (a sul de Leiria), seguindo um percurso mais próximo do litoral que passando por Eburobrittium (na base do Castelo de Óbidos) rumo a Olisipo (Lisboa). Na região de Tomar temos mais 6 miliários, 4 apareceram na área urbana da cidade e 2 na sua periferia, os miliários de Santa Catarina e de Santos Mártires. A etapa seguinte ligava Tomar a Santarém, antiga Scallabis, onde apareceu um miliário de Probo. Daqui até Lisboa conhecem-se mais 7 miliários, os miliários da Quinta do Bravo e da Quinta de Santa Teresa em Alenquer, o miliário do Açougue Velho em Alverca, o miliário da Quinta de Santo António de Frielas, estes desaparecidos, e mais recentemente apareceram mais dois miliários em Loures, assim como um miliário de Probo nas obras de renovação da Casa dos Bicos em Lisboa (actualmente em exposição no Museu da Cidade). Recentemente (2023) apareceu outro miliário na Rua das Canastras, dada a sua proximidade da Casa dos Bicos, fazendo supor que assinalavam o mesmo ponto, ou seja, a milha zero a partir de Lisboa. Temos também uma notícia que refere um miliário no Convento de Chelas, mas é duvidoso que a inscrição tivesse carácter viário. Subsistem algumas dúvidas no percurso exacto devido sobretudo às alterações operadas na paisagem, mas a via segue genericamente a rota das actuais estradas EN14 de Braga ao Porto, EN1 para Coimbra, EN110 para Tomar, EN365 para Santarém, continuando até à Ota, onde reencontra a EN1, seguindo depois por Alenquer, Vila Franca de Xira, Alverca e Loures para Lisboa. Sobre a parte final deste percurso ver as "Atas da mesa redonda De Olisipo a Ierabriga" no nº 1 da Revista Cira Arqueologia, assim como a restante bibliografia (Sarmento, 1888, 1890, 1892; Capela, 1895; Colmenero et al., 2004, Mantas, 1996, 2000a; Ribeiro, 2016).

BRACARA (Braga)
No perímetro urbano de Braga foram encontrados vários miliários dispersos pela cidade mas deslocados do seu local original; alguns desses miliários podem estar relacionados com o Itinerário Braga-Lisboa, como o que apareceu na parte sul da rua de São Geraldo ou o que apareceu na esquina da rua Sá de Miranda com a «rodovia», próximo da necrópole da Av. da Imaculada Conceição que deveria ladear a via que seguia para Cale. A maioria deste marcos foi reunida no Campo das Carvalheiras, onde estiveram muitos anos, antes de dar entrada no Museu D. Diogo de Sousa (MDDS), onde estão actualmente expostos, integrando a respectiva colecção que conta com 36 miliários (a maior colecção num só museu). A sua preservação deve-se ao esforços de vários eruditos ligados à Sé de Braga, que ao longo dos séculos foram recolhendo estas «antiqualhas». Por sua vez, no Museu Pio XII existem mais seis miliários, quatro pertencentes ao Itinerário XIX de Braga a Tui e dois pertencentes a esta via para Cale, o miliário de Lousado (MPXII.LIT.285) e o miliário de Carreiras (MPXII.LIT.563), atestando a sua passagem junto de Vila Nova de Famalicão. Este antigo seminário guarda também uma ara a Mercúrio, divindade ligada aos caminhos, uma ara dedicada a Júpiter por um soldado da Legião VII Gémina Félix que apareceu debaixo do palco do Teatro Circo (FE 196), e ainda o epitáfio de Marcus Antonius soldado da mesma legião, atestando a presença militar na cidade. Todas as vias que partiam da cidade tinham origem no Largo Paulo Orósio, antigo forum, ponto de confluência do decumanus maximus e do cardus maximus e cujo cruzamento sul é ainda visível na esquina da rua Frei Caetano Brandão e rua São Paulo, junto da biblioteca, existindo também um troço de calçada medieval dentro do edifício que se terá sobreposto ao cardus maximus; por sua vez, o decumanus correspondia aproximadamente à actual rua do Alcaide e rua dos Falcões. A saída da cidade para Cale seguiria na direcção sul passando entre o anfiteatro e a Necrópole de Maximinos, aproximadamente pelas actuais ruas de Santiago, São Sebastião e Direita até ao Largo de Maximinos, antiga saída da cidade, onde iniciava a marcação miliária; o miliário de Adriano que apareceu no colégio de São Paulo assinalando 35 milhas a Cale poderia estar originalmente neste local.

Ferreiros (m.p. I; segue pela rua do Cruzeiro, vencendo a primeira milha junto do marco divisório da Gandra, cruzando pouco depois a linha férrea; do outro lado surgem umas alminhas assinalando a continuação pelo «Caminho de Baixo» por Quintela e Casal Novo rumo à travessia do rio Este no lugar da Ponte Nova, onde há ponte antiga, talvez medieval)
Lomar (m.p. II; Argote refere um miliário de Crispo na Igreja de Lomar, actualmente desaparecido, CIL II 4764, assim como duas aras funerárias (Argote, 1732:251); poderá corresponder à Capela de Lomar em Ponte Nova por onde passaria a via, e não há Igreja Velha de Lomar; seguia pela rua da Costa até Custóias, onde toma o caminho de terra pelo monte até reunir com a rua da Bemposta, seguindo pela travessa das Pedreiras)
São Miguel (m.p. III nas alminhas; a via seguiria para Figueiredo pelo topónimo «Estrada», hoje cortada pela A11, com as alminhas na outra banda; poderia ser daqui o miliário indicando três milhas a Braga referido no «Monarchia Lusitana» (Brito, 1609:108; PIR:205); cerca de 300 m a nascente da via subsiste a Mamoa de Lamas)
Figueiredo (m.p. IV; tesouro monetário em Pipe; vestígios na Casa da Vila; segue talvez pela rua do Salgado, Capela de Santo António, onde vencia a quarta milha)
São Vicente do Penso (m.p. V; continua talvez por Carcavelos, Alminhas de Pombal, Alminhas de Cruz, Alminhas do Sr. Padrão, eventual alusão a um miliário, seguindo pelo chamado «Caminho de Santiago» até ao nó viário da Portela, percorrendo a vertente nascente do Castro romanizado do Monte Redondo/Monte Cossourado/S. Mamede, de onde provém a ara de Antiscreus, actualmente no MSMS, nº 21)
Portela (m.p. VI; miliário de Constantino II, actualmente no Museu Pio XII com o nº MPXII.LIT.563; apareceu no «Lugar de Carreiras», topónimo hoje difícil de precisar)
Telhado (m.p. VIII; continua pela margem direita do rio Pelhe, na rota da EN319)
São Cosme do Vale (m.p. IX; miliário de Adriano encontrado segundo João de Barros «metido na terra» no «Vale de São Cosmado», entretanto desaparecido, Argote, 1734:599; CIL II 4867)
São Martinho do Vale (m.p. X; continua por Pousada, cruza o rio Pelhe, Devesa, cruza a EN319 segue pelo caminho das Alminhas de Tojão)
Cruz de Pêlo (m.p. XI; cruza a EN206 junto da Alminhas do Senhor da Boa Fortuna e segue recto pelo caminho em terra)
São João da Pedra Leital (m.p. XII; passaria na base da capela, mas depois foi cortada pela A3, continuando do outro lado por «Devesa Alta»)
Santiago de Antas (m.p. XIII junto da igreja românica; continua pela rua Miguel Torga até à EN204, seguindo por esta por Vela e Capões)
  • O miliário da Quinta da Devesa, está actualmente cravado num penedo no interior da quinta, actual Parque da Cidade. Na última linha lê-se ainda o numeral «III» pelo que é possível que indicasse XIII milhas a Braga, distância que corresponde à Igreja de Santiago das Antas.
  • No século XVI, João de Barros transcreveu um miliário de Adriano que indicaria 8 milhas a Braga que estava na época em casa do Duque de Barcelos em Famalicão (CIL II 4737); posteriormente Argote localiza-o na adega da casa de Domingos Thomé de Fonseca onde já só leu as letras Traiano (Argote, 1734:598). No entanto, para Hübner, este seria um outro miliário (CIL II 4739). Vasco Mantas sugere que houve erro na leitura de Barros, trocando o numeral XIII por VIII, o que permitiria integrá-lo nos miliários desta milha (Mantas, 1996, 411-415). Este miliário parece ser o mesmo que é referido por Bernardo de Brito cerca de um século antes como indicando oito milhas (Brito, 1609:89)
  • O CIL refere um miliário de Adriano indicando 12 milhas a Braga, actualmente dado como desaparecido (CIL II 4738), mas que segundo Vasco Mantas deverá corresponder ao miliário de Adriano da milha XIII (CIL II 4752) actualmente no MDDS com o nº 1992.0666, atendendo a que apresentam a mesma epígrafe salvo na indicação de milhas (XIII em vez de XII), eventual erro na transcrição de Acúrcio que poderá ter omitido o «I» final (Mantas, 1996, 411-415).
  • Argote refere um fragmento de um miliário de Caracala, CIL II 4741, reutilizado no início do século XVIII como base do cruzeiro que existia defronte da igreja de Santiago de Antas, entretanto perdido; todavia Colmenero sugere que este poderá corresponder ao possível fragmento que actualmente integra o muro oeste do Seminário Camboniano (Colmenero et al., 2004).
  • Martins Capela viu dois miliários anepígrafos no pátio da casa paroquial, entretanto desaparecidos; um terceiro miliário foi encontrado na «Devesa Alta» e foi levado para o portal da Quinta da Pereira em Esmeriz, onde se lhe perdeu o rasto (Capela, 1895).
  • Um grande cilindro em pedra junto da capela particular da Quinta do Vinhal tem sido interpretado como miliário, no entanto é duvidoso dado o seu grande diâmetro.

Continuação da via para Cale
Portela de Baixo (m.p. XIV; Argote refere um miliário de Caracala indicando 14 milhas a Braga embutido numa «capela arruinada» em Portela de Baixo (CIL II 4740); Martins Capela encontra-o anos depois já partido em dois, servindo de suporte do alpendre da casa paroquial de Antas, mas actualmente está desaparecido)
Cabeçudos (m.p. XV junto do habitat da Igreja Velha; segue pela EM509-1 e EM508-2 que passa junto da igreja paroquial, onde Martins Sarmento identificou um outro miliário ilegível suportando uma varanda de uma casa, entretanto dado como desaparecido, mas que segundo Vasco Mantas estará num muro junto da igreja seccionado longitudinalmente; continua por Estrada passando junto da villa(?) da Quinta de Boamense)
Santa Catarina (m.p. XVI; miliário de Caracala proveniente do sítio do Marco suporta actualmente uma varanda na Quinta de Sta. Catarina; Martins Sarmento leu apenas o numeral X, mas pelo local do achado, este marco deveria indicar 16 milhas; continua por Fial, Pé de Prata, Fonte dos Castanheiros e Garrida, seguindo pela rua dos Almocreves para Montezelo)
Lousado (m.p. XVIII; miliário de Magnêncio descoberto na Igreja Paroquial em Montezelo, actualmente no Museu Pio XII com o nº MPXII.LIT.285, referente à milha 17 que era vencida junto da actual igreja)

Travessia do rio Ave (na sua forma actual a Ponte da Lagoncinha é uma construção medieval sem qualquer vestígio romano; num documento de 1034 há referência à ponte «per illam carrariam antiquam que uadit pro a illum pontem petrinum» (PMH DC 287) e na «Carta do Couto do Mosteiro de Santo Tirso» do ano de 1097 aparece uma «ponte antiqua de flumine Avie» (PMH DC 864), mostrando que no século XI já existia uma ponte de pedra sobre o rio Ave. O caminho referido como «carrariam antiquam» viria de Santo Tirso e não da Trofa pelo que não integrava esta via. Assim, tudo indica que a travessia do rio em período romano se fizesse mais a jusante, na chamada «Barca da Esprela», junto da confluência do rio Pelhe no Ave, trajecto aliás assinalado pelo miliário de Lousado, seguindo praticamente recto rumo à Ponte de Sedões)
São Martinho de Bougado (depois de cruzar o Ave seguia pela Igreja de Ns. das Dores até entroncar na EN14; junto da estação C.F. existia um marco com base quadrangular, possível miliário, entretanto desaparecido)
Trofa (m.p. XX junto da igreja; continua por Vale do Eirigo até Trofa Velha; necrópole e villa? em Rorigo Velho a cerca de 500 m da via)
Ponte sobre a ribeira de Sedões ou de Covelas, Trofa Velha/ Lantemil (m.p. XXI; 4 miliários aqui reunidos após a demolição entre 1844 e 1846 da «Ponte Velha» ou «Ponte do Arco» em consequência da reconstrução da estrada Porto-Braga: Peça Má (m.p. XXII; miliário de Constâncio II, actualmente na antiga casa do Padre Sousa Maia em Lantemil e fragmento do miliário de Carino que apareceu na berma da EN14 junto da Ponte da Peça Má e actualmente está no jardim da antiga casa do Dr. António Cruz na Trofa Velha)
São Cristóvão do Muro (m.p. XXIII junto do topónimo «Venda Velha»; miliário de Maximiano indicando 23 milhas a Braga que apareceu na Quinta de São Cristóvão, (CIL II 4743), ao km 12.7 da EN14, entretanto destruído; no jardim da Quinta do Paiço encontra-se um miliário de Adriano (CIL II 4736) que apareceu reutilizado num dos torreões da casa que deveria indicar também 23 milhas)

Nó viário de Alvarelhos
A Venda Velha de Muro deverá corresponder à estação viária na base do Castro de AlvarelhosCivitas Albarelios» num documento do ano 907), a 12 milhas de Cale. Em Sobre Sá, junto ao castro, apareceu uma inscrição com o epitáfio de Ladronus colocada pelos habitantes do Castro dos Madequisensis, possivelmente designado por Madiae, topónimo que poderá estar na origem da designação actual do concelho, actualmente no Museu da Maia (Silva A.C.F., 1980). Próximo do castro, em Vila Boa, surgiram vestígios de uma villa romana nos terrenos da Casa de Milreus, incluindo mosaicos e três aras na necrópole, duas anepígrafas e a terceira com o epitáfio de Lanasus originário do castellum dos Fidueneae situado presumivelmente na Citânia de Sanfins por voto dos habitantes do castellum de Uliainca (?), evidenciando a existência de relações sociais entre os diversos povoados da região (Silva A.C.F., 1980). Daqui partiam outras vias de ligação aos principais povoados da região; uma seguia para norte rumo ao importante Castro de Penices; outra seguia para poente rumo à villa de Fontão em Lavra, ligando ao Atlântico, e outra para noroeste rumo à Ponte do Ave, de encontro à chamada «Karraria Antiqua», a via proveniente do Porto rumo à Barca do Lago. Uma outra via partia do castro rumo ao Castêlo da Maia, onde entronca na via principal para Cale.
  • Ligação ao Castro de Penices: partindo do Muro, seguia para noroeste por Guidões (vestígios na vertente este do maciço de Sta. Eufémia em Cidoi, Cerro e Póvoa; altar votivo ao genio Saturninus entre o Monte do Castro e o Monte de Cidai), seguindo para a travessia do rio Ave nas imediações de Azevedo, continuando por traçado incerto rumo ao Castro de Penices, junto do qual transpunha o rio Este (na Ponte da Gravateira?) seguindo depois na direcção de Rates, de encontro à «Karraria Antiqua», podendo também seguir directo a Barcelos por Gondifelos (vestígios em Lobeira, Fiança e Eirados e Igreja Velha).
  • Ligação à Ponte do Ave: há duas rotas possíveis, uma seguiria por Palmazão (casal) e Vilar pela EM537, outra passando junto do Castro Boi em Vairão até ao cruzamento de Vilarinho e daqui à Ponte do Ave, ou uma directa à ponte por Fornelo (Igreja/Quinta de Vilas Boas) e Macieira da Maia (villa de Campos Pereira junto da igreja).
  • Ligação a Lavra/Atlântico: também deveria existir uma via de acesso ao mar designada por via vetera e stratam veterem nas Inquirições de Afonso III de 1258 (PMH Inq, fl. III, p. 492); do castro seguia por Guilhabreu, passando na Sra. do Amparo, Rua da Carreira da Talhada, Parada, Rua das Minas, Rua do Freixo, cruzava a «Karraria Antiqua» em Mosteirô e continuava por Lançaparte, Aveleda e Laceiras rumo ao castro de Angeses e da villa do Fontão junto da costa (Moreira, 2009).
  • Ligação do Castro de Alvarelhos - Maia: esta via partia também do castro rumo à Maia pela EM1352, seguindo por Palmezão e pelo «Caminho das Bouças da Teixeira», apresentando ainda um troço lajeado pouco antes de confluir na rua de Quiraz; a antiguidade deste caminho é atestada num documento medieval do ano 986, onde surge como «carreira antiqua» (PMH DC 151) e pelo facto de ser ainda hoje a linha divisória entre os concelhos de Vila do Conde e Maia. Em Quiraz a via poderia dividir-se em dois possíveis trajectos; um segue junto da Igreja de São Pedro de Avioso (EN536), Vilarinho e Castêlo da Maia (na estação C.F.), seguindo de encontro à via para Cale na base do povoado do Monte de Santo Ovídeo. O outro trajecto deriva da rua de Quiraz e toma o caminho em terra que vai desembocar na rua das Andorinhas, continuando pela rua da Bajouca e rua do Ribeiro (junto Monte Faro), seguindo depois à direita pela Campa do Preto, rua Frederico Ulrich até Moreira da Maia onde entronca na chamada «karraria antiqua».

Continuação da via para Cale
Carriça (m.p. XXIV; antiga estalagem)
Ferronho (m.p. XXV junto da Capela de Ferronho; antiga estalagem medieval próximo da divisória entre os concelhos de Trofa e Maia; segundo o Abade Pedrosa, o miliário de Caro apareceu em 1894 no lugar da Espinhosa, 19 m a poente de EN14, passando depois para as Alminhas dos Passos/Santo António, à margem da EN14; encontra-se actualmente em exposição no Museu da Maia, juntamente com uma ara dedicada à divindade Valanis; deveria indicar 24 milhas a Braga)
Castêlo da Maia (m.p. XXV; continua pela EN14 que serve de divisória entre as freguesias de São Pedro e Sta. Maria de Avioso, passando junto do Monte de Santo Ovídeo, referido na documentação medieval como kastro cibidas abenoso no ano 1045 (PMH DC 323), e em 1048 como castro abenoso (PMH DC 363) e montis abenoso (PMH DC 364) e em 1075 como castro amaya (PMH DC 520); é possível que o nome na época romana fosse Madiae e o seu povo os Madequisensis, com base na inscrição de Sobre Sá acima referida; segue sob a EN14)
Forca (m.p. XXVI; necrópole; continua por Chiolo)
Pinta (m.p. XXVII; miliário indicando 27 milhas a Braga actualmente numa casa particular do lugar da Barca, mas que estaria originalmente no sítio do Marco/Cruz da Barca, actual lugar da Pinta (Ribeiro, 2016), trifínio das freguesias de Barca, Vermoim e Maia; daqui seguiria pela rua da Pinta rumo ao centro da Maia, percurso entretanto destruído pela A41)
Maia (m.p. XXVIII no Picoto, centro da cidade, próximo da CM; segue pelas ruas Augusto Simões e do Catassol)
Leça do Balio/Gueifães (m.p. XXIX; a via serve de divisória entre as freguesias de Leça do Balio e Gueifães, continuando pela rua de Santana até ao largo da Feira de Santana, onde toma a rua da Estrada Velha, antiga «Socarreira», e a rua da Ponte da Pedra; necrópole em Quelha Funda)
Ponte Romana-Medieval da Pedra sobre o rio Leça (m.p. XXX; alguns silhares almofadados atestam a sua origem romana; «ponte petrina de Leza» num documento do século XI, PMH DC 248; continua pela rua da Estrada Velha e Largo da Ermida)
São Mamede de Infesta (m.p. XXXI; continua pela rua da Conceição, cruza a estação C.F. e segue até à Capela de Santo António Telheiro; topónimos Carriçal e Largo do Marco indiciam a passagem da via que foi interrompida pela construção da EN12; poderia continuar pela rua Cidade de Vigo)
  • Hübner refere um miliário de Adriano a servir de base de um cruzeiro na rua da Igreja Velha, junto da Quinta do Dourado/Santo António (CIL II 4735); posteriormente terá sido reutilizado num cruzeiro do cemitério, não sendo hoje visível qualquer letra; a Quinta do Dourado fica a cerca de 1 milha a nascente do traçado proposto, mas caso não estivesse deslocado, poder-se-ia admitir um percurso alternativo pela rua Bela Parada, rua da Igreja Velha, rua de Moalde e rua Oliveira Gaio já em Asprela, passando assim próximo do Castro de Moalde (a villa Manualdí num documento do ano de 994); a antiga via foi destruída com a construção do campus universitário/Hospital de São João, mas reaparece mais abaixo na rua Dionísio dos Santos Silva, continuando pela rua Igreja de Paranhos e rua do Campo Lindo, de encontro à via principal na rua Antero de Quental (Almeida CAF, 1969).
Paranhos (m.p. XXXIII; cruza a VCI e segue pelo Jardim da Arca d'Água; continua pela rua do Vale Formoso, atingindo a milha 33 no cruzamento com a rua de Campo Lindo, próximo da linha divisória entre as freguesias de Paranhos e Cedofeita, onde subsiste o topónimo Travessa da Calçada)
Cedofeita (m.p. XXXIV; continua pela rua Antero de Quental até ao Largo da Igreja da Lapa, passando junto da Capela do Sr. do Socorro («Olho Vivo») onde existe um raro padrão do Caminho de Santiago, seguindo depois pela Praça da República, antigo «Campo de Santo Ovídio», onde atingia a milha 34, continua pela rua dos Mártires da Liberdade, antiga «Estrada de Santo Ovídio», rua Sá de Noronha, Largo do Moinho de Vento, «Praça dos Leões», rua Dr. Ferreira da Silva, antiga «Calçada dos Orfans» e Jardim da Cordoaria, outrora «Porta do Olival», e daqui descia ao Douro pela rua dos Caldeireiros)

CALE (Porto)
A possível sede dos Callaici corresponde ao Morro da Pena Ventosa, onde está a Sé, existindo ainda vestígios do antigo castro na actual sede regional da Ordem dos Arquitectos e na Casa-Museu Guerra Junqueiro na rua D. Hugo, assim como nos alicerces da própria Sé, onde apareceram algumas epígrafes: inscrição aos Lares MarinhosLaribus Marinis»), ara votiva de Valeria Materna, ara funerária de Cassia Midutia e a ara funerária de Avita; a Igreja dos Grilos alberga a chamada «Colecção Epigráfica do Seminário Maior», actualmente Museu de Arte Sacra e Arqueologia do Porto. Há vestígios romanos um pouco por toda a zona da Ribeira como restos da muralha romana e estruturas habitacionais, em particular o magnífico mosaico da Casa do Infante (Ramos, 1994). A recente intervenção na rua Mouzinho da Silveira e rua das Flores (Silva AMSP, 2010) demonstrou que o povoamento romano se estendia por toda esta área e ao longo da margem do rio, da Ribeira para poente, com vestígios em Miragaia (ara à divindade DVRI achada talvez na igreja de São Pedro em Miragaia, mas actualmente desaparecida), Massarelos (rua Campo do Rou, rua Casal do Pedro e na marginal), Lordelo do Ouro (cais fluvial e vicus) e Foz Velha (inscrição e estátua pré-romana dita «homem togado»). No Museu Nacional Soares dos Reis está o miliário recolhido em Areal de Baixo (Braga); O miliário de Soalhães que estava neste museu passou entretanto para o Museu de Tongóbriga (act. 2018); entre as muitas inscrições depositadas neste museu temos, uma estela funerária proveniente da villa (?) da Quinta de Eira Vedra em Sousela (Lousada), a estatueta de Marte em bronze da Tapada da Pombinha (Campo Maior), a árula a Júpiter Conservatori proveniente de Arrifana (Santa Maria da Feira) e a estela funerária de Flavus proveniente de Valongo.

Travessia do rio Douro (Durius)
Segundo Estrabão, o rio Douro era navegável até 800 estádios, cerca de 147 km, o que que corresponde ao acidente geográfico do Cachão da Valeira, limite de navegabilidade do rio até ao século XVIII quando foi finalmente dinamitado, permitindo a navegação além desse ponto. Do Jardim da Cordoaria descia ao Cais da Ribeira talvez pela rua dos Caldeireiros, antiga «rua da Ferraria de Cima», passando junto do antigo hospital-albergaria medieval de Rocamador; continua pela rua Afonso Martins Alho, cruzando o rio da Vila na «Ponte da Pedra», junto do antigo Largo de São Roque (entretanto destruída pela construção da rua Mouzinho da Silveira e consequente encanamento do rio), entrando no morro da Sé pela rua do Souto e Porta de Sant'Anna, cujo arco foi demolido em 1821. A ligação ao rio seria pela rua Escura, rua da Bainharia, rua dos Mercadores até à Boca do rio da Vila no Cais da Ribeira, onde atravessava o rio talvez por barca; em alternativa a travessia fazia-se um pouco a jusante junto ao Castelo de Gaia, importante povoado fortificado cujos vestígios concentram-se na área delimitada pelo gaveto da rua de Entre Quintas e da rua de São Marcos até à Quinta de São Marcos e Igreja do Bom Jesus; adjacente ao povoado apareceram vstígios da Idade do Ferro, Romano e Medieval, numa área delimitada a sul pelo armazém da Quinta de Santo António e a noroeste pelo muro do Convento de Santo António. No início da escadaria que ascente do rio Douro ao castelo, junto do Senhor da Boa Passagem, apareceu a inscrição sepulcral de Lavius Tuscus, militar da Legião X Gémina, originário de Olisipo, actualmente em exposição no Solar dos Condes de Resende, assinalando a passagem desta legião nestas paragens (ILER 6317; Guimarães 1995, 2000).
Mapa
Gaia




Langóbriga




Airas


Pica








Vouga





Porto (CALE) - Fiães (LANGOBRIGA) - Vouga (TALABRIGA)
Vila Nova de Gaia (do cais de Gaia em Sta. Marinha a via ascendia a encosta rumo ao Largo dos Aviadores, seguindo talvez pela antiga «rua Direita», actuais ruas de Cândido dos Reis e Teixeira Lopes, designada por «Calçada de Vila Nova»; continua pela rua Marquês Sá da Bandeira marginando o Castro de Mafamude)
Mafamude (m.p. I no Jardim Soares dos Reis; continua pela rua da Rasa, desviando desta junto do «Clube Vilanovense», onde toma a rua António Rodrigues da Rocha, ascendendo suavemente até atingir a Rotunda de Santo Ovídio)
Santo Ovídio (m.p. II; aqui existia a Capela do Sr. do Padrão, já desaparecida, presumível alusão ao segundo miliário desde o rio Douro; continua pela rua Soares dos Reis, rua Fonte dos Arrependidos, rua da Palmeira, reaparecendo do outro lado da A1 na rua do Alto das Torres)
Rechousa (m.p. III em Serpente; continua sob a rua da Rechousa)
Canelas de Cima (m.p. IV; na subida da Senhora do Monte resta um raro vestígio da via com algumas lajes da antiga calçada, num barranco à margem da estrada actual; a via sofreu grandes danos com a construção da EN1 e mais recentemente por uma urbanização, estando o que resta ao abandono; continua pela estrada actual onde existe o topónimo Vendas de Cima, mas depois foi cortada pela construção do nó da auto-estrada, onde vencia a milha V)
Carvalhos (m.p. VI; a via reaparece na Av. Dr. Moreira de Sousa e vencia a milha 6 no início da rua do Padrão, sugestivo topónimo; continua pelo Largo França Borges, rua Gonçalves de Castro, rua Carvalhos de Baixo, reencontra a EN1 e desvia logo à esquerda pela rua da Voltinha até ao Cruzeiro da Venda Nova, onde vencia a milha 7)
  • Monte Murado (importante povoado indígena romanizado conhecido por Castro do Monte Murado; actualmente ocupado pelo Santuário da Sra. da Saúde nos Carvalhos; na época romana a sua designação seria possivelmente «Ceno Oppido», assentamento referido no chamado Anónimo de Ravena entre Cale e Langobriga; na base do castro, no lugar de Idanha, apareceram duas raras tesserae hospitales em bronze no interior da villa de Decimus Iulius Cilo, mencionando o nome dos habitantes da região, os «Turduli veteres»; a peça foi para o Solar dos Condes de Resende em Canelas (AE 1983, 476 e 477); a mutatio estaria junto do Cruzeiro da Venda Nova, a 7 milhas do rio Douro; a estrada continua por Seada e Leirós, onde ainda há memória de troços lajeados.
Afonsim (m.p. VIII; alminhas; continua pela Rua Central de Alfonsim e rua do Cidral)
Seixezelo (m.p. IX no Cabeço)
Vendas de Grijó (m.p. X no sugestivo topónimo «Ribeira da Venda», na rua paralela à EN1; nó viário de onde partia a via para Viseu)
Picôto (m.p. XI; nó viário de onde partia a variante por Santa Maria da Feira)
Vergada, Argoncilhe (m.p. XI; segue a rua Central da Vergada até reencontrar a EN1; menção à «strata» num documento de 1096; PMH DC 842)
Lourosa (m.p. XIII; desvia da EN1 no cruzamento para Arouca pela rua Romana e rua da Estrada Real em Vendas Novas)

LANGOBRIGA (Monte Redondo)
Estação viária que tem sido associada ao Castro do Monte de Santa Maria ou Monte Redondo (Fiães) com base na distância de 13 milhas indicadas a Cale. O povoado forneceu importante espólio (Corrêa, 1925) no início do século XX, mormente uma ara a Júpiter, actualmente em exposição no Museu Convento dos Lóios em Santa Maria da Feira, juntamente com a inscrição funerária de Boutius também proveniente deste local. Entretanto o local foi destruído e urbanizado. O relativo afastamento da via faz supor que a estação viária estivesse junto da via, podendo corresponder à Albergaria de Souto Redondo, na milha 16 (Pereira, 1907; Arêde, 1938; Souto, 1941; Oliveira, 1943; Seabra Lopes, 2000a).

Ferrada, Fiães (m.p. XIV; a via romana continua para sul sempre pela rua da Estrada Real até Ferrada, topónimo viário onde venceria a milha 13; pouco depois a via está interrompida na travessia do ribeiro porque foi destruída pelo arranjo urbanístico recente que é preciso contornar para retomar ao caminho 50 m depois na rua do Arieiro; mais um atentado ao trajecto da via perfeitamente evitável)
Souto Redondo (m.p. XV; continua pela rua da «Estrada Romana» seguindo até ao único troço que resta da antiga «Estrada Real» com a calçada original em seixos rolados, seguindo até ao Largo de Airas, onde resta um pequeno troço de calçada com cerca de 50 m formada por grandes lajes de pedra, continuando pela «Estrada Real» até desembocar na EN1)
Albergaria de Souto Redondo (m.p. XVI no reencontro com a EN1 junto da Malaposta de São Jorge, antiga albergaria medieval; seguia depois o traçado da EN1 pela actual rua da Malaposta, passando junto da Mamoa da Quinta da Laje, Mamoa da Laje e Mamoa da Carvalhosa)
Escapães (m.p. XVIII; referência à via romana como «extrada que vadit de Colimbrie de Vimeario» num documento de 1129 (Bastos, 2006), ou seja, a «estrada que vai para Vimieira de Coimbra», povoação situada a sul de Mealhada; continua pela EN1, marginando a Capelinha da Meia Légua, onde toma a rua da Estrada Real que segue paralela à EN1, interrompida pouco depois com a construção dos novos viadutos da EN223, na milha 17, continuando depois pela rua Frei Luís de Sousa, rua da Banda de Música e rua Prof. Vicente Reis)
Arrifana (m.p. XIX junto da Igreja Matriz; possível mutatio junto do topónimo Manhouce, a «vila maniozi» num documento de 1085, PMH DC 385; nó viário, sucessivamente hospital medieval e estalagem da «Estrada Real» no cruzamento com uma via este-oeste que ligava Arouca ao Atlântico por Vila da Feira; árula a Júpiter Conservatori por Valeria Marcella, actualmente "esquecida" no Museu Soares dos Reis; continua pela rua Dr. António Gomes Rebelo e rua da Fundição)
São João da Madeira (m.p. XX junto da Igreja Paroquial; referência à via em 1088 como «illa strata de iusta illa ecclesia de sancti ioanni», in PMH DC 704; a via cruzava o actual centro urbano, junto da Capela de Santo António, continuando pela rua Visconde de São João da Madeira, rua Comendador Rainho e rua de Cucujães)
Faria (m.p. XXII; continua pela rua Dr. Ângelo da Fonseca e rua da «Via Militar Romana» até ao rio Úl)
Ponte Medieval da Pica (m.p. XXIII; pela directriz da via é possível que a travessia original fosse ligeiramente a montante; daqui continua por Cavadas do Couto, cruzando a EN1 e seguindo pelo caminho defronte que foi cortado pela A1 300 m depois; a via reaparece do outro lado da A1 rumo à travessia da ribeira do Cercal na base da possível atalaia conhecida pelos topónimos «Castelo» e «Torre Antiga», subindo a encosta por troço lajeado com marcas de rodados rumo ao Castro de Lações; seguia talvez paralela à estrada actual [EN227-1] pelo caminho de terra que passa abaixo de Lomba)
Lações de Cima (m.p. XXV; a 25ª milha era vencida junto do , junto da bomba de combustíveis; o Castro de Lações ocupava a área actual Santuário do Monte da Sra. de La-Salette que terá destruído os vestígios do povoado; act. 2024)

Rota para o rio Vouga: a generalidade dos autores faz seguir a via por Oliveira de Azeméis rumo a Úl, onde apareceu miliário, continuando pelo percurso da antiga Estrada Real ou «Estrada dos Reis» por Branca e Albergaria-a-Nova até Albergaria-a-Velha (Sousa, 1960). No entanto, o Frei Bernardo de Brito dá notícia do achado de um miliário no Castro de Gião, actual Castro de São Julião, pelo que a via antiga poderia seguir antes em altura junto deste povoado, continuando pelo viso da serra até ao Povoado do Bronze Final de Ns. do Socorro, descendo daqui a Albergaria-a-Velha. Este trajecto poderá ter sido abandonando mais tarde a favor de um percurso pelo vale adoptado pela Estrada Real que seguia pelo Pinheiro da Bemposta e Branca. A ser assim, a passagem desta via por Úl parece obrigar a um rodeio desnecessário, dado que existe um percurso mais directo e mais facilitado entre o Castro de Lações e o Castro de São Julião. O miliário de Úl poderia assim assinalar um ramal desta via partindo do Castro de Lações para sudoeste (act. 2024).

  • Miliário de S. Gião/S. Julião: em 1597, Frei Bernardo de Brito regista uma inscrição que apareceu entre outra «pedraria» junto do Castro de São Julião. Na descrição de Brito, «no alto de hum monte que fica entre os lugares de Albergaria, & Bemposta, em fronte de outro chamado Pinheiro, no cume do qual se vem inda claramente os sinais de muros antigos, que cercão grão parte da coroa do monte, (...) me disserao se chamava Castelo de Gião, (...) achey pela parte Nascente muita pedraria lançada pela quebrada da serra (...) que a meu ver foi padrão posto na estrada» (Brito, 1609:4). Brito transcreve as letras COS VI / P IX PF / VAC XII P. M.» que interpretou como sendo um miliário indicando 12 milhas ao rio Vouga, dado que este é mencionado nas fontes clássicas como Vaccua em Estrabão (Geo. III, 3, 4), Vacca em Plínio (NH. IV, 35) e Vacus em Ptolomeu (Geo. II, 5). O problema é que a distância entre o povoado e o rio Vouga ronda as 10 milhas; assim das duas uma, ou o miliário foi deslocado de um local 2 milhas a norte (bastante improvável atendendo ao local do achado), ou o marco indica a distância a outra estação 12 milhas mais a norte, distância que nos coloca em S. João da Madeira, tradicional ponto de paragem desta rota, que por sua vez está a 20 milhas de Cale (act. 2023; sobre esta inscrição ver Pereira, 1907; Souto, 1941; Oliveira, 1943:50; Baptista, 1948a; Alarcão, 2004a; Mantas, 1996:332-336, 2019b).

Continuação do Itinerário XVI pelos povoados de São Julião e Ns. do Socorro
Partindo de Lações de Cima, continuava junto do Castro de Lações (actual Santuário de Ns. de La Salete), Capela de Ns. do Carmo e Alminhas de Cidacos em direcção ao cruzamento do rio Úl/Antuã no topónimo «Porto de Carro» (junto do povoado de Lomba de Vilar) e daqui ascende a encosta de Macinhata da Seixa (designada por «Macinhata da Pousada» em 1420; mamoas), subindo pelo Seixo até ao Alto do Monte, e daí pelo viso do monte por Sanfins e Alto da Raposeira, passando junto do povoado fortificado conhecido por Crasto da Mó; continua por Alviães, Alfange, seguindo pela vertente nascente do Castro de São Julião, povoado do Bronze Final dominando a povoação de Branca; a estação viária poderia estar junto ao castro, na encruzilhada de Espinheira, dado que este local se encontra a 10 milhas do rio Vouga; o povoado é referido num documento do ano 922 como «Abranca» (PMH DC 25) e no ano de 1088, como «Castro de Abranka» (PMH DC 708). Há também referência à «albergaria da Castineyra» nas inquirições de Dom Afonso II sobre Auranca de 1220, incluindo os terrenos «quantum laborauerint sub estrada» (LPMG, 36). Retomando o percurso em Espinheira, continuava pelo viso da serra por Fradelos até ao Castro de Ns. do Socorro (m.p. XXXVI; a 6 milhas ao Vouga e a 20 a Langobriga, possível localização de Talabriga), e daqui por Urgueiras seguia para Albergaria-a-Velha onde reúne com o traçado da Estrada Real em (act. 2024).

TALABRIGA (Sra. do Socorro?)
A sua localização permanece incerta, no entanto, segundo o Itinerário de Antonino, este povoado estaria a 40 milhas de Coimbra, o que posiciona esta estação junto do Povoado de Ns. do Socorro, quadrifinium da divisão entre as freguesias de Branca, Albergaria-a-Velha, Valmaior e Ribeira de Fráguas, ocupando portanto um ponto central do território e com domínio visual sobre toda esta área. Foi Costa Veiga quem inicialmente lançou a hipótese de Talabriga se localizar neste povoado do Bronze Final, sem evidência de ocupação posterior pelo que terá sido abandonado. O topónimo «Talabriga» tem o significado de «outeiro plano», morfologia que se adequa a este cabeço aplanado com um vasto campo visual sobre o vale de Albergaria-a-Velha. João de Almeida refere a existência de um castro "luso-romano" (Almeida J., 1948:46), mas até hoje não há registo de qualquer vestígio de povoamento no local. Sobre esta questão ver ainda a nota 1 dos I.A. em "Viação Romana" (ver também Pereira, 1907; Arêde, 1938; Madahíl, 1941; Souto, 1941; Oliveira, 1938 e 1943, Baptista, 1948a, Seabra Lopes, 2000a e 2000b; Silva AMSP, 2015) (act. 2024).

  • Variante do Monte de Ns. do Socorro ao Vouga por Mouquim (10 m.p.)
    Esta via deriva do itinerário principal na base do Santuário Ns. do Socorro, seguindo para sudeste junto da Capela da Sra. da Luz, rumo à travessia do rio Caima em Valmaior (2 m.p. junto ao cemitério). Continuava por Mouquim (rua Vale do Carro), Póvoa (4 m.p.) e Carvoeiro, onde cruza o rio Vouga, junto da Foz do Caima (5 m.p.). Continua por Soutelo (6 m.p.), Beco (7 m.p.), Macida de Cima (8 m.p.), Cavadas de Cima e Carvalhal da Portela, reunindo com a via principal no Alto de Giestal onde vence a décima milha (act. 2024).

Albergaria-a-Velha (m.p. XXXVIII; na Alta Idade Média era designada por «Albergaria veteris de Meigonfrio» ou seja, «a albergaria velha de Mesão Frio» [Oliveira, 1967:54-56], fundada por D. Teresa no século XII segundo documento da Carta de Couto de Assilhó [DMP DR 49]. É possível que a mutatio romana estivesse também neste local situado na base do Monte de Mesão Frio, actual Santuário de Ns. do Socorro, eventualmente construído sobre um antigo povoado castrense; segundo Mário Saa a expressão «frio» tem aqui o sentido de local deserto, despovoado (Saa, 1956:145); desvia da EN1 para cruzar a povoação pela rua 1º de Dezembro e rua Mártires da Liberdade, antiga «rua da Calçada»)
Serém de Cima (m.p. XLI; há referências a um miliário nesta antiga mala-posta; segue pela rua Central, descendo depois a encosta de Gândara pela rua da Estrada Real e rua da Estrada Velha, onde existiam vestígios de calçada entretanto soterrados, cruza a EN1 para Pontilhão e chega ao rio Vouga; Baptista, 1942; Seabra Lopes, 2000a)
Travessia do Rio Vouga (m.p. XLII; a ponte actual é uma reconstrução setecentista da primitiva ponte quinhentista da qual ainda são visíveis os pilares e os arranques dos arcos; no período romano a travessia deveria ser por barca, dado não existirem vestígios de uma anterior ponte romana; Baptista, 1947)
Cabeço do Vouga (povoado da Idade do Ferro fortemente romanizado dominando o cruzamento do Vouga; no topo do cabeço subsistem ainda muitos vestígios das estruturas romanas)

VACCA
A relevância dos vestígios e a posição estratégica do povoado do Cabeço do Vouga levaram à sua identificação com Talabriga (Girão, 1923, Alarcão, 1988, Lopes, 1995, 2000a). No entanto, as distâncias indicadas no Itinerário XVI não batem certo com esta localização dado que a distância entre o Vouga e Mondego ronda as 34 milhas, enquanto o Itinerário de Antonino indica 40 milhas para este percurso (o que coloca esta estação junto do Povoado de Ns. do Socorro em Albergaria-a-Velha, como referido acima), pelo que a designação deste povoado poderia antes derivar do nome antigo do rio Vouga, Vaccua em Estrabão (Geo. III, 3, 4), Vacca em Plínio (NH. IV, 35) e Vacus em Ptolomeu (Geo. II, 5). Esta hipótese tem forte tradição na historiografia nacional após o século XVI quando Frei Bernardo de Brito publica o achamento de uma inscrição do Vale de Ossela, assinalando a presença de coortes da Legião X Fretense nos praesidia de «VACE OSCEL LANCO CALEN AEM» (Brito, 1609:3). A identificação destes praesidia não oferece grandes dúvidas, como Oscela no Castro de Ossela, Langobriga no Castro do Monte Redondo (Fiães), Cale no Porto e Aeminium em Coimbra. Nesta lista de civitates da região litoral entre Douro e Vouga, estranha-se a ausência de Talabriga, que aqui aparece substituída pelas iniciais VACE, apontando para a existência de um território Vacensis e o respectivo oppidum em Vacca ou Vacua (daí o topónimo rua da Cidade de Vaccua em Lamas do Vouga). O abandono do Castro de Ns. do Socorro ainda antes da conquista romana poderá ter ditado a sua substituição como cabeça de território pelo povoado do Cabeço do Vouga, que por sua vez, apresenta importantes vestígios da Idade do Ferro e Romano. Deste modo, interessa recuperar esta antiga proposta que identifica o povoado do Cabeço do Vouga com o oppidum de Vacca de Plínio (act. 2024).
Mapa
Marnel>


Águeda




Mealhada


Coimbra




Mondego


Conímbriga















Cabeço do Vouga (Vacca?) - Coimbra (AEMINIUM) - Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA) m.p. XXXIV
A continuação da via para sul não seguiria a Estrada Real por Lamas do Vouga e a Ponte Medieval do Marnel (segundo proposta de Baptista, 1947), mas por caminho alternativo a este do anterior que partia um pouco a montante da ponte sobre o Vouga, junto do sítio do Carvalhal, ascendendo ao Alto do Giestal (m.p. XXXII), onde reencontra a EN1, continuando pela rua 25 de Abril. A via é referida num documento medieval como strata maiore (PMH DC 578).
Mourisca do Vouga (m.p. XXXI junto da Viela do Marco, possível referência a um miliário; a trigésima milha seria vencida no cruzamento com a rua dos Moleiros, actual divisória entre freguesias)
Águeda (m.p. XXVIII junto da travessia do rio Águeda; albergaria medieval na rua do Barril; recentemente foi identificado um troço lajeado logo após o cruzamento do rio, seguindo a antiga «Estrada Real» por Sardão, Chão da Moita, m.p. XXVII nas Alminhas, e Brejo; cruza a zona industrial de Barrô e a ribeira do Porto da Moita seguindo pelo caminho actualmente cortado pela IC2; continua pela «Estrada Velha» até à Capela da Sra. da Alumieira em Landiosa, m.p. XXIV; logo depois cruza a ribeira do Cadaval)
Aguada de Baixo (m.p. XXIII junto da Capela da Sra. da Memória em Aguadela; em ara votiva a Cusei Baeteaco em Aguada de Cima; continua pela rua Alto da Póvoa)
São João da Azenha (m.p. XXII junto da Capela de São João; nos anos 70 ainda existia um «trecho das guias marginais de lajes calcárias»; continua pela EM1656, passando junto das capelas de Ns. da Ajuda e dos Aflitos, onde vencia a m.p. XXI)
Avelãs de Caminho (m.p. XX atingida no cruzamento com a rua Portela, actual divisória entre freguesias)
Anadia (m.p. XVIII; segue a poente do Castro de Anadia por Malaposta e Vendas da Pedreira)
Aguim (m.p. XVI; continua sob a EN1 por Alpalhão, m.p. XV, e Sernadelo, m.p. XIV)
Mealhada (m.p. XIII; cruza a povoação pela rua Costa Simões?)

Vimieira (m.p. XII; provável mutatio a 12 milhas de Coimbra dado que aqui apareceu um miliário de Calígula, CIL II 4640, indicando essa distância (Corrêa, 1971); foi descoberto durante a construção da linha do norte entre 1856 e 1857, inter Fornos et Pedreira, a cerca de 1 milha a sul da Mealhada (Almeida, 1956) e actualmente encontra-se no átrio da C.M. da Mealhada; o local exacto da mutatio ainda não é seguro; a ocidente da via há vestígios de uma provável villa conhecida por «Cidade das Areias» (Lopes, 1981). Em Casal Comba apareceu uma estatueta de Mercúrio, divindade protectora dos caminhos)

Nó viário da Vimieira
  • A mutatio poderia ser propriedade de Caius Fabius com base numa inscrição dedicada à divindade Tabudico achada na villa da Quinta de Ns. do Amparo (Murtede), onde surge cognominado de viator, actualmente no Museu da Pedra em Cantanhede (Alarcão, 2004, p. 49); na igreja paroquial de Murtede existe uma outra ara votiva, incorporada na pia baptismal.
  • A via romana surge em documentos medievais como «karraria de illa Vimeneira» no ano 973 (in PMH DC 106) e noutro de 1095 como «strada de uiminaria» (in PMH DC 817), mostrando a relevância desta estação ainda durante o período alto-medieval; referência ainda à «estrada velha coimbram» num documento de 1288, junto da «Mealhada Má» (DL, II, fl. 64; Carvalho, 1950:218).
  • Ramal para Montemor-o-Velho por Póvoa da Lomba, segundo Vasco Mantas (1996:328-332), partia da Vimieira por Silvã (EM615, Enxofães e Cordinhã (de onde poderia partir uma via vicinale servindo as villae a sul, com vestígios na Quinta do Mancão, Pardieiros, Várzeas, Portunhos e Ançã), seguindo depois pela EM1038 por Póvoa da Lomba (povoado proto-histórico em Mosqueiros, cerca de 600 m a sul da via; daqui poderia haver ligação à villa de Tentúgal passando na Lagoa de Outil e Portela); a via continuava próximo de Zambujal (junto da possível mutatio do Monte Salgado, onde apareceram bases de coluna e muita cerâmica, a 10 milhas de Montemor) e seguia por Gordos (próximo de Zambujeira), continuando para Montemor por Meco, Vale Canosa, Boleta e Carapinheira, passando nos topónimos viários Estrada, Cruz de Santo António, e pelos altos da Cavalinha e São Gens atingia o Castelo de Montemor.
  • Ramal para Montemor-o-Velho por Cantanhede, outra possibilidade proposta por Jorge de Alarcão poderia seguir por Ourentã (villa em Bouças), Cantanhede, Lemede, Casal de Cadima (em torno do Alto de São Gião, a villa em Pelício e respectivas necrópoles em Pedra do Sino e Mata Pinto), descendo por Arazede (referência em 1099 à «strada maiore que vadit pro ad Cantoniede.» no doc. LP 108) e Amieiro até Montemor-o-Velho (ara a Júpiter proveniente do sítio romano da Capela da Sra. do Desterro, junto da EN111; RAP 281 e FE 629). Possível ligação por Lomba ao porto fluvial da Forca (Alarcão, 2004:40).

Continuação para Coimbra
Seguindo por Quinta da Malaposta (m.p. X), Carqueijo (m.p. IX), Santa Luzia (m.p. VIII), Sargento-Mor (cruza a povoação passando nas Alminhas de São Romão e continua sob a EN1 passando a poente da villa na Quinta de Lagares, relacionada com a milha VI; a via é referida num documento do ano 968 como «carrale que discurrit ad ciuitas conimbrie»; PMH DC 95). Daqui seguia por Adémia de Cima (m.p. IV junto do trifínio entre as freguesias de Trouxemil, Torre de Vilela e São Paulo de Frades; o miliário de Calígula indicando 4 que apareceu em Coimbra estaria originalmente neste local onde hoje se cruzam estrada e linha férrea; continua pela rua Cerâmica Ceres e rua Coimbra) e Pedrulha (num documento do ano 933 é via é referida como «carraria maiore» (PMH DC 39), assim como «uia que discurrit ad sanctum romanum» no ano 1094 (PMH DC 807). Nesta área há também referência às «terris de Alvalat» (LP, 305) que provém do árabe 'al-balat' que significa 'caminho calcetado'; daqui a via continua por Venda da Fontoura, margina a Capela de Ns. de Loreto, m.p. I em direcção à estação Coimbra-B, junto da qual foi detectado um troço da via durante as obras para construção de uma passagem subterrânea, projecto entretanto abandonado. Depois de cruzar a ribeira de Coselhas, a via seguia talvez junto da Gafaria/Hospital de São Lázaro, fundada em 1209 por testamento de D. Sancho I, cujos restos ainda são visíveis na Azinhaga dos Lázaros.

AEMINIUM (Coimbra)
Importante oppidum a 40 milhas de Talabriga e a 10 milhas de Conimbriga; a localização de Aeminium em Coimbra é atestada por uma lápide honorífica dedicada ao imperador Constâncio Cloro pela Civitas Aeminiensis que apareceu na Couraça dos Apóstolos e actualmente está no Museu Machado de Castro, MNMC 150 (Figueiredo, 1888); o museu tem uma colecção de epígrafes funerárias proveniente da necrópole junto da porta oriental, local que recebia o aqueduto; neste museu estão também depositados dois miliários, um tem a inscrição já muito danificada e por isso ilegível, e o outro é o miliário de Calígula indicando 4 milhas a Coimbra que apareceu em 1774 reutilizado na Couraça de Lisboa, junto ao Arco da Traição; estaria originalmente em Adémia de Cima; o museu assenta sobre um magnífico criptopórtico romano que na época suportava o antigo forum de Aeminium e é hoje uma das construções romanas mais bem preservadas em Portugal; há vestígios do cruzamento do decumanus maximus com o cardus maximus no canto SE do edifício (Alarcão, 2008a e Mantas, 1992 e 1996).

Travessia do rio Mondego (MONDA) (a ponte medieval foi construída em 1132 por ordem de D. Afonso Henriques e posteriormente reconstruída em 1513 no período manuelino, não havendo evidências de uma ponte anterior romana; continuava depois junto do «Portugal dos Pequenitos», onde iniciava a subida da encosta pela rua da Volta das Calçadas, seguindo depois por Carrascal da Várzea pelas ruas Vitorino Planas e Capitão Pereirinha até confluir na chamada «Estrada Antiga de Lisboa»; há referência à via no ano 1088 como «publica uia que ducit ad sanctaren», PMH DC 700)
Cruz dos Morouços (m.p. II junto das Alminhas do Sr. dos Aflitos; cruza a EN1 e segue a antiga rota da Estrada Real por Ladeira da Paula)
Antanhol (m.p. IV; acampamento militar romano, também chamado de «Cidade Velha dos Mouros/Mata Velha», importante sítio arqueológico porém nunca estudado e entretanto destruído com a construção do Aeródromo de Coimbra, possível povoado fortificado reutilizado como posto militar na época Republicana; a via passaria na sua base pelo lugar do Adro Velho; há uma referência à estrada como «via publica» num documento do ano 1087, atestando a sua importância; PMH DC 676)
Venda do Cego (m.p. V; villa entre Picoto e Malga; cruza o IC1 e segue por Arneiro e Vendas de Pousadas)
Cernache (m.p. VI; cruza a ribeira de Casconha e segue por Orelhudo)
Eira Pedrinha (m.p. VIII junto do povoado do Bronze Final conhecido por "Castelo", junto da Capela da Sra. da Piedade onde apareceram vestígios romanos, incluindo tijolos de coluna e um pavimento de opus signinum (Vilaça, 2012:21); daqui a via seguia para o cruzamento da ribeira de Bruscos na Ponte da Atadôa, m.p. IX, onde no século XVI ainda estavam várias inscrições, uma deles mencionando um natural de Conimbrica (Barreiros, 1561:49-50), seguindo depois por mais uma milha até à sede da Civitas Conimbricensis)

Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA)
Na área de influência da cidade apareceram sete miliários, um em Tamazinhos, outro em Soure e os restantes cinco foram achados dentro da cidade ou no seu aro, e estão no Museu Monográfico, dois de Constâncio Cloro, um de Galério Maximiano e outro de Tácito, e mais recentemente apareceu um outro fragmento miliário talvez de Tácito (FE 737); existem dois cipos enterrados junto da porta norte da cidade que poderão ser miliários anepígrafos, mas também podem ser colunas retiradas de algum edifício da cidade; o abastecimento de água era assegurado pela captação do Castellum Romano de Alcabideque, através de um aqueduto com pouco de mais de 3 km de extensão, grande parte enterrado no solo, excepto na chegada à cidade, onde foram utilizados arcos para manter o seu nivelamento; apareceram também inscrições relacionadas com o culto das águas, a ara dedicada aos Lares Aquitibus e ara a Aquiae Sacrum. Junto desta entrada da cidade apareceu uma ara aos Lares Viales; o porto fluvial da cidade poderia situar-se no braço do Mondego que alcança a zona de Venda da Luísa/Anobra, ligando depois à cidade por Sebal Pequeno e pela Ponte do Barroso)
Mapa
Tamazinhos




Tomar


















Santarém






Variante
Torres
Novas





Condeixa-a-Velha (CONIMBRIGA) - Tomar (SEILIUM) - Santarém (SCALLABIS)
O I.A. indica 34 milhas para este trajecto o que é manifestamente insuficiente para cobrir a distância entre Conímbriga e Tomar, provável localização de Seilium, dado que a distância em linha recta ronda 37 milhas e o percurso proposto totaliza 42 milhas. Apesar desta dúvida, o percurso não oferece grandes dificuldades, seguindo por Tamazinhos, Ateanha, Várzea de Aljazede e Venda das Figueiras em direcção a Tomar (Mantas, 1996). Em Conímbriga, saía pela chamada "Porta de Tomar" cujos vestígios são ainda visíveis junto do parque de estacionamento do museu. No entanto, o trajecto da estrada continuava para sul pela Ponte de Atadôa, cruzando depois a Mata da Alfarda, passando a nascente da cidade. Esta era acedida seguindo a via transversal ligando os nós viários de Eira Velha e Soure que passa em Conímbriga. Continuava pela base nascente do Cerro da Pêga, servindo a partir daqui de linha divisória entre concelhos. Continua para sul pelo caminho rural do Outeiro, marginando diversos vestígios romanos como em Lameiras (Póvoa das Pegas), Algar de Janeia, Janeia Velha e Enxurreira e Lameiras, fazendo supor que estes teriam uma função viária. Continua por Zambujal e Porta d'Angere, onde há referências a um possível miliário "com letras", correspondente à milha V, continuando pela Cruz do Morto, onde vencia a milha VI. Na outra margem da ribeira de Carálio Seco assenta a monumental villa Romana de Rabaçal)

Tamazinhos, Penela (m.p. VIII na base do Cerro de Juromelo; continua por estradão de terra junto do habitat de Lameiros, existindo vários troços em calçada ainda bem conservada na subida para o cruzamento da Quinta da Ribeira perto da qual foi encontrado o miliário de Décio indicando 8 milhas a Conímbriga, actualmente em exposição Museu do Rabaçal. Cruza a ribeira de Alcalamouque e segue o estradão de terra por Portela de Casas Novas e Cabeço da Revolta, margina o casal de Vale de Abrunheira até atingir a base do povoado do Cabeço de Ateanha, a milha X)
Aljazede (m.p. XI; continua pela Várzea de Aljazede e Vale de Camporez passando junto do habitat de Poço Carril/Vinha Morta pelo caminho rural a sul da Póvoa por Algar, Estalagem, Furadouro, Terra de Maçãs/Celeiros e Campo da Lagarteira, servindo de linha divisória entre os distritos de Leiria e Coimbra, cruza o ribeiro de Camporez e segue por Palmoeiro e Castelos até entroncar na EN560)
Cumeeira (cruza a ribeira da Sabugueira junto do povoado de Castelos)
Venda das Figueiras (m.p. XIV na capela; possível mutatio em Freixial, no caminho paralelo à EN110)
Tojeira, Avelar (m.p. XVI; reúne com a EN110 e segue por Pontão e Venda Nova)
Chão de Couce (continua pela EN110 por Vendas de Maria, Carvalhal, Venda de Barqueiros, Fonte Pedra e Carvalhal de Pussos)
  • Possível mutatio em Melgaz, trifínio entre freguesias. Este local está situado sensivelmente a meio-percurso da via Tomar - Conímbriga, a 22 milhas de Conímbriga e a 20 milhas de Tomar pelo que aqui deveria existir estação. A via corre em grande parte paralela ou coincidente com a actual estrada nacional N110. Possível referência à estrada num documento de D. Sancho I (1174-1211): in stratam Colimbrianam et uadit per ipsam stratam ad aquam de Valle de Cupis, podendo este último topónimo corresponder a este local; continua por Cabaços (Pussos), onde vencia a milha XXV.
  • Variante por Alvaiázere: segundo autores como Costa Veiga e Mário Saa, existia um itinerário alternativo que saía de Chão de Couce rumo Alvaiázere (Veiga,1943:11-12; Saa, 1956:218-219), continuando depois próximo de Maçãs de Caminho e do vicus da Rominha, por Sobreiral, rua da Calçada Romana, Feteiras (calçada da Cortiça e calçada do Ramalhal) de encontro à Via XVI no nó viário do Rego da Murta.
  • No documento da doação da herdade de Almofala («hereditate de Almafala») em Maçãs de Dona Maria, surgem referências à «stratam Colimbrianam» e a uma outra «stratam veteram», mas de difícil localização (DDS, 185).

Continuação do trajecto para Tomar
Rego da Murta (m.p. XXVII; nó viário e provável mutatio; a Igreja de São Pedro assenta num podium de um possível santuário associado à via que seguia entre dois povoados proto-históricos romanizados, a poente, o Castro de Avecasta, e a nascente, o Castro de São Saturnino, sendo a milha 30 era vencida nas proximidades deste último; continua pela «Estrada Velha» até Farroeira, onde desvia da EN110 pouco antes do km 77)
Casal da Farroeira (m.p. XXIX; continua por Casais e Fonte do Tojal, na milha XXX)
Vila Verde (m.p. XXXI; casal rústico junto da via; continua por Daporta)
Fonte da Laje (m.p. XXXII)
Portela de Vila Verde (m.p. XXXIII; topónimo Calçadas)
Ponte de Ceras (m.p. XXXIV, 8 milhas a Tomar; uma fotografia tirada nos anos 20 mostra um fragmento de miliário junto à ponte; Guimarães, 1927:31)

SEILIUM
Estação viária ainda sem localização segura que tem sido colocada em Tomar. No entanto, a contagem miliária aponta para a sua possível identificação com o Castro de Ceras, a 34 milhas a Conímbriga, referido num diploma régio de Fevereiro de 1159 (DMP, DR I, doc. 271). Trata-se do documento de doação do Termo de Ceras aos templários por D. Afonso Henriques, referindo-se aí o castrum quod dicitur Cera, especificando que então estaria já em ruínas. A ideia inicial de Gualdim Pais era reconstruir a velha fortificação, mas o projecto acaba por ser abandonado a favor da construção do Castelo de Tomar que é iniciado logo um ano depois (Barroca, 1997:178). Os vestígios do Castelo de Ceras ainda eram visíveis cerca de 1542, tendo sido registados pelo Dr. Pedro Álvares Seco, mas em 1799, segundo Viterbo, já pouco havia a registar (idem). Actualmente ainda há dúvidas na localização deste castelo, com Salete Ponte apontando para o Monte do Alqueidão, seguindo a proposta de Amorim Rosa (Ponte, 1997:292), enquanto João Romão propôs a sua localização no vizinho Monte das Castelhanas, onde encontrou vestígios de um recinto amuralhado (Romão, 2012:99). Depois de cruzar a povoação de Ceras, a via continuava pelos topónimos Calçadinha e Ferradura (act. 2023).

Freixo, Alviobeira (m.p. XXXV; continua por Feiteira; a poente, o povoado fortificado do Cabeço da Pena)
Pintado (m.p. XXXVII; castro romanizado do Cabeço da Pena em Calvinos; segue a EN110 pelo Alto do Pintado, onde havia vestígios de calçada)
Vale da Trave (m.p. XXXVIII)
Venda Nova (m.p. XXXIX)
Calçadas (m.p. XL; troço com cerca de 100 m designada por Calçada de Tripeiro, entretanto destruída; continua por Alvito e Bacelos, entrando na cidade)

Tomar (m.p. XLII a Conímbriga - XXXIV a Santarém)
Vestígios do forum nas traseiras do quartel dos bombeiros; dois miliários encontrados na margem esquerda, no Cerrado de São João do Couto, actualmente no Museu do Carmo em Lisboa, o miliário de Tácito, CIL II 6197/CIL II 4959 sem indicação da distância e o miliário de Maximiano, CIL II 6198/CIL II 4960, que segundo Hübner indicaria a milha I, mas actualmente ilegível; outros dois miliários anepígrafos foram mais recentemente descobertos durante obras na Av. Norton de Matos. Há também notícia do achado de um miliário na rua do Everard que terá sido deixado enterrado no local. Inquirições a vizinhos de Tomar em 1135 mencionam o termo «Cêlho» associado ao lendário Abade Célio que terá origem no antigo topónimo Seilium, sendo que Tomar foi também designada por «Santa Maria de Celho» (Guimarães, 1927:107; Alvim, 1961:124).

Travessia do rio Nabão: não há qualquer vestígio de uma possível ponte romana sobre o Nabão; a chamada «Ponte Velha» não apresenta qualquer sinal de romanidade, e o mesmo se passa com a Ponte de Oleiros/Ferrarias mais a jusante; foto; apesar de haver referências a uma ponte desde o ano 1219, não são conhecidos vestígios dessa ponte e nem qual seria a sua localização original. Pelo alinhamento do trajecto, o local de travessia poderia ser junto da Igreja Templária de Santa Maria do Olival, onde apareceram miliários (act. 2024).

Miliários de Delongo: em 1666 Jorge Cardoso dá notícia da existência de dois possíveis miliários em Delongo a sul de Tomar, estando «hum distante do outro hum quarto de legoa», ou seja estavam separados por uma milha, indiciando a passagem da via nesta área, nas proximidades da travessia da ribeira de Beselga em Marmeleiro. O primeiro marco (hoje perdido), terá aparecido em Santa Catarina, a «hum tiro de espingarda do lugar da Delongo». O segundo marco apareceu na «Quinta das Coelhas» em Santo Estevão (local hoje desconhecido), estando associado à lenda dos Santos Mártires; foi transferido para junto do «Casal das Abadessas», local sobranceiro à ribeira da Beselga, onde era venerado pelos viandantes e onde há vestígios romanos (seria antigo santuário romano). Entretanto o cipo foi levado para o jardim de uma casa particular ali próximo (Cardoso, 1666:762; Mantas, 1989, 1992a:44, 2012b:309; Batata, 1997:211) (act. 2024).

Itinerário de Tomar a Santarém por Golegã (XXXIV m.p.)
Partindo da margem direita do Nabão seguia aproximadamente a rota da EM535 por Algarvias, continuando pelo CM1130 por Casal de São Miguel (3 m.p.), Casal de Freiras (4 m.p.) e Marmeleiro, onde cruza a ribeira da Beselga (5 m.p.), continuando por Delongo até ao nó viário de Santa Catarina (6 m.p.), onde cruza a via Coimbra-Tancos. Continua por Venda de Peralva (7 m.p.), Alto da Casa Branca (8 m.p.), Quinta da Margarida (9 m.p.) até Atalaia (10 m.p.; possível miliário na rua Luís Picciochi). A partir daqui corresponde ao percurso da «Antiga Estrada Real», descrita no «Roteiro Terrestre», actual EN365, por Ponte da Pedra (12 m.p.) e Golegã (17 m.p.; a meio-percurso), seguindo depois a margem direita do Tejo (próximo existe a villa de São Miguel/Quinta dos Álamos). Daqui cortava a direito pela antiga Ilha de Alvisquer, cruzando o rio Almonda junto da Quinta da Broa (a «Ponte de Almondega» no Roteiro Terrestre), continuando por Azinhaga, onde haveria nova estação viária, a 12 milhas de Santarém. Há diversos vestígios romanos (e anteriores) nesta área, assim como um possível povoado em Pombalinho. A via continuava sempre recto pela Quinta da Lezíria, passagem dominada pelo povoado de Chões de Alpompé, na base do qual se regista o topónimo «Vale da Carreira», seguindo rumo à travessia do Alviela junto à Cruz da Légua, onde há notícia de um extenso troço calcetado junto dos topónimos Barreiras da Bica e Boavista que deverá corresponder ao trajecto da via. Como o próprio nome indica, a Cruz da Légua indicava 4 milhas a Santarém, podendo também haver aqui um estabelecimento viário, atendendo ao achado de estruturas, sigillata e moedas em torno deste local, designado por sítio de Cirne. Daqui a via seguia até a Ribeira de Santarém, onde se regista o topónimo «Entrada do Campo de Santarém», atingindo a 34ª milha na base do morro do assentamento de Scallabis.

Santarém (SCALLABIS) (oppidum e mansio; sede do Conventus Scalabitanus; na Alcáçova de Santarém, actual Jardim das Portas do Sol, apareceu um miliário de Probo, actualmente na Igreja de Santo Agostinho da Graça; a área foi escavada e os achados estão em exposição no novo Centro de Interpretação «Urbi Scallabis». Na Casa da Alcáçova existem vestígios do podium e cella do Templo Romano de Santarém. Um ramal da via romana acedia ao povoado, talvez pela Calçada de São Domingos, junto da necrópole, entrando na cidade pela antiga Porta de Leiria junto da Igreja de Nossa Senhora da Piedade; percorria depois a actual rua Capelo e Ivens até ao cruzamento com a rua 1º de Dezembro, num local conhecido por «Canto da Cruz», possivelmente o ponto de cruzamento do decumanus com o cardus da antiga urbe; uma derivação daria acesso ao porto fluvial em Alfange, onde apareceu uma estátua do deus Harpócrates)

Chões de Alpompé: o importante povoado de Chões de Alpompé, ocupando um cerro situado junto da foz do rio Alviela, a cerca de 8 milhas a norte de Santarém controlava o comércio fluvial do rio Tejo, havendo vestígios de um acampamento militar Republicano. Poderá corresponder à "cidade" de Morón mencionada por Estrabão a 500 estádios do mar (cerca de 92,5 km), valor coerente com esta localização.

    Variante de Tomar a Santarém por Torres Novas
    Alguns autores fazem passar a via romana para Santarém por Torres Novas, percurso referido num documento de 1213 como «Estrada de Turribus» (Mantas, 1990:225, Romão, 2012); no entanto, apesar de esta estrada poder remontar ao período romano não parece corresponder ao traçado principal que seguia, mais próxima do Tejo, por Golegã e Azinhaga tal como a Estrada Real. Partindo de Tomar, seguia talvez por Madalena rumo a Paialvo (em 2004 apareceram vestígios de calçada em Casal Salgueiro, durante obras na linha férrea, restando o topónimo «Rua da Via Romana»; ver notícia). De Paialvo seguia a actual linha divisória entre os concelhos Tomar e Torres Novas, passando em Casal de Soudos, rumo à travessia da ribeira de Pé de Cão na chamada «Ponte Romana» (mas que será posterior). Vestígios no sítio do Paraíso/Paraísas sugerem a existência de uma estação viária a 8 milhas de Tomar. Continua junto do Casal de São Brás em Vargos e pela calçada junto do cemitério de Valhelhas, e daqui a Gateiras (topónimo Porto da Laje), onde começa um troço bem conservado em calçada com cerca de 1500 m que passa a sul da Quinta da Torre de Santo António (actual Quinta do Marquês), próximo da qual cruza a ribeira de Arripiado numa ponte dita "Romana" (Romão, 2012), e segue pelo troço de calçada entre o Casal da Quebrada e Fonte do Bom Amor para atravessar o rio Almonda na confluência com a ribeira do Alvorão junto a Torres Novas (m.p. XV; ver Carta Arqueológica; imponente Villa Cardillio cujo espólio está no Museu Municipal Carlos Reis), seguindo depois um hipotético trajecto por Brogueira, Alcorochel (por Casal da Capela, Várzeas, Casal da Varjas, Casal da Roca, Casal do Mau Dente, Quinta dos Formigais, Valverde, Pedregal, Espinhal e Sobral) e São Vicente do Paúl onde cruza o rio Alviela (talvez nas proximidades dos extensos vestígios de Torrão, Gamacho e Outeiro do Bairrinho, continuando junto do topónimo Corredoura), Torre do Bispo (continua por Alcaidaria), Póvoa de Santarém, cruza a ribeira de Cabanas junto da Quinta de Vale de Lobos, continuando talvez próximo do sítio romano das Besteira rumo a Santarém.
Mapa
Alenquer








Loures


Lisboa










Ponte de
Alcântara



Santarém (SCALLABIS) - Alenquer (IERABRIGA) - Lisboa (OLISIPO)
Santarém (continua pelo trajecto da «Estrada Real» por Vila Chã de Ourique, cruzando o rio Maior na Ponte da Asseca («Ponte Secca» no «Roteiro Terrestre»), local a uma légua de Santarém; segundo Vasco Mantas a via continuava pelo troço em calçada da Quinta do Malpique; Mantas, 2002)
Cartaxo (a via seguia um trajecto mais interior a fim de evitar o grande Paúl da Ota)
  • Ramal de ligação a Porto Sabugueiro/ Rio Tejo: um ramal deveria cruzar o rio Tejo no sítio de Esfola-Vacas, cruzando o rio rumo ao importante povoado Porto de Sabugueiro, na outra margem, evidenciando uma larga diacronia de ocupação relacionada com o comércio fluvial.
Pontével (provável mutatio; referência à via vetera num documento do ano 1200; há calçada «acima da Fonte da Concha, à Horta d'Ourives, junto ao Pinhal da Rola» e duas pontes antigas com possível origem romana, a Ponte Velha sobre a ribeira de Pontével e a Ponte da Ribeira da Fonte, esta entretanto destruída)
Aveiras de Cima (continua por Casais da Milhariça)
Ota (Povoado pré-romano da Ota numa colina a poente; cruza o rio Ota e continua pela rota da EN1, desviando depois pelo Alto da Forca por onde descia ao rio)

Alenquer (provável mansio no lugar de Paredes, referência ao paredão romano que se encontra na rua das Fontes, designada por villa vedra nas «Memórias Paroquiais» de 1758; os vestígios do povoado romano, certamente um vicus viário, abrangem uma área delimitada por Paredes, Quinta do Bravo, Quinta das Sete Pedras e Quinta de Sta. Teresa; na necrópole da Quinta do Bravo apareceu um miliário de Adriano, CIL II 4633, assinalando reparações na via, «refecit», actualmente no Museu do Carmo em Lisboa; na Quinta de Santa Teresa apareceu um outro miliário possivelmente indicando 35 milhas a Lisboa (Mantas, 2017); na villa da Quinta da Barradinha há notícia de um miliário inédito que seria dedicado a um imperador da dinastia dos Flávios (Mantas, 2012a); no Pinhal do Alvarinho apareceu um tesouro monetário; depois de cruzar o rio Alenquer junto da Quinta do Bravo, a via continuava por Quinta de Araucásia, Quinta dos Santos, Carambancha e Quinta da Ferraguda)
Carregado (continua por Guizanderia, Quinta de Santo António, cruza o rio Grande da Pipa no local da Ponte da Couraça e daqui segue a EN1 pela Quinta de São José do Marco)
Castanheira do Ribatejo (vestígios no Bairro da Gulbenkian, na base do povoado fortificado do Monte dos Castelinhos provável localização de Ierabriga; habitat em Mouchão; villa em Sub-serra)
Povos, Vila Franca de Xira (villa ou vicus no sítio da Escola Velha, talvez relacionado com um porto fluvial; vestígios no Casal da Boiça e no sítio da Igreja Velha em Cachoeiras; Pimenta, 2007)
Vila Franca de Xira (vestígios na Travessa do Mercado e no Vale da Ribeira de Santa Sofia; continua pela EN1 por Alhandra)
Alverca (lápide funerária de Marcus Licinius na parede exterior da antiga Casa da Câmara; cupa funerária de Amoena na urbanização de Bom Sucesso; por volta de 1630 Coelho Gasco menciona um miliário de Constâncio Cloro indicando a milha XXIII que apareceu na Travessa do Açougue Velho, actualmente desaparecido, CIL II 306, 4632; todavia, as 23 milhas indicadas excedem em muito a distância entre Alverca e Lisboa que é aproximadamente de 18 milhas, sendo por isso provável um erro na leitura de Gasco, tal como propôs Vasco Mantas, trocando o numeral «XVIII» por «XXIII» o que é bastante plausível; a via passaria no centro de Alverca e seguia para Alfarrobeira, local onde teria existido uma mutatio, bifurcando nas duas variantes descritas a seguir; Gasco, 1924; Mantas, 1996, 2012; Guerra, 2012)

Itinerário para Lisboa por Loures
A recente descoberta de dois miliários no vicus viarum de Almoínhas em Loures veio reforçar esta variante por Loures como o itinerário principal para Lisboa. A via cruzava o núcleo urbano de Loures, marginando o povoado romano, onde poderia existir uma estação viária tipo mutatio, estrategicamente situada no local onde a via bifurcava, para nordeste rumo a Santarém e para noroeste rumo a rumo a Eburobrittium (Óbidos) e a Collippo (Leiria), trajecto descrito aqui. Deste modo, o trajecto do Itinerário XVI correspondia a esta variante de forma a evitar o percurso pela margem direita do rio Tejo que era inundável no período de Inverno (Brazuna et al, 2012; Guerra, 2012; Mantas, 2012a).
Vialonga (EM501 por Morgado e Quintanilho)
São Julião do Tojal (atravessa o rio Trancão em Junqueira; calçada; tesouro na Quinta da Bandeira)
Santo Antão do Tojal (passa a EN115 e segue por Quinta Velha, onde havia vestígios de calçada, continua por São Roque e Quinta do Sacouto até à travessia do rio Loures)
Loures (vicus de Almoínhas, junto do Palácio da Justiça, onde deveria existir uma mutatio dado que aqui foram recolhidos dois miliários tardios, actualmente em exposição no Museu Municipal na Quinta do Conventinho, um deles, de Licínio, indicando X milhas que corresponde à distância daqui a Lisboa; a via seguiria a rota da EN8)
Ponte de Frielas sobre a ribeira da Póvoa (em 1907 apareceu na Quinta de Santo António uma epígrafe com a inscrição «[…] / BONO / REIP NATO», ou seja, «nascido para o bem da república», e logo reutilizada nos alicerces da quinta actual; a inscrição, da qual resta apenas um desenho, foi interpretada por Vasco Mantas como um miliário que estaria originalmente junto da Ponte de Frielas; de facto, esta expressão é registrada também no miliário da Quinta da Lagoa em Moimenta da Beira; 2 km a norte da ponte há vestígios de uma villa romana junto da Capela de Sta. Catarina, tendo aqui aparecido uma caixa de selos, raro testemunho do sistema de correio; não muito afastada desta há vestígios de outra villa na Quinta do Belo em Unhos; da ponte a via seguiria pelo vale de Póvoa de Santo Adrião (ara), subindo depois a Calçada de Carriche rumo ao Alto do Lumiar)
Lisboa (continuava por Entrecampos, antigo «Campos de Alvalade», onde apareceram dois cipos funerários, continuava talvez pela antiga via designada por «Corredoura» na Idade Média que deverá corresponder a um percurso pela rua Visconde de Santarém, Calçada de Arroios, Rua de Arroios e rua dos Anjos, onde terá havido necrópole, continuando pelas actuais ruas do Benformoso, da Mouraria e do Poço de Borratém, seguindo depois sob a Baixa Pombalina entre as ruas dos Douradores e dos Fanqueiros até à zona ribeirinha, terminando o seu percurso muito provavelmente junto da Casa dos Bicos dado que aqui apareceu o referido miliário de Probo que actualmente está no Museu Municipal. Aqui seria muito provavelmente o local onde se fazia a travessia do rio Tejo para Cacilhas, onde recentemente apareceu outro miliário, este reutilizado na Rua da Canastras; FE 831; Mantas, 1996; Banha da Silva, 2012)

  • Variante para Lisboa por Sacavém e Chelas pela margem direita do Tejo
    Esta variante deriva da variante por Loures na zona da Alfarrobeira, onde poderia existir mutatio, seguindo depois por Póvoa de Santa Iria (vestígios na Quinta de Santo António de Bolonha; epitáfio do Oliponense Rufinis), São João da Talha, Bobadela (junto da Quinta da Parreirinha), cruza o rio Trancão junto a Sacavém (no século XVI Francisco d'Holanda refere uma ponte romana neste local com 15 arcos, da qual publica um desenho; parece que há vestígios dos alicerces mas não seguro que fosse uma obra romana). Continua talvez pela rua José Luís de Morais e rua António Ricardo Rodrigues até Portela, cruzava a zona de Olivais, seguindo junto da necrópole de Poço de Cortes na Av. do Santo Condestável e por Chelas (lápide honorífica a Trajano Adriano no antigo convento de Xabregas; lápide na Quinta da Bela Vista). Daqui segue estrada de Chelas, passando junto do Convento de São Félix de Chelas, onde estaria um suposto miliário referido em 1652 por Marinho de Azevedo na sua obra «Antiguidades e Grandezas da Mui Insigne Cidade de Lisboa» e posteriormente registrado por Hübner (CIL II 4631); no entanto, a epígrafe não parece ter carácter viário, sendo portanto duvidoso). Continua até Cruz de Pedra (talvez a milha um), seguindo pela Calçada da Cruz de Pedra e rua da Santa Apolónia, chegando a Alfama pela rua do Mirante, rua do Paraíso (junto da necrópole de Campo de Santa Clara), rua dos Remédios, Largo do Chafariz, rua de São Pedro e rua São João da Praça, entrando na área amuralhada da antiga cidade pela desaparecida Porta de Alfama, uma das portas da muralha romana conhecida por «Cerca da Moura». A via marginava a Igreja de São Vicente de Fora onde apareceu uma ara honorífica de Vespasiano e ara a Júpiter, terminando na zona ribeirinha de Lisboa junto da Casa dos Bicos)

OLISIPO (Lisboa) (m.p. CCXLIV)
A cidade romana ocupava toda a encosta do Castelo de São Jorge, estendendo-se pela zona da Sé até ao cais fluvial na actual Baixa Pombalina, zona onde existiam diversos complexos industriais para preparados de peixe e respectivas cetárias ainda visíveis no interessante Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros, zona portuária sobranceiro ao antigo braço do rio Tejo que se estendia da actual Praça do Comércio até à Praça da Figueira, onde foi descoberta uma necrópole e vestígios de uma calçada cruzando a «Baixa Pombalina» até à zona ribeirinha; há também vestígios de uma ponte sob a antiga rua do Arco da Bandeira, actual rua dos Sapateiros, cruzando o braço do rio que chegava à Praça da Figueira; porto fluvial no Cais do Sodré; em Alcântara, vocábulo que provém do árabe «al-quantara», «a ponte», existia uma ponte em cantaria sobre a ribeira de Alcântara, presumivelmente com origem romana dada a sua tipologia, observável num mapa de 1580. Além do núcleo dos Correeiros, existiam vários outros complexos industriais marginando o Tejo como na Casa dos Bicos, rua dos Fanqueiros, Rua dos Bacalhoeiros, Convento Corpus Christi e Casa do Governador da Torre de Belém, mas actualmente pouco resta da antiga Olisipo. Aliás, a cidade romana só reaparece em consequência do terramoto de 1755, sendo registrados na época vários vestígios monumentais que atestam a relevância da cidade sede do municipium Olisiponense em contexto romano, como sejam as Termas Romanas dos Cássios na rua das Pedras Negras, referidas numa inscrição como Thermae Cassiorum, o Teatro Romano de Nero na rua de São Mamede, o criptopórtico da rua da Prata e um possível circo ou hipódromo na Praça do Rossio, onde as várias epígrafes da Igreja de São Nicolau apontam para uma necrópole. A presença Fenícia em Olisipo foi finalmente comprovada com a recente descoberta de uma estela funerária Fenícia durante as escavações Armazéns Sommer, a primeira evidência de escrita na Península Ibérica (Neto et al., 2016). Há vários miliários distribuidos pelos museus de Lisboa (act. 2024:

Item a BRACARA ASTURICAM m.p. CCXLVII
Mapa


































Via XVII por Ciada






Via XVII por Pindo
























Chaves
















ITINERARIO XVII - Braga (BRACARA) - Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Astorga (ASTURICA)
Item a BRACARA
ASTURICAM

SALACIA
PRAESIDIO
CALADUNO
AD AQUAS
PINETUM
ROBORETUM
COMPLEUTICA
VENIATIA
PETAVONIUM
ARGENTIOLUM
ASTURICA

m.p. CCXXXVII
m.p. XX
m.p. XXVI
m.p. XVI
m.p. XVIII
m.p. XX
m.p. XXXVI
m.p. XXVIIII
m.p. XXV
m.p. XXVIII
m.p. XV
m.p. XIIII
O traçado principal do Itinerário XVII de Antonino tem suscitado muitas dúvidas apesar dos muitos miliários conhecidos (actualmente cerca de 32), dando origem a várias propostas de trajecto e variantes. A primeira descrição do seu percurso foi feita pelo bispo de Uranópolis, informador de Contador de Argote que viria a publicá-la em 1732 na sua grandiosa obra intitulada «Memorias para a Historia Ecclesiastica do Arcebispado de Braga». Desde então muito se tem discutido acerca do verdadeiro trajecto destas vias, assim como sobre a localização das respectivas estações intermédias, dando origem a uma grande diversidade de propostas. A estação de Ad Aquas mencionada no itinerário corresponde seguramente a Chaves que viria a designar-se posteriormente por Aqua Flaviae. Sobre a localização das outras estações desta rota não há ainda consenso entre investigadores. Em 1958, Lereno Barradas revê o relato de Argote e acrescenta novos dados arqueológicos num extenso artigo sobre este itinerário. Mas só em 2005, no âmbito do projecto «Vias Augustas» foi feito um levantamento sistemático do traçado da via, com base no extenso trabalho de Rodríguez Colmenero, Luís Fontes e outros autores do qual resultou a limpeza e sinalização do trajecto. No entanto, no troço entre Braga e Chaves, estes autores optaram por fazer passar o itinerário pela variante setentrional que vai por Gralhós, Cortiço, Arcos, Alto do Pindo, Malhó, Sapelos e Pastoria até Chaves, servindo a importante região mineira do Vale do Rio Terva, trajecto aliás assinalado por diversos miliários. Apesar da sua utilização em período romano ser inquestionável, este trajecto não deve corresponder ao Itinerário XVII pois este é bem mais longo. De facto, através da indicação da distância a Braga em dois desses miliários, 59 milhas no Alto do Pindo e 65 em Lapavale (Sapelos), em conjunto com um outro que indicava 5 milhas a Chaves encontrado na Serra da Pastoria, podemos concluir que a distância total de Braga a Chaves não ultrapassaria as 72 milhas, valor bastante abaixo das 80 milhas indicadas no itinerário. Claro que poderá haver erro no itinerário, mas a indicação de 43 milhas a Chaves num miliário da Ponte do Arco (ponte sobre a ribeira da Borralha, o «rio Canhua» em Argote (Argote, 1734:574), ponte actualmente submersa pela albufeira da barragem da Venda Nova), só poderá ser explicada através de um trajecto mais longo. Deste modo, o trajecto do Itinerário XVII teria de utilizar a variante mais setentrional que seguia pela importante região mineira em torno de Solveira e Vilar de Perdizes, área de grande concentração de vestígios romanos. A estação de Caladuno deveria estar nesta área, muito provavelmente correspondendo ao vicus viarum da Veiga de Vilar de Perdizes. De facto, este local corresponde a um nó viário de onde partia uma outra via para norte rumo a Geminas, seguindo por Vilar de Perdizes, Lucenza, Seoane de Oleiros e Xinzo do Lima. Ora, em toda esta área, conhecida por Veiga de Vilar de Perdizes, apareceram significativos vestígios romanos, como a ara dedicada a Larouco, ainda hoje a designação da serra vizinha, e o altar da Pena Escrita que regista a presença militar que aponta a sua identificação com a estação de Caladuno. Depois da análise das diferentes propostas de percurso, propomos o seguinte traçado e localização das estações. A primeira estação, designada por Salacia, estava a 20 milhas de Braga, distância compatível com a sua localização no Castro de Vieira do Minho (Colmenero, 2004). Não nos parece que a via seguisse a rota da actual EN103 por Ruivães como tem sido proposto (Fontes e Roriz, 2012), traçado que deverá ser posterior. A segunda estação, designada por Praesidio, estava a 46 milhas de Braga, devendo por isso localizar-se entre Pisões e Penedones embora não seja segura a localização exacta desta estação. Pela marcação miliária, a milha 46 era vencida na Cantina de Leiranque, onde apareceu um miliário, posteriormente reutilizado na Cruz de Leiranque e que entretanto foi transferido para um largo da aldeia de Viade de Baixo após a construção da barragem do Alto-Rabagão. A designação Praesidio sugere um assentamento militar, possivelmente uma statio para controlo da via, hipótese que se adequa à elevação vizinha, conhecida por Alto de Leiranque, mas não há notícia de vestígios romanos neste local. A mansio romana poderia estar duas milhas adiante, num local conhecido por Leira dos Padrões, onde há vestígios romanos já referidos por Argote como «Vila Miel». Além disso, o topónimo «Padrões» sugere a existência de miliários neste local, embora se desconheça o seu paradeiro. Daqui a via continuava até à aldeia de Travassos, onde apareceu outro miliário. Julgamos que a via bifurcava neste local nas duas variantes referidas acima. Para leste seguia a variante meridional cruzando o rio Rabagão, continuando por Arcos, Pindo, Vale do Terva e Serra da Pastoria. Por sua vez, a variante setentrional, mantinha a sua directriz. seguindo ao longo da margem esquerda do rio Rabagão talvez por São Vicente da Chã e Codeçoso até Alto da Ciada, junto do qual existia um povoado romano, possivelmente uma vicus viarum. Daqui seguia ao longo do vale da ribeira da Assureira passando em Solveira, atingindo a estação de Caladuno que deverá corresponder ao vicus da Veiga. Daqui seguia para Chaves por Soutelinho da Raia, Castelões (miliário), Calvão (miliário), Vale de Anta (miliário) e Casas dos Montes (miliário). Ver também bibliografia: Pinheiro, 1895; Barradas, 1956; Colmenero, 1987; Redentor, 2002; Colmenero et al.; 2004; Maciel, 2004; Fontes, 2005 e 2012. Os miliários estão na sua maioria nos seguintes museus: MDDS - Museu D. Diogo de Sousa || MRF || Museu da Região Flaviense || MAB - Museu Abade de Baçal


BRACARA (Braga)
Em 1835, durante a construção do Hospital de São Marcos apareceu um miliário de Caro, CIL II 4760, actualmente no MDDS com o nº 1992.0674; mais tarde, em 1917, nos alicerces da enfermaria do mesmo hospital, apareceram mais doze miliários conhecidos por série de Wickert que os transcreveu nos anos 50 mas entretanto perdidos, entre eles um miliário de Cláudio indicando uma milha, outros a Galério, Crispo, Licínio, Constante e Constantino Magno; na sua periferia temos a necrópole de São Lázaro, actualmente terrenos da Sta. Casa da Misericórdia. A via partia do Largo Carlos Amarante, cuja área corresponde à grande Necrópole da Via XVII, onde seria a milha zero, tomando depois a rua do Raio, passa junto da Fonte do Ídolo, atravessa a Av. da Liberdade junto do antigo edifício dos CTT, sob o qual apareceu um troço da via, continua ao longo da margem direita do Rio Este pela rua do Raio, Igreja da Senhora-a-Branca, onde recentemente apareceu uma necrópole e restos da via, Igreja de São Vítor, rua D. Pedro V e rua de São Vítor-o-Velho actualmente cortada pela antigas instalações da Fábrica Confiança; continua pela rua do Pulo e rua Nova de Sta. Cruz, antiga EN103, saindo depois pela rua da «Estrada Velha»; neste troço apareceram dois miliários deslocados na antiga Quinta das Goladas, situada na rua Padre Manuel Alaio, o miliário de Tibério indicando uma milha, actualmente no MDDS com o nº. 1992.0642, e o miliário de Constâncio Cloro, CIL II 4763, transladado em 1920 pelo proprietário para a Casa de Pielas em Painzela, Cabeceiras de Basto que na época detinha as duas quintas (Colmenero et al., 2004)

Gualtar (em Areias, junto da EN103, apareceu um miliário de Heliogábalo indicando a milha III, CIL II 4766, actualmente no MDDS com o nº. 1992.0671; continua pelas ruas de Cavadas, Lameirão, Ribela, CM1294 e em Queixadas toma o CM1296)
Este de São Mamede (continua pelos lugares da Venda e Bemposta, onde começa um troço de calçada que percorre a Serra dos Carvalhos, próximo do povoado romanizado de Eiras Velhas; num documento do ano 1056 este troço é designado por «carral antiqua», LF 60; continua pela rua de Carvalho)
Pinheiro, Póvoa do Lanhoso (a via passa junto dos topónimos viários «Calçada» e «Laje Grande», contornando pela vertente norte o outeiro onde se encontra o castro romanizado do Castelo de Lanhoso; cruza a ribeira do Pontido onde um troço lajeado, e sobe ao «Carvalho Centenário» de Calvos, passando junto do Dólmen da Tojeira)
Calvos (cruza a ribeira de Frades em Amareira e segue por Botica e Torrão, junto do cemitério)
Serzedelo (cruza a EM600 e toma o caminho de Botica de Baixo a Pardieiros; continua aproximadamente paralela à EN103 por actual caminho de terra que segue pela rua dos Lameiros e zona industrial, desviando logo depois para Pepim)
Tabuaças (cruza o lugar de Pepim e segue o caminho pelo vale até ao lugar de Sanguinhedo, de onde passa para Vieira do Minho depois de transpor a elevação designada por «Outeiro Alto»)

SALACIA, m.p. XX, mansio a 20 milhas de Braga, localiza-se no Castro de Vieira, povoado romanizado nas proximidades de Vieira do Minho que se encontra precisamente a 20 milhas de Braga, no ponto onde cruza a ribeira de Cantelães; a estação viária poderia estar na base do castro, em Vila Seca ou no edifício recentemente descoberto no Campo da Igreja Velha em Cantelães.

Vieira do Minho (na base do castro desvia da EM526 e segue por Vila Seca, Tabuadelo e Pinheiro, seguindo a sul de «Parada Velha», sugestivo topónimo viário assinalando a passagem da via, iniciando pouco depois a subida à Serra da Cabreira pela sua vertente ocidental, seguindo talvez a calçada que leva à «Fonte do Confurco», seguindo depois pela «Portela da Serradela», onde ainda subsiste um troço com 500 m com vestígios de calçada, descendo depois à ribeira das Chedas que cruzaria na Ponte Poldro; daqui continuava por Espindo, onde toma o troço lajeado designado como «Caminho do Zebral» que passa nos topónimos Pontilhão, Cancelos, Gândara e Ponte Velha do Caldeirão, seguindo paralela ou coincidente com a estrada actual)
Zebral (m.p. XXXI; Argote refere dois miliários junto da «Capela de São Martinho» em Zebral; num deles lia-se ESAR. AUG / STR. XVIII, sugerindo tratar-se de um miliário de Augusto (CIL II 4776), e no outro apenas se podia ler as letras CAESAR . AVG . / IMP . V . POT / III (Argote, 1734:633; CIL II 4775); como no aro de Zebral não se conhece hoje nenhuma capela dedicada a São Martinho, é provável que Argote se referisse à Capela de São Pedro, onde de facto há um miliário onde se lê CAESAR / NCVS / IV; cruza o rio da Lage no Pontilhão dos Pardieiros)
Campos (m.p. XXXII; continua por Lamalonga e Alto do Cambedo, descendo depois à Ponte do Arco; Argote refere dois miliários junto a um ribeiro, próximo da aldeia de Campos: um era de Cláudio (CIL II 4770) e no outro apenas se lia 35 milhas (CIL II 4772), provenientes da «Portella de Rebordellos» (Argote, 1734:574), topónimo actualmente desconhecido; estranha-se um miliário neste local da milha 35 que era vencida mais adiante junto de Pisões. Poderá ser um erro na transcrição do texto do marco, confundindo o numeral XXXV com XXXII, o que é plausível; Argote refere mais dois miliários adiante da aldeia de Botica de Ruivães, «à vista do rio Canhua», um ilegível foi perdido e outro era dedicado a Trajano, indicando 43 milhas a Chaves (Argote, 1734:603), distância que era vencida na Ponte do Arco.
  • Ligação a Ruivães: é provável que de Botica partisse um ramal de ligação ao povoado romano de São Cristóvão em Ruivães, localizado junto da confluência dos rios Rabagão e Cávado.
Ponte Romana?-Medieval do Arco (m.p. XXXIV; 43 milhas a Chaves; cruza a ribeira da Borralha, o «rio Canhua» no tempo de Argote e actualmente submerso pela albufeira da barragem da Venda Nova; Contador de Argote, Martins Capela e Emil Hübner descrevem um miliário anepígrafo junto da ponte, CIL 4773, que deverá ser o mesmo que apareceu durante a construção da barragem; esteve muitos anos nos jardins do Bairro da EDP e actualmente está num jardim junto da EN103 à entrada da aldeia da Venda Nova; dois outros miliários desaparecidos foram referidos por Argote, um era de Adriano com o nº. 940 e outro era dedicado a Trajano com o nº 574, CIL II 4783, ambos indicando 43 milhas a Chaves (Argote, 1734:603), mostrando a crescente importância de Aquae Flaviae com a deslocação do ponto de origem da contagem das milhas para essa cidade; a via corre submersa junto da linha de água)
Padrões (m.p. XXXV; 42 milhas a Chaves; antiga Vilarinho dos Padrões, com 3 miliários: o Miliário de Tibério da milha XX[...] a Braga, actualmente no acervo do MNA, CIL II 4773; também será daqui o miliário de Cláudio indicando 35 milhas a Braga, actualmente no MRF (CIL II 4771, apesar de hoje já não ser visível o 'X' inicial; ), dado como proveniente da «Venda Nova»)
Venda Nova (m.p. XXXVI; ; antiga Venda dos Padrões; conhecem-se quatro miliário daqui, sendo que dois foram encontrados na parede do forno comunitário de Sanguinhedo, o miliário de Trajano actualmente no MRF como ARC431, CIL II 4782, e o miliário de Adriano, indicando 42 milhas a Chaves que actualmente está num jardim junto ao Castelo de Chaves; o terceiro é um miliário cortado a meio indicando também 42 milhas, CIL II 4774; a via corre submersa junto da linha de água)
Codeçoso do Arco (m.p. XXXVII; continua junto do Castro de Codeçoso, onde ainda resta um troço da via com 100 m lajeados descendo a encosta leste rumo a «Porto de Carros», local hoje submerso pela albufeira, onde cruzava o rio Rabagão na Ponte dos Três Olhais que Argote já viu em ruínas; cruzado o rio, subia por Lama do Carvalho até à aldeia de Currais)
Lama do Carvalho (m.p. XXXVIII; segundo Martins Capela existia um miliário de Cláudio na descida ao rio indicando 38 milhas a Braga; resta ainda um pequeno troço lajeado com 300 m passando num terreno a que chamam «Borrajeiro» ou «Lama do Carvalho», onde Argote refere a existência de um miliário de Tibério indicando a milha 38, entretanto perdido, CIL II 4777)
Currais (m.p. XXXIX; no Largo do Cruzeiro, encostado a uma casa, está um miliário anepígrafo; Argote refere outros miliários na aldeia provenientes do sítio dos «Padrões», actualmente desaparecidos, podendo um deles corresponder ao fragmento de miliário actualmente encastrado na parede de um forno da aldeia de São Fins; a milha 39 seria vencida no centro da aldeia seguindo depois um troço ainda conservado da via pelas actuais rua da Portela e rua de Fontelas; segundo Argote, a via passava nos topónimos «Subila», «Brea» e «Pedreira» rumo a Ladrogães (Argote, 1734:584), topónimos difíceis de identificar com precisão no terreno)
Ladrugães (m.p. XLI a sul da aldeia, no sítio da «Gêa», continua por «Cambella», junto da actual ribeira de Cambela, descendo ao rio pela Portela de Trás, onde terá aparecido a estela funerária com o epitáfio de Camalus, CIL II 2496 um Límico do Castellum Livairum)
Pisões (m.p. XLV; a partir daqui a via ficou submersa pela albufeira do Alto Rabagão)

PRAESIDIO (Cantina de Leiranco?)
Mansio localizada a 46 milhas de Braga ainda sem localização segura; a contagem miliária aponta para uma localização no Alto de Leiranque onde a via vencia a milha 46, assinalada pelo miliário da «Cantina de Leiranco» que foi reutilizado no Cruzeiro de Leiranque, actualmente em Viade de Baixo. Todavia não são conhecidos vestígios romanos atribuíveis a este povoado; em alternativa esta estação viária estaria mais adiante junto do povoado romano da Leira dos Padrões, seguramente uma referência aos miliários ali existentes e que em conjunto com a ara anepígrafa e tesouro monetário encontrados nas proximidades denunciam a existência neste local de uma estação viária, já referida por Argote como «Villa Mel», quando ainda se viam vestígios do assentamento. Toda esta área ficou submersa, mas a via reaparece precisamente na Leira dos Padrões, a milha 48, seguindo depois rumo a Penedones, onde vencia a milha 49, e daqui a Travassos.

Travassos da Chã (m.p. L; miliário anepígrafo convertido em cruzeiro e deslocado da via para o sítio do Padrão, junto do antigo traçado da EN103, provavelmente após a construção da Ponte da Pedra Seixa sobre o rio Rabagão, actualmente submersa pela albufeira)

Nó viário de Travassos da Chã: a via bifurcava no largo da aldeia nas duas variantes para Chaves, uma continuava pelo cemitério e pelo caminho do pontão para São Vicente da Chã para Caladuno, junto a Vilar de Perdizes, seguindo depois por Soutelinho da Raia, Castelões e Calvão até Chaves enquanto a outra, mais meridional inflectia para leste, seguindo o caminho que passa junto da Capela de São João para cruzar o rio Rabagão na base do Castro de São Vicente, continuando depois por Gralhós, Arcos e Alto do Pindo rumo a Chaves, percurso mais curto que o anterior, mas bem mais acidentado.

Itinerário XVII por Ciada
São Vicente da Chã (m.p. LIV; do pontão segue o caminho de terra que cruza a EN103 junto da Capela de São Gonçalo, na base do vicus viário do Alto da Carvalha, local de onde será proveniente a ara a Júpiter do sítio do Padrão ou das Almas colocada por Equales; FE 368; continua pela estrada para Montalegre até ao recente «Monumento do Jubileu», onde toma o caminho carreteiro à direita que passa junto do povoado romano da Veiga de Carigo, possível estação viária tipo mutatio, situada entre Medeiros e Peirezes, a 56 milhas de Braga, onde apareceu uma ara; cruza a EM308 e continua pelo CM1003 por Ternovale)
Laje Gorda (m.p. LIV)
Codeçoso da Chã (m.p. LV; Argote refere que a via passava nos topónimos «Casais» e «Portela de Orseira», topónimos hoje desconhecidos)
Meixedo (m.p. LVI; cruza a povoação e ribeira homónima e segue talvez pela Encosta do Biomal/Campelos)
Alto da Ciada (m.p. LIX; povoado romano no Alto da Ciada, 1 km a sudeste da aldeia de Gralhas, mas toda a área foi arrasada com a construção de um campo de futebol; deverá corresponder a um vicus viarum)
Solveira (cruza a povoação e no cemitério segue o caminho à direita; povoado mineiro da Telheira/Antas; a norte existem dois povoados da Idade do Ferro, o Castro de Soutelo e a Cidade de Grou)

CALADUNO (Veiga de Perdizes?)
Mansio a 62 milhas de Braga, identificada com os vestígios do possível vicus viarum da Veiga, a sul da aldeia de Vilar de Perdizes; nas proximidades existe um santuário rupestre, conhecido por Altar de Penascrita («pena escrita»). Aqui foi gravada uma inscrição dedicada à divindade local Laraucus por soldados da Legião VII Gémina. Na entrada norte do povoado, no sítio do Portelo, quando da abertura da EM508, apareceu uma ara votiva também dedicada à mesma divindade e uma outra dedicada a Júpiter, actualmente armazenadas na CM de Montalegre. Há ainda uma inscrição num penedo no lugar de Rameseiros. Todos estes dados apontam para a sua identificação com Caladuno, até porque daqui a Chaves contam-se as 18 milhas indicadas no Itinerário. A via romana passaria a sul do vicus, vinda de Solveira, para cruzar a ribeira da Assureira, continuando depois pelo caminho que actualmente delimita a fronteira com Espanha, passando junto do sítio romano do Carvalhal, que poderia ter também uma função viária.
  • Ligação de Caladuno a Geminas (28 m.p.): poderia existir uma derivação para norte a partir de Caladuno, seguindo por Vilar de Perdizes e Alto do Pindo, cruza o rio de Porto de Rei na fronteira actual, continuando depois por San Cristobal, Lucenza (miliário na Capela de Santa Marta e outro na povoação), Gudín, Bouzo, Seoane de Oleiros (miliário de Juliano), Moreiras, Xinzo de Lima e Torre de Sandiás, provável localização da estação viária de Geminas que servia a «Via Nova» rumo a Astorga (Losada, 2002).
  • Ligação de Soutelinho da Raia a Geminas (28 m.p.): daqui seguia uma outra via para norte rumo a Geminas, integrando uma grande rota proveniente de Chaves interligando os Itinerários XVII e XVIII. A via seguia por Videferre (2 m.p.) até confluir com a via Calduno-Geminas referida acima junto da fronteira luso-espanhola, local a 5 milhas tanto de Soutelinho como de Vilar de Perdizes (act. 2023).


Itinerário XVII de Caladuno a Chaves por Ervededo (m.p. XVIII):
Esta variante corresponde ao percurso mais longo até Chaves descrito no Itinerário XVII, ou seja, com mais três milhas que a variante por Calvão descrita acima. Deste modo, a distância total de Braga a Chaves por esta variante é de 80 milhas, ou seja, o valor indicado no Itinerário. Esta variante seguia de Soutelinho da Raia, a via continuava para nascente até ao Santuário de São Caetano (XI m.p.; necrópole), onde inflectia para sul, passando na base no Castro do Alto das Coroas (povoado fortificado romanizado a 10 milhas de Chaves), Ervededo (IX m.p. no sítio do Couto, onde apareceram moedas), Sra. dos Desamparados, Sra. da Portela (III m.p.), Outeiro Seco e Santa Cruz (notícia de um miliário, actualmente desaparecido, talvez referente à milha II), seguindo depois um trajecto rectilíneo até Chaves.

Itinerário XVII de Caladuno a Chaves por Calvão (m.p. XV):
Continuação do percurso do Iter. XVII seguindo por Soutelinho da Raia (entra pela rua Fonte Fria e inflecte para sul, passando a poente do possível vicus de Pardieiros). Continua pela «Calçada do Facho» em Castelões, percorrendo o sopé do Povoado de Facho de Castelões (junto da via apareceu um possível miliário anepígrafo, talvez indicando 9 milhas a Chaves; estelas de guerreiro da Idade do Bronze). Continua por Calvão (onde apareceu um miliário, actualmente deslocado para a entrada da aldeia, que deveria assinalar 7 milhas a Chaves), seguindo depois pela Ponte Guilherme, passando a poente do povoado romano do Outeiro da Torre. Pouco depois cruza a ribeira do Calvão e sobe à Serra do Ferro rumo a Soutelo (4 m.p. a Chaves), seguindo depois por Vale de Anta (2 m.p. a Chaves; notícia do achado de um miliário anepígrafo na povoação, mas que originalmente estaria junto do topónimo «Alto do Marco»; na igreja apareceu uma placa honorífica a Treboniano Galo). Daqui a via seguia para Chaves, entrando na cidade por Casas dos Montes (junto da Capela de São Bartolomeu, defronte da qual está ainda um miliário anepígrafo, talvez ainda in situ, indicando uma milha ao Tâmega. Continuava pela calçada descoberta em 2014 sob um edifício perpendicular à rua 1º de Dezembro até ao centro urbano de Aquae Flaviae.

Variante do Itinerário XVII pelo Alto do Pindo
Travessia do rio Rabagão (m.p. LIII, na base do Castro de São Vicente; este local está hoje submerso pela albufeira do Alto Rabagão; a via reaparece mais adiante, seguindo junto do Novo Bairro do Barroso e pela Estrada do Cemitério)
Gralhós (m.p. LVI, calçada atravessa a Ponte da Pedra sobre a ribeira de Rabagão por Avessó, ribeira do Cargual, Porto da Geia e Suavila)
Cortiço (m.p. LVIII; miliário anepígrafo reutilizado como pilar da varanda de uma casa no centro da aldeia e um pequeno fragmento na parede da mesma; outro fragmento de miliário convertido em bebedouro está no jardim da casa do Sr. Domingos, na estrada que liga a aldeia à EN103; a via cruza a aldeia e segue pela Ponte Romana? de Cortiço sobre o rio Beça, onde vencia a m.p. LIX, continuando junto do Alto da Pedra Moura e do topónimo «Breia», actual pela rua da Estrada/CM1001, passando assim a norte da aldeia de Vilarinho de Arcos)
Arcos (cruza a aldeia pela rua de Cima até ao Largo da Sra. da Saúde, tomando depois o caminho em frente em terra; na rua principal, perto da Sra. do Campo, apareceu em 1813 o miliário de a Cláudio indicando L[...] milhas, actualmente no MRF com o nº ARC398, CIL II 4770; a aldeia situa-se entre a milha 60 e 61 pelo que poderia indicar originalmente um desses valores; todavia um outro miliário de Tibério também descoberto na aldeia e reutilizado como pilar da varanda da casa do Sr. Manuel Moreno, actualmente no MRF com o nº ARC394, CIL II 4778, indica 59 milhas a Braga, distância que era cumprida não aqui, mas um pouco antes junto da Ponte do Cortiço (!); junto da Fonte Romana no centro da deia está outro possível miliário anepígrafo)
Pindo, Cervos (dois miliários provenientes do «Alto do Pindo», local onde a via inicia a descida da Serra do Leiranco rumo a Chaves; um fragmento de miliário de Cláudio, actualmente no pátio do Castelo de Montalegre e o miliário anepígrafo que esteve alguns anos no jardim da antiga escola de Cervos e que actualmente se encontra na JF de Arcos)
  • Hipotética ligação de Arcos à variante norte com base no miliário anepígrafo junto da Fonte de Tordavela na rua da Calçada em Antigo de Arcos, actual Antigo de Sarraquinhos; se não foi deslocado da via romana que passava a sul por Arcos e Pindo, poderia indiciar uma derivação para norte a partir de Arcos por Sarraquinhos de encontro ao Itinerário norte por Ciada; há dois trajectos possíveis: um seguindo para Solveira e outro seguindo por Pedrário (calçada e povoado) e Mexide rumo a Soutelinho da Raia.

Variantes do Alto do Pinto a Chaves
A partir da Portela do Pindo, situada na linha divisória entre os concelhos de Montalegre e Boticas, existem aparentemente dois percursos para Chaves. A «variante norte» segue um trajecto mais curto por Ardãos e Seara Velha, descendo depois à Veiga de Chaves por Soutelo e Vale de Anta, apresentando ainda vários troços de calçada e uma inscrição viária no lugar da Pipa próximo de Soutelo (Colmenero, 2004). Por outro lado a «variante sul», servia as importantes explorações auríferas do Vale do rio Terva como Batocas, Brejo, Sapelos e Poço das Freitas, marginando o Castro de Malhó e o vicus mineiro de Sapelos, onde nas proximidades se achou um miliário conhecido como «Pedra de Caixão», percorrendo depois as cumeadas da Serra até Pastoria, onde apareceu um Miliário de Trajano indicando 5 milhas de Chaves, descendo depois a Vale de Anta, onde reúne com o Itinerário XVII por Ciada.


  • Variante Sul por Sapelos e Pastoria
    Portela do Pindo (desce pela vertente SE da Serra do Leiranco, passando na base do Castro da Malhó)
    Nogueira (segue a nordeste da povoação, situada na base do povoado da Idade do Ferro designado por Castro da Nogueira)
    Bobadela (inscrição aos Lares Corcaeci servindo de pilar da pia baptismal da igreja; ara a Júpiter suportando a pia baptismal da Capela de São Lourenço; a via passa a leste da povoação e do Castro do Brejo/Cidadonha, cruzando o ribeiro do Ferrugento na base do Alto do Picão e seguindo ao longo da ribeira do Vidoeiro até Carvalhosa para cruzar a ribeira de Calvão na Ponte das Meãs; neste percurso a via passa próximo do povoado mineiro do Carregal associado à exploração da Mina do Poço das Freitas, subsistindo vestígios de rodados em Giraldo)
    Sapelos (m.p. LXVII; vicus viário; ara a Júpiter na capela, actualmente no Museu Rural de Boticas; o miliário de Augusto de Sapelos foi encontrado deslocado num carvalhal designado por «Lapavale» que fica a cerca de 800 m para nordeste da aldeia de Sapelos na serra de Lapabar, já convertido em sarcófago e era por isso chamado de "Pedra do Caixão"; apesar de danificado ainda se pode ler BRAC LXV[...] ou seja, indicava a distância a Braga num possível intervalo entre 65 e 68 milhas; o local fica na base do Castro do Muro ou da Cerca e junto da ribeira de Calvão, tendo defronte o povoado romano na Capela da Sra. das Neves/ Povo de Paredes, situado na confluência das ribeiras de Calvão e de Cunhas. Todavia, o seu local original seria outro, junto da via, talvez junto no topo da encosta onde se regista o topónimo «Padrão» e onde a via XVII vencia a milha 68; actualmente está no Centro de Interpretação do PAVT em Sapelos (Colmenero, 2004; Fontes, 2010); daqui descia a Serra da Pastoria, passando junto do Castro do Muro)
    Pastoria (m.p. V a Chaves; inscrição funerária de Camalus; miliário de Trajano indicando 5 milhas a Chaves, actualmente no MRF; aquando da sua descoberta estaria já deslocado e longe da via na «Serra da Pastoria», possivelmente como marco divisório, desconhecendo-se o local original da sua implantação, mas segundo o traçado proposto, este marco poderia estar à saída da aldeia da Pastoria, junto da Capela do Senhor dos Aflitos que fica a cerca de 5 milhas de Chaves (act. 2017); daqui segue um extenso troço ainda preservado seguindo pela calçada do Alto da Mortiça, entretanto cortado pela A24, continuando até Seara Velha onde entronca nas outras variantes mais a norte e daqui a Chaves)

AQUAE FLAVIAE (Chaves) (milha LXXX; mansio ad Aqvas no IA)
Argote refere quatro 4 miliários no aro de Chaves, miliário de Constantino, desaparecido (CIL II 4784), o miliário de Licínio que apareceu à margem do rio Tâmega, entretanto relocalizado em 2006; dois miliários de Adriano desaparecidos, um estaria na Igreja de São João de Deus e indicava a milha II (CIL II 4779) e o outro indicava a milha V e estaria junto da extinta Capela do Anjo no nº 6 do actual Largo 8 de Julho (CIL II 4780) de onde provém um outro miliário que terá sido apagado e reutilizado como base de cruzeiro no ano de 1602; referências ainda a um miliário de Décio indicando a milha VI e um miliário no Postigo das Manas, ambos desaparecidos; na Praça da República apareceu um miliário convertido em tampa de sepultura; no jardim junto ao Castelo de Chaves está cravado no solo o Miliário de Adriano proveniente da Venda dos Padrões; estão em curso as escavações do balneário termal no Largo do Arrabalde; o Museu da Região Flaviense guarda treze miliários, incluindo os três miliários achados na Venda dos Padrões, o Miliário de Cláudio de Arcos, Miliário de Tibério do Pindo, Miliário de Augusto de Sapelos, Miliário de Trajano de Pastoria, Miliário de Constâncio de Eiras, fragmento de Miliário de Caracala ou Adriano e vários outros fragmentos encontrados nas imediações de Chaves (Teixeira, 1996).
Mapa








































































ITINERARIO XVII - Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Astorga (ASTURICA)
AQUAE FLAVIAE
PINETUM
ROBORETUM
COMPLEUTICA
VENIATIA
PETAVONIUM
ARGENTIOLUM
ASTURICA
*proposta de correcção
**proposta de correcção

m.p. XX
m.p. XXXVI
m.p. XXVIIII
m.p. XV*
m.p. XXVIII
m.p. XV
m.p. XXIIII**
m.p. XXV
m.p. XIIII
Atendendo ao grande número de miliários e pontes romanas encontradas é hoje consensual que a Via XVII seguia pela região de Valpaços até Castro de Avelãs, às portas de Bragança. Partindo de Chaves, a via atravessava o Rio Tâmega sobre a Ponte Romana de Trajano, uma obra monumental e surpreendente, e uma das poucas que mantém o desenho original apesar da reconstrução de dois dos seus arcos. Ver na parte seca as grandes marcas de fórfex e a construção modular. Sobre a ponte estão duas colunas honoríficas, cópias de originais romanos; uma é designada por «Coluna de Trajano» ou «Padrão dos Aquiflavienses», assinala a construção da ponte romana no tempo de Trajano pelos Aquiflavienses, desconhecendo-se onde para o original, enquanto a segunda coluna, designada por «Padrão dos Povos» é uma inscrição honorífica feita pelas 10 civitates que compunham o municipium de Aquae Flaviae ao Imperador Vespasiano em agradecimento a alguma concessão imperial. A coluna original que apareceu em 1980 no leito do rio Tâmega está actualmente no átrio do MRF (Mendes, 2006; ver também o site do Projecto VIAS AVGVSTAS).

Nesta parte do Itinerário XVII há divergências entre os vários manuscritos medievais na indicação miliária nas etapas finais antes de atingir a ASTURICA, em particular na distância entre as estações de COMPLEUTICA e VENIATIA e na etapa final de ARGENTIOLUM a ASTURICA; apesar da distância total ser coincidente, há 10 milhas que ora são atribuídas ao primeiro caso ora ao segundo. De facto, enquanto o manuscrito de Paris datado do século X (Parisinus Regius 7230 A) surge a combinação XV milhas para a primeira e XXIIII milhas para a segunda, hipótese adoptada na edição de Cuntz; no entanto no manuscrito de Viena datado do século VIII (Vindobonensis, 181), portanto bem mais antigo, as distâncias intermédias indicas são XXV para a primeira e XIIII milhas para a segunda (Wesseling, 1735:423). Esta última versão parece ser a correcta pois é a única que permite acertar as distâncias intermédias com a estação de PETAVONIUM, situada com toda a probabilidade no acampamento romano da ala II Flavia, a oeste de Rosinos de Vidriales. Sendo assim, valores correctos seriam 25 milhas de COMPLEUTICA a VENIATIA e 14 milhas de ARGENTIOLUM a ASTURICA, valores que se adequam à realidade arqueológica e geográfica.

Chaves a Castro de Avelãs por Valpaços
Chaves (depois de atravessar o Tâmega a via seguia inicialmente a EN103, saindo desta pela rua da Senhora da Boa Morte até ao Cruzeiro, local onde vencia a primeira milha, onde estaria o miliário de Constâncio I que apareceu no lugar de Eiras; logo após o canal segue à esquerda e logo à direita, iniciando a subida Alto de São Lourenço pela rua da Calçada Romana, troço da via ainda bem preservada que passa na Capela da Sra. dos Aflitos, onde vencia a terceira milha)
São Lourenço (ascende a encosta pela Calçada de São Lourenço, troço lajeado onde Argote identificou um miliário anepígrafo deitado na berma da calçada ainda observado por Barradas em 1958, entretanto desaparecido; indicava seguramente a milha III; continua depois pela Casa dos Ferradores, Largo do Cruzeiro, milha IV, rua da Travessa, até à EN213; ao chegar ao chafariz segue para Juncal)
Ponte Romana de São Lourenço sobre a ribeira de São Julião/Cabanas/Palheiros (1 arco, a 500 m da povoação e segue por Arco e Lama)
São Julião de Montenegro (m.p. V; na igreja paroquial apareceram quatro miliários, dois estão dentro da igreja, o miliário de Macrino ou Carino e o miliário de Décio indicando a milha VI a Chaves, o miliário anepígrafo está no adro da igreja e um fragmento de um miliário de Flávio Dalmácio foi para a casa do Pe. Fernando Pereira em Vilar de Nantes; continua pelo Alto do Cavalinho, provável mutatio entretanto destruída, Falgueira, Poças, Alto da Gesta, no cruzeiro vencia a milha VI, inflecte para nascente cruza a EN213 e segue por Sra. do Barracão, Pardieiros, Ladeira Grande e a nascente do outeiro da Capela de Sta. Luzia no Alto da Penha Sá)
, Ervões (m.p. X; nas obras de demolição da Capela de Sta. Luzia apareceram dois miliários, o miliário de Macrino, actualmente num terreiro da casa de Hermínio Quintino e o outro foi reutilizado nas fundações da mesma; a via cruza a aldeia até confluir novamente na EN213)
Vilarandelo (m.p. XI; miliário de Macrino, apareceu na Capela do Espírito Santo dentro do cemitério e está actualmente no jardim junto ao mercado, junto com o miliário de Caracala que apareceu no pátio de uma casa particular de Vilarandelo com a particularidade de indicar o acampamento militar e mansio de Petavonium como ponto inicial para a contagem das milhas, já não se lendo no entanto o respectivo numeral; um outro fragmento de miliário foi para o MRF; a via continua junto da Capela do Sr. do Milagres, m.p. XII por Cerdeira, Pousadouro, Carriçal e Lama do Vale)
Lagoas (m.p. XV; continua a nordeste de Valpaços pela rua Calçada e «Caminho de Possacos»)
Possacos (m.p. XVII com 4 miliários, o miliário de Magnêncio que apareceu junto à Igreja e actualmente está numa casa particular em Carlão, o miliário de Flávio Dalmácio que apareceu nos alicerces de uma casa no Largo das Duas Fontes, actualmente no acervo do MNA, e mais dois miliários referidos no CIL II entretanto desaparecidos: miliário de Macrino? da Quinta do Pe. António de Sousa, CIL II 4790, miliário de Carino? da Quinta de Francisco da Costa Homem, CIL II 4792; a via desvia da EN206 à direita, pouco depois de cruzar a aldeia, e desce à ponte por calçada com 2 km)
Ponte Romana do Arquinho sobre o rio Calvo (m.p. XVIII; vídeo; miliário de Maximino e Máximo, CIL II 4788, actualmente cravado no adro da Capela de Ns. de Fátima em Vale de Telhas; indica reparações da via na frase vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt curante; referência a mais dois miliários nas imediações entretanto desaparecidos; depois da ponte a via sobe até à EN206 e daqui descia ao lugar da Barca, onde cruzava rio Rabaçal)
Travessia do rio Rabaçal (m.p. XIX; a Ponte de Vale de Telhas é uma construção medieval que reutiliza silhares com marcas de fórfex de uma ponte anterior romana, provavelmente localizada mais a jusante no lugar da Barca, onde apareceu um vasto conjunto de miliários que foram agrupados na Ponte Medieval e posteriormente deslocados para outros locais: o miliário de Galério foi para o Museu de Vila Real, o miliário de Maximino Daia está na casa da família Verdelho em Vale de Gouvinhas, o miliário de Constantino II e Constante I está junto da fonte da aldeia de Vale de Telhas, o miliário de Numeriano actualmente desaparecido e o miliário anepígrafo, referido por Hübner que poderá corresponder ao cipo actualmente na aldeia de Vale de Telhas a servir de banco; na aldeia existe ainda um miliário de Maximino e Máximo no adro da Capela de Ns. de Fátima, mas este seria proveniente da Ponte Romana do Arquinho em Possacos)

PINETUM (Valtelhas) (m.p. XX)
Estação viária a 20 milhas de Ad Aquas localizada no Castro do Cabeço da Mochicara junto da actual aldeia de Vale de Telhas, povoado situado a 20 milhas de Chaves onde apareceu uma ara dedicada a Júpiter pelo cidadão romano Publius Aelius Flaccinus, sinal de algum estatuto administrativo sobre este território, possivelmente como sede de civitas; a via romana margina o castro e segue pelo caminho praticamente abandonado que passa no sítio do «Alto da Estrada», m.p. XXI)

Bouça (m.p. XXII; continua pelo «Cruzamento da Bouça» onde existia um miliário indicando 22 milhas a Chaves, actualmente junto do Café «Estrela do Norte» em Ferradosa)
Fradizela (cruza a aldeia e segue a rua Direita até ao cemitério onde vencia a milha XXIV; neste local estaria o miliário anepígrafo actualmente partido em 3 fragmentos, um dos quais está na berma da EN206 à saída da povoação da Ferradosa; daqui toma o caminho à esquerda da capelinha até reunir com a EN206, continuando próximo dos topónimos viários Quinta da Calçada, Padrões, Redonda, Cabeço das Mós, Quinta do Ermidão e Estalagem, m.p. XVI, para cruzar a ribeira do Arquinho na Ponte Romana?-Medieval do Arquinho, onde volta a reunir com a EN206 e desce à Ponte da Pedra)

Ponte Romana da Pedra sobre o rio Tuela (m.p. XVII; magnífica ponte romana com 6 arcos que ainda hoje suporta o tráfego da EN206; esta ponte constitui um dos melhores exemplares da engenharia romana em Portugal em conjunto com a Ponte de Chaves e a Ponte da Vila Formosa no Alentejo e no entanto continua um pouco desprezada; a sua construção é tal modo avançada que foi considerada por muitos autores como moderna até aos anos setenta; silhares almofadados com marcas de fórfex não deixam dúvidas que se trata de uma construção romana, provavelmente nunca reconstruída)

Torre de Dona Chama (a via passa a norte da povoação e do Castro romanizado de São Brás até reunir com a EN206)
Vila Nova da Rainha (m.p. XXX, 1km antes da povoação, começa um troço da via com 900 m que segue paralelo à EN206 até ao centro da aldeia, onde existe um miliário anepígrafo a suportar uma varanda)
Nossa Sra. das Dores, Lamalonga (m.p. XXXI; troço da via com 1500 m ladeia a capela com um fragmento de um miliário junto ao Alto da Pinha, na entrada de uma casa com acesso à EN206, já convertido em peso de lagar, assinalando talvez 31 milhas a Chaves)
Lamalonga (no adro da Capela de São João apareceram dois miliários, o miliário de Constâncio Cloro, actualmente no MAB com o nº 1565 e um outro anepígrafo que terá sido destruído nos anos 70; Lopo, 1907)
Carvalhal, Lamalonga (m.p. XXXIII; miliário anepígrafo na berma da EN206)
Agrochão (m.p. XXV; ara votiva aos lares viales; seguia a norte da povoação pela chamada Estrada Velha que passa no sopé do Cabeço do Marco, possível alusão a um miliário que poderá corresponder ao miliário partido em 2 fragmentos que se encontra na berma da estrada no sítio da Amoreira; a via continua a norte da povoação pelo Alto dos Malhões, outra possível referência a miliários)
    De Agrochão a Castro de Avelãs: A partir de Agrochão surgem dúvidas no traçado; o único miliário conhecido neste tramo apareceu na Capela de São Cláudio, situada entre Formil e Gostei. Colmenero propôs a continuação da via por Ousilhão, onde há forte presença romana (localizando aqui a mansio de Roboretum), seguindo rumo a Vinhais e daqui para nascente rumo a Formil, integrando assim os miliários achados em Vinhais e Soeira; todavia este trajecto descreve uma volta pouco lógica e por um terreno particularmente acidentado; por outro lado, o Miliário de Caro supostamente encontrado na aldeia de Carrazedo deve-se a uma confusão com outro miliário na povoação homónima de Carrazedo no concelho de Amares, servindo de cruzeiro na aldeia do Pilar (Colmenero et al., 2004).
Falgueiras (m.p. XXXVIII; continua pelos altos do Roleiro, do Poulo e dos Barreiros, cruza a EN206, e contorna a Lagoaça Carroceira pelo norte)
Edrosa (m.p. XLIV; cruza a povoação e segue pela EN206)
Zoio (m.p. XLVI na «Portela de Zoio»; segue paralela à EN206 até à Capela de Sta. Luzia, na milha 48, onde toma o caminho da Fraga do Viborão, reúne com a EN206, na milha 49, e segue até Cruzes, continua pelo caminho florestal ao Alto da Ferradosa e desce a Formil pelo «Caminho da Vila» ao Castro ou «Feira dos Mouros»)
Formil (m.p. LIV no centro; continua pela EM518 passando no adro da Capela de São Cláudio onde apareceu um miliário de Maximiano, actualmente no MAB com o nº 1580 e uma inscrição honorífica a Cláudio embutida na parede, CIL II 6217; Lopo, 1900a)
Gostei (m.p. LIV antes da aldeia, no desvio da EM518 pelo caminho directo ao sítio da mansio em Torre Velha)

ROBORETUM (Castro de Avelãs) (m.p. XXXVI)
Estação viária a 36 milhas de Pinetum e a 56 milhas de Aquae Flaviae localizada no povoado romano da Torre Velha em Castro de Avelãs, onde apareceram dois miliários no exterior das ruínas da Capela de São Sebastião, já transformados em sarcófagos, o miliário de Caracala, CIL 6216 e o miliário de Augusto, CIL II 6215, com leitura muito dificultada devido a um furo na zona da inscrição onde se indicavam as milhas, mas poderia indicar a distância a Braga que era cerca de 136 milhas; estão ambos actualmente no MAB com o nº 1583 e 1584 respectivamente; aqui também apareceram duas aras dedicadas ao Deo Aerno, uma das quais colocada pelo Ordo Zoelarum, ou seja a tribo dos Zoelae, entretanto destruída no séc. XIX, e a outra está actualmente no MSMS, nº 20, CIL II 2607; da mesma divindade apareceu uma ara na Capela do Senhor de Malta em Olmos, freguesia de Macedo de Cavaleiros, actualmente no MAB, fazendo supor que este local integrava o território dos Zoelae.

Castro de Avelãs (m.p. LVI; após a Torre Velha a via cruza a ribeira do Castro)
Bragança (m.p. LIX na Praça da Sé; possível vicus entre a rua Abílio Beça e a Praça de Camões; ver os oito miliários desta via no Museu Abade de Baçal; três estelas funerárias em Quatro Caminhos e no Couto; a via cruza a cidade talvez pela Praça da Sé, rua Abílio Beça, rua de São Francisco, passando junto da Capela de São Sebastião onde apareceram 3 inscrições funerárias, rua do Alcaide e rua das Amendoeiras, marginando a Fonte e Capela de São Lázaro)
Ponte Medieval das Carvas, São Lázaro sobre o rio Sabor (m.p. LXI; segue paralela à EN218 e pela Quinta das Carvas)
Gimonde (m.p. LXIII; castro romanizado do Arrabalde, de onde provêem três estelas funerárias e um pedestal de estátua com a inscrição BONO / R P NATO, FE 249)
Ponte Medieval de Gimonde sobre o rio de Onor
Cruz do Marrão, Gimonde (m.p. LXIV; miliário de Caro no «Caminho Velho para Babe», actualmente no MAB com o nº 1575; seguia assim por Marrão, Fonte de Megilde e Canada de Jucadelo/Juncedelo, rumo à Capela de São Sebastião; Lopo, 1900)
Babe (m.p. LXVII; no lugar do Sagrado, associado à extinta Igreja de São Pedro Velho 4 km a sul da aldeia, sobranceira à ribeira da Ferradosa, há vestígios de um provável vicus viarum, onde apareceram dois miliários reutilizados como sarcófagos, o miliário de Caracala onde se lê X[---] milhas, actualmente no MAB com o nº 1572 e um miliário de Adriano também no MAB com o nº 1570, lendo-se XX[...] milhas contadas talvez a Caesera, mansio provavelmente localizada em Rabanales de Aliste; neste local apareceu também uma ara a Júpiter e a estela funerária de Calpurnius Reburrinus, actualmente no MAB, cavaleiro da Ala II Flavia que tinha a sua base no acampamento romano em Petavonium, situada a oeste de Rosinos de Vidriales; na Capela de São Sebastião, existe um miliário anepígrafo; a via deverá corresponder ao caminho que passa 300 m a sul da capela)
  • Ramal de Babe a Barca Dalva: a estação do Sagrado está um pouco a sul da via para Astorga, à margem de uma outra via que seguia para sul rumo à travessia do rio Douro em Barca Dalva, passando por Vimioso e Algoso. Ver itinerário.
Palácios (m.p. LXVIII, cruza a povoação)
São Julião de Palácios (m.p. LXIX na Igreja Paroquial; continua pela calçada chamada «Caminho das Duenas» por Lameiros da Calçada com vestígios do corte artificial da rocha e muros de sustentação da via)
Porto Calçado (m.p. LXXIII; cruza o rio Maçãs em Vale de Perdizes, fronteira luso-espanhola, rumando daqui para nordeste pelo «Camino de San Julián»)
Moldones (m.p. LXXVIII; continua por Figueruela de Abajo e Mahide?)

COMPLEUTICA m.p. XXVIIII
Estação viária possivelmente localizada em Figueruela de Arriba dado que esta localidade está a cerca de 29 milhas de Castro de Avelãs, presumivelmente a localização da mansio Roboretum. A via seguia talvez por São Pedro de las Herrerías, Boya, Villardeciervos e Villanueva de Valrojo.
  • Ligação Compleutica a Caesera: alguns miliários apontam uma via norte-sul por Gallegos del Campo (miliário de Macrino), San Vitero (miliário de Adriano junto da igreja indicando VI milhas à mansio de Caesera) e Rabanales de Aliste, provável localização de Caesera, onde apareceram diversas inscrições e um possível miliário junto da igreja, indiciando um importante povoado romano que poderia ser Curunda, a capital do povo Zoelae.

VENIATIA m.p. XV
Estação viária a 15 milhas de Compleutica que poderá ficar nas proximidades de Villanueva de Valrojo. A via continua pelo «Carril de los Cervatos» por Olleros de Tera e Calzadilla de Tera, onde cruza o rio Tera e segue por Calzada de Tera, San Juanico el Nuevo, Barrio de Abajo de Brime de Sog, Santibánez de Vidriales (Miliário de Décio?) e Rosinos de Vidriales.

PETAVONIUM m.p. XXVIII
Estação viária que corresponde ao acampamento militar romano da Legio X Gemina e da Ala II Flavia Hispanorum localizado a oeste de Rosinos de Vidriales; o povoado indígena poderá corresponder ao vizinho «Cerro del Castro» em San Pedro de la Viña; a via continua por Fuente Encalada (3 miliários, um de Maximino e Máximo, outro de Caracala e o terceiro de Décio(?), entretanto desaparecido), continua por um extenso troço da via conhecida por «La Chana», passando junto do Miliário de Valeriano e Galieno no lugar de Fuente del Robledo (actualmente no Museo de Castrocalbón), onde há um aparente acampamento romano, continuando por Calzada de Valdería e Herreros de Jamuz.

ARGENTIOLUM m.p. XV
Estação viária situada provavelmente adiante de Tabuyuelo de Jamuz, talvez no sítio romano do «Campo del Medio» em Villamontán de la Valduerna; a via é conhecida neste troço por «Calzada del Obispo» seguindo por Valle, Castrotierra, Ponte Balimbre sobre o rio Turienzo, Valderrey, Celada, e entra em Astorga pelos lugares de La Canal e Arboleda e pelo «Camino de Cuevas».

ASTURICA m.p. XIIII
caput viarum, actual cidade de Astorga.


Variantes do Itinerário XVII
Variante por Alturas de Barroso e Boticas
Durante muito foi discutida a possibilidade do Itinerário XVII seguir mais a sul por Alturas de Barroso e Boticas e daqui a Chaves. Todavia, a ausência de miliários retiram sustentação a esta hipótese. No entanto, o trajecto já deveria existir no período romano dado que esta via servia vários importantes povoados da Idade do Ferro, alguns com sinais de terem sido romanizados, tal como o Castro do Alto do Cabeço em Granja (sobranceiro ao rio Terva junto da EN103) e o Castro de Outeiro Lesenho (hipotética sede dos Equaesi, tendo aparecido nas proximidades quatro estátuas de guerreiros). Esta velha estrada passaria ainda em Atilhó e Carvalhelhos, junto do Castro do «Castelo de Mouros», cruzando o rio Beça na Ponte de Pedrinha (a sul do povoado mineiro romano de Candedo, associado às minas de Ferrarias, estas localizadas na outra margem do Beça), continuando por Carreira da Lebre e Alto da Esculca até Boticas; daqui seguia por Sapiãos (povoado junto do cemitério) e Sapelos, onde reúne com o Itinerário XVII.

Variante norte da Via XVII entre Chaves e Bragança
Uma outra hipótese anteriormente lançada (e.g. em Colmenero et al., 2004:693) considerava a possibilidade de uma variante norte ao Itinerário XVII que partindo também de Chaves seguia por Faiões e Lebução rumo à travessia do rio Rabaçal na Ponte de Picões, continuando depois por Vinhais até ao Castro de Avelãs. No entanto, esta proposta apresenta alguns problemas. Por um lado, não existem evidências no terreno de uma estrada de Chaves a Lebução, estrada essa que obrigaria à transposição de difíceis obstáculos. A partir da Ponte de Picões existia de facto uma via romana por Vinhais onde apareceram miliários, seguindo daqui para Castro de Avelãs, onde entronca no Itinerário XVII. No entanto, pensamos que este troço integra uma outra via com origem no Castro de Avelãs e que seguia por Soeira e Vinhais rumo ao Castro de Valtelhas (Pinetum). Um ramal desta estrada, cruzava o rio Rabaçal na Ponte de Picões e seguia por Fiães (miliário), Sá (cruza o Iter XVII), Castro de Cidadonha (miliário em Monsalvarga) e Vassal (miliário) rumo à importante zona mineira de Jales. Além destas, existia um ramal que partia de Fiães para norte passando a poente de Lebução que poderia ligar a Chaves pelo norte, seguindo junto do Castro de São Sebastião, Mairos, Santo António de Monforte e Vila Verde da Raia e daqui ao longo da margem esquerda do rio Tâmega até Chaves. Este itinerário é descrito abaixo (act. 2022).

Itinerário de Chaves a Fiães
O percurso parte de Vila Verde da Raia no Vale do Tâmega e segue a rota da actual EM502 por Santo António de Monforte (vicus; antigo Curral de Vacas; fuste de coluna ou miliário e estela funerária em casas da aldeia; ara a Larouco na igreja); continua pelo topónimos viários, Chã da Vrea, Alto da Vrea e Vidual, passando a poente do sítio romano de Amedo em Paradela de Monforte (tesouro) até atingir Mairos (vicus? no Calvário; estela funerária), continuando pela EN502 entre Travancas e São Cornélio, junto do sítio romano dos Pardieiros até Cimo de Vila da Castanheira (passa próximo do habitat do Seixal e junto do Capela de São João na base do Castro de São Sebastião, onde terá aparecido uma ara a Júpiter), continua pelo Alto de Pedome, margina o habitat de Caço/Megingueira e passa junto da Capela da Sra. dos Aflitos em Lebução, seguindo na direcção de Fiães (vicus Vagornica), nó viário onde entronca na referida via transversal descrita abaixo (Teixeira, 1996; Lemos e Martins, 2010).

  • Vias na área do Castelo de Monforte: O povoado do Castelo de Monforte de Rio Livre em Águas Frias controlava a respectiva portela de acesso ao planalto a partir de Chaves; no sítio de Casarelhos/Aguatões, situado na base do povoado, viria a formar-se um pequeno assentamento romano, possivelmente uma estação viária, havendo referência a um via como carrale antiqua (Teixeira, 2015:34); a partir daqui poderia tomar dois caminhos; um percorria o planalto por Breia, Jaguintas, Calhelhas das Presas e Baixinha das Presas até Bobadela (ara numa casa da aldeia; a Igreja de São Pedro integra alguns silhares romanos com marcas de fórfex e duas estelas funerárias, eventualmente trazidas do povoado fortificado de Cigadonha); o outro trajecto seguiria por Oucidres e Alvarelhos rumo a Valpaços (?). Ambos os trajectos entroncam no Itinerário XVII.
Mapa
















Via transversal ao Itinerário XVII entre Castro de Avelãs e Tresminas
Atendendo à localização de uma série de miliários na região de Valpaços e de Vinhais que parecem alinhar uma via transversal no sentido nordeste-sudoeste que cruzava com a VIA XVII na aldeia de Sá, a ocidente de Valpaços, é possível equacionar um itinerário proveniente de Castro de Avelãs rumo à região mineira de Tresminas, ao contrário de Colmenero que prefere integra-los na própria Via XVII, "forçando" a via a fazer um desvio para norte a partir de Edrosa para poder passar em Vinhais e Soeira (Colmenero et al., 2004) quando existe um caminho mais directo e menos acidentado rumo a Castro de Avelãs. A parte inicial do trajecto segue as indicações do percurso proposto pelo Padre Francisco Alves (o conhecido 'Abade de Baçal') no início do século XX, seguindo anotações anteriores do Major Celestino Beça (Alves, 1915). Alguns dos topónimos por ele mencionados são actualmente desconhecidos e são por isso colocados entre aspas.

Castro de Avelãs (seguia inicialmente o Itinerário XVII até Formil, desviando aí para noroeste)
Formil (desvia pelo caminho que cruza a ribeira de Prado Redondo e segue por «Vale do Roupeiro», «Vale de Centiares», «Paulo de Fontes», Chousa, junto da «Fonte do Velho»)
Castrelos (passa no cemitério onde há necrópole romana e continua pelo Carriço do Ervedal» em direcção à travessia do rio Baceiro na Antiga Ponte de Castrelos cujas ruínas ficam a jusante da ponte actual, na base do castro do Cabeço de São João/Castelos Velhos, onde apareceu a estela funerária de Sempronius Tuditanus, continuando na outra margem pelo caminho da «Estalagem do Diabo»)
Soeira (a via cruza a aldeia junto da Igreja Velha, onde existe uma inscrição, continuando até ao sítio romano de «Vilar», estação viária tipo mutatio onde em 1900 Celestino Beça achou um miliário reutilizado como sarcófago, actualmente no MAB com o nº 1566; da inscrição original restam umas poucas letras TRIB POT e o numeral XXI; daqui desce ao rio por 1 km, contornando o Castro da Ponte para cruzar o rio Tuela na «Ponte Velha» de Soeira, continuando por calçada até à EM1017, confluindo pouco depois na EN103 que segue aproximadamente para cruzar a ribeira de Padornelo junto da Ponte de D. Marinha)
Vila Verde (cruza a aldeia, passando a norte da Torre de Modorro, provável atalaia romana tipo statio para controlo da via romana na zona de travessia do rio Tuela, continua pela EN103 e logo depois desvia à direita pela EM505 e logo à esquerda pela calçada muito destruída que sobre a encosta do Castro da Cidadelha)
Vinhais (Argote refere um miliário entretanto desaparecido; onde apenas leu CONLAPSOS RESTITVERVNT / …Q. DECIO LEG.AVG.PR.PR. / CV… VIA AVG / M.P.CP, ou seja referindo reparações efectuadas na via talvez pelo Imperador Maximino, indicando a milha C[---?], talvez a Braga; provável vicus no Bairro do Eiró, onde terá aparecido a ara a Júpiter pelo que aqui deveria existir uma mutatio; a via romana margina o povoado, seguindo depois entre os altos da Portela e do Pinheiro, cruza a ribeira das Trutas no Pontão, continua pelo caminho de Lamas da Susana até Soutelo, passando a norte do povoado do Monte da Circa e do vicus da Lagoa, continua por Sobreiró de Cima, sobe pelo Alto do Meiral até Cruz das Cortes na EN103 e continua pela portela do Monte da Forca e do Alto da Madorrinha)
Curopos (passa em «Souto Escuro», onde terá existido um miliário (?), seguindo por Estalagem de Cima e Estalagem de Baixo, na rota da EN103)
Valpaço (por Pedra Mourisca, Breia e Fonte do Mau Nome)
Ponte Medieval de Picões sobre o rio Rabaçal (encontrava-se em ruínas e actualmente está submersa; da ponte ascendia a encosta Bouças, Muradelha, passando junto povoado fortificado do Cabeço de Ns. da Ribeira, onde apareceu uma ara votiva, possivelmente a estela funerária de Flavia Duerta, actualmente no MRF dada como proveniente da aldeia de Vilartão)
Bouçoães (dois possíveis miliários anepígrafos provenientes das ruínas Casa da Abadia, antiga casa paroquial, actualmente na JF; continua pelo Alto das Pedrinhas e Alto da Relva)
Tortomil (vicus de Fetais, em Vale de Fetos; duas aras votivas, uma das quais com uma inscrição a Júpiter pelos Castellani Af(...) que seria a designação do sítio; continua pelo Alto da Fraga do Marco)
Fiães (vicus Vagornica no sítio de Muradelha com base numa ara dedicada a Júpiter pelos Vicani Vagornicensis achada no sítio da Cortinha do Fundo junto da aldeia, actualmente no MRF; dentro do povoado apareceu um possível miliário; estela funerária na Fonte de Ns. do Socorro)
Tinhela (calçada; ponte medieval sobre o rio Calvo; estela funerária na rua da Veiga)
Lama de Ouriço (miliário de Magnêncio, actualmente desaparecido; povoado fortificado no Cabeço da Muralha)
(onde cruza a Via XVII)
Valongo (miliário anepígrafo reutilizado numa casa da aldeia, entretanto deslocado para o exterior dum armazém em Vilarandelo)
Ervões
Lamas
Monsalvarga (fragmento de miliário anepígrafo na berma da estrada que passa na aldeia; calçada segue paralela e a nascente da EM543)
Vassal (fragmento de miliário numa casa particular; a via margina o castro romanizado de Cigadonha e segue a nascente da aldeia talvez pelo Caminho da Quinta da Fonte; no Lugar do Regueiral em Sanfins, há uma inscrição rupestre que delimitava os povos Treburi e Obili: «Termin(us) Treb(ilium) / T(erminus) Obili(um)»; Colmenero, 1987)
Argeriz (calçada entre o santuário rupestre de Pias de Mouros e o Castro de Ribas, passando na Ponte do Regato do Pereiro; ara aos Lari Cusicelensis (?) achada no lugar do Couto de Algeriz, CIL II 2469, actualmente desaparecida)
Argemil (seguia talvez por Nozedo e junto do habitat da igreja paroquial de São João da Corveira, continuando por Sobrado e Rio Bom)
Padrela (nó viário na Serra da Padrela que dá acesso à região mineira de Tresminas, ver Itinerários Chaves - Tresminas - Rio Douro)

VIA XVIII - Item alio itinere a BRACARA ASTURICAM m.p. CCXV
Mapa






















































































ITINERARIO XVIII (VIA NOVA) - Braga (BRACARA) - Serra do Gerês - Astorga (ASTURICA)
Item alio itinere a
BRACARA ASTURICAM

SALANIANA
AQUIS ORIGINIS
AQUIS QUERQUENNIS
GEMINAS
SALIENTIBUS
PRAESIDIO
NEMETOBRIGA
FORO
GEMESTARIO
BERGIDO
INTERERACONIO FLAVIO
ASTURICA

m.p. CCXV
m.p. XXI
m.p. XVIII
m.p. XIIII
m.p. XVI
m.p. XVIII
m.p. XVIII
m.p. XIII
m.p. XVIIII
m.p. XVIII
m.p. XIII
m.p. XX
m.p. XXX
Nos últimos anos, esta via foi alvo de um grande projecto de reabilitação e valorização turística que resultou na sua classificação como Monumento Nacional e na construção do «Museu da Geira Romana» em Campo do Gerês (Terras de Bouro), assim como uma candidatura a Património da Humanidade; neste âmbito foi criado um site sobre o «Projecto Geira» com uma excelente descrição da via que foi entretanto desactivado. Para que esse trabalho não se perdesse (mais uma vez), conseguimos recuperar os textos e algumas fotos a partir do site archive.org e pode agora ser consultado no seguinte endereço viasromanas.pt/geira/.

Este itinerário de Braga a Astorga passa por um dos troços de via mais bem preservados em Portugal, cruzando a Serra do Gerês onde é designada por o «Geira», sendo uma das vias com maior de miliários da Hispânia romana, contando-se actualmente mais de 250 exemplares (!). A via percorre apenas 34 milhas em território nacional com uma estação intermédia na milha XXI, designada por «SALANIANA». Esta distância coloca a estação nas proximidades da aldeia de Travasso (Vilar, Terras de Bouro), valor confirmado pelo miliário de Heliogábalo que apareceu no local indicando essa distância. Partindo de Braga, a via dirigia-se a Amares depois de atravessar o Rio Cávado e ascendia por patamares suaves até à Portela de Santa Cruz, onde penetrava no vale do Rio Homem acompanhando as vertentes setentrionais da Serra da Abadia. A partir daqui o traçado é todo feito em altitude, sem subidas ou descidas acentuadas até atingir Covide, onde penetra na Serra do Gerês, percorrendo os seus contrafortes orientais por Campo do Gerês e junto à barragem de Vilarinho das Furnas até atingir a milha 34 na Portela do Homem, actual fronteira luso-espanhola. O restante percurso em território espanhol foi finalmente publicado, apresentando uma nova proposta de trajecto e das respectivas estações (act. 2023).

BRACARA (Braga)
Um miliário de Adriano que estava também no Campo das Carvalheiras indica CCXV milhas, ou seja a distância total entre Bracara e Asturica pelo que marcaria certamente a milha zero da «Via Nova»(CIL II 4747), actualmente no MDS partido em dois com o nº 190.092 e o nº 67.692; existem outros miliários provenientes do centro urbano que poderão estar relacionados com esta via como é o caso do miliário encontrado na rua de Ns. do Leite ou o da Casa do Passadiço na rua Francisco Sanches; a via saía pelo extremo nordeste da cidade, talvez pelo largo de São João do Souto, seguindo junto à grande necrópole da «Via Nova», no início da Av. Central, onde apareceu também uma ara dedicada aos Lari Viales, continuando pela actual rua dos Chãos rumo à travessia do rio Cávado.

Travessia do Rio Cávado (Celadus):
Como a Ponte do Porto é uma construção medieval sem indícios de uma anterior romana, temos que recorrer à localização dos miliários existentes na zona para identificar o ponto de travessia do rio Cávado. Apesar de estarem todos deslocados do seu local original existem vários miliários nas proximidades: junto da Ponte do Porto temos o miliário da Capela de São Miguel-o-Anjo e mais a jusante, os miliários de Barreiros e o miliário do Cruzeiro de Pilar. Estudos mais recentes apontam para que a travessia se fizesse a jusante da Ponte do Porto já na freguesia de Navarra, sendo que Sande Lemos coloca essa travessia na Barca de Ancêde, com uma provável mutatio em Bouça Alta, enquanto Colmenero propõe uma travessia um pouco a jusante nas Azenhas de Sta. Marta. Na sua saída de Braga, a via é citada num documento medieval do ano 911 que delimita a antiga diocese de Dume como «in via, quam dicunt de Vereda, qui discurret de Bracara», ou seja «pela via que chamam de vereda proveniente de Braga» (PMH DC 17) pelo que é certo que a via passava algures pelos limites de Dume, facto reforçado pelo aparecimento do miliário de Constante em Areal de Baixo, actualmente no Museu Soares dos Reis no Porto que indicaria assim a milha II. (Colmenero et al., 2004; Sande Lemos, 2002; Carvalho H., 2008).
  1. Na Barca de Ancêde/Bouça Alta: partindo de Braga, a via segue pela rua dos Chãos e rua de São Vicente, passa paralela ao cemitério de Monte d'Arcos pela rua do Areal de Baixo (miliário da m.p. I), continua pela rua do Areal de Cima ladeando o quartel, continua a nascente do Convento de Montariol por Cedro e Pinheiro, rua Rafael Bordalo Pinheiro, EM1298, passa na Capela das Sete Fontes pela rua Hélder Figueiredo e segue pelo estradão junto do Castro de Pedroso, actual rua da Calçada Romana, onde ainda se pode percorrer um longo e excepcional troço lajeado da via romana até atingir Adaúfe (villa na Quinta do Avelar); continua a poente igreja paroquial por Romil, Redondo (m.p. IV), continuando por Estrada, Poça, Cortinhal (m.p. V), Souto e Salgueirinho até ao Lugar do Rio, onde cruzava o rio Cávado na Barca de Ancêde (provável mutatio em Bouça Alta).
  2. Nas Azenhas de Sta. Marta: seguia próximo da Igreja Sueva de São Martinho de Dume que assenta sobre uma villa romana anterior, continuando depois pelo caminho que passa na Quinta do Igo, Vila Aldos e Quinta do Gontijo, continuando depois por Palmeira (citada na mesma delimitação de Dume como Palmaria; calçada no lugar do Assento), rumo à travessia do rio Cávado nas Azenhas de Sta. Marta, subindo na outra margem por Ponte e Paço até entroncar na variante pela Barca de Ancêde em Barreiros.
Barreiros (m.p. VI; do rio seguia pela seguia junto da Capela Sra. das Angústias, onde vencia a milha 6, continuando pela Travessa da Geira no lugar de Além; há vários fragmentos de miliários nas redondezas, três estão na Quinta do Agrolongo e um outro na Quinta da Pena, servindo de base de uma mesa de jardim que reutiliza uma mó; um outro fragmento de miliário foi deslocado para o lugar de Passos, na base do povoado do Monte da Santinha, servindo para delimitar um canteiro; inscrição votiva de Aemilius Valens, CIL II 5610, cavaleiro da Ala Flávia na Igreja de Proselo)
Carrazedo (m.p. VII no lugar de Feira Velha/ Castro; o vicus fica próximo no Lugar da Igreja; uma ara votiva aos Lares Buricis apareceu junto da via no «Campo da Porta» ali próximo; em 1642 existiam doze miliários no adro da Igreja de Carrazedo dos quais 8 terão sido levados para o Campo de Santana em Braga enquanto os restantes 4 permaneceram na igreja, sendo depois dispersos; Sousa, 1971-1972)
Pilar, Fiscal (m.p. VIII assinalada pelo miliário de Caro, CIL II 4786, cravado no solo a servir de cruzeiro e marco divisório numa rotunda da aldeia; terá sido deslocado da via que passa a leste deste cruzamento, seguindo por Paredes e Regato, onde venceria a milha oito; aqui inflecte para nascente rumo a Caires)
Besteiros (m.p. IX; segue pelo lugar de Santo António, atingindo a milha nove no desvio para Pousadas; continua por Cal, Penas e Portelinha)
Caires (m.p. X junto da «Cividade de Biscaia»/ Castro de Gróvios/Castro de Caires; possível mutatio a 10 milhas de Braga; o povoado romano foi instalado no sítio do «Campo da Bouça», na base do Paço Velho; Albano Belino recolheu aqui uma figura equestre em granito que Sande Lemos interpretou como um símbolo do sistema de correio, ou seja do cursus publicus; Argote refere um miliário da milha 10 no «alpendre da Igreja de Santiago de Vilela», actualmente desaparecido; poderia ser do tempo de Tito visto que o texto é muito similar a outros miliários deste imperador); dedicatória ao Genius por Sabinius Florus num pedestal de uma estátua proveniente da demolição da Capela da Quinta de São Vicente e actualmente depositada na Quinta de Rios de Cima)

Continuação do percurso da via pela Portela de Santa Cruz
Aqui começa um dos mais interessantes troços da Geira Romana; partindo da mutatio na «Cidade de Biscaia» no Campo da Bouça, a via contorna o Monte de São Pedro Fins pela vertente sul por Paço Velho, Castro, Tornadouro, São Vicente, Roupeiro e Cimo da Geira, onde venceria a milha XI, continuando pelo lugar de Vila Cova em Paredes Secas, iniciando-se aqui um grande troço ainda intacto da via romana que ascende por suaves patamares à divisória entre freguesias, onde vencia a milha XII, pouco antes de atingir o vicus e provável mutatio de Mojeje, local onde cruza a ribeira das Oliveirinhas e cujo nome latino poderia ser Viriocelum atendendo ao pedestal com uma inscrição ao Genius Viriocelensis, actualmente na casa paroquial de Vilela. Os miliários das milhas XII e XIII entre os quais estava a mutatio de Mojeje foram todos deslocados para as sedes de freguesia, nomeadamente o miliário de Maximino e Máximo indicando 12 milhas a Braga que apareceu em 1957 junto da ribeira da Pala no lugar de Lama/Dornelas e actualmente no adro da igreja paroquial de Paredes Secas, enquanto os miliários da milha XIII estão actualmente na aldeia de Vilela, o miliário de Tito e Domiciano indicando 13 milhas (CIL II 4798) está encostado ao muro da igreja e nas traseiras está o miliário anepígrafo, no pátio de uma casa particular.

Santa Cruz, Souto (m.p. XIV; de Mojeje a via percorre a meia-encosta a vertente nascente do Monte de Santa Cruz passando junto de um miliário anepígrafo deitado junto da via até entroncar na EM535-2, seguindo à direita pelo largo da aldeia para onde foi deslocado um fragmento de outro miliário; junto da Portela de Santa Cruz que serve de divisória entre os concelhos de Amares e Terras de Bouro, deixando o vale do rio Cávado para entrar no vale do rio Homem, atingindo pouco depois a milha 14 num local designado por Bouça do Padreiro, onde ainda subsistem sete miliários, quatro deles indicando a m.p. XIV, um dos quais está enterrado in situ; continua pelo estradão que passa a asfalto e no desvio para Barral segue à direita para Chão de Cima e Reboredo)
Lampaças, Balança (m.p. XV no Bico da Geira ou Cantos da Geira; quatro miliários; miliário de Maximiano e miliário de Caro, indicando 15 milhas e um terceiro anepígrafo; dois miliários desta milha, um a Magnêncio e outro talvez a Carino, estão actualmente na C.M. de Terras do Bouro)
Teixugos, Chorense (m.p. XVI; miliário de Décio; três outros miliários deste local estão desaparecidos; a via continua pelo monte até à Capela de São Sebastião da Geira, onde entronca na EM535, segue esta estrada por 150 m e desvia à esquerda por estradão de terra)
Ribeiro de Cabaninhas, Chorense (m.p. XVII; cinco miliários. Heliogábalo, Caracala, Décio, Caro e Valentiano)
Chã de Vilar, Chorense (m.p. XVIII em Minério; miliário de Tito e Domiciano in situ indicando 18 milhas; também seria daqui o miliário de Constâncio I ou II que hoje está na C.M. de Terras de Bouro; vestígios de um povoado romano; atravessa o ribeiro do Urzal e segue pelo Alto do Falanco, Barreiros e Alto do Bustelo)
Lajedos, Saim (m.p. XIX; 4 miliários, um dos quais dedicado aos imperadores Tito e Domiciano, indicando 19 milhas a Braga, onde se lê «VIA NOVA FACTA»; miliário de Caracala fragmentado; miliário anepígrafo deslocado para a aldeia de Moimenta Nova servindo de suporte a uma varanda junto à igreja; também desta milha seria o miliário anepígrafo actualmente na C.M. de Terras de Bouro)
Podrigueiras, Saim (m.p. XX junto ao Penedo dos Ladrões; dois miliários, um a Carino e outro a Adriano indicando ambos 20 milhas a Braga; miliário anepígrafo integrado na base de um muro a 30 m da via; logo depois cruza o ribeiro da Pala da Porca)

SALANIANA, mansio a 21 milhas de Bracara Augusta, deveria situar-se na zona de Travasso pois aqui apareceram 2 miliários in situ, um miliário de Heliogábalo indicando precisamente 21 milhas a Braga, CIL II 4805 e o miliário de Caro, CIL II 278; desconhece-se o local exacto da mansio, mas há povoados romanos nas proximidades, no lugar do Pontido a leste e no lugar de Chã de Vilar, 3 milhas a sul.

Travasso, Vilar (m.p. XXI na Pontelha da Geira; daqui segue por Espigão e passa a ribeira do Fojo)
Ervosa, Santa Comba, Chamoim (m.p. XXII; dois miliários in situ, um de Carino e outro de Adriano indicando 22 milhas a Braga, CIL II 4806; um terceiro miliário daqui foi levado para a Igreja Paroquial de Chamoim em Lagoa, onde serve de cruzeiro)
Esporões, Chamoim (m.p. XXIII; 4 miliários; miliário de Tácito, miliário talvez a Juliano e dois miliários anepígrafos; há referências a um Miliário de Adriano e outro a Constâncio II entretanto desaparecidos)
Padrós (m.p. XXIV no caminho para Cabaninhas; albergaria medieval; miliário de Maximino e Máximo; referência a mais 4 miliários desaparecidos; cruza a EN307 e segue entre esta e o ribeiro da Roda até Sá onde reencontra a EN307)
, Covide (m.p. XXV; miliário de Décio transformado em cruzeiro enterrado invertido à entrada da povoação; a via continua para Covide pela estrada actual, EN307)
Covide (miliário de Décio na rua da Carreira, CIL II 4812, como pilar de um alpendre de uma casa, mas proveniente da milha XXVI, e logo depois no Outeiro do Rei, um miliário de Adriano já sem inscrição e transformado em cruzeiro; pelo caminho da Junceda leva Castro da Calcedónia; a via cruza a Veiga da Santa Eufémia pelo lugar do Monte)
Jeirinha, Covide (m.p. XXVI no lugar das Várzeas; miliário de Constâncio Cloro aparecido no Campo do Saganho; a via acompanha o ribeiro por alguns metros, subindo depois à EN307; Argote dá notícia de dois miliários desta milha, um miliário de Décio (Argote, 1734:550) e outro de Licínio II (Argote, 1734:57))
Costa do Cruzeiro (m.p. XXVII; miliário de Magnêncio indicando a milha 27 na berma esquerda da estrada na linha que separa Covide de Campo do Gerês, cruzando a EM533; referência a um miliário de Tito e Domiciano desaparecido; há ainda referência a um outro miliário de Vespasiano actualmente desaparecido, CIL II 4814, indicando também 27 milhas a Braga; pouco depois surge o Miliário de Décio indicando também 27 milhas que actualmente serve de base do Cruzeiro de São João do Campo e logo depois surge um outro miliário ilegível na berma direita da estrada; todavia estes miliários estão deslocados e o acerto da marcação miliária sugere que a via desviava no cruzeiro e seguia antes pela Ponte dos Eixões e depois quase recto até à Igreja da aldeia do Campo)
São João do Campo/ Campo do Gerês (m.p. XXVIII no sítio da «Leira dos Padrões», nas traseiras da igreja; no entanto a mutatio poderia estar no sítio do «O Sagrado» ou «Adro Velho» situado na Veiga de São João, onde se achou uma ara votiva dedicada à divindade indígena Ocaere; na aldeia existem vários miliários, o miliário de Caro está dentro do jardim de uma casa particular à entrada da povoação, outro fragmento de miliário indica 28 milhas a Braga e está encastrado na parede de uma casa da aldeia, tal como um outro miliário anepígrafo; a norte da aldeia na «Leira do Cotelo» no lugar do Porto do Carro, há outro fragmento de miliário; Argote refere um miliário de Magnêncio actualmente desaparecido e em 1728 Matos Ferreira refere dois miliários que estavam na Leira dos Padrões e que foram posteriormente destruídos; a via continua pela estrada actual que se dirige para a extinta aldeia de Vilarinho das Furnas, onde há vários miliários reutilizados, mas antes de descer à barragem desvia à direita por estradão de terra que se dirige para a Bouça do Gavião, perdendo-se pouco depois nas águas da albufeira que submergiu a via; o caminho actual foi construído a cota superior, mas reúne com a via 2500 m depois)
Bouça do Gavião/ Padrões da Cal (m.p. XXIX; os treze miliários que aqui existiam foram transladados para Sarilhão, junto do estradão actual, após a construção da barragem; alguns terão sido partidos e levados para Vilarinho das Fornos onde ainda se podem observar alguns fragmentos entre as ruínas submersas da aldeia)
Bouça da Mó (m.p. XXX; vestígios da mutatio na margem esquerda do ribeiro da Mó; 4 miliários; dois miliários identificados em 1992 e mais recentemente o miliário de Maximino e Máximo e um outro enterrado)
Bico da Geira (m.p. XXXI; 21 miliários junto ao ribeiro do Pedredo; vestígios da antiga pedreira que serviu para o fabrico dos miliários)
Volta do Covo (m.p. XXXII; 22 miliários, aos imperadores, Adriano, Maximino e Máximo, Caro, Magnêncio, Caracala, um a Constantino II, Constâncio II e Constante I, etc.)
Ponte Romana sobre a ribeira de Maceira (só vestígios; 1 arco)
Ponte Romana sobre a ribeira do Forno (só vestígios; 1 arco)
Albergaria (m.p. XXXIII; 20 miliários, de Constantino, Tácito, Décio, etc.)
Ponte Romana de Albergaria ou Ponte Feia sobre a ribeira de Leonte (silhares almofadados entre as ruínas da antiga ponte; a via segue o caminho entre o rio Homem e a estrada actual)
Ponte Romana sobre a ribeira de Monsão (só vestígios)
Ponte Romana de São Miguel sobre o rio Homem (a via segue até à estrada nova na Cruz do Pinheiro)
Portela do Homem (m.p. XXXIV; nove miliários, de Caracala, Tito, Décio, Domiciano, Magnêncio, Maximino e Máximo, Nerva e Adriano, um dos quais indica reparações da via na frase vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt; talvez fosse a fronteira entre os Bracari e os Querquerni; ver a discussão do traçado neste ponto)
Lama do Picón, Parque do Xurés, Lobios (m.p. XXXVI; nove miliários deslocados para uma zona de recreio junto à estrada actual; resta um miliário no sítio original da milha; daqui desce pelo vale do rio Caldo até Baños do Rio Caldo)

AQUIS ORIGINIS (Baños do Rio Caldo) XXXVIII m.p.
Na povoação de Torneiros (Lobios) existe um miliário de Constâncio II proveniente da milha 37 que era vencida no sítio do "Corgo do Outeiro do Porco". Junto a este encontra-se outro fragmento de miliário. Várias notícias de outros miliários nesta área onde a via nova vencia a milha 38. Daqui seguia para a travessia do rio Lima na Ponte Pedrina (actualmente submersa pela albufeira das Conchas mas com eventual origem romana), seguindo por Vilameá (m.p. XXXIX), Lobios (m.p. XLII), A Portaxe (m.p. XLIII na ponte), Xendive (m.p. XLV) e San Salvador do Torno (m.p. XLV), descendo daqui Ponte Pedrina, onde cruza o rio Lima (m.p. XLVII); depois segue pela margem direita do rio, passando em Tedós, Ermida de San Bartolomé/Ermille (m.p. XLVIII), Chaos (m.p. XLIX). Daqui a via segue paralela ao rio na base de Santa Comba de Bande (miliário indicando 51 milhas reutilizado como pia baptismal na igreja visigótica de Santa Comba de Bande), mas a estrada foi cortada pela albufeira das Conchas, pouco depois atingia Puerto de Quintela e seguia até ao acampamento romano de Aquis Querquennis.

    Ramal para São Gregório por Castro Laboreiro m.p. XXVIII
    Via ainda inédita de ligação entre o rio Lima e o rio Minho derivando da via nova na povoação de San Salvador do Torno. Depois de cruzar o rio Lima seguia para noroeste rumo à Ermida de San Benito (talvez por Lama, Ferreiros), após a qual seguia um traçado por alturas da serra até à área da Portela de Pau, onde recentemente foi identificado um vasto acampamento romano num local designado por «Lomba do Mouro», já anteriormente conhecida pelos seus monumentos funerários megalíticos. Daqui a via descia a Castro Laboreiro (por Alto da Picota, Queimadelo, Falagueiras, Coriscadas e Porto de Carros), onde inflectia novamente para norte, percorrendo o vale pela margem esquerda do rio Trancoso (seguindo por Vido, Portelinha, Porteiro/ Porto de Asnos/ Porto de Cavaleiros, Alcobaça, A-da-Velha, Campo do Souto, Sobreira, Cristoval) até São Gregório, descendo depois pela Caminho Velho e Rua Verde para cruzar este mesmo rio na Ponte Velha/ Ponte Barxas, a antiga porta de entrada em território Galego. A via continuava talvez por Vendas e Trado, passando junto da Ermida de San Xusto, mas o seu destino final continua incerto. Atendendo à grande dimensão deste acampamento romano, formando um recinto solidamente amuralhado com cerca de 20 ha, assim como a sua sólida muralha, indiciam que esta passagem foi extremamente importante no avanço do exército romano durante o período inicial da conquista, ocupando um local absolutamente estratégico, dado que o acampamento se localiza a meio caminho entre o rio Lima e o rio Minho, ou seja na décima quarta milha (act. 2023).

AQUIS QUERQUENNIS (Baños de Bande) LIII m.p.
Importantes vestígios de um acampamento militar e possível estação viária junto da milha 51, parcialmente submersa pela albufeira das Conchas; a via continuava junto do local original da Capela de San Xoán, entretanto deslocada para a berma da estrada nova; no entanto o Itinerário indica 53 milhas, medida que corresponde à travessia do rio Cadones, afluente do Lima, junto da qual apareceu um miliário indicando esse mesmo valor; a mansio poderia ser em Baños. Continua pela Ermita de San Fiz, Ponte Liñares, Padrón (dois miliários na milha 60), Cruzeiro de Congostro, Las Cruces, Pedrosas, Ponte de Saínza, Rairiz, Cantos e Vilariño das Poldras (3 miliários da milha 67).

GEMINAS (Torre de Sandiás) LXIX a Braga
Segundo o Itinerário, Geminas estava a 16 milhas de Aqui Querquennis, distância que coloca esta estação a 69 milhas de Braga, junto do nó viário de Torre de Sandiás. Alguns vestígios cerâmicos e uma ara anepígrafa junto da igreja sugerem um simples mutatio junto deste importante cruzamento, de onde partia uma via em direcção a Chaves (ver via Aquae Flaviae - Geminas) com um possível ramal para Vilar Perdizes (ver via Caladuno-Geminas), ambas estações do Itinerário XVII. A via continuava por Castro, Corga e junto do miliário de Zadagós que assinalava a milha 71; daqui seguia para Casasoá, onde apareceu um miliário indicando 73 milhas; continuava pelo chamado «Caminho do Teso», junto do qual apareceu um miliário anepígrafo, seguramente relacionado com a milha 74; também seria daqui o miliário de Adriano que indica precisamente 74 milhas a Braga que estava na sítio da «Leira dos Padrós» ou «Antas da Bobadela», actualmente difícil de precisar, dado o caminho que levava a Busteliño ter sido destruído; continuava por Froufe, Vide (miliário numa casa de Baños de Molgas), e pelo antigo caminho para Foncuberta que passava no topónimo Sublomba, onde apareceu um fragmento de miliário; julgamos que este local corresponde à milha 90, valor esse indicado no miliário que actualmente serve de cruzeiro na aldeia de Foncuberta. A partir daqui a via seguia para Tioira (miliário), ascendendo daqui por fortes pendentes ao Alto do Rodicio (talvez por Cimo de Vila e Costa). Depois de atingir o planalto, a via seguia em direcção a Vigueira de Abaixo, havendo miliários tanto na aldeia de Covas como do Cadaval, não se sabendo em qual destes locais passaria a via.

SALIENTIBUS (Vigueira de Abaixo) XC a Braga
A marcação miliária aponta para a aldeia de Vigueira de Abaixo por onde passava a via e há registo de miliários, mas não podemos excluir outras hipóteses nas proximidades. Um miliário de Constantino; outro de Caro ou Carino serve de umbral de uma cancela; depois de cruzar a ribeira, a via é assinalada pelos miliários de Nogueira, Burgo, Vilamaior, Castromao e Alto da Cerdeira, descendo depois por Aviceiro e Fonte das Guístolas até à Ponte Romana de Navea (reconstrução medieval de uma anterior romana; CXVI m.p. a Braga; 2 miliários anepígrafos e um miliário de Tito)

PRAESIDIO (Pobra de Tivres) CVIII a Braga
Daqui descia ao rio Bibei que cruzava na Ponte Romana de Bibei (uma das pontes romanas mais bem conservadas na Península; milha CXXI; junto da ponte foi colocado o miliário de Tito que apareceu no rio e que indica 94 milhas a Astorga (pelo trajecto curto), pelo que seria da milha posterior à ponte, localizada a 95 milhas de Astorga. Junto deste está uma coluna honorífica de Trajano, que assinala a construção da ponte, muito similar à que apareceu junto da Ponte de Chaves. Do rio, ascendia pelo sugestivo topónimo Fonte do Pilar, onde há notícia de miliários (CIII m.p.), subindo a Larouco, onde inflecte para nordeste rumo à travessia do rio Sil na Ponte Romana da Cigarrosa)

NEMETOBRIGA (Ponte de Cigarrosa) CXX m.p. a Braga | XCV a Astorga
Junto à travessia do Sil na Ponte da Cigarrosa (alicerces romanos), junto do qual estaria a estação de Nemetobriga; porém o topónimo aponta para um povoado fortificado que estaria algures nas proximidades; em 2022 apareceu um miliário de Nero (?) numas obras em Petín, junto da Ponte da Cigarrosa, reconfirmando a passagem do Itinerário XVIII neste local, entretanto colocado à entrada da ponte e deveria assinalar 120 milhas a Braga. Daqui segue recto por Rua, Valdeorras, Arcos e Barco.

FORO (Proba de Barca) CXXVIII a Braga | XXXI a Bergido
O itinerário indica 19 milhas a Nemetobriga, no entanto, a sua localização mais provável é o lugar da Proba em Barco de Valdeorras, a oito milhas da Ponte da Cigarrosa, onde apareceu um miliário junto do sítio romano de San Salvador, vicus viarum associado a esta estação. Deste modo, poderá existir um erro de transcrição, confundindo os numerais «XVIIII» por «VIII». Também será daqui a inscrição votiva colocada por um soldado da VII Legião Gémina (HEp 7, 1997, 490). A partir daqui a via dirige-se para travessia da Serra da Encina da Lastra que ascende por calçada ainda preservada, junto da qual apareceu um miliário, indicando 12 milhas possivelmente a Foro, a poucas milhas da linha divisória entre as províncias da Galiza e das Astúrias que corta um pouco antes do topónimo Santo Tirso. Continua por alturas de Cabarcos e Portela de Aguiar, onde vencia a milha 18 e portanto a localização da estação seguinte.

GEMESTARIO (Portela de Aguiar) XIII a Bergido; LXIII a Astorga
Estação a 18 milhas de Foro e a 13 de Bergido, provavelmente situada no Alto da Portela de Aguiar, apesar de não se conhecerem vestígios da mutatio. Na continuação para Bergido, a via desce ao vale do rio Sil que passa a seguir até Paradela do Rio, a 14 milhas de Foro (inscrição a Júpiter), seguindo depois praticamente recto por Toral de los Vados até ao Castro da Ventosa, local onde entronca na via Lucus-Asturica (Lugo-Astorga).

BERGIDO (Cacabelos) L m.p. a Astorga
Estação comum aos Itinerários XVIII, XIX e XX associada ao Castro Ventosa, a oeste de Cacabelos, onde apareceu uma inscrição dedicada a Cómodo e uma inscrição de um Interamicus originário do Castelo de Louciocelo. De facto, Bergido era o local onde confluem as vias provenientes de Bracara e Lucus e era portanto um nó viário da maior relevância. Há um miliário na Igreja de San Martín de Pieros. Inscrição dedicada às Ninfas na Igreja de Campo, em Sorribas. Em Cacabelos há outro possível miliário. A via continua pela chamada «Estrada Abandonada» descendo depois por Cubillas del Sul à travessia do rio Sil; continua na outra margem pelo caminho de Congosto até à base do Castro das Murielas (miliários), seguindo depois por São Romão até Bembibre.

INTERERACONIO FLAVIO (Bembibre) CXCI m.p. a Braga; XXX a Astorga
Estação localizada em Bembibre, a 20 milhas do Castro Ventosa, onde apareceu um miliário dedicado a Tito e Vespasiano; há dúvidas no nome da estação porque no Itinerário XIX esta mesma paragem é designada por Interamnio Fluvio, nome mais em linha com o seu enquadramento geográfico, talvez com o sentido de «entre-os-rios» (?), neste caso entre o Boeza e o Neceda. A ser assim, o nome da estação nada tinha a ver com a dinastia Flávia e trata-se muito provavelmente de um erro de transcrição.

Itinerário de INTERERACONIO FLAVIO a ASTURICA por Torre del Bierzo XXII m.p.
De Bembibre continuava para leste pelo vale do rio Boeza, passando em Ventas de Albares e Ribeira de Folgoso (miliário indicando 22 milhas, talvez a Astorga), onde inflecte para sudeste, cruzando o Boeza rumo a Torre del Bierzo (três miliários, já desaparecidos, um de Licínio, outro de Galério e o terceiro indicava 21 milhas que corresponde à distância a Astorga). Cruza o rio Tremor e segue paralela à ribeira da Silva até à Ermida de San Xoán de Montealegre (miliário da milha 21, apesar de aqui corresponder a 19 milhas a Astorga). Continua por Montealegre (miliário na Igreja de San Martin; XVIII m.p.), Manzanal del Puerto (XV m.p.), Combarros e Brimeda (miliário junto do santuário de San Esteban) em direcção a Astorga.

ASTURICA AUGUSTA (Astorga) CCXXI m.p.
Segundo o percurso proposto, a distância de Bracara a Asturica totaliza 209 milhas, portanto diferente do somatório das milhas indicadas que totaliza 218 milhas (diferença que resulta das correcções efectuadas à versão que chegou até nós do Itinerário XVIII de Antonino). A distância entre Nemetobriga a Foro de 19 para 8 milhas, produziria uma diferença de 11 milhas que é compensada pela milha em falta na etapa de Aquis Querquennis a Geminas (17 em vez de 16), dando origem a esta diferença de 11 milhas. Com estes acertos, obtemos um percurso coerente com os dados no terreno e a informação contida no Itinerário, fornecendo uma solução para um itinerário que tanto se tem discutido, mas que permanece em grande parte desconhecido, sofrendo da confusão de propostas até agora lançadas e que julgamos ter resolvido com a proposta agora publicada (act. 2023).

Variante de INTERERACONIO FLAVIO a ASTURICA por Cerezal del Tremor XXX m.p.
Vários miliários que parecem indicar que existia uma variante a Astorga por Cerezal del Tremor e pelo Vale do Rio Porquera, eventualmente de data posterior, dado que se apresenta menos acidentada que a via por Montealegre, apesar de alongar o percurso em seis milhas. Esta via deriva da anterior na povoação de Ribera de Folgoso e segue por Cerezal del Tremor, Brañuelas, Villagatón (miliário), Culebros (16 m.p.; miliário), e pelos topónimos viários Los Quirogales, Las Calzadas, Alto do Los Pinos, Venta de Adrián, Los Tesos, Las Encrucijadas, La Posa, Los Arrotos, El Castro, Perales até atingir Otero del Escarpizo (5 m.p.; miliário); continua por Brimeda (2 m.p.; miliário junto do santuário de San Esteban), onde reunia com a variante por Torre de Bierzo, seguindo depois recto a Astorga.

Hipotética variante por San Justo das Cabanillas
Alguns autores associaram os miliários de San Justo das Cabanillas ao Itinerário XVIII, no entanto, caso não estejam deslocados, poderão antes assinalar uma variante rumo a norte da via para Bergido, partindo de Ribera de Folgoso ou de Bembibre rumo a San Justo, via que passaria em Tejedo onde há vários fustes de possíveis miliários. Na Igreja Paroquial de Noceda apareceu uma inscrição que Colmenero interpretou como uma ara dedicada aos Lares Viales, relacionando-a com a estação de Intereraconio; no entanto, a leitura é duvidosa. Em San Justo de Cabanillas há um miliário que indica 23 milhas. Outro anepígrafo está na aldeia de Cabanillas de San Justo, e ainda outro na Igreja de Quintana de Fuseros. Parecem estar todos deslocados, o que dificulta a identificação desta via ainda hipotética.

VIA XIX - Item a BRACARA ASTURICAM m.p. CCXCVIIII
Mapa
Braga
















Cávado








Neiva








Lima























Labruja








Rubiães












Antas













Sapardos










Valença












Pontevedra






























ITINERARIO XIX - Braga (BRACARA) - Tui (TUDA) - Lugo (LUCUS) - Astorga (ASTURICA)
Item a BRACARA
ASTURICAM

LIMIA
TUDAE
BURBIDA
TUROQUA
AQUIS CELENIS
TRIA
ASSEGONIA
BREVIS
MARCIE
LUGO AUGUSTI (Lugo)
TIMALINO
PONTE NEVIAE
UTTARIS
BERGIDO
INTERAMNIO FLUVIO
ASTURICA

* proposta correção
** proposta correção
*** proposta correção

m.p. CCXCVIIII
m.p. XVIIII
m.p. XXIIII
m.p. XVI
m.p. XVI
m.p. XXIIII*
m.p. XII
m.p. XIII**
m.p. XXII
m.p. XX
m.p. XIII
m.p. XXII
m.p. XII
m.p. XX***
m.p. XVI
m.p. XX
m.p. XXX
m.p. XIIII
m.p. XVIII
m.p. XVI
O traçado do Itinerário XIX está relativamente bem estudado dado o elevado número de miliários existentes. Este itinerário corresponde em grande parte ao Caminho de Braga a Santiago pelo que existe sinalização do percurso através das famosas setas amarelas, embora nem sempre o caminho proposto siga pela via do período romano. Esta rota para a Galiza, certamente já utilizada antes da chegada dos romanos, tinha obrigatoriamente de atravessar os dois grandes rios da região, o rio Lima, onde viria a instalar uma mansio designada por LIMIA situada a XIX milhas de Braga, actual Ponte de Lima, e 24 milhas depois o rio Minho onde instala outra mansio TUDAE, actual Tui. O itinerário continua por Lugo rumo a Astorga, tendo a partir da mansio de Bergido um traçado comum com o Itinerário XVIII, ou «Via Nova» que seguia também para Astorga, mas pela Serra do Gerês.

A via foi estudada no âmbito do projecto Vias Atlânticas visando a sua protecção e exploração turística, através da colocação de sinalética ao longo de um hipotético percurso muitas vezes «forçado» a desviar da via. Ver os cinco miliários desta via no Museu Pio XII, o miliário de Oleiros (MPXII.LIT.79) em exposição e na arrecadação, o fragmento de miliário de Arcozelo (MPXII.LIT.264), o miliário de Romarigães (MPXII.LIT.572), o miliário de Adriano de São Paio de Merelim (MPXII.LIT.758) e ainda o possível fragmento de miliário encontrado num muro da casa Patronato da Sé, na rua da Cónega, possivelmente relacionado com esta via (MPXII.LIT.612).

O Museu da Sociedade Martins Sarmento (MSMS) em Guimarães tem em exposição o miliário da Quinta São Germil em Panóias e o miliário de Tibério da Ponte do Prado. Numa das entradas do Claustro da Sé de Braga está depositado o miliário de Nerva da Quinta do Outeiro, convertido em pedra de lagar. O Museu D. Diogo de Sousa em Braga guarda os outros miliários conhecidos desta via (sobre este itinerário ver: Argote, 1734; Regalo, 1987; Colmenero, 1987; Araújo, 1982; Colmenero et al., 2004; Lemos, 2011).

Para o troço entre Lucus e Bergido o Itinerário indica 70 milhas, no entanto, a distância medida pelo percurso proposto é cerca de quatro milhas mais curta; deste modo, poderá haver um erro numa das distâncias intermédias indicadas que, seria muito provavelmente o valor indicado para a estação de Uttaris (vinte milhas) quando este valor deveria ser dezasseis milhas, conforme proposta de correcção (act. 2024).

BRACARA (Braga)
No palacete de D. Jerónimo Pimentel, na esquina do Campo das Carvalheiras e rua da Sé, apareceu um miliário de Augusto indicando 43 milhas a TVDE, actual Tui, marcando certamente a milha zero ou caput via da VIA XIX, actualmente no MDDS com o nº 1992.0684; a via poderia seguir próximo da Necrópole do Campo da Vinha no alinhamento do cardus maximus que corresponde hoje aproximadamente à rua Jerónimo Pimentel seguindo pelo Campo das Carvalheiras e Campo das Hortas, atendendo à importante cloaca que corre sob o ex-Abrigo Distrital; no entanto o trajecto da via XIX é incerto pois apesar dos muitos miliários quase todos foram deslocados ou reutilizados nas quintas da periferia da via como o miliário de Augusto que apareceu em 1967 no Paço dos Cunhas Sotomayor na Praça do Conselheiro Torres e Almeida, actualmente no MDS com o nº 68992; a saída da cidade fazia-se talvez pela Calçada de Cones, seguindo depois aproximadamente a EN201 até à Ponte do Prado; em alternativa poderia continuar rua de São Martinho e depois por caminhos agrícolas passando em Felgueiras, onde existe um possível miliário reutilizado como marco divisório (Lemos, 2002; Carvalho H., 2008)

Real (m.p. I; o miliário de Constâncio da milha um apareceu em 1990 na antiga casa dos Paços da Câmara na rua Frei Caetano Brandão e está actualmente dentro da cafetaria que ali existe; o miliário de Maximino e Máximo também da milha I, CIL II 4756, apareceu no Monte dos Cones a servir talvez de marco divisório, actualmente no MDDS com o nº 1992.0677; também seria desta milha o miliário da Quinta do Tourido descoberto em 1979, mas que anda perdido)
Frossos (m.p. II no sítio da Ramoia/Ramoa; na Quinta do Outeiro apareceu um miliário de Nerva transformado em pedra de lagar que actualmente está na Sé de Braga; Albano Belino descobriu um miliário de Tibério indicando a milha II na Quinta de Germil, actualmente no MSMS nº 65; o Cruzeiro de Panóias, no Largo do Souto, reutiliza um miliário seguramente deslocado deste via, indicando 4 milhas pelo estaria inicialmente junto da Ponte do Prado; tem duas inscrições, uma inicial a Tibério e outra posterior dedicada a Valentiniano e Valente; também o peso de lagar actualmente na Quinta da Mainha, poderá ser um miliário reutilizado)
São Paio de Merelim (m.p. III; miliário de Adriano descoberto em 1981 num muro junto ao lavadouro da EN201, actualmente no Museu Pio XII; topónimo Calçada junto da EN201)
Ponte Medieval do Prado sobre o rio Cávado (Celadus) (m.p. IV; a ponte actual é muito posterior e não apresenta qualquer elemento romano pelo que a travessia do rio poderia fazer-se por barca no mesmo local ou mais a montante, próximo do sítio romano de Macarome; Argote refere o aparecimento de um miliário de Augusto indicando 4 milhas, CIL II 4868, aquando da reconstrução da ponte, entretanto deslocado para Braga onde terá desaparecido; vários outros fragmentos de miliários estão embutidos nos muros junto à ponte (Regalo,1987); vestígios de uma possível vicus em Barreiro e Igreja Nova)

Itinerário XIX da Ponte do Prado ao Rio Neiva:
A rota da via romana entre os rios Cávado e Neiva permanece insegura; o actual «Caminho de Santiago» segue a proposta de Brochado de Almeida por Lage, São Miguel de Carreiras e Portela das Cabras, descendo depois à Ponte Velha de Goães (Almeida CAB, 1979). Apesar da evidente antiguidade deste caminho não é segura a sua existência já em época romana já que apresenta fortes pendentes na subida à Portela das Cabras (Almeida CAF, 1968; Colmenero et al., 2004); por outro lado a Ponte de Goães é Alto-Medieval sem qualquer sinal de romanidade. Finalmente, os miliários conhecidos nesta área estão todos a poente desta rota, embora deslocados das suas posições originais (Oleiros, Atiães, Marrancos e Arcozelo), sendo por isso mais provável que a via seguisse por esses locais até Portela das Cabras, descendo depois à travessia do rio Neiva a jusante da ponte medieval, talvez entre os lugares do Monte da Ribeira e Lagoeira, dado que na outra margem a via tem continuação para Anais. Sande Lemos admite que esta rota é tardo-romana ou alto-medieval, talvez do período Suévico; o seu traçado é o seguinte:

  • «Caminho de Santiago» pela Ponte de Goães: partindo da Ponte do Prado, segue por Faial, passa na calçada da Quinta do Jorge, lugar da Estrada, Murta, Santiago (um documento medieval refere uma carrariam antiquam junto da Capela de Francelos), Corga, Montinho e Sarrela), continua por Lage (calçada; passa junto à Igreja de São Julião, entra na Roupeira no CM1184 e segue por Livão/Olivão), Moure (calçada; próximo fica o castro romanizado do Barbudo ou Monte Castelo; continua pelo CM1184 por Caraceira, Laranjal, Landeira e Portelinha), São Miguel de Carreiras (CM1183 por Santo André e Cachada) até Portela das Cabras, onde reúne com a variante de Atiães, descendo depois à Ponte Velha de Goães ou da «Pedrinha», onde cruza o rio Neiva, e segue por Ângulo Quarenta, Igreja de Anais e Cruzeiro/Albergaria onde reúne com a variante por Atiães, suposta via romana, descrita a seguir.

Itinerário XIX da Ponte do Prado a Ponte de Lima
Vila do Prado (da ponte segue pela rua Antunes Lima até à EN205 e depois à esquerda pela rua Direita no lugar da Vila, atravessa a EN205 e segue por 1800 m pelo caminho que passa nas traseiras da Igreja Velha de Prado e que liga a Outeiro; miliário de Tibério, CIL II 4869, encontrado numa bouça, actualmente no MSMS com o nº 77)
Oleiros (m.p. VI; miliário de Valentiniano I indicando 6 milhas a Braga que apareceu na «Bouça do Benefício Paroquial da Antiga Igreja Matriz» já transformado em cruzeiro, actualmente no Museu Pio XII; continua junto da Capela de São Sebastião)
Atiães (m.p. VI; fragmento de miliário na Bouça do Castro, a 6/7 milhas de Braga; no adro da Capela de Sta. Marta, existem dois cipos, um dos quais Colmenero considera ser um fragmento de miliário, mas é duvidoso; minas romanas na encosta leste do Monte do Cardal; a via deveria seguir o caminho a poente do lugar da Cumieira pelos topónimos viários Alminhas e Quinta do Carrão)
Mata de São Jerónimo, Freiriz (m.p. VII; fragmento de miliário talvez in situ indicando a milha 6 ou 7; continua junto da Capela de Chãos)
Lugar de São José (m.p. VIII; cruza a EN201 e segue por Regadas; o desaparecido miliário de Tito e Domiciano, CIL 4799, poderá ter vindo daqui, já que indicava 10 milhas a Braga)
Portela das Cabras (m.p. X; cruza a EN308 na Portela do Meio e segue pelo lugar da Rua, onde havia calçada, e desce ao Neiva por Hospital e Fonte Fria; mina romana da Cova dos Mouros; ara na Portela da Penela)
Travessia do Rio Neiva (Naebis) (m.p. XI; talvez entre os lugares do Monte da Ribeira e Lagoeira; fragmento de miliário junto da JF; este marco poderá corresponder ao miliário de Carino indicando a milha 11 registrado no século XIX; na Igreja Velha de Fontes em Arcozelo apareceu um fragmento de um miliário de Tibério, actualmente no Museu Pio XII)
Anais (m.p. XII; no lugar da Boavista, apareceu um miliário ilegível reutilizado como suporte do alpendre de uma casa; retomando o percurso no lugar da Lagoeira, na divisória entre os concelhos de Braga e Ponte de Lima, continua por Venda, Talho, Souto, Caramasse, Varziela, Malhos, Cruzeiro, Albergaria e Pedra da Cruz, onde venceria a milha 13)

  • Variante Medieval por Queijada e Fornelos: seguindo a proposta de Ferreira de Almeida, o «Caminho de Santiago» continua pela freguesia de Queijada, passando em Empregada, Baganheiro e Cangostas, rumo à travessia do rio Trovela na chamada «Ponte Nova» que apesar da sua designação é já referida nas Inquirições de 1258 (PMH Inq, fl. III, p. 396; CAF, Almeida, 1968; CAB Almeida, 1990); no entanto, como o próprio topónimo sugere, esta ponte terá sido construída muito provavelmente na Alta Idade Média, alterando o percurso romano que seguia por Souto de Rebordões atendendo ao achado de um miliário enterrado mas em posição invertida no acesso à Quinta da Torre (actual rua da Rabela), junto a um antigo caminho entre a Quinta das Fontes e a Igreja Paroquial de Souto de Rebordões (Colmenero et al., 2004). Além do miliário, existem outros dados que apontam nessa direcção; por um lado este trajecto está mais de acordo com a habitual tipologia das vias romanas, evitando por exemplo a travessia da ribeira do Folinho e por outro nas Inquirições de D. Afonso III em 1258 há referência por 3 vezes a uma «via publica», confirmando a passagem pela paróquia de uma estrada importante que deverá corresponder à velha via romana; nesse documento é referido uma «Cividade» que indicia a existência de um antigo povoado tipo castro (PMH Inq. 347).

Souto de Rebordões (m.p. XV; desvia da «rota de Santiago» em Pedra da Cruz (Anais), onde notícia da existência de um miliário de Adriano indicando a milha 13 (Jordão, 1859); daqui continua pela Capela da Senhora do Amparo, Carvalho do Lobo, Capela da Senhora das Dores, Quinta das Fontes, Quinta da Torre, passa no miliário e continua por Senra, Soalheiro, cruza o rio Trovela no lugar do Passo (?); daqui segue entre Torrinha e Chão de Mena)
Santa Maria de Rebordões (milha XVII; miliário de Maximino e Máximo descoberto no antigo passal da Igreja de Fornelos reutilizado como peso de lagar; indicava 17 milhas a Braga que eram vencidas junto da Capela de São Brás; actualmente está no jardim da Biblioteca Municipal de Vila Nova de Cerveira; pouco depois cruza a ribeira de Sandilhão e segue por Lage até à estação viária da Posa)
Posa, Feitosa (m.p. XVIII; miliário de Dalmácio reutilizado num muro do lugar, actualmente em parte incerta; miliário de Maximino e Máximo indicando a milha 18 que apareceu no «Campo de Santo Amaro», actualmente no jardim do Solar de Bertiandos convertido em Pelourinho, CIL II 4870; a epígrafe revela reparações da via na frase «vias et pontes temporis vetustate conlapsos restituerunt»; a via continua por Postigo, Portelas e São Lourenço, entrando em Ponte de Lima pela rua do Merim, rua Norton de Matos e pela antiga Porta de Braga, desmantelada em 1800; Almeida e Rodrigues, 2001; em 2023 foi identificado um miliário anepígrafo num muro de uma casa na Rua das Oliveiras, a cerca de 500 m a nascente da via, servindo de marco divisório entre as freguesias de Arca e Feitosa que pela posição poderia originalmente assinalar 19 milhas a Braga)

LIMIA, Ponte de Lima m.p. XIX
Estação viária tipo mansio situada a 19 milhas de Braga na actual vila de Ponte de Lima; o miliário 19 estaria no cruzamento da rua do Merim com a rua Severino Costa, na divisória com a freguesia de Feitosa, assinalada por um marco na berma da estrada; na Igreja de Sta. Cruz do Lima apareceu uma ara a Júpiter da oficina de ELPIDI, actualmente no Museu Pio XII; Castro romanizado na Serra de Antelas, ocupando o Alto de Santo Ovídeo e Alto da Telha.

Ponte Romana sobre o rio Lima (reconstrução medieval de uma anterior romana da qual restam os primeiros 5 arcos da margem direita com visíveis marcas de fórfex e utilização de silhares almofadados a denunciar a parte romana)
Antepaço (m.p. XX; no pátio da Quinta do Antepaço existe um miliário já ilegível que é o único que resta de um grupo de 4 miliários com os nº 1,2,3 e 4 da série Capela assinalando a milha 20 e posteriormente deslocados para a Quinta de Faldejães; da ponte romana seguia paralelo ao rio Labruja pela Quinta de Sabadão, onde vencia a m.p. XXI, continuando pelo limite da Quinta de Pomarchão e depois por Cancelhinhas e Igreja)
  • Na Quinta de Faldejães existem cinco miliários; 3 são provenientes da Quinta do Antepaço assinalando portanto a milha 20, o miliário de Adriano, CIL II 4871, o miliário de Caracala, CIL II 4872 e o miliário de Constâncio Cloro(?), CIL II 4873; além destes, existe ainda um miliário anepígrafo de proveniência desconhecida e um fragmento de miliário proveniente da Capela de São Sebastião em Labruja. O miliário de Maximino e Máximo indicando 21 milhas que apareceu deslocado e partido em dois esteios na Quinta da Agra, Correlhã (nº 7 da série Capela, CIL II 4874) deveria estar originalmente na Quinta de Sabadão onde era vencida a milha 21 e hoje integra o acervo do MNA.
Arcozelo (m.p. XXII; na Igreja de Santa Marinha apareceu um miliário)
Ponte Romana do Arco da Geia, Boavista (ponte sobre o rio Labruja reutilizando silhares almofadados de uma ponte anterior; continua pela margem esquerda por caminho agrícola que passa nos sítios da Coutada, Riba Rio, Borralho, Cerdeira, Carvalho e Moinho do Folão)
Cepões (m.p. XXIV; miliário no adro da Capela de São Pedro, convertido em pia, relacionada com a milha 23 que era vencida um pouco antes da capela no sítio do Padrão, sugestivo topónimo em alusão ao marco miliário que ali existia na base do povoado do Castro do Bárrio)
Ponte Romana?-Medieval do Arco (nova travessia do rio Labruja; daqui segue a EM522 por Fonte da Estrada até à Capela da Sra. das Neves em Codeçal onde vencia a m.p. XXV; daqui segue pelo chamado «Caminho da Texugueira», passando nos lugares de Revolta, Antas, Portelinha, Valinhos e Casa da Balada, marginando o povoado romanizado do Castro de Baixo)
Labruja (m.p. XXVI; no lugar de Espinheiros apareceu um miliário de Constantino Magno indicando a milha 26, suportando o alpendre de uma casa rural e hoje integra a chamada «Colecção da JAE», bem como o fragmento de miliário de Magnêncio (?) que apareceu no lugar da Freita; miliário da Capela de São Sebastião que hoje integra o grupo da Quinta de Faldejães; CAF Almeida refere um outro miliário próximo da Capela de São João Baptista da Grova, reutilizado como suporte de pia baptismal, mas que terá sido transferido para a Igreja Paroquial; a via passava a poente da Igreja por Casa Branca, Eiras, Fonte da Três Bicas e Espinheiros)
Portela Pequena (m.p. XXVII; a via cruzava a serra pela Portela Pequena com base na notícia de um miliário na «Portela de Câmbua» nº 11 da série Capela; este miliário estaria no alto do monte, actual linha divisória concelhia, assinalando a milha 27, tendo sido partido em 4 esteios e depois perdido; a construção da EN201 e posteriormente da A3 impede a reconstituição do percurso da via nesta zona; cruzada a portela, descia depois pela Capela do Pisco, Veiga do Monte, Portela, Venda, Cascalhal e Capela de São Roque (CM1076-2) até à base do castro de Romarigães)
Portela de Romarigães (m.p. XXIX; nas traseiras da Casa Grande de Romarigães há dois miliários anepígrafos; numa casa rural das redondezas, apareceu um miliário de Valentiniano I convertido em pia de porcos, actualmente no Museu Pio XII com o nº MPXII.LIT.572 que deveria assinalar milha 29 ou 30, apesar de actualmente não se ler mais do que as letras «XX[...]», AE 1980, 571)

  • Nó viário da Portela de Romarigães: estrategicamente posicionada na ligação entre o vale do rio Lima e o vale do rio Coura, na base do importante Castro do Couto de Ouro, ainda hoje linha divisória entre os concelhos de Ponte de Lima e de Paredes de Coura, esta estação da Via XIX deveria corresponder à milha 29 desde Braga, sendo muito provável a existência de uma mutatio na base do castro; a partir daqui a via parece dividir-se em duas variantes alternativas para Fontoura que seguiam a poente e a nascente dos castros de Romarigães e Cossourado, dado que ambas são pontuadas por vários miliários; o traçado mais a poente seguia por São Martinho de Coura e São Bartolomeu das Antas, com miliários em Barreiros, Fonte de Olho, Sapardos e São Julião, enquanto a outra variante seguia por Rubiães e Cossourado com miliários na Igreja Românica de São Pedro e na Quinta do Castro. Os dois ramos voltam a reunir-se mais à frente na portela junto da Capela de São Gabriel em Fontoura (Silva e Díaz, 1997; Colmenero, 2004; Matos da Silva, 2006). Aparentemente ambas as variantes estariam em utilização no período romano, no entanto é possível que a variante por São Martinho de Coura seja posterior, estabelecendo um novo percurso menos acidentado para o qual foram deslocados alguns miliários; de facto, no miliário de Barreiros que é dedicado ao Imperador Constante I (333-337 d.C.) pode ler-se «MILIARIVM XXVIIII», ou seja este era o 29º miliário da via, distância que corresponde ao lugar da Portela de Romarigães. O miliário seguinte apareceu mais adiante na Fonte do Olho, mas reutilizado numa casa rural e é de Magnêncio (350-353 d.C.); os miliários da Capela das Antas foram todos deslocados e o mesmo poderá ter sucedido aos miliários de Sapardos e São Julião. Assim, é possível que esta via seja posterior, sendo o traçado leste o trajecto original do Itinerário XIX, mas não há certezas (act. 2020).

Variante por São Martinho de Coura:
    Portela de Romarigães (rumava a noroeste por Sabariz, Costa e Fonte de Frenes)
    Barreiros, São Martinho de Coura (miliário de Constante I da milha 29 no largo por trás da Capela Ns. da Conceição onde se lê MILIARIVM XXVIIII, ou seja este era o 29º miliário da via; continua por Calados)
    Fonte de Olho, São Martinho de Coura (miliário de Magnêncio reutilizado como suporte de uma parra numa casa rural, no lugar da Seara; cruza o rio Coura na Ponte dos Caniços, situada na base do castro do Alto da Madorra)
    São Bartolomeu das Antas
    • Na construção da Capela de São Bartolomeu das Antas, foram utilizados seis miliários da região que ficaram assim deslocados do seu local original, no entanto alguns deles poderão estar relacionadas com esta variante por São Martinho de Coura; dois deles suportam o alpendre, o miliário de Magnêncio da milha 31 (CIL II 4744 e 6225) e o miliário de Nerva da milha 36 (CIL II 6226), proveniente segundo Argote do «Monte das Contenças»; os restantes estão em redor da capela: o miliário de Juliano da milha 33 (CIL II 6227), o miliário de Maximino Daia da milha 32 pelo que poderia estar na Quinta do Castro, o miliário de Maximino e Máximo (CIL II 6228) com a milha apagada e ainda um miliário anepígrafo.
    • Miliário de Candemil: na aldeia de Candemil apareceu um fragmento de miliário onde apenas se lê IMPE que terá sido deslocado desta via.
    • Miliário de Gosendos: na aldeia de Gosendos em Sapardos existe uma coluna, possível miliário inédito, a servir de esteio de uma casa.
    Antas (continua pelo CM1035 por Poça da Roda, Espinheiral, Carreira, Sande, Alto e Outeiro)
    Ramalhal, Sapardos (2 fragmentos miliários junto à entrada lateral da Capela de São Brás; possível mutatio, Almeida, 1996)
    Ranhadoura, Sapardos (miliário de Constâncio II com a milha ilegível, actualmente na «Colecção da JAE» em Viana do Castelo; AE 1980, 576)
    Raso, São Julião (no Monte da Gândara ou Gandra apareceu in situ um miliário de Maximino Daia indicando 34 milhas a Braga (AE 1980, 575), actualmente também na «Colecção da JAE»; em 1979, no Largo da Feira em São Julião, apareceu um miliário anepígrafo, actualmente no adro da Igreja dos Terceiros em Ponte de Lima; há 200 m lajeados num caminho paralelo à estrada actual, seguindo depois em alcatrão por Pousada)
    Reguengo (segue até à Portela de Fontoura, junto da Capela de São Gabriel, onde reúne com a variante por Rubiães)

Variante por Rubiães:
    Portela de Romarigães (continua pela vertente leste do castro até Azenha do Ribeiro, junto do qual vencia a m.p. XXX)
    Agualonga (cruza a ribeira de Codeceira e segue por Monte da Gândara, Covelo; habitat em Mourela)
    Pereiros (m.p. XXXI talvez junto da Capela de São Roque; continua pelo caminho paralelo à EN201 que segue pela vertente poente do Monte da Costa)
    Rubiães (passa nas traseiras da Igreja Românica de São Pedro, onde existe um miliário de Caracala reutilizado como sepultura antropomórfica; aqui apareceu também uma ara funerária e um bloco almofadado; daqui desce ao rio Coura pelo lugar da Escola e do Crasto)
    Crasto, Rubiães (m.p. XXXII; na Quinta do Crasto há 3 miliários deslocados; o miliário de Augusto na entrada da quinta e no jardim interior um miliário de Valentiniano I e um fragmento de miliário anepígrafo; os dois primeiros indicam a milha XXX pelo que a sua localização original poderia ser na Azenha do Ribeiro em Romarigães; desta milha 32 temos o miliário de Juliano na capela de Antas)
    Ponte Medieval da Peorada sobre o rio Coura (m.p. XXXII; calçada junto da ponte)
    Cossourado (m.p. XXXIII; da ponte segue talvez pela EM1074, passando na vertente nascente do Castro do Cossourado, também conhecido como «Alto da Cividade» ou «Forte da Cidade», importante povoado da Idade do Ferro situado a 28 milhas de Braga; continua junto da Igreja Paroquial; o trajecto para Fontoura é incerto, mas talvez seguisse próximo de Carcavelha até ao lugar da Portela)
    Portela de Fontoura (m.p. XXXVI; estação viária junto da Capela de São Gabriel; o miliário de Nerva do «Monte das Contenças» que foi levado para a Capela de Antas poderia ser daqui pois indica 36 milhas a Braga; a milha seguinte seria assinalada pelo miliário de Chamosinhos, dedicado a Constâncio II, que apareceu reutilizado num quinteiro perto da Igreja de São Pedro da Torre, dado que indica a milha 37; actualmente este marco está no MNA)

Itinerário XIX de Fontoura a Valença
Fontoura (da Capela de São Gabriel continua por Portela\, Cortinhas, Casa Gonçalo, ribeira de Boriz, Rio Torto e pelo caminho de terra batida com 100 m até Monte Chão, restando da antiga via, segundo Colmenero, uma lomba no terreno com 500 m, hoje em propriedade privada; seguia depois pela Capela de São Bento e Bouça da Gândara até Paços), Cerdal (segue o caminho de terra batida até à Ponte Medieval da Pedreira, onde resta um troço lajeado da ponte; continua por Corgas para atravessar o ribeiro de Mira num pontão com possível origem romana), Tuído (cruza a EN13, e segue paralela a esta por Albergaria, Senra, Ervêlho e Troias)

Valença (m.p. XLII; 2 miliários provenientes do lugar das Lojas na chamada «estrada do cais» que desce ao Cais de Arinhos, onde cruza o rio Minho; o primeiro é um miliário de Cláudio da milha 42, actualmente deslocado para dentro da fortaleza, e o segundo é um possível miliário anepígrafo que integra a «Colecção da JAE» em Viana do Castelo; Inscrição de um veterano da Legião VI Vencedora no Núcleo Museológico Municipal)

TUDA (m.p. XLIII)
Estação viária a 43 milhas de Braga, actual Tui; a via continuava por Santa Eufémia, próximo de Rebordáns (1 m.p.; miliário de Décio, possivelmente da milha um; fragmento de outro) e Capela da Virxe do Caminho (2 m.p.), seguindo depois a margem direita do rio Louro por Quintenla, Centeans, Ponte de Febres, Gaiteiros, Madalena, Agueiro, Veigadanha, Castro, Rúa (na Igreja de Santa Baia/Santa Eulália de Mos), Sobrado, Os Cabaleiros, Cruzeiro do Santissimo Cristo da Victoria, A Zapateira, Caminho de Avileira e Cerdeirinhas até à Capela de Santiaguinho de Antas. A maioria dos miliários identificados neste tramo do Itinerário XIX estão Museu de Pontevedra (sobre os miliários nesta rota ver Colmenero et al. 2004 e Abascal, 2020).

BURBIDA (m.p. XVI)
Estação viária a 16 milhas de Tui, localizada em Santiaguinho de Antas; a cerca de 70 metros há um miliário ilegível junto à via assinalando esta paragem; continua por Monte Cornedo, Galleiro, Chan das Pipas e Padrón (miliário de Adriano indicando 17 milhas a Tui); continua por Souto (pelo «Caminho Romano»), San Mamede Quintela (miliário de Decêncio), Ponteareas, Redondela. Daqui segue por San Pedro de Cesantes (miliário de Numeriano na Fonte dos Frades, lugar de Sobreiro em Outeiro das Penas, junto de outro anepígrafo), Padrón, Alto da Lomba, Santa Maria do Viso (situado na base do Castro da Peneda), descendo daqui a Santiago de Arcade por Sete Fontes e Fonte da Lavandeira (miliário de Caracala, indicando 66 milhas a Braga que estava na Igreja de Santiago); continua por Soutomaior, cruzando o rio Verdugo junto da Ponte Medieval de Sampaio. Continua na outra margem próximo de Paredes (4 miliários; Adriano, Licínio, Carino e Severo), Cruzeiro de Ballota, rio Ulló, Cacheiro, Laceiras, Fonte Salgueirinho, Alcouce, Santa Comba de Bértola, Ganderón (Capela de Santa Maria), O Pobo, Lusquinhos e O Marco (dois miliários de Maximino, um em Pazo e outro próximo da Ponte do Couto), entrando em Pontevedra pela rua do Gorgollón.

TUROQUA (m.p. XVI)
Actual Pontevedra, possível referência a um possível ponte romana anterior à Ponte do Burgo cruzando o rio Lérez. Junto desta travessia apareceram três miliários, em 1988 o miliário de Adriano, indicando 96 milhas a Lugo (lê-se ainda «L. Aug. m.p. LXXXXVI», em 2006, o miliário de Maximino Daia, e em 2007 o miliário de Nerva; outro miliário de Adriano apareceu deslocado e reutilizado como pedra de lagar no lugar da Almuíña, indicando 95 milhas a Lugo. Continua por Santa María de Alba (miliário de Caracala) e San Vicente de Cerponzóns (miliário de Magnêncio; uma cópia foi colocada junto à via no lugar de Leborei). Continua pelo caminho da Ponte de Pedras, cruza a linha férrea e segue por Santo Amaro, Cancela, Cruzeiro de Lamas, Cruzeiro de Vilar, Cruzeiro de Nane, Cruzeiro, Capela de Santa Lucia de Arcos da Condesa, Souto, seguindo paralela à estrada actual (N-550) até ao local de cruzamento do rio Umia.

AQUIS CELENIS (m.p. XIIII)
O Itinerário indica 24 milhas a Turoqua, no entanto a distância de Pontevedra a Caldas do Reis ronda as 14 milhas. Deste modo, é muito provável que haja no erro de transcrição, trocando os numerais «XIII» e «XXIII»; miliário de Constantino; ara aos lares viais no muro do adro da Igreja de Santa Maria de Caldas de Reis. continua por San Xulián de Requeixo (ara aos Lares Viais na demolida Capela de Xan Xulián, junto com mais três inscrições) e Padrón.

TRIA (m.p. XII)
Seguramente um erro na transcrição do itinerário que deve ser corrigido para IRIA, ou Iria Flaviae, cidade portuária situada na confluência dos rios Sar e Ulla, 12 milhas a norte de Caldas dos Reis, ocupando a área da Igreja de Santa Maria; cerca de uma milha antes, na povoação de Padrón, apareceu um miliário de Graciano e na igreja de Santiago de Padrón existe uma ara dedicada a Neptuno que estaria junto do antigo porto fluvial e que a lenda diz ser a pedra onde foi amarrada a barca do Apóstolo Santiago. A via continua pela Igreja da Escravitud, Santa Maria das Cruces, Picaraña, Faramello e Miladoiro até Santiago de Compostela (12 m.p.; ara a Mercúrio; ara a Júpiter)

ASSEGONIA (m.p. XVIII)
Presumivelmente localizada nos arredores de Santiago de Compostela, possivelmente em Lavacolla, onde cruza o rio Sionlla (também na variante Sioña, topónimo que poderá ter origem na estação romana). Deste modo haveria que corrigir a distância indicada a Iria, de 13 milhas para 18 milhas, por eventual troca entre os numerais «XIII» e «XVIII». A hipótese contrária também é válida, isto é, admitindo que esta estação corresponde a Compostela, então haveria que corrigir o valor indicado para 12 milhas (na Catedral de Santiago), e alterar de 22 para 28 milhas a distância à estação seguinte, Brevis, o que é menos provável, dado que obriga a duas trocas, além de uma pouco plausível troca entre os numerais «XXII» e «XXVIII». A via continua para nascente, cruzando a área do actual aeroporto, por Cimadevila, Castro de Amenal, Rúa (Castro de Vilaboa), Santa Irene, Cerceda, Brea, Salceda, Boavista, Ferreiros, Gueán, Calzada, Taberna Velha, Uceira, Cotobe, Fondevila, Arzúa, Ribadiso (ponte sobre o rio Iso), Fraga Alta/Pedrido e Boente.

BREVIS (m.p. XXII)
Estação viária do Itinerário XIX possivelmente situada em Boente, entre Arzúa e Mélide, local a 20 milhas de Marcie, onde apareceu uma ara a Júpiter; continua por Parabispo, Penas, Carballal e Igreja de Santa Maria de Mélide, cruza a povoação pela rua Martagona e segue por Ponte de Pedra, Castro de Vilamor, Igreja de Santo Estevo de Toques (ara a Mercúrio), Santiago de Vilouriz, Hospital das Seixas, Monte de Riba/Castro das Seixas, Porto do Carro, Pena do Boi Louro, Leboreira e Paraño (18 m.p.).

MARCIE (m.p. XX)
Estação viária a 13 milhas de Lugo possivelmente localizada próximo da travessia do rio Gamoira em Vilamaior de Negral; talvez Ponte Nartiae; continua por Santa Cruz da Retorta/ O Castro, Igreja de San Romao da Retorta (miliário de Caracala; IRL, 93; no local existe uma cópia), San Pedro de Abaixo, Hospital, Casa de Rúa, Corredoiras, San Miguel de Bacurín (miliário anepígrafo), San Martin de Poutomillos (topónimo viário A Uceira), Caraloces, San Vicente do Burgo, Carrigueiros, Seoane, San Xoán do Alto, San Matías e Mesón del Gallo, cruzando o rio Minho na Ponte Romana de Lugo.

LUCUS (m.p. XIII)
Actual Lugo; a 70 milhas a Astorga e a 60 de Santiago de Compostela; seguia talvez por As Mercedes e San Fiz para cruzar o rio Chanca na Tolda de Castela; continua por Paredes, Santo André de Castro, San Mamede, Anxeles, Vilar de Cucos, San Lourenzo de Recimil (O Castro), Coeo, O Castro, Quintela e Arxemil (miliário de Adriano reutilizado como pia baptismal na Igreja de San Pedro, a cerca de 8 milhas de Lugo; um outro miliário anepígrafo apareceu em San Martiño de Perliños); continua pela Ponte Medieval de Galiñeiros em Corgo, continuando por Pedraficta, Bergazo, Rioseco, Fontoira (miliário no adro da capela de San Bernabé, no lugar de Castrillón), Franqueán (miliário de Caro), Cimadevila, Monte da Silva, Santo Estevo de Folgosa, cemitério de Sobrado de Picato, Ansareo, Calvela e Fonte Lavadero, continuando junto do cemitério de San Pedro de Ferreiros, na base do sugestivo topónimo viário Castro de Ferreiros.

TIMALINO (m.p. XXII)
Estação viária a 22 milhas de Lugo, possivelmente localizada junto do cruzamento do rio Neira em Baralla; continua por Campo de Arbre, Cadoalla, Forno da Cal, Igreja de San José do Cereixal, Becerreá e A Venta de Cruzal, cruzando o rio Narón na base do Castro de Vilar de Ousón, Serra da Horta, Capela de São Bento da Horta, cemitério de Agueira, cruzando Ponte da Ferrería de As Nogais.

PONTE NEVIAE (m.p. XII)
Estação viária a 12 milhas de Timalino, localizada junto da ponte romana sobre o rio Navia (destruída), no sugestivo topónimo A Ferrería, em As Nogais. Continua por Pedraficta do Cebreiro, Castro, Teso e Lamas.

UTTARIS (m.p. XVI)
Estação viária a 16 milhas de Ponte Neviae, distância que era vencida junto da Capela de Ruitelán; continua por Vega de Valcarce (junto do Castelo de Sarracín), Ambasmestas, Portela de Valcarce, Trabadelo, Pereje, Vilafranca do Bierzo.

BERGIDO (m.p. XVI, na base do Castro Ventosa; o restante itinerário está descrito no Itinerário XVIII)
INTERAMNIO FLUVIO (m.p. XX; Bembibre)
ASTURICA AUGUSTA (m.p. XXX; Astorga)

VIA XX - Item per loca maritima a BRACARA ASTURICAM usque
Mapa
ITINERARIO XIX - Braga (BRACARA) - Lugo (LUCUS) - Astorga (ASTURICA) per loca maritima
Item per loca maritima
a BRACARA ASTURICAM
usque

AQUIS CELENIS
VICO SPACORUM
AD DUOS PONTES
GLANDIMIRO
TRIGUNDO
BRIGANTIUM
CARANICO
LUGO AUGUSTI
TIMALINO
PONTE NEVIAE
UTTARI
BERGIDO
ASTURICA




stadia CLXV
stadia CXCV
stadia CL
stadia CLXXX
m.p. XXII
m.p. XXX
m.p. XVIII
m.p. XVII
m.p. XXII
m.p. XII
m.p. XX
m.p. XVI
m.p. L
Este itinerário seria uma alternativa ao Itinerário XIX por via marítima, atendendo à designação «per loca maritima», ou seja algo como «por locais marítimos», e ao facto das distâncias entre as primeiras estações serem apresentadas não em milhas mas em estádios, unidade que era habitualmente usada em trajectos marítimos ou fluviais (Mantas, 1997). Este itinerário seguiria por via marítima pelos portos de Aquis Celenis, Vico Spacorum, Ad Duos Pontes e Glandimiro, continuando depois por via terrestre rumo a Lucus Augusti (Lugo), onde conflui no Itinerário XIX rumo a Asturica (Astorga). Seria muito provavelmente uma via comercial, para transporte de mercadorias pesadas, evidenciado a notável organização económica durante o período romano. A parte inicial do trajecto em território português tem gerado grande controvérsia devido às diferentes interpretações do Itinerário.

O primeiro problema prende-se com a existência ou não de uma via terrestre a ligar Bracara a Aquis Celenis. Apesar dos esforços de muitos autores, a verdade é que não há indícios claros da existência de uma via romana pelo litoral Atlântico (apesar da comprovada existência de diversas vias secundárias), dado que até hoje não apareceu um único miliário que possa ser atribuído a essa suposta via, ausência de todo inusitada nas principais vias com origem na capital regional Bracara, sempre pontuadas por inúmeros miliários ao longo do seu percurso. Alguns autores pretenderam associar a esta via o miliário de Chamosinhos (Almeida CAF, 1987:165-166), mas tudo indica que este foi deslocado da Via Bracara - Limia - Tui que passa a cerca de 4 milhas a nascente (Almeida CAB, 1979:123-124).

Deste modo é mais plausível que este itinerário seguisse inicialmente por um percurso comum ao Itinerário XIX até Tui (42 m.p.), seguindo depois por via fluvial ao longo do rio Minho até à sua foz (20 m.p.), perfazendo 62 milhas desde Braga. A ser assim, o povoado de Aquis Celenis poderia corresponder ao Castro de Santa Tecla na foz do rio Minho, com um porto na pequena ilha onde hoje assenta o chamado «Forte da Ínsua». De facto, Estrabão refere na sua Geographia que "diante da sua embocadura (do Minho) situam-se uma ilha e dois quebra-mares com ancoradouros" (Deserto et al., 2006). Deste modo, os 165 estádios indicados no Itinerário de Bracara a Aqui Celenis poderão ser interpretados antes como o trajecto fluvial entre Tui e a foz do rio Minho, valor compatível com 20 milhas que separam o Forte da Ínsua de Tui (Crespán, 2015). Muito provavelmente, o Itinerário omite o trajecto inicial de Braga a Valença dado que esta via é anteriormente referida no Itinerário XIX. Deste modo, o per loca maritima seria uma variante da via terrestre para Lugo descrita no Itinerário XIX, percorrendo os portos da costa Galega até Glandimiro, seguindo novamente por via terrestre até Lugo. Esta possibilidade é actualmente a que parece ter mais consistência face aos dados disponíveis (act. 2021).

Todavia, a questão da localização de Aquis Celenis está longe de estar resolvida e ainda subsistem muitas interrogações. Desde logo, a repetição do mesmo topónimo no Itinerário XIX a 99 milhas de Braga, valor incompatível com a foz do rio Minho e que coloca esta estação nas proximidades de Caldas dos Reis (Pontevedra). No entanto, esta aparente discrepância entre os dois itinerários poderá ser explicada considerando que se trata de dois povoados distintos. De facto, no «Ravennatis», Aqui Celenis surge na sequência de Iria Flaviae (Rav. IV.45), portanto compatível com a sua localização em Caldas dos Reis, mas noutra passagem é referida a povoação de Quecelenis nas proximidades de Tudae (Rav. IV.43), ou seja, uma posição compatível com a foz do rio Minho. A similitude das duas grafias poderá ter confundido os copistas medievais, acabando por reduzir os dois nomes a uma só designação: Aquis Celenis. A ser assim, Quecelenis pode ser relacionada com o importante Castro do Monte de Santa Tecla e o seu porto marítimo localizado na foz do rio Minho, articulando o acesso a Tudae por via fluvial. Neste contexto, não seria impossível que o nome o povoado fosse apenas Caelenis, tendo a grafia Quecelenis o sentido de "o cais ou porto de Celenis". Não temos no entanto evidências que possam confirmar estas hipóteses que assentam acima de tudo numa interpretação geográfica dos Itinerários (act. 2021).

Uma outra tese muito veiculada nas últimas décadas propõe uma rota ao longo do vale do rio Cávado até Esposende seguindo depois por via marítima. Apesar da sua generalizada aceitação, sendo seguida por autores conhecedores da região como Rui Morais e Helena Carvalho, a sua existência carece de confirmação. Por um lado, a existência de uma via terrestre ao longo da margem do rio Cávado é incompatível com a habitual tipologia da via antiga e deve por isso ser descartada. Por outro, seria mais plausível que parte dessa rota utilizasse o trajecto fluvial propiciado pelo rio Cávado que seria navegável até Areias de Vilar. Parece de facto existir uma via antiga designada à saída de Braga por «Calçada de Naia» que poderia ligar a este porto fluvial na dependência de Bracara Augusta, podendo também continuar até Barcelos e daqui rio abaixo até Esposende, onde estaria Aquis Celenis. Os 165 estádios indicados no Itinerário corresponderiam assim a este percurso até à foz do rio Cávado, perfazendo assim essa distância (sobre estas hipóteses ver Almeida CAF, 1968, 1969, 1987; Almeida CAB, 1979, 1980, 1986, 1996; Maside, 2001; Colmenero et al., 2004; Morais, 2005; Carvalho H., 2008; Ferreira J., 2012). O acerto com a distância indicada a Braga torna esta proposta plausível, mas cria outros problemas a jusante, ao inviabilizar o acerto das distâncias com as estações subsequentes, ao contrário da solução 'foz do rio Minho' que permite explicar os valores indicados. No entanto, sendo ou não parte integrante do Itinerário XX, é possível que esta via partindo Braga para poente já estivesse em uso no período romano seguindo pelo menos até Areias de Vilar, se não mesmo até Barcelos, cortando transversalmente as vias norte-sul que cruzavam o rio Cávado nesses locais. O possível trajecto desta via é descrito em viasromanas.pt/#braga_areias. Sobre o restante percurso do Itinerário XX, ver estudos de César Crespán (2015 e 2016)

VIA XII - Item ab OLISIPONE EMERITAM m.p. CLXI
Mapa
Lisboa Alcácer




Alcácer Évora














Évora














Elvas




Badajoz


ITINERARIO XII - Lisboa (OLISIPO) - Alcácer do Sal (SALACIA) - Évora (EBORA) - Mérida (EMERITA)
Item ab OLISIPONE
EMERITAM

AQUABONA
CATOBRICA
CAECILIANA
MALATECA
SALACIA
EBORA
AD ATRUM FLUMEM
DIPONE
EVANDRIANA
EMERITA

m.p. CLXI

m.p. XII
m.p. XII
m.p. VIII
m.p. XXVI
m.p. XII
m.p. XLIIII
m.p. VIIII
m.p. XII
m.p. XVII
m.p. VIIII
Itinerário
Corrigido

Aquabona
Caetobriga
Caeciliana
Malateca
Salacia
Ebora
Ad Atrum
Dipone
Evandriana
Emerita

m.p. CCXIII

m.p. XII
m.p. XII
m.p. VIII
m.p. VII*
m.p. XXII*
m.p. XLIIII
m.p. LXX*
m.p. XII
m.p. XVII
m.p. VIIII
Inicialmente o Itinerário XII de Antonino seguia a via romana entre Olisipo (Lisboa) e Salacia (Alcácer do Sal) passando por três mansiones de permeio Aquabona, Caetobriga, Caeciliana e Malateca, cuja localização tem suscitado algumas dúvidas, isto porque há dificuldade de compatibilizar os vestígios romanos com as distâncias indicadas no I.A. Se a localização das duas primeiras estações não oferece qualquer dúvida, com Aquabona correspondendo à foz do rio Coina, a 12 milhas de Lisboa, e Caetobriga correspondendo à actual cidade de Setúbal, a 12 milhas de Coina, por outro lado as estações seguintes apresentam várias incoerências. De facto, o itinerário indica 46 milhas de Caetobriga a Salacia quando a distância real é de cerca de 35 milhas, diferença demasiado grande para ser justificada por uma rota alternativa. Assim temos de admitir um erro nas distâncias indicadas para estas etapas do itinerário. Assim, depois de Caetobriga, a via percorria as 8 milhas indicadas até Caeciliana, estação viária possivelmente situada no Alto da Lentisqueira, próximo do monte homónimo; daqui seguia para a travessia da ribeira de Marateca junto da qual deveria situar-se Malateca, percorrendo 7 milhas e não as 26 milhas supostamente indicadas no I.A. Daqui a via seguia Alcácer do Sal, percorrendo 22 milhas e não as 12 indicas (possível confusão entre os numerais «XXII» e «XII»). A etapa seguinte deste itinerário corresponde à via romana de Salacia a Ebora; o trajecto segue inicialmente pela margem direita da ribeira de Sítimos até à aldeia de Santa Susana, onde cruza o rio Mourinho, continuando depois próximo da linha divisória entre os concelhos de Montemor-o-Novo e Alcáçovas até Évora. Daqui continuava para Mérida, passando por três estações intermédias, Ad Atrum Flumen, Dipo e Evandriana cujas localizações são discutidas mais adiante. (Ferreira, 1993; Bilou, 2000; Almeida, 2000 e 2000a; Faria, 2002; Almeida et al., 2011; Carneiro, 2008).

Lisboa (OLISIPO) (o percurso inicial deste itinerário corresponde à travessia do rio Tejo; o local poderia ser assinalado pelo miliário de Probo que apareceu na Casa dos Bicos; o trajecto fluvial ligaria ao Porto de Cacilhas, atendendo aos vestígios de cetárias descobertas no Largo Alfredo Dinis e à proximidade com o importante povoado da Idade do Ferro na Quinta do Almaraz; seguia depois por Almada, Cova da Piedade, Barrocas e Laranjeiro, continuando aproximadamente pela EN10 até Coina, percurso pontuado por diversos vestígios romanos como a olaria da Quinta do Rouxinol em Corroios, a mina de Vale dos Gatos em Amora, a necrópole da Quinta de São João em Arrentela e a mina de Foros da Catrapona, ao km 15 da EN10, com uma possível mutatio no Casal do Marco, junto da travessia do rio Judeu; também era possível cruzar o rio Tejo directamente a Aquabona, atracando no Porto da Romagem em Coina, através do braço do Tejo que penetra terra dentro até à foz do rio Coina; outros portos fluviais foram identificados próximo da Moita e de Alcochete, «Porto dos Cacos», mas é pouco provável que qualquer destas alternativas integrasse o itinerário principal para Mérida)

Coina (AQUABONA) (mansio na milha XII localizada nas proximidades da Capela de Ns. dos Remédios, antiga Ermida de São Sebastião, e da Fonte da Talha, possivelmente a «Aqua Bona» inferida do topónimo; daqui a via seguia rumo a Caetobriga, localizada a 12 milhas, o que corresponde à distância medida no terreno entre Coina e Setúbal; também deveria existir um trajecto mais directo, ligando Coina a Marateca passando a norte de Palmela, evitando a passagem por Setúbal e consequente travessia da Serra da Arrábida, reduzindo a distância para Marateca em 4 milhas.
  • Itinerário XII de Coina a Setúbal, segue recto algures ao longo da margem direita da Vala Real até Vendas de Azeitão, possível estação viária sensivelmente a meio percurso, continua pelo Alto das Necessidades (dentro está a chamada «Cruz das Vendas») e junto da Quinta da Calçada, topónimo que denuncia a passagem da via ao longo das vertentes oeste e sul da Serra de São Luís, passando próximo dos sítios romanos da Cruz da Légua, a 7 milhas de Coina, Quinta do Esteval e Quinta do Rego de Água, descendo depois da EN10 pela chamada Calçada ou «Estrada do Viso», troço da via romana bem preservado entre o Grelhal e Casal das Figueiras, terminando na rua do «Caminho Romano», entrando em Setúbal pelo Bairro do Tróino, seguindo até ao Largo da Misericórdia.
  • Ligação directa de Aquabona a Caeciliana: deveria existir uma ligação directa de Coina a Marateca por Palmela, evitando assim a passagem por Setúbal que representa um desvio de mais 4 milhas. A via passaria a norte de Palmela pela base do importante Povoado de Chibanes situada na crista da Serra do Louro (a Caepiana de Ptolomeu segundo Amílcar Guerra), continuando por Carrasqueira, Olhos d'Água, Cascalheira e Palhota, onde entronca na EM533-1, também chamada de «Estrada dos Espanhóis» que segue pelo Alto das Areias Gorda e Alto do Lau até ao Alto da Lentisqueira, nó viário junto do Monte da Lentisqueira, onde entronca na variante por Setúbal e presumível localização da estação Caeciliana/Caeliana.

Setúbal (CAETOBRIGA) (oppidum portuário a 24 milhas de Olisipo ocupando o actual centro da cidade, com os vestígios estendendo-se pela Av. Luísa Todi, ao longo da rua Direita do Tróino até á zona de Palhais/Fontainhas passando pelo Largo da Misericórdia e Rua Antão Girão; a via romana seguia talvez pela Igreja de São Julião, Rua Antão Girão, rua Aranguês, rua Camilo Castelo Branco, rua 4 Caminhos e Monte Belo, onde tomava a «Azinhaga de Cruz de Peixe» pelo Alto do Pessolho por Louseira, Matamouros, Brejo do Assa e Algeruz, até entroncar na chamada «Estrada dos Espanhóis» próximo do Monte da Lentisqueira)

Galeanos (CAECILIANA) (estação viária situada a 8 milhas de Caetobriga, possivelmente localizada no nó viário dos Galeanos, próximo do Monte da Lentisqueira, local onde confluíam as referidas estradas, uma proveniente de Setúbal e outra proveniente de Coina conhecida por «Estrada dos Espanhóis», onde Mário Saa ainda viu a calçada original antes de esta desaparecer sobre a estrada actual designando-a como «Estrada Funda, dada a profundeza milenária do seu sulco»; a partir daqui a «Estrada dos Espanhóis» corresponde ao CM1040 até Marcos da Catarina em Agualva, a 11 milhas de Setúbal, desviando aqui pelo caminho do Chaparral de Agualva de Cima, cruzando a ribeira homónima para Águas de Moura)

Marateca (MALATECA) (estação viária a 15 milhas de Setúbal, provavelmente localizada junto da travessia da ribeira da Marateca; a estação viária poderá corresponder ao chamado «Castelo dos Mouros», localizado na outra margem junto ao cemitério, onde há vestígios de estruturas romanas; a via seguiria depois aproximadamente a rota da EN5 (?) rumo a Palma, onde cruzava a ribeira de São Martinho junto do sugestivo topónimo de «Ponte da Pedra»; continua próximo do Monte do Albergue, Igreja do Monte de Vale de Reis, onde há vestígios romanos, a 17 milhas de Marateca; este sítio surge como «Albergues» no «Roteiro Terrestre», sugerindo a existência de uma mutatio neste local situado a 4 milhas de Alcácer do Sal; continua depois junto da Igreja de São Lourenço onde vencia a milha 18, seguindo daqui para sudoeste pelo caminho que passa no Monte das Águas Pousadas até ao Bairro do Venâncio)

Alcácer do Sal (SALACIA) (oppidum, sede de civitas e importante porto fluvial a 22 milhas de Marateca; o povoado ocupava a área do castelo onde viria a instalar-se o convento de Ns. de Aracaeli; a via entrava na cidade pela Av. dos Clérigos e rua da Fábrica, passando junto do Convento de Santo António, marginando a necrópole de São Francisco de Frades até atingir a base do morro do castelo; necrópole na Azinhaga do Sr. dos Mártires; vestígios do aqueduto 1 km a nordeste; inscrição honorífica ao magistrado Cornelius Bocchus, CIL II 2479; ver Museu Pedro Nunes; Faria, 2002)
  • Porto Fluvial de Alcácer do Sal: no estuário do Sado ainda existem importantes vestígios do comércio por via marítima centrado no porto de Alcácer do Sal, articulado com os entrepostos comerciais e centros de transformação da actividade piscícola em Tróia (Achale?), Portinho da Arrábida (Creiro), Outão (Praia da Comenda), Sesimbra (no centro urbano) e Setúbal, assim como os mais de 20 centros de produção de ânforas, como a Feitoria Fenícia de Abul, do Monte do Bugio e da Herdade do Pinheiro; nesta última, André Resende registou um cipo dedicado ao imperador Cómodo nas «ruínas de uma povoação» situada a 20 mil passos de Caetobriga e a 16 mil passos de Salacia; este cipo que Resende inclui na descrição da via romana de Lisboa a Évora, não seria um miliário dado que apresenta uma inscrição de carácter honorífico, talvez colocada pelos habitantes do vicus portuário que aqui deveria existir, associado à indústria de fabrico de ânforas cujos fornos são ainda hoje visíveis; provável ligação à via principal que corria mais para o interior, assegurando o escoamento dos produtos por via fluvial. (CIL II 8; Resende, 1593:148-149).
  • Via fluvial pelo rio Sado: o rio Sado era navegável na era romana ligando ao hinterland alentejano com imensos vestígios de villae e portos fluviais ao longo das suas margens relacionados com o comércio fluvial, a saber: Herdade da Barrosinha (villa), Porto de Rei (villa e porto fluvial), Monte da Casa Branca (villa e calçada com 200 m), Portinho (villa), Benagazil, São Romão, Porto Carro (porto fluvial), Herdade dos Frades (villa), Portancho (villa) e Monte da Quinta de D. Rodrigo (calçada, ligaria a Alcácer?), na foz do rio Xarrama, rio que subia até ao Torrão passando ao lado da Capela de São João dos Azinhais na Herdade de Arranas (ara a Júpiter) e da villa de Passadeiras. O rio poderia ainda ser navegável para montante, passando na villa na Herdade da Quinta de Cima, seguindo provavelmente até Santa Margarida do Sado.

Itinerário de Alcácer do Sal a Évora
Depois de Alcácer, a via seguia seguramente pela margem direita da ribeira de Sítimos até Santa Susana, onde cruzava a ribeira de Remourinho. A partir daqui as propostas de traçado até Évora divergem. Francisco Bilou propôs um traçado pela parte sul do concelho de Montemor-o-Novo com base nos fustes de possíveis miliários por ele identificados no Monte da Prata, Monte da Venda e Monte dos Andrades, seguindo depois em direcção a Valverde/Herdade da Mitra, onde existe um miliário, seguindo daqui para Évora (Bilou, 2000, 2000a, 2005), trajecto a que Mário Saa chamava a «Estrada dos Almocreves» (Saa, 1963:83). Apesar da sua possível utilização já em período romano não é seguro que a via romana de Alcácer do Sal a Évora seguisse este caminho dado que a distância medida entre as duas cidades por este traçado ronda as 40 milhas, valor bem inferior às 44 milhas indicadas no Itinerário de Antonino para este troço. Por outro lado, este caminho apresenta uma aparente descontinuidade entre o Monte dos Andrades e a Herdade da Mitra. Alguns destes possíveis miliários poderão antes corresponder a fustes de colunas (Almeida MJ, 2017). Sendo assim, optamos por reconstituir o traçado mais a sul que tinha já sido proposto no século XVI por André de Resende seguindo pelas extremas das herdades situadas no limite norte do termo de Alcáçovas rumo ao sítio romano de Ns. de Tourega, sobre o qual temos umas preciosas notas coligidas no século XVIII pelo Frei Francisco de Oliveira e publicado em 1767 na terceira edição do «Roteiro Terrestre de Portugal» do Padre Baptista de Castro. Neste relato são indicados os pontos de passagem da via com algum detalhe, mas as grandes transformações da paisagem em resultado da actividade agrícola na vasta planície entre o Rio Mourinho e Tourega, praticamente sem obstáculos naturais, e a quase total ausência de vestígios romanos (com a excepção do sítio romano da Herdade de Água d'Elvira dos Padres), não permitem reconstituir um traçado seguro. Seguidamente transcreve-se o texto do «Roteiro», indicando entre parênteses rectos a sua provável correspondência com os topónimos actuais (Castro, 1767; Páscoa, 2002).
  • Via romana de Salacia a Ebora segundo o «Roteiro Terrestre»
    «(...)chegava a Alcácer do Sal, donde sahia direito ao sítio da Ermida de São Brás, e pelas herdades do Arcebispo Figueira [Herdade da Arcebispa], Galrope [Galropos], Liziria [Lezíria], Alagapa de baixo [Lapa de Baixo], e Rio Mourinho [Ribeira de Remourinho], passava a ribeira. Depois discorria pelas herdades da Venda velha da Courella [?], Bruegas [?], entre as Romeiras, Zambujal, Caeiras, Farros [Fartos?], Pinheiro, e Defeza [Herdade da Defesa], estremas da Agua de Oliveira grande [Água d' Elvira Grande], entre o Pigeiro [Herdade do Pigeiro Grande] e Pigeirinho [?], Cardoso [?], entre a Capella [Capela], e o Poço da rua [Herdade do Poço da Rua], junto do Curral das Minas [?], entre o Cazão, e a Figueira [Casarões do Monte Figueira?], Poço do Reguengo [Monte do Reguengo], Paiva [Monte de Paiôa, Paivôa], Meda [Monte de Alcalá], e passando a ribeira da Odiege [ribeira de São Brissos], perto da Ourega [Tourega], herdade do Barrocal, Estrema da fonte cuberta (?), chegava a Évora.» (Castro, 1767)

Alcácer do Sal (SALACIA) (partindo a base do morro do castelo continua pela Calçada da Fonte Nova, rua das Douradas, rua Rui Coelho, rua 5 de Outubro e rua Miguel Bombarda, marginando a necrópole do Bairro do Crespo, continua pela rua Cabo da Vila e rua da Foz, passando junto da villa? do Olival de Ns. d'Aires, m.p. I, rumando depois para nordeste por uma rota próxima da actual EN235 ao longo da margem direita da ribeira de Sta. Catarina de Sítimos, passando próximo da Ermida de São Brás, m.p. III, onde existiam dois fustes de colunas e um capitel de uma possível villa; continua junto do Monte da Arcebispa, cruzando com a via para o Torrão e Beja, continuando depois por Galropos)
Monte dos Carvalhos de Baixo, Pego do Altar (m.p. VII; miliário anepígrafo na divisória entre freguesias; possível local de travessia da ribeira de Sítimos dado que na margem oposta há vestígios de villa em Pedrões; a via continua pelas herdades das Lezírias e Lapa de Baixo/«Alagapa de Baixo»)
Santa Susana (m.p. X; villa ou vicus da Portagem, provável mutatio; Resende e mais tarde Breval transcrevem um miliário de Caracala achado na margem do «Riuo Maurino», actual ribeira de Rio Mourinho, possivelmente junto do local onde a via cruzava a ribeira e vencia a milha XI, local actualmente submerso pela albufeira da barragem do Pego do Altar [CIL II 434; Resende, 1593:149-150, Breval, 1726]; continua na outra margem pela EM1066 e pela «Estrada da Calçadinha» na Herdade da Biscaínha e Monte da Caeirinha)
Monte da Defesa, Alcáçovas (o Fr. Oliveira refere aqui uma «coluna»)
Água d' Elvira Grande (m.p. XXII em Olheiro; possível mutatio a meio-percurso de Évora, havendo notícia de vestígios cerâmicos e uma possível calçada em terrenos da Herdade de Água d'Elvira dos Padres; continua talvez pela divisória com a Herdade do Pigeiro Grande, seguindo próximo de Casões do Monte Figueira até ao poço do Monte do Reguengo, continuando pelo caminho pelo Monte da Paiôa e Monte de Alcalá)
Travessia da ribeira de São Brissos (m.p. XIII a Évora; no «Porto de Alcalá»?)
Monte dos Tabuleiros de Baixo (m.p. XII; André de Resende refere dois miliários «in preadio quod vocat Tabularios», dando um como ilegível e o outro como um miliário de Maximiano, CIL II 433*, indicando 12 milhas, o que corresponde à distância deste local a Évora [Resende, 1593:151]; Mário Saa ainda fotografou um deles, mas actualmente estão ambos desaparecidos; a via continua pelo Monte dos Tabuleiros, Monte do Zambujeiro, onde apareceu o epitáfio de Mailoni, e Quinta de São Jorge, a X milhas de Évora)
N. Sra. da Tourega (m.p. IX; fuste de coluna ou miliário junto da Igreja de Ns. da Assunção, no acesso à magnífica villa das Martas; Resende registou uma inscrição funerária colocada por Calpurnia Sabina ao seu marido Quinto Iulio Maximo, questor da província da Sicília, eleito tribuno da plebe da província Narbonense, designado pretor da Gália e aos seus dois filhos, quatuórviros responsáveis pela manutenção das vias, «IIIIviro viarum curandarum», CIL II 112, actualmente no Museu de Évora; Resende, 1593:152-153)
Herdade do Barrocal (m.p. VII; anta; miliário anepígrafo tombado junto da via, uma milha para nascente do monte, talvez indicando 6 milhas a Évora; daqui seguia para a travessia da ribeira da Viscossa ou de Peramanca, onde há vestígios de calçada na margem esquerda)
Cabida (m.p. V; junto do cruzamento que dá acesso à Quinta do Pomarinho existe a base de um miliário provavelmente do tempo de Décio dado que em 1997 o respectivo fuste epigrafado apareceu mais adiante, junto do caminho que deriva da EN380 para o Monte das Flores, estando actualmente no Convento dos Remédios em Évora; FE 469)
Esparragosa (m.p. II; possível fuste de miliário anepígrafo 50 m a poente do marco geodésico/moinho; continua talvez pela Av. São Sebastião e rua Serpa Pinto até ao Templo de Diana, acrópole de Ebora).

Évora (EBORA) (mansio a XLIIII milhas de Salacia; a via entrava na cidade pela Porta do Raimundo e discorria pela decumanus, a antiga «rua da Sellaria/Selaria», actual rua 5 de Outubro, até ao forum junto do chamado Templo de Diana; excelente colecção de epigrafia no Museu de Évora; impressionantes Termas Públicas na Praça de Sertório, dentro do edifício da câmara municipal)
A partir de Évora, a via continuava a sua rota para Emerita passando nas três estações referidas no Itinerário XII, Ad Atrum Flumen, Dipo e Evandriana cujas localizações ainda levantam muitas dúvidas; seguramente que existem incongruências no itinerário porque as 47 milhas indicadas entre Évora e Mérida (cerca de 75 km) não correspondem à distância entre estas duas cidades que ronda os 190 km. Para a primeira estação depois de Évora, Ad Atrum Flumen, literalmente «junto ao rio Atrus», o itinerário indica apenas 9 milhas (14,4 km) o que colocaria a mansio junto da ribeira da Pardiela na rota norte, mas é duvidoso que estes pequenos cursos de água justificassem uma mansio por si só. Seguindo as distâncias expressas no itinerário então Dipo poderia situar-se em Evoramonte, onde há miliário, e a estação seguinte, Evandriana teria que estar 17 milhas adiante pelo que seria impossível que estivesse também a 9 milhas de Mérida, a não ser que existam estações intermédias omissas no itinerário. Assim é mais provável, conforme sugerido por trabalhos mais recentes (Gorges e Rodríguez Martín, 1999:253-259; Almeida et al., 2011) que estas incongruências surjam da junção de duas vias, uma ligando Olisipo a Ebora e outra entre Ebora e Emerita pelo que a partir de Évora, as milhas indicadas devem ter como caput via Mérida, a capital provincial, pelo teríamos de ler o itinerário no sentido inverso, ou seja as distâncias são indicadas a Mérida e não a Évora. A ser assim, Ad Atrum Flumen estaria a 38 milhas de Emerita, o que corresponde à distância da capital da Lusitânia ao rio Xévora, o rio Atrus na era romana, actual fronteira luso-espanhola (Gorges e Martín 1999 e 2000; Almeida et al., 2011). Assim, a partir de Évora a via seguia um corredor natural por Evoramonte (milha XX) e Estremoz (milha XXX), contornando a Serra da Ossa pela sua vertente norte, passando depois um pouco a norte da actual EN4 pelo Monte de Alcobaça e Atalaia dos Sapateiros até Elvas. Daqui seguia para o cruzamento do rio Guadiana junto a Badajoz continuando depois para Mérida. Ao contrário dos outros itinerários para Mérida que seguiam pela margem direita do Guadiana, este itinerário seguia muito provavelmente pela margem esquerda, atendendo que passava numa estação viária apenas referida neste Itinerário XII, Evandriana. (Bilou, 2000, 2000a, 2005; Calado, 1993; Mataloto, 2001; Almeida, 2000; Almeida et al., 2011; Carneiro, 2011).

Évora a Estremoz
Évora (sai da cidade pela Porta de Machede seguindo o caminho rural por Quinta das Nogueiras e Quinta da Piedade; a recente descoberta de uma necrópole na Escola Secundária Gabriel Pereira poderá estar relacionada com esta via)
Travessia do rio Xarrama no sítio do Porto (continua paralela à linha férrea próximo da Quinta do Sande, Quinta da Retorta e Quinta da Lagardona em Garraia; no caminho de acesso ao Montinho da Piedade existem 4 cipos suportando uma laje que poderão ser miliários ou colunas reutilizadas.
Travessia do rio Degebe (da ponte nova segue à direita por um caminho rural paralelo à linha férrea pelo Monte de Vale Figueirinha)
Monte da Sousa da Sé (m.p. VI; um miliário anepígrafo à entrada do largo, fragmentado em duas partes, e um monólito em forma de menir, possível miliário; continua pelo caminho rural paralelo à linha férrea até à travessia da ribeira da Fonte Boa ou do Freixo)
Monte do Freixo (m.p. VIII; daqui segue o caminho rural e depois em calçada por 2,5 km)
Castelo Ventoso (m.p. X; inscrição funerária no Monte da Machoqueira; continua pelo Monte do Almo)
Monte da Venda, Azaruja (m.p. XIII; provável mutatio dado que aqui existem dois miliários anepígrafos partidos em 3 fragmentos e vários vestígios espalhados por uma vasta área entre os quais apareceu a placa funerária de Tullius Modestus, IRCP 407, actualmente no Museu de Évora; ara votiva a Salus na Igreja de São Bento do Mato; continua talvez por Monte da Torre e Monte do Pina?)
Evoramonte (m.p. XX; a pia baptismal da Igreja de Sta. Maria, antiga de Ns. da Conceição, reaproveita um miliário de Crispo, Licínio e Constantino II, IRCP 674; no entanto o miliário poderia estar originalmente no sopé do monte junto à via, no local onde vencia a milha vinte, possivelmente junto da Ermida de Santa Rita, onde há uma mó e nas proximidades, um peso de lagar reutilizado como bebedouro [Barbosa, 2016: 173]. Cerca de 500 m para poente existe a Ermida de São Marcos onde também apareceram materiais romanos compatíveis com uma estação viária (Carneiro, 2014:242); a ser assim, a via passaria a poente do morro do castelo, seguindo depois o caminho por Atafona e Roque até ao apeadeiro, continuando depois paralela à linha férrea junto do Outeiro Ruivo rumo à travessia da ribeira de Têra no Pego do Sino, a 24 milhas de Évora antigo local de travessia onde há memória de ter existido uma ponte, representada numa gravura de 1684. A partir do Pego do Sino, a via seguia talvez por Herdadinha, Monte das Freiras, Aldeias, Castelo, Folgado, Azenha da Estrada, Estalagem, Ermida de São Lázaro e Ferrarias)
Estremoz (m.p. XXX; castro? oppidum?; provável vicus marmorarius em torno da Capela da Sra. dos Mártires, a sul da cidade, associado a uma estrutura para contenção de água conhecida por «Tanque dos Mouros», ao km 145 da EN4; aqui poderia existir uma mutatio ou mansio dado que em 1784 apareceu num local próximo conhecido por «Horta do Agacha», um miliário talvez a Crispo, Licínio e Constantino II, IRCP 675; também aqui apareceu um raro monumento votivo a Cibeles, a Mater Deum, erigido pelo liberto Iulius Maximianus que poderia estar junto da via, IRCP 440; Carneiro, 2011; o topónimo «Agacha» poderá derivar do árabe Qarya ‘Ukasha)

Estremoz a Elvas
Estremoz (a via segue talvez pela actual Estrada Municipal por Mamporcão, São Domingos de Ana Loura, passando nos topónimos viários 'Estalagem', 'Carris', 'Estalagem da Raposa' e 'Venda do Ferrador', até atingir a povoação de Orada onde cruza a ribeira de Alcaraviça, seguindo depois pelo caminho do cemitério que seguia junto do arruinado Monte da Presa, mas todo este troço foi destruído pela actividade agrícola, reaparecendo mais adiante como divisória entre os concelhos de Elvas e Monforte, a sul da Serra de Aires, continuando por um troço ainda bem preservado até ao Monte de Alcobaça com cerca de 5 km)
Herdade de Alcobaça (m.p. XLV; dois miliários; o miliário de Caracala está actualmente no Museu Arqueológico de Vila Viçosa, IRCP 679, e o outro é um miliário de Diocleciano e Maximiano indicando 65 milhas, IRCP 670, actualmente no MNA, indiciando que a contagem miliária tinha início em Mérida; terão aparecido no lugar de Cabanas, local a 63 milhas de Mérida pelo que o marco estaria originalmente duas milhas antes, talvez servindo de marco divisório entre as freguesias de Terrugem e Santo Aleixo; a via percorre o ondulado do terreno cruzando as casas do monte em direcção a Alcarapinha)
Monte de Alcarapinha (m.p. XLVIII; necrópole e fragmento de um miliário ilegível junto da esquina do monte servindo de marco divisório)

Atalaia dos Sapateiros (m.p. XLIX; na base do povoado deveria existir uma estação tipo mutatio ou mansio de apoio à via; no seu trajecto para Elvas a via margina as villae do Monte de São Romão/Serra Branca, Carrão e Trinta Alferes, seguindo junto do Monte das Casas Velhas, Monte do Menino d'Ouro e Calçadinha, significativo topónimo viário que assinala a passagem da via na entrada oeste da cidade de Elvas; Almeida MJ, 2000; Carneiro, 2011).
  • Miliários: André de Resende refere dois miliários actualmente desaparecidos «in agro Stermotiensi, non procul a pago Borbacena», ou seja «na região de Estremoz, não longe de Barbacena» que poderiam integrar este Itinerário XII, sendo um miliário de Caracala (IRCP 661), e outro miliário de Heliogábalo (Resende, 1593:154; CIL II 436*; IRCP 663), este com a inscrição completa, lendo na última linha «[Eb]ora m.p. XXII», ou seja 22 milhas a Évora (Resende, 1593:154-155); esta leitura é muito duvidosa porque as milhas indicadas são insuficientes para percorrer a distância entre Évora e Barbacena pelo que muitos autores deram-na como falsa, incluindo Emil Hübner; no entanto é possível que a indicação miliária esteja correcta, indicando não a distância a Évora mas à mansio de Ad Atrum Flumen presumivelmente localizada junto do rio Xévora, o que corresponde à distância deste local ao Monte de Alcobaça, onde aliás apareceu um miliário também com a contagem das milhas no sentido Mérida - Évora (act. 2018). Acaso indicasse a distância a Mérida, uma outra possibilidade seria um erro na leitura das milhas, devendo ler-se LXII, ou seja cerca de 93 km, o que corresponde à distância daqui à capital da Lusitânia (Mantas, 2019b:216).
  • Ligação a Campo Maior: é possível que do nó viário da Atalaia dos Sapateiros partisse uma via para nordeste rumo a Campo Maior, seguindo talvez pelo Monte dos Trinta Alferes, Monte do Ruivo, Monte do Lemos, Horta do Rangem (casal rústico), Torre da Sequeira, Alto da Azinheira e Caseta de Safardel, marginando no seu percurso os fundi da magnífica villa das Quinta das Longas a sul e da villa do Monte da Silveira a norte (referência a uma calçada), continua pelo Monte da Baloca e Monte do Rico rumo à travessia do rio Caia na Horta do Caia, passagem dominada pelo importante Castro de Segóvia (Segobia?, povoado fortificado com origens na Idade do Bronze e com ocupação até ao período Republicano atestada pelo achado de algumas glandes de chumbo desse período), seguindo depois rumo a Campo Maior e de encontro às vias para Emerita Augusta.

Elvas (m.p. LIV; a via seguia pelo Chafariz de El-Rei e Horta da Cabeça para depois contornar a elevação de Elvas pelo lado norte, passando na Quinta de Ns. da Conceição, Horta de Gil Vaz, Horta do Moreno, junto da necrópole de Papulos, e Herdade de Torre da Fonte Branca, onde apareceram duas aras dedicadas a Proserpina, indiciando a existência de um santuário neste local; a partir daqui o percurso é incerto pois depende do local onde se fazia as travessias dos rio Caia e Guadiana; admitindo a travessia deste último junto de Badajoz, a sul da confluência do rio Xévora, a via poderia seguir próximo da estrada actual rumo à travessia do rio Caia a sul do Monte das Caldeiras onde apareceu uma inscrição funerária de Festivus, e a norte da villa de Alfarófia num local conhecido por «El Rincón de Caya» onde teria existido um ponte cujas ruínas são ainda referidas em 1926 (Almeida MJ, 2000; Carneiro, 2011).

AD ATRUM FLUMEM
Segundo o itinerário, Ad Atrum Flumen, literalmente «junto do rio Atrus», estava a 38 milhas de Mérida, distância que é compatível com a sua localização junto da travessia do rio Guadiana em Badajoz a jusante da foz do rio Xévora/Gévora que corresponderia assim ao rio Atrus. A rota daqui a Mérida continua em discussão, mas é provável que seguisse pela margem esquerda do Guadiana, dado que não existem estações comuns com a via que seguia pela margem direita para Mérida por Plagiaria, integrando os Itinerários XIV e XV. Consequentemente deverá procurar-se as estações de Dipo e Evandriana na margem esquerda do Guadiana, a primeira a 26 milhas de Mérida e a segunda a 9.
  • Miliário de Torre Águilla: junto à villa da Torre Águilla em Barbaño (Montijo, Badajoz) apareceu um miliário de Magnêncio indicando 16 milhas a Mérida. No entanto, a posição deste marco parece fora das duas rotas para Mérida, indiciando antes uma possível interligação entre estas rotas, fazendo a ligação entre Lobón e Barbaño e cruzando o Guadiana junto da villa de Torre Águilla. No entanto, há indícios de alterações do curso do Guadiana pelo que Torre Águilla poderia estar na margem esquerda durante o período romano (Gorges e Martín, 1999).

Travessia do rio Guadiana (Anas)
Badajoz (depois de cruzar o Guadiana, a via seguia talvez pelo designado «Camino Viejo» por Atalaya, cruzando a divisão administrativa entre Badajoz e Talavera la Real que coincide com a milha 28 a Mérida)

DIPO (talvez Talavera la Real, a 26 milhas de Mérida; seguiria depois o «caminho velho de Lobón», atravessando o rio Guadajira até atingir a milha 17 nas proximidades de Lobón ou em Turunuela)

EVANDRIANA (a 9 milhas de Mérida, talvez junto do Cerro del Turuñuelo (Arroyo de San Serván), povoado indígena que por sua vez deverá corresponder à Ptolemaica Evandria)

AUGUSTA EMERITA (Mérida) (caput viarum a 161 milhas de Lisboa)

VIA XIII - A SALACIA OSSONOBA m.p. XVI
Mapa
ITINERÁRIO XIII - Alcácer do Sal (SALACIA - Faro (OSSONOBA)

A SALACIA
OSSONOBA

m.p. XVI
O Itinerário XIII (13) é um caso estranho no contexto do «Itinerário de Antonino» pois indica apenas a distância entre dois pontos sem qualquer estação intermédia. Como este itinerário vem na sequência do Itinerário XII que liga Olisipo a Emerita por Alcácer do Sal, é lógico que possa indicar uma derivação a partir daqui rumo a Ossonoba. No entanto, as 16 milhas indicadas são manifestamente insuficientes para cobrir a distância entre essas cidades. Uma possibilidade seria admitir um erro de transcrição da distância, faltando hipoteticamente um «C» inicial que daria CXVI milhas, valor já muito próximo dos 185 km medidos entre Faro e Alcácer do Sal. Porém, um valor de 116 milhas para uma etapa do itinerário é de todo inverosímil. Outra hipótese adiantada pelo investigador Gonzalo Arias e seguida por autores como Fraga da Silva, localiza Salacia no porto romano do Cerro da Vila em Vilamoura, com base na distância aproximada de 16 milhas medidas entre este povoado e Faro (Fraga da Silva, 2005). No entanto, a distância medida no terreno entre Faro e Vilamoura é inferior a 16 milhas (seguindo por Almansil), retirando o único argumento que sustenta esta proposta. Outra hipótese bem mais credível, considera que este itinerário se refere a um ramal de ligação entre Alcácer e a via para Ossonoba. Deste modo, é possível que as 16 milhas indicadas se refiram a um ramal de ligação entre Alcácer e o Torrão, local de travessia do rio Xarrama, onde conflui também uma via proveniente de Évora, seguindo depois para Faro. De facto, a distância medida no terreno pelo presumível traçado entre a ribeira de Sítimos (miliário do Porto da Lama) e o rio Xarrama é de cerca de 16 milhas, permitindo sustentar esta hipótese. (act. 2018).

VIA XIV - Alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM m.p. CLIIII
Mapa
Ponte de Sor






Alter do Chão
















Campo Maior




Enxara


Badajoz


ITINERARIO XIV - Lisboa (OLISIPO) - Alter do Chão (ABELTERIO) - Mérida (EMERITA)
Alio itinere ab
OLISIPONE EMERITAM

ARITIO PRAETORIO
ABELTERIO
MATUSARO
AD SEPTEM ARAS
BUDUA
PLAGIARIA
EMERITA

m.p. CLIIII
m.p. XXXVIII
m.p. XXVIII
m.p. XXIIII
m.p. VIII
m.p. XII
m.p. VIII
m.p. XXX
Apesar de ser a principal rota entre Olisipo a Emerita, o seu percurso ainda suscita algumas dúvidas pois não é clara a localização de algumas das estações referidas no I.A. Desde logo, as 38 milhas indicadas à primeira estação, Aritio Praetorio nunca poderiam ser contadas a partir de Lisboa pelo este valor é seguramente contado a partir do local de travessia do rio Tejo, tendo sido omitidas as duas primeiras estações deste itinerário, Ierabriga e Scallabis, dado serem mencionadas tanto no Itinerário XV como no Itinerário XVI. Mas onde seria esse ponto de travessia do Tejo? Inicialmente foi proposto que esta seria em Santarém tal como o Itinerário XV, sendo o trajecto comum até ao planalto das Mestas. Admitindo a No entanto não há acerto da distância à Herdade de Água Branca de Cima, presumível localização da estação de Aritio Praetorio na Herdade de Água Branca de Cima, dado que daqui a Alter do Chão são 28 milhas (Abelterio), conforme indicado para esta etapa no I.A. Deste modo, é mais provável que o início da contagem miliária a Aritio não se fizesse na várzea de Santarém, mas mais a norte, a partir da travessia do rio Tejo na Golegã que dista 28 milhas de Água Branca de Cima. Com efeito, se medirmos a distância da Golegã ao planalto das Mestas obtemos 20 milhas, valor ao qual se somam 8 milhas daqui a Água Branca de Cima. A ser assim haveria que corrigir o valor indicado para esta etapa. Esta possibilidade é ainda suportada pelo facto de em pelo menos duas cópias manuscritas do Itinerário indicarem precisamente 28 milhas e não as 38 milhas nas edições actuais. De Água Branca de Cima a via seguia para Ponte de Sor (miliários) e daqui a Alter do Chão, trajecto que passa na monumental Ponte Romana de Vila Formosa. A partir daqui as dúvidas avolumam-se; a estação seguinte, Matusaro, localizada a 24 milhas de Alter do Chão poderia situar-se a sul de Arronches junto da travessia do rio Caia. A estação seguinte, Ad Septem Aras, poderá corresponder ao sítio romano do Monte das Argamassas entre Nossa da Graça dos Degolados e Campo Maior (miliários), rumo à travessia do rio Xévora/Gévora junto do Monte Castro, tendo na outra margem a estação Budua, situada no mesmo local da Ermida de Ns. de Bótoa. Daqui rumava a Mérida por Plagiaria que corresponde ao sítio romano de «El Pesquero» em Novelda del Guadiana, continuando pela margem direita do rio Guadiana até Mérida, percorrendo as 30 milhas indicadas no I.A. (ver também Carta Arqueológica do Concelho de Abrantes; act. 2024).

Itinerário XIV de Scallabis a Aritium Praetorio (XXXXVIII m.p.)
Santarém (seguia o trajecto do Itinerário XVI até à Golegã, onde cruzava o rio Tejo, )
Venda das Mestas (m.p. XXX; também designada por «Cevo de Muge» e «Sete Azinheiras»; Francisco d'Holanda refere aqui "calçadas"; Resende refere 4 miliários; no «Roteiro Terrestre» é designada como «Estallagem da Vendinha ou das Mestas»)
Alto da Abegoaria (m.p. XXXII; continua pelo caminho de festo)
Lagoa da Extrema do Copeiro/Barreiro (m.p. XXXIII; sítio romano, possível casal; a via continua até ao geodésico de Vale do Zebro onde entronca na EN2, ao km 425, com a milha 35 a ser vencida próximo do km 426)

ARITIO PRAETORIO m.p. XXXVIII
A estação viária de Aritium Praetorium deveria situar-se na área da Herdade de Água Branca de Cima dada a concordância com as distâncias indicadas no I.A., ou seja 38 milhas a Santarém e 28 milhas a Abelterio; todo o vale da herdade apresenta vestígios romanos que deverão estar associados à função viária, mas nunca foram escavados (Lizandro, 2003; 199-200); no marco geodésico de Água Branca Mário Saa ainda viu vestígios de rodados na via, inflectindo aqui para sul pelo caminho de terra e linha de festo que divide os concelhos de Abrantes e Ponte de Sor até ao Alto de Bufão, marginando um sítio romano de cariz viário nesta encruzilhada de caminhos que poderia ser um posto de controlo da via, mencionando ainda a descoberta em 1944 de um tesouro numismático da época Republicana (Saa, 1956); duas moedas de bronze com banho de prata (Lizandro et al., 1987); a via continuava sob a EN2 próximo do Monte Padrão (Alto do Padrãozinho), possível referência a um marco da estrada e entrava na cidade de Ponte de Sor pela estrada de Foros de Domingão.

Ponte de Sor (m.p. XLIV; no século XVI Bronseval refere uma pontem lapideum possivelmente romana da qual restam apenas algures silhares reutilizados nos arcos do lado poente da ponte actual reconstruída em 1822; nas obras do mercado municipal em 1990 apareceu uma lápide de carácter monumental consagrada ao imperador TRAIANUS, FE 162)

Itinerário de Ponte de Sor a Abelterium (Alter do Chão)
O troço seguinte ligava Ponte de Sor a Alter do Chão onde surgia nova mansio seguindo um percurso hoje praticamente seguro dado o grande número de miliários que pontuam o seu trajecto que passa na monumental ponte romana de Vila Formosa (Pereira, 1912 e 1937; Saa, 1956; Alarcão, 2006a; Carneiro, 2008 e 2010); logo após Ponte de Sor temos um miliário de Probo talvez da milha 46, IRCP 668, recolhido em 1910 por Leite de Vasconcellos no «Monte dos Casamentos», na junção da ribeira do Vale do Bispo com a ribeira do Andreu; daqui seguia pelo «Vale da Rainha» e Monte de Cabeceiros, com um miliário anepígrafo talvez da milha 48, seguia depois junto do miliário de «Coutadas» onde apenas de lê CONSTA... e do miliário da «Torre das Vargens» onde apenas de lê as letras AV[…]CO, até à Capela de Ns. dos Prazeres, na confluência das ribeiras do Vale de Açor e do Monte Novo, onde Mário Saa recolheu um miliário de Tácito, IRCP 666a, actualmente em exposição na Fundação Paes Teles no Ervedal; continua pelo Monte do Freixial, onde apareceu uma coluna honorífica e possível miliário onde apenas se lê BONO R P rumo ao sítio romano da Fonte da Cruz, provável mutatio onde em 1976 apareceu a parte inferior de um miliário (RP 6/95) e mais quatro fragmentos; um desses fragmentos corresponde à parte superior e lê-se apenas as letras IMP CAE, FE 667; um miliário anepígrafo apareceu junto do caminho paralelo à margem direita da ribeira do Monte Novo, 500 m a montante da Fonte da Cruz; Frei Bernardo de Brito, transcrevendo André de Resende, faz referência a um miliário «adiante de Ponte de Sor» supostamente do tempo do imperador Lúcio Vero, onde se leria «AB EMERITA / m.p. LXXXXVI», ou seja, marcaria 96 milhas a Mérida, a distância deste local a Mérida (Brito, 1609:99); referência a outros possíveis miliários em «Vale do Contador» (?) e «Camoa» (?); a partir da Fonte da Cruz a via atravessava a herdade do Vale da Estrada, passava a norte do Alto de São Marcos, junto de um sítio romano onde apareceu um miliário com inscrição talvez da milha 54, seguindo depois paralela à EN119 por Lameira, novo miliário, e pelo Monte da Coreia, onde ainda lá está um outro miliário anepígrafo in situ talvez da milha 56.

Ponte Romana da Vila Formosa, sobre a ribeira de Seda (a ponte romana melhor conservada do sul de Portugal com 6 arcos de volta perfeita e a única que ainda mantém o lajeado original da faixa de rodagem; em 1912, Félix Pereira indicava vários miliários nas proximidades da ponte, todos anepígrafos, o miliário a norte do marco geodésico de Vale do Gato, o miliário do Monte da Celada/Selada, partido e talvez deslocado da milha 63 no Monte do Ensopado, outro no «sítio da Celada», o miliário em Vale Perlim/ Vale da Arrabaça e ainda mais 2 marcos separados por 3 a 5 km em Rascão; Pereira, 1912; a via continuava na outra margem junto do sítio romano de Santa Luzia, possível mutatio, percorrendo depois terrenos da Herdade do Monte Redondo e marginando os sítios romanos da Casa de Alvalade, onde apareceu um fragmento de miliário, FE 662, e do Monte da Porra, seguindo depois pelo Alto do Vale da Pia, cruza o IC3 em Arribada das Colmeias na Herdade da Torrejana, onde há vestígios de um troço lajeado, pelo caminho público que delimita a Coudelaria Real até Alter do Chão; Carneiro, 2011)

ABELTERIO m.p. LXVI
A mansio de Abelterium referida no Itinerário corresponde sem dúvida a Alter do Chão com base nas distâncias indicadas pelo Itinerário, nos vestígios da imponente villa de Ferragial d'El Rei no topo SE do campo de futebol, possivelmente a própria mansio, o miliário de Constâncio Cloro (FE 374), actualmente numa casa particular e acima de tudo na menção explícita ao nome do povoado num grafito gravado num imbrex descoberto em 2009 (Encarnação, 2010). A localização do povoado indígena no entanto poderia ser em Alter Pedroso, presumível castro fortificado da Idade do Ferro onde apareceu uma estela funerária com o epitáfio de Sica, actualmente no Museu de Elvas.

Itinerário de Alter do Chão a Assumar pela «Estrada do Alicerce»
A via romana continuava para Arronches pela chamada «Estrada do Alicerce» (Vasconcelos, 1929:185), provável deturpação do termo árabe «al-rasif» («calçada, caminho pavimentado»), caminho ainda hoje bem marcado na paisagem, seguindo por Assumar e a norte de Nossa Senhora dos Degolados, rumo a Campo Maior. Em 1937, Félix Alves Pereira descreve o percurso pelos topónimos Almarjão, Retaxo, Amoreira, Escravides, Monte do Mouro, Tapada do Alicerce, Monte da Soeira, Rabasca, Revelhos, Azeiteiros e Adens (Pereira, 1937); Mário Saa por sua vez indica um percurso por Chancelaria, Ribeiro do Freixo, Ronha, Bedanais, Caldeireiros e Monte Grande até Assumar (Saa, 1958). Os trabalhos de André Carneiro na região levaram à definição de um percurso que passamos a descrever (Carneiro, 2004, 2011). Partindo de Alter do Chão, a via romana seguia para leste sempre recto, passando a norte do Monte dos Tapadões, entre o Cabeço da Azinheira e Alter Pedroso, até à Horta do Pote onde inflecte para nordeste pelo Monte do Carrão e Cascalheira, topónimos viários, passa na base do Alto de São Martinho, cruza a ribeira da Navalha (possível miliário) e segue rumo ao Monte da Chancelaria, daqui desce à ribeira do Freixo cruzando a linha férrea no sopé da elevação da Cabeça Alta, continua a sul do Monte da Silveira e do Monte da Chaminé, cruza o IP2 e continua pelo caminho que margina o sítio romano do Monte dos Escudeiros situado a sul do Monte do Alcaide, onde entronca na EM1099, seguindo por esta pelo Monte das Canas, onde há marcas de rodados, até Fonte da Vila.

Assumar (m.p. LXXXIII; contorna a povoação pelo norte e continua pela «Estrada do Alicerce» que corresponde ao estradão em terra que segue paralela à linha férrea e que serve de linha divisória entre os concelhos de Monforte e Arronches, atingindo a milha 84 no cruzamento com o caminho de acesso ao Monte Joana Dias).

Arronches (continua entre a Quinta do Carrefe, provável deturpação do topónimo viário «Arrecefe», e o Monte da Torre, marginando um sítio romano designado por «Estalagem», possivelmente associado a uma mutatio, onde apareceu uma ara, seguindo depois pela encruzilhada de Belmonte/ Monte d'El-Rei, na base do povoado proto-histórico de Safra/ Safara, presumível localização de Matusaro dado que se encontra a 24 milhas de Alter do Chão; a via seguia depois pelo Monte da Tapada do Diogo em direcção ao Porto das Escarninhas onde cruzava o rio Caia).

MATUSARO m.p. XC
Neste local a sul de Arronches, também conhecido por «Porto do Caia» ou «Porto das Escarninhas», a via romana cruzava o rio Caia na chamada «Ponte Velha» com possível origem romana da qual restam alguns silhares no leito do rio. Junto do Monte das Escarninhas existe um sítio romano onde apareceu uma ara a Mercúrio, divindade protectora dos viandantes, FE 606, sugerindo uma possível função viária deste sítio, mas os parcos vestígios e ausência de termas (Carneiro, 2011, 2014), sugerem mais uma taberna relacionada com a travessia do Caia. Uma possibilidade seria a sua associação com o povoado de Safara, junto da encruzilhada de Belmonte/ Monte d'El-Rei, local a 24 milhas de Alter do Chão como indicado pelo itinerário (act. 2022).

Itinerário de Matusaro a Ad Septem Aras
A via continua próximo do Monte da Figueira de Baixo, Monte Branco, Monte Folinhos e Monte de Revelhos, onde no caminho de acesso existe o fuste de um possível miliário como marco de propriedade; cruza a ribeira de Revelhos junto da arruinada Igreja de São Bartolomeu, provável villa ou estação viária onde apareceu uma ara votiva a Libera, IRCP 567; a via continua para leste marginando a norte o Monte da Calaça e Monte da Corredoura e a sul o Monte da Granja do Peral, onde existe uma coluna, possível miliário, continua pela base do Alto de Perdigão a norte do Monte dos Judeus, seguindo rumo ao Alto dos Morenos, 8 m.p., cruzando neste ponto a divisória concelhia entre Arronches e Campo Maior. Daqui partiria um ramal de acesso às Minas da Tinoca, mas a via para Mérida continua para leste, passando ligeiramente a sul do Posto Fiscal de Azeiteiros, onde existe um cipo cilíndrico, possível miliário. A partir daqui a via rumava a sudeste, seguindo por Monte dos Fragustos e Malada dos Covões em direcção a Campo Maior.

    Variante pela Ponte da Enxara
    A rota para Mérida inflectia para sudeste rumo a Campo Maior, mas deveria existir continuação para leste rumo à travessia do rio Cia na Ponte Romana de Ns. da Enxara. Partindo do Posto Fiscal de Azeiteiros, seguia talvez por Monte do Marco Alto (possível referência a um miliário; mina), Monte de Adães e Monte de Cevadais até Ouguela (na Tapada da Pombinha apareceu uma inscrição funerária e uma estatueta de Marte em bronze, actualmente no MNSR). Logo depois cruzava o rio Gévora na Ponte Romana de Ns. da Enxara. Nas proximidades existem vários sítios romanos como Malha-Pão, Enxara, Lapagueira e Defesinha (ara votiva a Dea Sancta). A ponte encontra-se em ruínas mas apresenta ainda sólidos alicerces, indiciando que teria uma grande envergadura (Carneiro, 2011). A continuação desta via permanece ainda incerta, mas é possível que daqui rumasse a Budua (?).

AD SEPTEM ARAS m.p. XCVIIII
Literalmente «junto das sete aras», esta estação viária estaria situada, segundo o Itinerário, a 8 milhas de Matusaro, junto da travessia do rio Caia, e a 12 milhas de Budua, localizada na Ermida de Ns. de Bótoa, junto da travessia do rio Zapatón, o que posiciona Ad Septem Aras nas proximidades da aldeia de Nossa Senhora da Graça dos Degolados. Deste modo, a etapa entre Matusaro e Budua totalizaria 20 milhas. No entanto, a distância medida no terreno pelo trajecto mais provável atinge as 24 milhas, sugerindo a existência de um erro no Itinerário. Como a distância de 20 milhas de Ad Septem Aras a Plagiaria está confirmada no Itinerário XV, é mais provável que o erro esteja na etapa anterior, ou seja entre Matusaro e Ad Septem Aras. Ora, se acrescentarmos as 4 milhas em falta a esta etapa obtemos 12 milhas, distância que posiciona esta estação no sítio romano do Monte das Argamassas entre Nossa da Graça dos Degolados e Campo Maior. Daqui continua para sudeste pela Malhada dos Covões.

Campo Maior (m.p. CIII)
Provável vicus e mutatio junto da Ermida de São Pedro dos Pastores, onde apareceram muitos vestígios romanos entre os quais dois miliários indicando a distância daqui a Mérida; um miliário de Domiciano (?), regravado, onde se lê «EMERITE», actualmente no Museu Municipal (FE 114), e o outro é um miliário de Severo Alexandre, actualmente desaparecido onde se leria 53 milhas a Mérida; FE 115; no entanto, atendendo a que distância entre Campo Maior e Mérida não ultrapassa as 47 milhas, é muito provável que a transcrição que chegou até nós esteja errada, trocando o numeral «XLVII» por «LIII»). A partir de Campo Maior, a via seguia para leste talvez pelo Alto da Defesa de São Pedro, Monte da Cabeça Gorda, Cancelinha e Monte do Bicho, ou em alternativa pela Ribeira dos Cães, passando próximo da villa do Monte do Muro e da respectiva barragem ainda bem conservada (Carneiro, 2011). Ambas conduzem ao Monte Castro, onde há ruínas actualmente classificadas como villa, mas que poderão ser antes vestígios de uma estação viária, dado que junto ao monte e da via apareceram duas aras anepígrafas, eventualmente relacionadas com um santuário à margem da via. Próximo deste local existem também vestígios de uma estrutura fortificada, entretanto destruída por trabalhos agrícolas, num local conhecido por «Casarões da Misericórdia» com domínio visual sobre a travessia do rio Xévora/Gévora (Carneiro, 2011). Depois de cruzar o rio Gévora, rumava a sudeste, cruzando o rio Zapatón no Rincón de Gila, chegando à estação viária de Budua.

BUDUA (m.p. CX Bótoa)
A mansio de Budua deverá corresponder ao povoado romano em torno Ermida de Nuestra Señora de Bótoa. Esta estação viária está directamente relacionada com a travessia dos rios Gévora/Xévora e Zapatón num local designado por «Rincón de Gila», situado a 38 milhas de Mérida, tal como indicado no Itinerário. Daqui dirigia-se para a mansio de Plagiaria distante de 8 milhas segundo o itinerário. A via está hoje praticamente destruída pela actividade agrícola, mas o trajecto ainda visível nas imagens aéreas, cortando a planície em direcção a La Novelda del Guadiana, designada por «Calzada Romana" nas primeiras minutas cartográficas realizadas em geral entre 1870 e 1950 .

PLAGIARIA (m.p. CXVIII Pesquero)
Estação localizada em La Novelda del Guadiana, onde subsiste o topónimo «Calle Calzada»; a mansio estaria localizada junto do nó viário de Pesquero, a 8 milhas de Budua, junto da travessia do rio Guerrero, local onde entronca numa outra via proveniente de Badajoz, seguindo depois por traçado comum para Mérida, etapa com 30 milhas segundo o Itinerário (Corrales 1987:104). O trajecto da via seria por Valdelacalzada, Puebla de la Calzada, Torremayor, a sul de La Garrovilla, acompanhando depois a margem esquerda do Guadiana até Mérida, cruzando o rio Aljucén e a Ponte Romana das Albarregas; Gorges & Martín, 2000)

AUGUSTA EMERITA (Mérida, caput via)

Variante de Matusaro a Emerita por Gévora
A descoberta de um miliário de Carino junto da actual povoação de Gévora (a cerca de 6 km norte de Badajoz), indicia a existência neste local de uma travessia do rio Xévora/Gévora rumo a Plagiaria e daqui a Mérida. A distância entre estes últimos locais é de 30 milhas, sendo necessário percorrer mais 7 milhas até ao rio Xévora pelo que o miliário deveria indicar 37 milhas a Mérida. Esta via poderia constituir uma variante ao trajecto por Campo Maior e Budua, derivando do Iter XIV talvez em Belmonte/ Povoado de Safra (presumível localização de Matusaro), seguindo para sul por Monte do Sancho, atendendo ao miliário descoberto na Ermida de Ns. do Carmo (cerca de 500 m a nascente da via, actualmente em ruínas). A via segue sensivelmente paralela à linha férrea até Santa Eulália e daqui à travessia da ribeira da Água de Banhos, onde cruza a via N-S de Revelhos a Elvas descrita acima. Daqui segue um trajecto pontuado por sítios romanos em Monte da Silveira, Capela de São Pedro, Herdade das Pereiras e Amoreirinha dos Arcos. Todos estão classificados como villae, mas pelo menos o sítio de São Pedro poderá ter uma função viária, dado que se encontra junto da via. Na continuação, a via passava um pouco a sul do importante Castro de Segóvia, rumo à travessia do rio Caia no Porto da Amoreirinha, tradicional ponto de passagem, seguindo depois pelos altos do Retiro e da Godinha rumo à travessia do rio Xévora junto da actual povoação de Gévora e daqui por Plagiaria rumo a Mérida (Almeida et al., 2011; Paredes Martín, 2021). O acerto das distâncias indicadas no Itinerário XV coloca a possibilidade de este ser o seu trajecto para Mérida, hipótese ainda por confirmar (act. 2022).
Mapa
Estremoz


Vila Viçosa


Évora



Ramais derivando do Itinerário XIV
O Itinerário XIV era cruzado por diversas vias, sendo possível identificar pelo menos cinco grandes eixos, com três deles seguindo para o rio Guadiana e os restantes para Évora (act. 2024).
  • Eixo 1: Ponte de Sor - Estremoz - Guadiana: derivando adiante de Ponte de Sor na estação viária de Fonte da Cruz, seguia para sudeste por Ervedal, Cano, Estremoz, Borba, Vila Viçosa e Mina do Bugalho rumo à travessia do Guadiana em Mocissos; uma variante desta via desviava em Estremoz e seguia por Bencatel, Alandroal, Rosário e Outeiro dos Castelinhos rumo à travessia do Guadiana na Azenha d'El-Rei.
  • Eixo 2: Ponte de Sor - Arraiolos - Évora: partindo também da Fonte da Cruz, mas seguindo na direcção nordeste-sudoeste rumo ao vicus de Calantica em Santana do Campo (Arraiolos).
  • Eixo 3: Alter do Chão - Estremoz: ligação de Alter a Estremoz passando no Monte de Silveirona, onde apareceu um miliário de Crispo, Licínio e Constantino II (finais do século IV), reutilizado na respectiva necrópole, actualmente no MNA (IRCP 673). Uma variante desta estrada seguia por Cano e Vimieiro para Évora.
  • Eixo 4: Alter do Chão - Vaiamonte - Juromenha: por Cabeço de Vide e Cabeço de Vaiamonte, rumo ao Monte da Torre do Curvo (miliário); continua pelo Monte de Alcobaça (onde cruza o Itinerário XII), Terrugem e São Romão de Ciladas rumo à travessia do Guadiana a jusante de Juromenha.
  • Eixo 5: Arronches - Terrugem - Juromenha: esta rota tem origem no Monte da Torre, a sul de Arronches (estação viária do Itinerário XIV), seguindo para sul rumo ao Monte das Esquilas, nova mutatio onde apareceu uma ara dedicada aos lares viales, e mantendo a directriz, atingia o Monte da Torre do Curvo (miliário), onde entronca no Eixo 4.

Eixo 1 - Itinerário de Ponte de Sor ao Guadiana por Estremoz
Inicialmente a via seguia talvez por Valongo rumo à travessia da ribeira da Seda e de Sarrazola em Benavila (vários materiais romanos reutilizados na construção da Capela de Ns. de Entre-Águas, em particular o epitáfio de Lobesa encastrado na parede, CIL II 165/ IRCP 459, e um possível Miliário de servir de coluna que poderia indicar uma estação tipo mutatio; Ribeiro, 2006; ara aos Bande Saisabro no Monte do Castelo; FE 206), seguindo depois pelo Alto do Chafariz (ponte?), junto do Poço das Grandezas, Monte da Torre, onde atravessa a ribeira Grande para o Monte da Calçadinha, Ervedal (junto do povoado no sítio da Ladeira, onde apareceu uma ara consagrada a Fontano junto de uma fonte, IRCP 437; epitáfio de Hegesistrate proveniente da villa junto da Capela da Defesa de Barros; em Maranhão, no sítio do Castelo, junto da villa de Bembelide, apareceu uma ara votiva a Bandi Saisabro, actualmente no Museu de Avis, FE 206), continua por Vale da Telha e próximo da villa da Represa (barragem dita «Ponte dos Mouros») até Cano, continuando depois pela base do Povoado de São Bartolomeu (com a importante villa da Torre do Álamo/Torre de Camões 2 km a poente), continua pela villa de Sta. Vitória do Ameixial (possível mutatio a 6 milhas de Estremoz), seguindo depois a sul da EN245 pelo caminho que margina os montes das Freiras, da Estrada, da Folgada, do Carraço/Venda da Porca e o Monte da Cerca até tocar a linha férrea, contorna o outeiro de Estremoz pelo lado norte.

  • Itinerário de Estremoz ao Guadiana por Vila Viçosa
    A via continuava o seu percurso para sudeste passando por Borba (villa da Cerca; ara a Quangeius Turicaeco, FE 174), Vila Viçosa (o Museu Arqueológico expõe o miliário de Constantino Magno achado em sítio impreciso das redondezas, IRCP 676), seguindo depois junto do vicus marmorarius num local conhecido por «Vilares» que compreende os topónimos Ermida de São Marcos, Tapada de Fonte Soeiro e Fonte da Moura (aqui apareceu um altar votivo de Canidius, IRCP 375, actualmente no Museu de Vila Viçosa). De Vila Viçosa, a via continuava próximo de São Brás dos Matos pelos montes dos Boinhos, da Nave de Cima e de Baixo e do Azinhal, cruza a ribeira de Pardais junto da Mina do Bugalho e continua pelos montes de Lourenço Alcaide, da Ruivana, de Santo Ildefonso e Serra do Carneiro rumo à travessia do rio Guadiana no porto de Mocissos. O percurso é marginado por vários locais com vestígios cerâmicos.

  • Itinerário de Estremoz ao Guadiana por Bencatel (XXX m.p.)
    Esta via, associada à exploração de mármore em Bencatel, cruza a ribeira de Lucefécit junto do importante fortim romano do Outeiro dos Castelinhos e na sua base, significativos vestígios de uma villa romana onde se recolheram elementos arquitectónicos de mármore e sigillata. Partindo de Estremoz, da estação viária da Horta da Agacha junto da Capela de Santos Mártires, a via seguia a rota da EM por Monte da Estrada (26 m.p.), Gredeira (24 m.p.) e Convento da Luz (a nordeste de Rio de Moinhos), rumo a Bencatel, passando junto da pedreira romana da Vigária e do vicus da Gralhada (19 m.p.), continuava por Alandroal (15 m.p.), passando a poente da povoação por uma azinhaga que corta um sítio romano designado por Tapada de Vilares (Calado, 1993), continuando por Rosário rumo ao porto de Águas Frias (villa na Horta das Águas Frias; ara, FE 720) onde cruza a ribeira de Lucefécit (5 m.p.), passagem controlada pelo povoado fortificado do Outeiro dos Castelinhos. Seguia depois pelo Monte da Ferreira, junto da Ermida de Ns. das Neves (4 m.p.), Alto do Algarve Seco, margina o Monte do Escrivão (3 m.p.), Monte da Talaveira (2 m.p.), Monte de São Miguel e Monte do Roncão Velho (1 m.p.), rumo à Azenha d'El-Rei, onde cruza o rio Guadiana (30 m.p. a Estremoz). Continua na margem esquerda até Cheles (3 m.p.), seguindo depois o Camino de los Jarales por Cerro de María Peña, Atalaya de la Luz e Pizarra, rumo a Alconchel, perfazendo cerca de 17 milhas ao Guadiana, onde entronca na via norte-sul de Badajoz a Arucci (act. 2024).

Eixo 2 - Itinerário de Ponte de Sor a Évora por Arraiolos
Este itinerário continua muito inseguro, podendo ter origem no nó viário de Fonte da Cruz, 7 milhas este de Ponte de Sor, dirigindo-se para sul rumo a Santana do Campo, Arraiolos, Sempre Noiva e finalmente Évora (Bilou, 2000a; Carta Arqueológica de Abrantes); no entanto o traçado continua duvidoso até Santana do Campo, podendo eventualmente seguir por Cabeção (villa no cemitério) para cruzar a ribeira da Raia em Reguengo, continuando a oeste de Pavia por Portela, Sta. Madre de Deus, Monte da Tramagueirinha e Monte dos Olheiros, onde cruza a ribeira de Divor (junto da Torre das Águias), seguindo depois a «Estrada da Cumeada» pelo Alto da Cruz, Monte da Almoínha, Monte dos Fretos e Alto do Seixo.

    Santana do Campo, Arraiolos (Calantica?) (vicus e provável mutatio? a 17 milhas de Évora; a igreja paroquial reaproveita um imponente Templo Romano provavelmente dedicado à divindade indígena Carneo Calanticensi conforme aparecia nas duas inscrições aqui descobertas, actualmente desaparecidas, CIL II 125 e CIL II 126; IRCP 410 e 411; Pereira, 1948)
    Arraiolos (há vestígios de calçada com 200 m localizada a cerca de 700 m a norte da Horta do Freixo; segue por Fonte das Perdizes/ Alto da Albarda e a nascente do Monte do Montinho, existindo vestígios da trincheira da via a cerca de 300 m a SE do monte)
    Sempre Noiva (continua recto para sudeste junto da villa romana e do recinto-torre de Vale de Sobrados, vigiando a via que atravessa a ribeira de Penedos, restando um troço de calçada com 20 m, cruza a ribeira de Vale de Sobrados, onde há mais um troço com 50 m em calçada, 200 m a norte do Monte do Penedo, sobe à Camoeira e desce à ribeira de Divor que cruza junto do Monte da Azenha, seguindo depois pelo Monte do Divor da Estrada)
    Monte da Oliveirinha (fragmento de miliário anepígrafo no arruinado Monte da Parreira, indicando talvez 5 ou 6 milhas a Évora; neste ponto a via cruza a estrada que vem de Igrejinha e seguia pelo Monte da Oliveirinha até confluir na estrada que vem de Divor para Évora, EM527)
    Bairro do Louredo (passa junto do Alto do Penedo do Ouro e pela Quinta do Bacelo, entra na cidade pela medieval Porta de Avis e continua pelas ruas de Avis e da Corredoura)
    Évora (EBORA) (entra na cidade velha pela antiga porta romana, a Porta de Dona Isabel que integrava a antiga cerca romana, subsistindo o arco romano e um pedaço da calçada correspondente ao cardus maximus).

Eixo 3 - Itinerário de Alter do Chão a Estremoz (40 m.p.)/Évora (62 m.p.)
Partindo de Alter esta via seguia para sul pelo Alto da Courela para cruzar a ribeira de Sarrazola junto do Monte Judeu onde foi identificada uma necrópole), continuando a poente de Fronteira pelo caminho do Vale de Amoreira atendendo ao aparecimento ali próximo de um possível miliário no Monte da Palhinha (Batata e Boaventura, 2000); desce pelo Monte do Vale de Amoreira rumo à travessia da ribeira Grande em Porto de Melões) (talvez no sítio de Pegos da Pedra), passagem controlada pelo povoado romanizado do Outeiro de São Miguel. Pouco depois vencia a vigésima milha junto do cruzamento da ribeira de Lupe, junto da Malhada da Granja (e da antiga Casa dos Cantoneiros da EN243), local de maior importância nesta via pois encontra-se a meia-distância deste percurso, ou seja, a 20 milhas tanto de Alter como de Estremoz. Deste modo é possível que os vestígios romanos identificados em Porto de Melões (Batata e Boaventura, 2000) possam corresponder a uma estação viária.

  • Itinerário de Porto de Melões a Estremoz por Silveirona (40 m.p.)
    Retomando o percurso na Malhada da Granja, a via continua pelo Alto da Granja, Monte Mortágua (18 m.p., anta), Cabana de João Luís, Vale de Carreiras (16 m.p.), Alto de Papaleite, Alto da Misericórdia e Monte das Cabanas; logo depois cruza a ribeira de Sousel (12 m.p.) e continua recto entre esta e a ribeira dos Olivais passando no Monte da Albardeira (11 m.p.), Monte da Cântara (7 m.p., do árabe «al-quantara», «a ponte»), Monte da Cavaleira (6 m.p., a poente da Igreja de Santo Estevão, onde há silhares romanos e um baixo-relevo), Monte da Coelha (5 m.p., villa), Silveirona (4 m.p.), Monte da Granja e Estremoz (Carneiro, 2008; act. 2024).

  • Itinerário de de Porto de Melões a Évora por Cano e Vimieiro (42 m.p.)
    Retomando o percurso em Porto de Melões, segue para a travessia da ribeira de Sousel junto do Monte da Defesa de Barros (villa, ara funerária de Calpurnia), continua pelo Monte da Capelinha, Monte da Roxa/ Alto do Carvalheiro, Monte da Rouca e Tapas das Brancas até ao Cano; daqui segue pela chamada «Estrada de Évora» que passa junto do cemitério e no Alto de Macarra, cruzando a ribeira de Almadafe próximo do Monte Mouchão, e a ribeira de Tera junto do Monte da Broa; mais adiante surge o sugestivo topónimo Monte da Estrada (este foi o trajecto percorrido por Claude Bronseval no século XVI). Continua por Vimieiro (fortim de Soeiros poderá estar relacionado com o controlo desta via; continua talvez pelo Monte da Carreteira, Monte da Ermida, Monte do Santana, Monte de Courelas), Santa Justa (seguia talvez junto da Capela de Santa Justa onde apareceu uma ara votiva e há vestígios de uma villa ou mutatio; continua talvez pelo Monte da Comenda de Cima e Monte da Anta, servindo de divisória concelhia e marginando duas fortificações romanas que controlariam a via, o Castelo de Santa Justa e o Castelo do Mau Vizinho, continuando depois a poente do Monte da Calada onde apareceu o epitáfio de Apano). Continua por Igrejinha (talvez a nascente pelo Monte do Barrocal e Alto dos Algraveos, cruza o rio Degebe junto do Monte dos Álamos e segue para Évora pelo Bairro dos Canaviais(?).

Eixo 4 - Itinerário de Alter do Chão a Juromenha por Vaiamonte
Partindo de Alter do Chão a via seguia para sudeste passando na base do importante povoado do Cabeço de Vaiamonte, onde há sinais de um acampamento militar romano. Até Maio de 2019, apresentamos aqui uma proposta de percurso praticamente unânime que fazia passar a via por Monforte e Monte das Esquilas com base na ara aos deuses viários descoberta por Mário Saa neste último local, tendo alguns autores considerado ser este o traçado do Itinerário XIV para Mérida o que levou à localização da mansio de Matusaro nesta estação viária do Monte das Esquilas (Carneiro, 2004, 2008 e 2011). No entanto, após uma análise mais cuidada do terreno, ponderamos a hipótese de a via não cruzar a ribeira grande junto da vila de Monforte (com uma ponte medieval, mas sem indícios romanos), mas sim mais a jusante, na base do fortim romano dos Beiçudos, seguindo não para as Esquilas, mas em direcção do miliário do Monte da Torre do Curvo, entroncando noutra via que seguia para a travessia do rio Guadiana em Juromenha. De facto a orientação que a via traz de Alter do Chão, passando na base do povoado indígena do Cabeço de Vaiamonte e a poente da villa da Torre de Palma segue em direcção aos Beiçudos e não a Monforte. A ser assim, cai por terra a proposta de situar a mansio de Matusaro no Monte das Esquilas com base no argumento da distância a Alter do Chão ser cerca de 24 milhas como é indicado no Itinerário para a etapa entre Abelterium e Matusaro (Encarnação, 1995; Mantas, 2010), proposta que na verdade nunca foi muito convincente porque obrigava a várias inflexões pouco lógicas do trajecto e tornava o percurso muito mais longo, tornando-o incompatível com as distâncias indicadas no Itinerário (act. 2019).

Alter do Chão (seguia talvez sob a actual «Estrada de Pedroso» até ao povoado indígena de Alter Pedroso, continua pela rua da Carreira até ao marco geodésico do Penedo Gordo, onde inflecte para sul pela «Estrada de São Domingos», com vários troços ainda em calçada que segue entre a villa da Quinta do Pião e a villa de São Pedro, passando de seguida pela Horta da Fonte de Vide e junto do marco geodésico do Monte das Ferrarias)
Cabeço de Vide (m.p. VII; ao chegar à vila pela azinhaga de São Domingos, a via entronca na rua de Santo Mártir, cortando depois à esquerda e logo à direita por um troço de calçada com 700 m até ao balneário romano das Termas da Sulfúrea onde cruza a ribeira de Vide; na Igreja de Santa Maria, apareceu uma inscrição às Ninfas que terá vindo das termas, mas hoje com paradeiro desconhecido (CIL II 168); daqui a via cruza a linha férreas e segue o caminho designado por Mário Saa como a «Estrada dos Castelhanos», passando junto dos vestígios de uma possível mutatio em Monte dos Merouços e muito próximo da importante villa da Horta da Torre, cruzando a ribeira do Carrascal na base do povoado indígena do Castelo do Mau Vizinho)
Vaiamonte (continua pelo Monte da Laranjeira e a sul do Monte da Caniceira com vários vestígios marginando o percurso, Monte dos Caliços, Monte do Gacho e a villa do Monte da Matança, continua por Monte Branco e Arribanas para cruzar a ribeira Grande na base do fortim romano dos Beiçudos; a via passa a poente do importante Povoado Fortificado do Cabeço de Vaiamonte, com origem na Idade do Bronze e com fortes indícios de um assentamento militar romano, e da monumental villa da Torre de Palma)
São Saturnino (retomando o percurso no fortim romano dos Beiçudos, a via subia pela calçada das Pintas, com marcas de rodados ainda visíveis junto ao monte homónimo, continuando pelo Monte do Zambujeiro, Monte da Carreteira, Herdade da Velha e Quinta do Leão; a via passa cerca de 2 km a poente da arruinada Igreja de São Pedro de Almuro que reutiliza muitos materiais romanos)
Veiros (necrópole na Igreja de Ns. dos Remédios, onde apareceu uma cupa funerária, FE 530; continua a nascente do «Castelo Velho de Veiros», povoado fortificado da Idade do Ferro, seguindo pelos montes da Guardaria, das Alagoas, das Farisoas, da Giralda, das Santinhas, do Casco)
Santo Aleixo (cruza a ribeira do Almuro e segue pelo Monte de Magesse)
Monte da Torre do Curvo (mutatio; miliário de Maximino I e ao seu filho Máximo; CIL II 441 = IRCP 664; actualmente está no acervo do extinto Museu de Elvas; daqui continua pelo Monte da Aldinha, cruza a Tira-Calças e segue pelo e Monte dos Pereiros)
Monte de Alcobaça (cruza o Itinerário XII e segue pelo Alto do Alcaide, Monte da Atouguia e Monte do Montinho)
Terrugem (povoado no outeiro de Santo António; vicus no Monte da Nora, cerca de 2 km para nascente)
São Romão de Ciladas (vestígios pétreos e inscrição paleocristã na Torre do Pomar d’El-Rei)
Juromenha (travessia do rio Guadiana a jusante do forte, seguindo depois para Olivença num percurso que totaliza as 40 milhas desde Alter do Chão)
    O antigo povoado que seu origem a Juromenha encontra-se na Malhada das Mimosas, situado cerca de 3 km a jusante do Guadiana, junto do local de cruzamento do rio, próximo da sua confluência com a ribeira de Asseca; este povoado regista ocupação do neolítico final ao período romano, do qual apareceu uma tabula patronatus em bronze, em que a família Stertinia se coloca sob a protecção do seu legado provincial L. Fulcinius Trio (IRCP 479); duas inscrições votivas, uma dedicada a Júpiter por um soldado da VII Legio Gemina Felix (IRCP 439) e outra dedicada a Endovélico (FE 64) poderão também provir deste local, apesar desta última ter aparecido no castelo. Nesta área, em local indeterminado, apareceu também um tesouro monetário datado do século III e IV, actualmente em exposição na Colecção de Arqueologia da Casa de Bragança em Vila Viçosa. Este povoado poderá corresponder a Colarnum com base nas coordenadas Ptolomaicas (Geo, II, 4).

Eixo 5 - Itinerário de Arronches a Olivença por Juromenha
Esta via perpendicular à orientação das vias para Mérida tinha origem na estação viário do Monte da Torre, possível mutatio do Itinerário XIV (3 km a SW de Arronches), seguindo para sudoeste rumo a Juromenha e Olivença, passando nas mutationes do Monte das Esquilas (m.p. VIII), Monte da Torre do Curvo (m.p. XIV) e Terrugem (m.p. XX). Partindo então do Monte da Torre, a via segue pela Quinta do Carrefe (topónimo viário), Monte dos Barrocais, Monte da Amendoeira, Monte de Mariares de Cima, cruza a ribeira de Algalé e continua a leste dos montes dos Reboleiros e da Boudaria por um longo troço preservado da via, seguindo recto ao Monte das Esquilas (num outeiro próximo Mário Saa descobriu uma ara aos Lares Viales possivelmente parte de um santuário junto da via); daqui continua pelo Monte da Fonte Branca (tégula), Monte dos Vinagres (onde Saa viu ainda «poderosa calçada»), passava próximo do Fortim Romano do Penedo de Ferro até ao Monte da Torre do Frade, onde cruza a ribeira da Colónia até chegar ao Monte da Torre do Curvo, onde entronca no Eixo 4 seguindo depois um percurso comum até ao Guadiana. A área de Torre do Curvo seria assim uma encruzilhada de caminhos como comprova o miliário descoberto neste local que se encontra a meio caminho da via entre o Monte das Esquilas e Terrugem (6 milhas a ambos), sendo por isso possível a existência de uma estação viária tipo mutatio neste local.

  • Ligação do Monte das Esquilas a Vila Fernando: uma derivação desta via pouco depois do Monte das Esquilas, no Monte da Fonte Branca, seguia para sudeste pelo Monte de São José, cruza a ribeira da Coutada a sudoeste de Barbacena (placa funerária de Atilia na Herdade de Fontalva, FE 592) rumo ao sítio romano da Anta do Reguengo, possível mutatio, onde Abel Viana assinalou vestígios da via; daqui seguia para o Monte dos Campos/ de Genemigo, onde apareceu um miliário de Caracala (IRCP 662), continuando depois a nascente de Vila Fernando pelo Monte Novo da Terra Vermelha e Monte do Passo até ao Monte da Alcarapinha, onde cruza o Itinerário XII. A via teria continuidade para sul pelos montes da Atalaia, do Texugo e de Valbom até Vila Boim (?).

  • Ligação de Revelhos a Elvas: o vasto campo de ruínas romanas em torno do actual regolfo da barragem do Caia, indicia a existência de uma derivação do Iter XIV rumo a sul. De facto, André Carneiro identificou um troço calcetado bem preservado junto do Monte do Reguengo, onde foi identificado um miliário (Carneiro, 2011). Esta derivação poderia partir da Igreja de São Bartolomeu no Monte de Revelhos, seguindo depois o antigo caminho pelo Monte das Furadas e da Horta Nova entretanto destruído, rumo à travessia da ribeira da Agulha no sopé do Monte do Reguengo e da arruinada Igreja de Ns. da Lameira. A partir daqui surgem vestígios da velha calçada seguindo na direcção do Monte das Freiras, perdendo-se pouco depois o seu rasto dado que toda esta zona ficou submersa após a construção da barragem do Caia. No entanto, o cruzamento do rio deveria fazer-se junto do Monte da Alentisca; em alternativa, a travessia poderia fazer-se um pouco a nascente, junto da ermida de Santa Catarina, onde apareceu uma ara dedicada a Belona (FE 207), havendo notícia de uma ponte de pedra junto a este local (Carneiro, 2011). A via continua para sul cruzando a ribeira da Rocha a nascente do Monte do Pinto e a ribeira da Água de Banhos próximo da linha férrea, continuando depois junto da Ermida da Ventosa, Monte de Mencáceres e Torre da Sequeira (onde cruza o Iter XII), passando assim a nascente de São Vicente, continuando pela Quinta das Longas (villa) talvez rumo a Elvas (?) (act. 2021).

VIA XV - Item alio itinere ab OLISIPONE EMERITAM m.p. CCXX
Mapa
Ulme




Crato




7 Chaminés




ITINERARIO XV - Lisboa (OLISIPO) - Monte da Pedra (Fraxinum?) - Mérida (EMERITA)
Item alio itinere ab
OLISIPONE EMERITAM

IERABRIGA
SCALLABIN
TUBUCCI
FRAXINUM
MONTOBRIGA
AD SEPTEM ARAS
PLAGIARIA
EMERITA

m.p. CCXX
m.p. XXX
m.p. XXXII
m.p. XXXII
m.p. XXXII
m.p. XXX
m.p. XIIII
m.p. XX
m.p. XXX
O percurso deste itinerário para Mérida continua envolto em dúvidas devido à problemática localização das suas estações intermédias. Na sua parte inicial o trajecto é comum ao Itinerário XVI entre Lisboa e Braga até Santarém onde cruzava o rio Tejo para Alpiarça tal como o Itinerário XIV rumo a Mérida. Em algum ponto desse percurso os dois itinerários divergiam para se reencontrarem na estação Ad Septem Aras muito provavelmente localizada próximo da aldeia de Ns. da Graça dos Degolados, tendo como estações intermédias Tubucci, Fraxinum e Montobriga cujas localizações continuam inseguras. Segundo as distâncias indicadas no Itinerário de Antonino, o percurso seria mais longo 10 milhas do que a via principal para Mérida (por Ponte de Sor e Alter do Chão) pelo que este itinerário deveria descrever um arco a norte ou a sul da via principal. Ao longo dos últimos séculos, vários autores tentaram definir um traçado quer a norte quer a sul da via principal sugerindo diferentes localizações para as respectivas estações intermédias de forma a acertar a marcação miliária, sem no entanto chegarem a uma solução satisfatória. Nesta demanda é crucial determinar a localização de Tubucci, a primeira estação indicada no itinerário que é determinante para a elaboração do restante percurso; André de Resende situou-a em Benavente, Mário Saa em Alvega, Jorge de Alarcão no Vale do Sorraia e Vasco Mantas próximo do Tramagal. No entanto, todas estas propostas carecem de provas irrefutáveis e implicam percursos mais ou menos inviáveis até Ad Septem Aras. Se na variante sul temos uma sucessão de travessia de rios importantes, na variante norte pelo Vale do Tejo teria de enfrentar os sucessivos afluentes e uma topografia de constante sobe-e-desce, totalmente em desacordo com a norma da viação romana. A hipotética localização de Tubucci próximo do Tramagal tem por base as importantes ruínas na Quinta do Carvalhal, junto da confluência da ribeira de Alcolobre no rio Tejo, e do respectivo miliário encontrado a pouco distância na povoação do Crucifixo. No entanto, este marco poderá estar relacionado com a travessia neste ponto do rio Tejo, integrando uma via proveniente de Tomar rumo a Bemposta. Do mesmo modo, o miliário encontrado no Monte Galego não integraria o Itinerário XV como antes se pensava, podendo antes assinalar a ligação da travessia do rio Tejo junto de Aritium ao eixo viário principal rumo a Mérida. Estando descartada a passagem da via pela margem esquerda do Tejo, há que procurar um outro traçado em altitude que possa não só evitar esses obstáculos no terreno como acertar o percurso com a indicação miliária presente no I.A.; após um trabalho de levantamento topográfico das diversas soluções foi possível determinar um percurso alternativo para o Itinerário XV que apesar de não ser absolutamente seguro, constitui uma solução prometedora para as várias incógnitas que este itinerário ainda apresenta. A rota proposta implica uma nova localização da mansio de Tubucci que estaria assim junto do nó viário das Mestas, ponto focal da rede viária nesta região, local onde a via proveniente de Mérida bifurcava em duas variantes rumo ao rio Tejo, uma rumo a Santarém e outra rumo a Leiria e Tomar, justificando a existência de uma mansio neste local (act. 2018).

Itinerário XV de Scallabis a Tubucci m.p. XXXII
Como referido, o percurso inicial seria partilhado com o Itinerário XIV e XVI até Santarém, cruzando aqui o rio Tejo para Almeirim. Segundo Francisco d'Hollanda existia uma «ponte de fundação romana» sobre a Vala Velha em Terrugem, mas actualmente as margens do rio estão muito alteradas; a via é flanqueada por dois possíveis acampamentos romanos, o Alto dos Cacos a sul, e o Alto de Castelo a norte, este junto de um povoado de larga diacronia, o Cabeço da Bruxa (miliários na Fábrica de Tomate, Quinta da Goucha e dois em Goucharia). Daqui seguia para norte até ao Vala de Alpiarça,onde toma o caminho de festo que passa nos altos do Sartel, Ameixial, Sete Sobreiros e Canavial, rumo ao Alto da Perna Seca (17 m.p.), nó viário onde se juntava a via proveniente da travessia do Tejo em Azambuja. Daqui seguia pelos altos de Santa Maria, Anafe, Caniceira e Aranhas (divisão entre os concelhos de Chamusca e Abrantes), marginando as nascentes da ribeira de Ulme/Alpiarça, as «Fontes de Alpiarça» como dizia Resende, até atingir o nó viário das Mestas, a 32 milhas de Santarém, a presumível localização da estação de Tubucci.

TUBUCCI m.p. XXXII
Esta estação viária possivelmente localizada junto da «Encruzilhada das Mestas». Para quem vinha de Mérida neste local a via subdividia-se em vários ramais de acesso a locais de travessia do rio Tejo. Um descia pelo alto da Perna Seca, bifurcando em três acessos ao Tejo, por esta via que integrava o Itinerário XV rumo a Santarém (17 m.p.), a via de ligação a Azinhaga (8 m.p.) cruzando o rio Tejo rumo a Leiria. Existia também um rmal desta via que descia ao porto fluvial de Ulme (3 m.p.), onde há dois possíveis miliários, ambos anepígrafos, o primeiro no cruzamento da rua Velha com a rua do Chafariz, e segundo marco no início da Rua Francisco Gomes Rato (erradamente classificado como «menir fálico»), estando portanto junto da via e por isso possivelmente próximo do seu local original de implantação (act. 2024). Este porto era controlado pelo Castelo de Ulme, antiga fortaleza actualmente ocupada pela Capela de Santa Marta (Marques, 2002; Coimbra et al. 2020). Na outra margem da ribeira de Ulme/Alpiarça, em Casal do Pinhão, apareceu um tesouro Republicano constituido por várias moedas de prata (Coimbra et al. 2020) e uma inscrição, ara da Junqueira, onde se leria BONO / REI [P [ublicae) ?] / [NATO?], ou seja, «nascido para o bem da República» (Encarnação, 1984: 700). O outro eixo viário deverá corresponder ao Itinerário XIV, mantendo a mesma directriz após a passagem na Venda das Mestas, continuando por alturas de Tamazim. Um ramal desta estrada deriva no Alto dos Rapazes rumo ao rio Tejo, seguindo pelo Campo de Santa Margarida e junto da villa de Alcolobre. A via seguia até Galega Nova, nó viário (e provável estação viária) onde havia nova bifurcação nos dois ramais de acesso ao Tejo, um cruzando o rio para a Golegã (rumo a Leiria) e outro seguindo para noroeste em direcção a Arripiado, onde cruzava o Tejo para Tancos onde ara a travessia do rio em Arripiado/Tancos ligando daqui a Tomar. Deste modo, a estação de Tubucci assentava num ponto absolutamente estratégico da rede viária antiga, articulando as diversas locais de travessia do Tejo, justificando a existência de uma mansio neste local. Trata-se de uma área do planalto conhecida por «Mestas», «Venda das Mestas» ou «Encruzilhada das Mestas» e referida por vários autores desde o século XVI como André de Resende, Francisco d'Holanda e Claude Bronseval, como local de passagem obrigatória para quem vinha de Mérida rumo ao Atlântico. Os itinerários XIV e XV rumo a Mérida teriam ambos paragem neste local, divergindo a partir daqui até se reunirem junto da estação de Ad Septem Aras próximo de Campo Maior. O traçado mais a sul corresponde ao Itinerário XIV seguindo por Ponte de Sor, Alter do Chão e Assumar, e seria a via principal para Mérida como comprovam os diversos miliários e a ponte de Vila Formosa. Por sua vez o Itinerário XV seguia mais a norte por Bemposta e Monte da Pedra.

Itinerário XV de Tubucci a Fraxinum m.p. XXXII
A partir da área das «Mestas», a via seguia em direcção a Bemposta (6 m.p.), onde cruzava o rio Torto (topónimo viário Vale da Venda), seguindo depois pelo caminho de festo que passa a sul de São Facundo nos topónimos Fonte do Santo e Alto de Colos (9 m.p.), continua a norte de outro topónimo viário, o Vale da Mua, por Alto dos Poços e Cruz das Cabeças (13 m.p.), delimitando a partir daqui os concelhos de Abrantes e Ponte de Sor pelos altos de Vale d'Água e da Pernelha (18 m.p.), inflectindo daqui para nascente por São Bartolomeu até ao «Porto dos Almocreves» (20 m.p.), junto do qual cruzava a ribeira de Sor (Saa, 1967:80); continua por Margem até à área das Polvorosas (26 m.p.), onde cruza a ribeira da Salgueira. Daqui segue para a travessia da ribeira de Sor em Porto do Manejo (29 m.p.), onde há vestígios romanos localizado na linha divisória entre os concelhos de Gavião e Crato; daqui seguia mais três milhas até ao Monte da Pedra, passando junto do marco geodésico do Alto da Pedra (31 m.p.).

FRAXINUM m.p. XXXII | LXIV a Santarém
Esta estação viária poderia situar-se no Monte da Pedra, a 64 milhas de Santarém; a possível existência de uma mansio neste local estará relacionada com a travessia da ribeira de Sor em Porto do Manejo, onde Mário Saa registra o topónimo «Caminho da Estalagem» assim como «vestígios de via e de uma ponte» que terão sido destruídos no século XX; Saa achou também um miliário Alto do Aguilhão contendo «alguns caracteres imperceptíveis» (Saa, 1967:81:62; Carneiro, 2008, 2011); este miliário poderia assinalar a via proveniente da travessia do rio Tejo em Belver (por Gavião, Atalaia e Comenda, cruzava a ribeira de Sor junto do Monte das Lameiras, subindo depois ao Alto do Aguilhão, onde apareceu o referido miliário; daqui poderia ligar a Fraxinum, mas pela direcção que trazia também é possível que seguisse directa ao Vale do Peso pelo Alto da Safra do Rebolo, seguindo o caminho de festo entre a ribeira de Vale de Magre e a ribeira do Monte da Pedra que cruza para Vale do Peso (act. 2020).

    Itinerário de Monte da Pedra a Alter do Chão por Aldeia da Mata
    Existe uma ligação entre Monte da Pedra e Alter do Chão, passando junto dos sítios romanos da Fonte Santa e Sampaio (marcas de rodados na rocha no cruzamento da ribeira, junto da linha férrea), continuando por Cabanas Salgadas e Quinta da Naba até Aldeia da Mata; daqui sai pela Fonte do Boneco rumo a Vale de vaqueiros, cruza a ribeira de Seda, a sul da linha férrea e segue pelo Monte do Murtal, Monte do Mato de Alter e Alto do Reguengo até Alter do Chão onde cruza o Itinerário XIV para Mérida. A continuação desta rota na direcção sudeste está descrita no Itinerário de Alter a Juromenha.

    Itinerário de Monte da Pedra a Alter do Chão pelo Crato:
    Derivando no Monte da Pedra, esta via rumava a sudeste pelo «Caminho do Chamiço» que cruza a linha férrea e passa no geodésico homónimo, inflectindo depois para sudeste pelo Alto da Pedra do Rato, onde cruza a EM1022 que liga Vale do Peso a Aldeia da Mata; cruza a ribeira do Rôdo na Ponte Antiga e a ribeira dos Canais, seguindo por Flor da Rosa rumo ao Crato (estela de Cilea, IRCP 626). Daqui desce em calçada para a Ponte do Chocanol (ponte medieval que reutiliza materiais romanos, na base do Monte do Chocanol, o provável Vicus Camaloc(...) com base numa ara a Júpiter encontrada no caminho de acesso ao povoado colocada pelos Vicani Camalo[cani?, censis?]). Daqui segue para a travessia da ribeira da seda numa ponte reconstruída no século XVII, cruza a linha férrea e segue próximo da importante villa da Ganja e da respectiva necrópole 350 m adiante; daqui a via seguia talvez pelos altos de São Lourenço e São Miguel até Alter do Chão)
  • Ramal do Crato a Chancelaria: desviando para sudeste pela chamada «Estrada dos Louceiros» , paralela à linha férrea, por Quinta de Marrocos, Alto da Abodaneira, margina o Monte do Aguilhão até ao Alto de Chancelaria, importante nó viário onde entronca na «Calçada do Alicerce» e no Itinerário XIV para Mérida.

Itinerário XV de Fraxinum a Montobriga por Vale do Peso m.p. XXX
Monte da Pedra (depois de cruzar a ribeira de Sor, a via passava junto do sítio romano do Sôrinho e no Alto do Monte da Pedra, seguindo depois rumo a Vale do Peso pelo chamado «Caminho do Chamiço»)
Vale do Peso (m.p. VII; a via passa a sul da Ermida de Sta. Eulália, possível mutatio; daqui segue um caminho pontuado por sítios romanos que passa no Monte de Setil e a sul do Monte Cem Dias, Monte das Braguinas (m.p. XI), onde apareceram diversos vestígios, um capitel, colunas, silhares e estela funerária, IRCP 635, continua pelo Monte do Couto dos Algarves onde cruza a ribeira da Espadaneira, margina o sítio romano de Mosteiros e segue por Couto dos Guerreiros até Veladas)
Monte das Veladas (m.p. XV; possível a via passava a oeste da povoação de Fortios, junto do sítio romano do Monte das Veladas, onde há registo de 3 inscrições funerárias: epitáfio de [- - -]VGGO junto do cemitério, IRCP 633, e na arruinada igreja de São Domingos, o epitáfio de Urso, FE 132; assim tudo indica que se trata de uma mutatio da via Fraxinum e Montobriga, localizada a 15 milhas de ambas, ou seja, a meio-percurso)
Portalegre (m.p. XX, a via passa a oeste da cidade por Lagar Velho, Frangoneiro, Coutada das Freiras, Alto do Casqueiro e Quinta da Misericórdia, onde cruza a ribeira da Lixosa e o IP2 (junto da Praça de Touros); continua rumo ao Alto do Carvalhal pela Herdade dos Fajardos, Monte Abrunheira do Conde e Monte da Abrunheira)
Urra (m.p. XXV; continua por Fadagosa e Azinhal rumo à travessia do rio Caia, junto do qual assentaria a estação de Montobriga)

MONTOBRIGA m.p. XXX | XCIV a Santarém
A estação viária poderia situar-se pouco depois da travessia do rio Caia junto do sítio romano da Herdade da Falagueirinha dado que este local está a cerca de 30 milhas de Monte da Pedra e a cerca de 14 milhas de Degolados, estando portanto de acordo com as distâncias indicadas no I.A.; a via continua a nordeste de Arronches por Venda e Nave do Grou, cruza a ribeira de Arronches a sul de Mosteiros e continua pelo Monte da Capela (villa), Monte do Rebolo, Monte de Martim Tavares (villa), Monte da Figueira de Cima, Monte do Baloco e Sequeirinha, reunindo depois com a via principal para Mérida adiante do Monte da Calaça, a 4 milhas de Degolados (act. 2017).

AD SEPTEM ARAS m.p. XII | CVIII a Santarém
Estação viária presumivelmente localizada no sítio romano do Monte das Argamassas entre Nossa da Graça dos Degolados e Campo Maior. Tudo indica que a partir daqui o percurso deste itinerário seria comum ao Itinerário XIV, ou seja, com a outra via que vinha de Lisboa por Alter Chão, dado que a distância de 20 milhas indicada entre Ad Septem Aras e Plagiaria correspondem exactamente à soma das distâncias intermédias indicadas nesse outro itinerário (12 a Budua mais 8 a Plagiaria). Deste modo, o restante percurso está descrito no âmbito do Itinerário XIV.

PLAGIARIA (Novelda del Guadiana; m.p. XX; XXX milhas a Emerita)
AUGUSTA EMERITA (Mérida; caput via)

ITER XXI - Item de BAESURIS PACE IULIA m.p. CCLXVII
Mapa

ITINERARIO XXI - Foz do Guadiana (BAESURIS) - Faro (OSSONOBA) - Alcácer do Sal (SALACIA) - Évora (EBORA) - Beja (PAX IULIA)
Item de BAESURIS
PACE IULIA

BALSA
OSSONOBA
ARANNIS
SALACIA
EBORA
SERPA
FINES
ARUCCI
PACE IULIA

m.p. CCLXVII
m.p. XXIIII
m.p. XVI
m.p. LX
m.p. XXXV
m.p. XLIIII
m.p. XIII
m.p. XX
m.p. XXV
m.p. XXX
O Itinerário XXI percorre o território actualmente designado por Algarve e Alentejo, indicando as principais mansiones ao longo de um percurso com origem na foz do rio Guadiana e término em Pax Iulia, capital regional e sede de um dos três conventus da Lusitânia. Não se trata de apresentar a via mais directa entre dois caput viae como é habitual nos outros itinerários, mas de apresentar um percurso que vai «tocando» nos principais focos de desenvolvimento do conventus Pacensis, mormente os grandes portos e oppida da região. Dessa forma a linha traçada pelo seu percurso é tudo menos recta, antes descrevendo uma longa espiral que termina na sua cidade capital, Pax Iulia. Os topónimos são em geral claramente pré-romanos pelo que com toda a probabilidade estas estações viárias assentam em geral sobre povoados da Idade do Ferro ou mesmo de tempos mais recuados. Aliás, a rede viária romana certamente que assenta sobre uma rede anterior pré-romana que servia os corredores comerciais anteriores à romanização. Da presumível origem Turdetana de Baesuris, Balsa e Ossonoba, associadas ao comércio Mediterrânico, aos nomes de origem céltica à medida que o Itinerário abandona a costa algarvia e ruma a norte, como Arannis, Ebora e Arucci, indiciam que estes povoados não seriam fundação romana. As restantes foram renomeadas, com «Imperatoria Salacia» a substituir a designação Beuipo do importante povoado da Idade do Ferro (Faria, 2002), o termo Fines a sugerir uma situação fronteira do território do conventus (Sillières, 1990:445) e claro a respectiva capital localiza em Pax Iulia, a actual Beja da qual desconhecemos o topónimo pré-romano. Deste modo a identificação destes locais deve sempre associar-se a povoados anteriores ao processo de romanização. O Itinerário XXI agrupa portanto um grupo de vias independentes, formando um arco que interliga os principais centros de povoamento da região. O primeiro troço corresponde à via romana entre a foz do rio Guadiana e Faro seguindo paralela à costa algarvia; entre elas existia apenas uma mansio localizada na importante cidade de Balsa (Mantas, 2003), ocupando os terrenos da Quinta de Torre de Aires em Luz de Tavira.

A partir de Ossonoba, o itinerário inflecte para norte rumo a Arannis cuja localização tem oscilado entre a aldeia de Sta. Bárbara de Padrões no concelho de Castro Verde (Maia, 2000; Maia, 2006; Bernardes, 2006) e a Vila do Garvão no concelho de Ourique (Ponte, 2010 e 2012). Embora estes povoados apresentem fortes evidências de ocupação romana, nenhum deles está localizado a 60 milhas de Faro, seja qual for o caminho escolhido. A essa distância temos antes o chamado «Castro da Cola», importante povoado durante a Idade do Ferro sobranceiro ao local de travessia do principal rio da região, o rio Mira, distando este ponto precisamente 60 milhas de Faro; a partir daqui o Itinerário seguia para Salacia (Alcácer do Sal) indicando para este troço apenas 35 milhas, distância manifestamente insuficiente para cumprir o percurso entre o Castro da Cola e Alcácer pelo que muito provavelmente o Itinerário omite uma estação intermédia que estaria a 35 milhas de Salacia, distância essa que coloca a mansio em Alvalade, importante nó viário de onde partiam vias também para Mirobriga (Santiago do Cacém), Pax Iulia (Beja) e Ebora (Évora). Pensamos que Alvalade se deve identificar com a Sarapia referido por Plínio e em algumas cópias do Itinerário.

A partir de Alcácer do Sal o itinerário rumava a nascente na direcção de Ebora, tomando a via romana já referida no Itinerário XII de Lisboa a Mérida, confirmando assim as 44 milhas indicadas. A partir de Évora o Itinerário segue aparentemente rumo a Serpa, mas novamente a distância indicada é muito menor ao medido no terreno pelo que mais uma vez teremos de admitir a existência de uma estação intermédia a 13 milhas de Serpa, o que coloca esta estação junto à actual povoação de Pedrogão, local onde na época se fazia a importante travessia do rio Guadiana, justificando assim a existência de uma mutatio ou mesmo mansio. Por sua vez, a distância a Évora é de 40 milhas, valor típico de uma jornada. A partir de Serpa o Itinerário dirige-se para nascente e percorre XX milhas até à próxima estação designada por Fines certamente indicando o limite territorial de conventus Pacensis, mas a localização deste povoado continua por desvendar. Também a localização da estação seguinte designada por Arucci continua por desvendar, sendo que a respectiva mansio teria de estar, segundo o Itinerário, a 25 milhas de Fines e a 30 milhas de Pax Iulia (act. 2018).

O Itinerário foi dividido nos seguintes troços:
Mapa
Almargem


Quelfes


ITINERARIO XXI - Foz do Guadiana (BAESURIS) - Torre de Aires (BALSA) - Faro (OSSONOBA) m.p. XL

BAESURIS
BALSA
OSSONOBA

m.p. XXIIII
m.p. XVI
O primeiro troço do Itinerário XXI ligava a foz do rio Guadiana a Ossonoba, actual Faro com uma estação intermédia localizada na importante cidade portuária de Balsa, situada junto da Quinta de Torres de Aires em Luz de Tavira. As diversas propostas de traçado entretanto lançadas (Mantas, 1997a; Catarino, 1997; Fraga da Silva, 2002 e 2005; Sandra Rodrigues, 2004; Manuel Maia, 2006, Bernardes, 2011) partiram do pressuposto de que o único miliário até hoje conhecido do Algarve, descoberto no início do século XX junto à «Canada de Bias» em Bias do Sul, reutilizado numa nora (IRCP 660), pertenceria a esta via, sendo, portanto, uma prova inequívoca da sua passagem por estas bandas. Para além disso, a indicação de 10 milhas neste peculiar marco adequa-se à distância deste local a Faro pelo que esta tese, lançada por Fernandes Mascarenhas em 1967 acabou unanimemente aceite pela generalidade dos investigadores. Mais tarde acrescentou-se ainda a hipótese de o marco assinalar também a linha divisória que separava os territórios das civitates de Balsa e Ossonoba (Mantas, 1990:184). O marco ainda existe e está actualmente no Museu de Olhão, depois de ter estado muitos anos no interessante Museu Paroquial de Moncarapacho. De facto, todos os dados parecem apontar nesse sentido, no entanto, não existe evidência da existência de uma via que pudesse passar em Bias do Sul num eixo traçado de Faro a Torre de Aires. A possibilidade de a via seguir pelo traçado da actual EN125 a norte da Quinta do Marim não é viável porque teria de cruzar os diversos esteiros que nessa época penetravam bem o interior. Desse modo, a partir de Balsa, a via teria de seguir por Moncarapacho de modo a contornar esses mesmos esteiros, seguindo um trajecto que cruza a ribeira de Marim na Ponte Velha de Quelfes rumo a Faro. A ser assim, o miliário de Bias não assinalava a via de Balsa a Faro, mas uma outra via que corria na sua perpendicular designada por «Canada de Bias» que se dirigia para Querença passando em Moncarapacho (ver Outros itinerários do Algarve). O mesmo acontece no troço entre a Foz do Guadiana e Balsa perfazendo segundo o itinerário 24 milhas. Esta distância parece excessiva face ao trajecto actual, mas é preciso notar que a via teria de evitar os vastos esteiros que penetravam bem para o interior da actual linha de costa, obrigando a via a procurar pontos de passagem nos limites das zonas inundáveis como é o caso do rio Seco ou da ribeira de Almargem. Estes constrangimentos explicam as súbitas de direcção apresentadas pelo traçado que ruma inicialmente da margem do rio até Castro Marim, seguindo daqui para oeste para cruzar o rio Seco junto da povoação homónima. Depois ruma a sul até São Bartolomeu, área de grande densidade de vestígios romanos, inflectindo finalmente para oeste, direcção que mantém até Faro, passando no porto de Cacela Velha e por Tavira até à cidade de Balsa que ocupava uma vasta área que inclui as actuais quintas de Torre de Aires e das Antas. A seguir apresenta-se o seu provável trajecto.

BAESURIS (Foz do Guadiana)
Estácio da Veiga propôs a sua localização em Castro Marim com base num numisma aqui encontrado com as iniciais BAE (Mowat, 1900), tese actualmente praticamente consensual na comunidade científica (Faria, 1987; Arruda, 1988, 1996:96; 1997:244-245; Viegas, 2006:412-414; Fabião, 1992-93:232). No entanto, esta associação a este povoado da Idade do Ferro não está isenta de problemas dado que apesar de uma comprovada ocupação no período Republicano, o sítio acaba por ser abandonado no período Imperial (Angeja, 2017:136), eventualmente devido à inutilização do seu porto, apesar da manutenção de um pequeno embarcadouro no sítio do Enterreiro, onde se acharam diversos vestígios relacionados com a actividade portuária (Pereira et al., 2015). Por outro lado, a distância indicada no Itinerário de 40 milhas nunca poderia referir-se a Castro Marim dado que este povoado não dista de Faro mais do que 37 milhas, seja qualquer for o caminho escolhido. Ora, as 3 milhas em falta deverão corresponder à distância de Castro de Marim ao local da antiga travessia do rio Guadiana, a norte do Posto Fiscal da Rocha e da ponte actual, numa área designada por sapal da Venta de Moinhos, topónimo viário relacionado com esta travessia. Na outra margem, existe um cabeço designado por Cabezo Partido/Rejustos com domínio visual sobre toda esta área, havendo vestígios de povoamento do Bronze Final. Na margem direita, os únicos vestígios relacionados com esta passagem encontram-se a sul da ponte actual, no sítio da Zambujeira, onde apareceram materiais cerâmicos romanos e islâmicos. Na nossa proposta, a via passaria nos limites inundáveis dos vários esteiros que formavam a linha de costa na época, nomeadamente do Rio Seco e de São Bartolomeu (act. 2021).

BAESURIS a BALSA m.p. XXIIII
Partindo da Venta de Moinhos, na margem direita do Guadiana, seguia para oeste por Zambujeira até próximo do Monte Francisco de modo a evitar o Esteiro da Lezíria. Aqui inflectia para sul, paralela à estrada actual, até Castro Marim (o Núcleo Museológico do Castelo guarda alguns materiais romanos encontradas na região); a partir daqui a via inflecte novamente para oeste a fim de evitar toda a zona inundável do rio Seco, seguindo paralela à EN125-6 por Horta de Dona Maria, Sapal Chão e Horta das Dragas, inflectindo aqui para sul cruzando o rio Seco. Ascendia à povoação homónima e tomava a estrada rumo a São Bartolomeu (área com grande densidade de vestígios romanos, muitos posicionados sobre a antiga linha de costa, como os sítios de Olhos, Aroucas e Sobral de Baixo, onde apareceu a inscrição funerária de Euprepes). Em São Bartolomeu, a via cruzava a linha férrea e rumava definitivamente para oeste, junto do sítio romano de Vale de Bôto, provável mutatio no limite inundável do Esteiro da Carrasqueira. Continua paralela à linha férrea por Alcaria (vestígios na Horta da Alcaria), rumo à travessia da ribeira do Álamo junto do topónimo Portela e dos sítios romanos de Arrife e da Torre dos Frades; continua do outro lado da linha pela EM1250 por Cruz do Morto, Bornacha (actual Vila Nova de Cacela, onde entronca na EN125); no sítio do Buraco desvia pela EM1242 até Cacela Velha (povoado romano abrangendo o forte, a igreja e ainda parte da Quinta do Muro; villa com cetárias na Praia da Manta Rota), continua pela EM1242 por Ribeira do Junco, Quinta de Baixo, Baleeira e Alto do Morgado, cruza a linha férrea e segue sob a EN125 até Conceição (vestígios romanos junto do topónimo viário Calçadinha, possível mutatio); logo depois cruza a ribeira do Almargem no local da actual Ponte do Almargem em Vila d'El Rei, (ponte antiga mas sem indícios romanos; no capitulo IV da Crónica da Conquista do Algarve como "caminho de Almargem": "(...) e vindo caminho direito por onde chamaõ o almargem acerca donde os moros estavaõ(...)" (Agostinho, 1792:245; Rodrigues, 2004:43). Daqui seguia para Tavira por Mato de Santo Espírito, Ermida de São Brás e Jardim da Alagoa.

Tavira (vestígios do povoado Turdetano no antigo solar dos Corte-Real, actualmente em fase de escavação e musealização, testemunhando a antiguidade deste aglomerado portuário. O local de travessia do rio Gilão/Séqua em época romana seria entre a Travessa de Asseca e a Capela de Ns. da Piedade, junto da Fonte da Praça e da antiga Porta da Vila, cerca de 70 m a montante da ponte actual dita "romana", mas que é seguramente uma construção muito posterior; a calçada que partia da margem do rio terá sido destruída com o desenvolvimento urbano de Tavira, devendo seguir junto do campo de jogos e da muralha por Bela Fria até ao nó viário do Alto do Cano, de onde partia uma via para norte rumo a Mértola. A partir do Alto do Cano a via terá sido destruída pela construção da linha férrea, mas deveria seguir paralela à rua Sebastião Leiria até ao Alto da Estação, local a cerca de 20 milhas de Faro. Continuava depois pela rua de São Pedro até próximo da EN125, onde toma o estradão em terra que passa junto das Quintas de Santo António e São Pedro rumo a Pedras d'El Rei (onde há notícia de existência de um troço calcetado e de uma possível villa), entrando na cidade romana de Balsa pela calçada da Quinta do Arroio.

BALSA (Quinta de Torre de Aires) (a área urbana da cidade romana situa-se a sul de Luz de Tavira, abrangendo a Quinta das Antas e a Quinta de Torre de Aires)

BALSA a OSSONOBA m.p. XVI
A via romana cruzava a área urbana e seguia a norte da colina do Pinheiro rumo ao santuário da Fonte Santa em Livramento, desviando em Arroteia da EN125, seguindo na direcção de Moncarapacho pela chamada "Estrada da Berlenga", trajecto que segue entre Areias e Maragota rumo a São Gião e daqui à Igreja de Moncarapacho (o Museu Paroquial de Moncarapacho guarda muito do espólio romano da região). Continua por Murteiras e Lagoão (EN369) rumo à Igreja Paroquial de Quelfes para logo depois cruzar a ribeira de Marim na Ponte Velha de Quelfes (ponte antiga, mas não de construção romana). Daqui seguia para Faro por Montemor, Brancanes, Queijeira, Belmonte, Bela-Curral, Vale de El-Rei e Areal Gordo, cruza o rio Seco (talvez a montante a ponte actual e a norte da villa portuária de Amendoal/Garganta; necrópole) e segue junto da Ermida de São Cristóvão (villa em Vale de Carneiros, junto do campo de futebol da Penha), entrando em Faro pela Estrada de São Luís (act. 2021; Rodrigues, 2004; Fraga da Silva, 2005; Bernardes, 2011).

Faro (OSSONOBA) (cidade portuária ocupando a área de Vila-Adentro; a entrava no actual o centro urbano até à Ermida de São Luís, ponto inicial para a contagem miliária e de onde partia também a via para São Brás de Alportel. Entrando na malha urbana pela zona do Mercado Municipal rumo à Capela do Pé da Cruz, atravessando a grande necrópole entre o largo das Mouras Velhas e a rua Alcaçarias, seguindo depois pela rua do Bocage para entrar na cerca medieval pela Porta do Repouso até atingir o Largo da Sé. Um outro eixo seguia para poente pela rua Filipe Alistão e rua Serpa Pinto até ao Largo de São Sebastião (Bernardes, 2011:18). A igreja assenta no local da milha zero para a contagem miliária do troço seguinte de Faro a Alcácer do Sal)
Mapa
Alvalade


ITINERARIO XXI - Faro (OSSONOBA) - Castro da Cola (ARANNIS) - Alcácer do Sal (SALACIA) m.p. CXXV
OSSONOBA
ARANNIS
SALACIA

m.p. LX
m.p. XXXV
A partir de Ossonoba o Itinerário XXI seguia por Loulé, Querença e Salir, transpondo depois a Serra de Mú até ao Castro da Cola, onde se deverá localizar a mansio de Arannis, onde cruzava o rio Mira. Seguia depois por Garvão, povoado romanizado onde deveria existir uma mutatio por um caminho referido na Carta de Doação de uma herdade no termo do extinto concelho de Marrachique no ano de 1260 como «Semedarium qui venit de Garvam et vadit al Algarbium» (Viana, 1960; Carvalho, 2009; Feio, 2009; Ponte, 2012).

Faro (OSSONOBA) (a via partia da necrópole do Largo São Sebastião, onde apareceu uma necrópole, seguindo junto da sepultura da Horta dos Fumeiros até chegar a Pontes de Marchil, continuando talvez paralela à EN125 por Patacão e Vale da Venda)
São João da Venda (m.p. V; possível mutatio; cruza o IC4 e segue aproximadamente a rota da EN125-4 por Esteval, Alfarrobeira, Goncinha)
Loulé (m.p. X; estranhamente sem vestígios romanos para além de uma ara votiva a Diana de proveniência duvidosa que apareceu na torre da Igreja Matriz de São Clemente, CIL II 5136, actualmente no MNA)
Querença (m.p. XVI; nó viário; a via continua a poente da povoação pela Azinhaga da Portela que sobe até à Nora de Pombal, onde toma o caminho de terra que cruza a rua da Eira junto do Monte dos Avós; continua pelo «Caminho do Borno», cruza a ribeira da Chapa e segue pela Portela de Vale de Alcaide para cruzar as Ribeiras da Salgada e do Sêco, seguindo depois próximo do povoado de Palmeiros (20 m.p.) e por Fonte Morena, Fonte do Ouro, CM 1102, junto do cemitério)
Salir (m.p. XXIII; necrópole em Torrinha; ara votiva a ...URNICUS no Museu de Loulé)

De Salir a Castro da Cola (ARANNIS) pela Serra de Mú m.p. XXXVI
A partir de Salir a via iniciava a difícil transposição da serra, seguindo junto da villa de Torrão, Alcaria, Alcaria do João e Pé do Coelho, ascende ao Alto da Malhão e continua pela EM1239 junto do Monte de Carvais de Cima (30 m.p.), Alto da Cruz, cruza a ribeira o Vascanito e segue por Éguas, Alto do Guincho, conflui na CM1148 que segue pelo Alto dos Três Moimentos até ao Alto de Mú; continua pelo CM1198 e Alto de Feiteira, onde toma o caminho à esquerda (CM1198:2) pelo Monte Novo da Estrada, Portela da Cruz (junto a Brunheira), Portela das Moreias, Alturas do Carvalhete (40 m.p.), Alturas do Semino, Alto dos Carriços, Corte das Cruzes, Monte das Cruzes, Alto da Boavista, Portela do Brejinho, Corte da Azinheira, Monte da Estrada, cruza a A2 e segue por Estaço (50 m.p.; possível referência a uma estação viária tipo statio, a 10 milhas do Castro da Cola), Monte da Alcaria Alta, Corte Formosa, Monte das Figueiras, Monte do Pego (passando a poente da villa do Monte da Hortinha da Abóbada), Portela do Lobo (cruza o IC1), Monte das Lajes, Monte Novo da Estrada, Portela da Carreira, Monte do Seixo e Alto do Azinhal.

Castro da Cola (ARANNIS) (m.p. LX; mansio e civitas no povoado adjacente à travessia do rio Mira e sede do extinto concelho de Marrachique; esta fortificação com origem na Idade do Ferro apresenta fortes sinais de romanização justificando a existência de uma statio neste ponto estratégico da rede viária entre o Algarve e o Alentejo. André de Resende transcreve uma inscrição proveniente daqui mencionando um tribuno da Legião X Gémina; depois de cruzar o rio, segue por Queimado do Telhado, Serro do Seixo, Monte da Bicada, Monte do Castelejo, Monte das Sismarias, Fonte da Corcha, cruza a EM1130 no Monte do Saraiva, e continua por Monte da Estrada, Monte Novo da Estrada, Monte da Corcha, onde apareceu a estela funerária de Boutia, seguindo daqui rumo a Garvão pelo caminho entre as ribeiras da Morgada e dos Cachorros que margina os fundi das villae de Zuzarte e da Herdade dos Franciscos, onde apareceu um busto em mármore e uma invulgar estela funerária de um emigrante Bracarus, oriundo do Castellum Durbede, actualmente no Museu do Garvão.

Garvão (mutatio a XII milhas de Arannis, junto do povoado da Idade do Ferro romanizado no Cerro do Castelo, sobranceiro à local de travessia da ribeira de Garvão que seria junto da Capela de São Sebastião, seguindo depois pelo Monte Novo da Piedade, Alto de Reipires, Monte da Crimeia Velha, onde apareceu o epitáfio de Licinius Fuscus, Montes de Corte Preta e Corte Branca, a nascente da aldeia de Santa Luzia, cruza a EN263 e segue pelo Monte de Vale de Alconde e Quintas, onde cruza a linha divisória entre os concelhos de Ourique e Odemira, continuando por um caminho actualmente destruído entre o Monte do Carvalhal e o Monte do Brejo (topónimo viário), seguindo depois por Alto dos Peneireiros cruza o CM1079 e entra no CM1079-1 pelo Alto das Fornalhas, servindo este troço novamente de divisão concelhia, passando pelo Alto do Carvalhal, Alto da Corredoura e Alto do Pombal até Alvalade; ao longo deste trajecto sucedem-se os vestígios de povoamento romano, em particular villae nas proximidades do rio Sado: uma estela funerária junto da estação CF de Montenegro, o epitáfio de Letondo no lugar de Courela, a villa de Torre Vã, o vicus? da Horta de São Romão e a importante villa da Herdade da Defesa)

Alvalade (mutatio a XXXII milhas de Arannis; o topónimo Alvalade deriva do árabe «al-valadi» ou «al-balat», no sentido de «estrada» ou «caminho calcetado/empedrado»; este importante nó viário teria um vicus ocupando a área do cemitério e está associado à travessia do rio Sado em «Porto Beja» / «Porto Ferreira», em particular a via este-oeste de Santiago do Cacém a Beja e Mértola e a via sudoeste-nordeste que deriva deste Itinerário XXI rumo a Évora por Torrão e Alcáçovas; notícia de duas «pedras cilíndricas com letras», possíveis miliários, uma na «Várzea de Alvalade» e outra na Herdade da Defesa; Feio, 2009)

De Alvalade a Alcácer do Sal (SALACIA) pelas Minas do Lousal m.p. XXXV
A partir de Alvalade o Itinerário XXI seguia directo a Salacia percorrendo um total de XXXV milhas. A rota romana poderá coincidir com a antiga «Estrada Real» que passava junto da importante exploração mineira do Lousal, caminho, caminho descrito no «Roteiro Terrestre») passando pelas albergarias de «Bairros», «Nisa» e «Val de Guizio» rumo a Alcácer do Sal. Partindo da Igreja da Misericórdia em Alvalade (onde foi colocado o enorme peso de lagar proveniente da villa do Monte da Defesa), a via seguia pela actual rua de Lisboa rumo à Ponte Medieval sobre da Ribeira de Campilhas (antiga ponte reconstruída no século XVI com possível origem romana), continuando depois paralela à linha férrea pelo Monte da Ameira, Monte Branco (necrópole) e Monte da Mal Assentada até à aldeia de Ermidas-Sado que contorna pelo lado poente rumo a Faleiros, cruza a ribeira de Corona e continua pelo interior das Minas do Lousal para cruzar a ribeira de Lousal junto do chamado «Castelo Velho de Lousal» (provável fortificação romana controlando esta passagem da ribeira junto da ponte da actual da linha férrea; aqui seria a estalagem de «Bairros»), continuando depois pelo Monte da Rocha, Alto do Cabeço do Seixo, Alto da Encruzilhada (cruza a EN259) rumo à travessia da ribeira de Grândola junto do Monte de Anisa (antiga albergaria de «Nisa»; vestígios romanos de uma possível mutatio), continua pelo Alto do Brejo Redondo, Alto da Fresta, Lagoa Salgada, servindo aqui de divisória concelhia, Vale Ceisseiro e Vale de Guiso, cruza a ribeira do Arcão, seguindo por Arapouca (forno) rumo a Alcácer. A distância entre Alvalade e Alcácer por este caminho é de cerca de 35 milhas conforme indicado no Itinerário XXI.
Mapa
ITINERARIO XXI - Alcácer do Sal (SALACIA) - Évora (EBORA) m.p. XLIV
SALACIA
EBORA

m.p. XLIIII
O troço seguinte entre Salacia e Ebora numa distância de 44 milhas corresponde à via de Alcácer do Sal a Évora descrita no âmbito do Itinerário XII de Lisboa a Mérida, seguindo pela margem direita da ribeira de Sítimos até Santa Susana, continuando depois junto da Herdade de Água d'Elvira dos Padres rumo ao Monte dos Tabuleiros, e daqui por Tourega até Évora, totalizando 44 milhas.

Mapa
Rio Xarrama


Sitima




Torre do Lobo




ITINERARIO XXI - Évora (EBORA) - Serpa (SERPA) m.p. LV
EBORA
[Ad Anas]
SERPA

[m.p. XL]
m.p. XIII
A partir de Serpa o Itinerário XXI desvia da rota para Mérida rumo a Serpa. No entanto, a distância indicada de treze milhas é manifestamente insuficiente para percorrer o trajecto entre estes pontos. Esta incongruência sugere a existência de uma quebra na sequência de estações neste itinerário, sendo, portanto, as treze milhas referentes a outro local que não Évora. Assim, também não é possível afirmar com segurança que exista uma via directa de Évora a Serpa. Mário Saa seguido por outros autores têm proposto um trajecto por Portel, Veracruz e Marmelar, cruzando o Guadiana no Porto da Orada. A ser assim, então as treze milhas indicadas seriam referentes à travessia do Guadiana que se encontra sensivelmente a essa distância. No entanto, os escassos vestígios romanos ao longo desta rota colocam dúvidas nesta proposta de percurso. A via seguia possivelmente a divisória do concelho de Portel, atendendo à referência à via que venit de Elbora pro ad Serpam na demarcação do termo de Portel em 1258, seguindo pela Herdade do «Garduxo», «São Bento de Pomares» e «portel conelia», portela na Serra da Fasquia situada talvez entre Mendro e Bilharins (Bilou, 2000:159). Este caminho percorre a linha de festo que separa as bacias do Sado e do Guadiana, permitindo um percurso praticamente «a seco» rumo a Pedrogão e ao Porto da Orada (act. 2022; Carta Arqueológica do Concelho de Évora; Saa, 1958, 62-64; Bilou, 2000, 2000a, 2005:69-70; Carneiro, 2009, 104; Feio, 2010).

De Évora (EBORA) a Serpa (SERPA) por Portel
A parte inicial poderia ser comum à via para Beja, desviando no Porto da Camoeira para sudeste seguindo próximo do Monte da Torre de Lobo (dois possíveis miliários e mais dois fragmentos junto do casario do monte), continuando por Monte dos Castanhos, Feijoas de Cima, Herdade do Garducho, cruza a ribeira da Passada e segue junto do marco geodésico do Alto da Eira dos Pomares até Portel.

Portel (m.p. XXX; seguia talvez próximo do topónimo Atalaia e do povoado sidérico do Alto do Outeirão com ocupação no período Republicano, também conhecido por «Outeirão da Murada»; daqui segue por Laranjeiras/Zambujeiro, Monte do Ferro e Monte de Matraque até Portel, talvez a milha XXX)
Vera Cruz (m.p. XXXVI; vicus?; a igreja assenta num mosteiro visigótico; a via passaria talvez a poente da povoação)
Marmelar (m.p. XLI; necrópole; villa? vicus?; continua talvez próximo da necrópole da Herdade da Casa Branca, onde apareceu a inscrição sepulcral de Misinius Phanstianus; CIL II 9 = IRCP 432)

Variante pela Ponte do Xarrama
Gabriel Pereira dá notícia da existência de um troço calcetado logo à saída de Évora junto da Horta do Bispo (Pereira, 1948:296-335) seguindo em direcção à «Ponte Antiga» sobre o rio Xarrama, estrutura medieval que poderá ter origem romana, continuando pelo Monte da Sitima e Monte de São Marcos da Abóbada, atendendo aos possíveis fragmentos de miliários junto das casas do Monte (Bilou, 2004:69). Saída da cidade pela calçada pela Horta do Bispo, Bairro de Ns. do Carmo e Monte da Barbarrala Nova rumo à Ponte Antiga do Xarrama (continua pelo Monte da Chaminé, altos da Vigia e da Barroqueira, a nascente de Monte do Zambujal do Conde em direcção ao Monte de Sitima (possível miliário e mais 3 fragmentos junto à casa do monte). Daqui seguia para nascente cruzando a ribeira de Souséis e continua em calçada para Maceda/Alto do Marco, onde surgem mais 4 fragmentos de miliários anepígrafos junto do marco geodésico). Continua pelo Monte de São Marcos da Abóbada, passando a sudoeste de Torre de Coelheiros junto da importante villa romana da Abóbada situada a 12 milhas de Évora e por isso eventual mutatio. Seguia depois pelos limites da Herdade da Torre do Lobo, cerca de 3 km a nascente da sua torre medieval, pelo Alto do Seixo, entre Monte dos Frades e Monte da Carrapateira. Continua a sudoeste de Torre de Coelheiros, passando no Outeiro do Salto/Alto do Casqueiro e por Feijoas do Ramos, local onde apareceu tégula junto do sugestivo topónimo «Poço da Estalagem». Pouco depois entronca na variante anterior que vinha pela Camoeira.
Mapa
ITINERARIO XXI - SERPA - FINES - ARUCCI - Beja (PAX IULIA)

SERPA
FINES
ARUCCI
PACE IULIA
m.p. XIII
m.p. XX
m.p. XXV
m.p. XXX
Esta parte final do Itinerário XXI é a que coloca mais questões devido às incertezas que rodeiam a localização das estações intermédias, Fines e Arucci. «Fines» tem sido associada ao limite nascente do conventus Pacensis, no entanto, a sua localização ainda não reúne consenso; as propostas oscilam entre Paymogo (Caro, 1634:203), Corte Messangil (Lima, 1951, 194), Sobral de Adiça (Saa, 1964, IV, 171) e Vila Verde de Ficalho (Sillières, 1990, M.C. Lopes, 2000). Consequentemente, também continua incerta a localização da estação seguinte, Arucci, sendo que este povoado estaria, segundo o Itinerário, a 25 milhas de Fines e a 30 milhas de Pax Iulia. Como é óbvio, o esclarecimento deste «puzzle» teria um grande impacto no entendimento do povoamento romano nesta área porque tanto Fines como Arucci eram estações viárias com relevância regional a ponto de serem referidas também na Cosmografia do Anónimo de Ravena.

A problemática localização de FINES e ARUCCI
SERPA, FINES e ARUCCI no Ravennatis
A Cosmografia do Anónimo de Ravena apresenta a seguinte sequência civitates na descrição da «Spania»: «Item super fretum Septem sunt civitates, id est, Bepsipon, Merifabion, Caditana Portum, Asta, Serpa, Pace Iulia, Mirtilin,...» (Rav.IV.43). As três primeiras deverão corresponder aos principais portos romanos ao longo da costa Bética, nomeadamente Baesippo (Barbate?), Mercabulum (Ruinas de Patria, Conil de la Frontera?) e Gades (actual Cádiz); Asta deverá corresponder ao povoado romano na actual povoação de Mesas de Asta, a cerca de 40 km para norte de Cádiz; a partir daqui são mencionadas as civitates já em território nacional, com a sequência Serpa (Serpa), Pax Iulia (Beja) e Myrtilis (Mértola), sem no entanto mencionar Fines ou Arucci. No entanto, estes são mencionados mais adiante ao descrever as civitates da Betúria Céltica, indicando a sequência «Onoba, Urion, Aruci, Fines, Seria» (Rav. IV.45) que já apresenta alguma similitude com o percurso descrito no Itinerário XXI. Alguns autores (por ex. Sillières, 1990) leram nesta sequência as estações da via que ligava Huelva a Beja, "corrigindo" a última estação para Serpa. Apesar de inspirado no itinerário, o Ravennatis limita-se à listagem de povoados por regiões, sem uma sequência viária, fragilizando a hipótese de Fines e Arucci serem estações intermédias do eixo viário Serpa-Hispalis. Por outro lado, um percurso passando em Urion/Urium (muito provavelmente o importante complexo mineiro das Minas de Riotinto e povoado mineiro romano da «Corta del Lago») obrigaria a um desvio da rota ideal para Beja passando por Paymogo (act. 2022).

ARUCCI na Epigrafia
Inscrição a Agripina
[IV]LIAE AGRIPPINA[E]
[...] CAE[SA]RIS • AVG •
GERMAN[I] [CI] •
MATRI • AVG • N
CIVITAS ARVCCITANA
Esta famosa inscrição dedicada a Agripina colocada pelos habitantes da Civitas Aruccitana que se encontrava no Convento das Freiras Dominicanas em Moura (actualmente no Museu Municipal) constitui a única referência epigráfica a Arucci que chegou aos nossos dias, sendo por isso um monumento essencial para a sua localização. A actual povoação de Moura assenta sobre um importante povoado da Idade do Ferro, possivelmente um vicus durante a época romana (Resende, 1593:172; Lima, 1988:69-70). No entanto, segundo um testemunho de Ambrosio de Morales na «Cronica General de España» de 1574, a pedra terá sido encontrada «entre la vila de Mora y la sierra de Aroche tierra de Sevilla» (Morales, 1574: IX 266). No entanto, um ano depois escreve no seu «Antiguedades de España» que «esta piedra se hallo en la sierra de Aroche, la qual confina con Portugal, y llevose a Mora, lugar pequeño que esta allí junto» (Morales, 1575:101; Germain, 2016:324-329). Deste modo, ficou estabelecido desde o século XVI que a "pedra" apareceu na Serra de Aroche ou nas suas cercanias de forma a manter a equivalência Arucci=Aroche (Encarnação, 1989:157, 1998:37-38, 2007, 358-361; Canto, 1997:136; Bermejo, 2016).


Inscrição a Paulina
M(arco) Atterio Paulina M( arci) f(ilio)
qui tumultuario Bethicae
bello asurgen(te)
multa pro rep(ublica) Aruccit(ana)
5 bel(lo) retinen(da) fortiss(ime)
gess(erat). Aruccitani Vet(eres)
et Iun(iores) opt(imo) civi
Inscrição a Hércules
Herculi deo
invicto et reip. Aru-
ccitanae patrono
stat. aeream
secund. Thebani templi tro-
ph. Aruccitani d. d.

Outras inscrições da Civitas Aruccitana
Ambrosio de Morales refere mais duas epígrafes também gravadas em pedestais de estátuas que mencionam a Republica Aruccitana, supostamente encontradas na área de Aroche, mas que foram classificadas como falsas por muitos autores (Canto, 1997:145). A primeira é honorífica e foi colocada pela Republica Aruccitana a Marco Atterio Paulina em agradecimento pela sua acção durante uma guerra (CIL II 100; Canto, 1997:145, nº 4) e a segunda é uma dedicatória ao invencível Deus Hércules, patrono da Republica Aruccitana (CIL II 99; Morales, 1575:101; Canto, 1997:369). Apesar das dúvidas sobre a veracidade dos textos, tudo indica que estas inscrições formariam um grupo monumental simbolizando o poder administrativo da civitas, no mesmo local da inscrição a Agripina, ou seja, Moura. Aliás, esta hipótese parece ser confirmada nas Memórias Paroquiais da Freguesia de Santo Agostinho (Moura), especificando que o pedestal de Paulina apareceu junto ao Ardila, numa courela do convento das carmelitas junto a Porto Mourão. Assim, tudo indica que todas estas inscrições apareceram de facto em Moura e não a Aroche, local do qual dista mais de 70 km(!).

ARUCCI em Moura?
A descoberta da inscrição de Agripina em Moura vinha de certo modo pôr em causa a tradicional associação de Arucci a Aroche, o que terá levado Morales a inventar uma localização a meio percurso, na Serra da Aroche, de forma a integrar o seu território. No entanto, esta incongruência não passou despercebida ao seu contemporâneo André de Resende que no intuito de resolver a questão acaba por propor a existência de duas civitates, uma designada por Arucci Nova, localizada em Moura, e outra designada por Arucci Vetus localizada em Aroche, apoiando-se numa interpretação errada da inscrição de Agripina onde leu na última linha N.(ova) Civitas Aruccitana (Resende, 1593:171-172). Esta leitura da letra "N" como abreviatura de nova foi já questionada por Hübner que corrigiu para N(ostrae) (CIL II 963), sendo hoje mais consensual a alternativa N(epti)(...) segundo proposta de José d'Encarnação, pelo que a personagem representada seria Agripina a Maior, neta do Imperador Augusto e mulher Germânico, sendo portanto a inscrição datada em torno do ano 37 d.C. (1989:157-160).

ARUCCI em Aroche?
A associação de Arucci com a povoação de Aroche foi sendo cristalizada na tradição historiográfica do país vizinho desde o século XVI, muito influenciada pela similitude fonética. No entanto, os dados disponíveis actualmente contrariam liminarmente esta hipótese dado que não se conhece níveis de ocupação do período romano na actual povoação que terá sido fundada apenas no século XI ou XII (Canto, 1997:136; Pérez Macías et al., 1999:198; Campos Carrasco et al., 2013:116). Para contornar o problema, propôs-se a sua associação com o importante sítio romano em torno da Ermida de San Mamés (Llanos de la Belleza), 3 km a norte de Aroche. No entanto, esta povoação não apresenta vestígios pré-romanos pelo que a sua associação com Arucci é assim problemática. Procurou-se então associar Arucci a um dos povoados pré-romanos das imediações, ou no sítio romano da Fuente Seca, mas nenhum dos argumentos apresentados parece validar qualquer destas propostas (act. 2022).

FINES em Messangil?
Para além da referência a Fines no Itinerário de Antonino e do «Ravennatis», não se conhece outra referência a este povoado, estando omisso na epigrafia. Fragoso Lima situou esta estação junto à Fonte de São Miguel em Messangil onde apareceram várias epígrafes e restos de edifícios, dispersos por uma área de 5000 m2. Pierre Sillières considera que se trata de uma mutatio da Via Beja-Aroche, posicionando Fines Vila Verde de Ficalho, baseando-se na distância aproximada de 20 milhas a Serpa (Sillières, 1990), enquanto Conceição Lopes propôs que esta servia antes uma via norte-sul de Moura a Vila Verde de Ficalho (M. C. Lopes, 2000:74-75). De facto tudo aponta para existência de uma estação viária nesta área. A primeira referência ao sítio surge no século XVI por André de Resende como um «semidirutum oppidum, ad pagum quem uocant Vallemuargi», ou seja «uma povoação semidestruída junto à aldeia a que chamam Vale de Vargo» tendo registrado uma das quatro inscrições de ali viu, junto da desaparecida Ermida de São Miguel (Resende, 1593:173).

FINES em Paymogo?
Em 1634 Rodrigo Caro publica no seu «Antigüedades y Principado de la ilustrísima ciudad de Sevilla» o achamento de uma inscrição funerária "no lexos de la villa de Paymogo, yendo yo camiñado por el móte" (Caro, 1634:203), sugerindo Fines poderia estar nas proximidades. Em 1862, Eduardo Saavedra retoma a proposta de Caro no terceiro apêndice do seu famoso discurso diante da «Real Academia de la Historia» na sua qualidade de «Engeniero de Caminos», dizendo que "Debió estar en un punto cerca de Paimogo, donde se han hallado antigüedades y es una entrada muy concurrida de Portugal." (Saavedra, 1862:93). De facto a vila de Paymogo está situada numa antiga estrada para Portugal, sendo aliás a única estrada assinalada entre a Andaluzia e Portugal no mapa dos «Reynos de España e Portugal» elaborado por Jean Baptiste Nolin em 1766 (ver aqui). A estrada cruzava Rio Chança/Chanza junto da «Casa de Bertolo», rio que servia e ainda hoje serve de fronteira entre Portugal e Espanha, e muito provavelmente, também da províncias da Lusitânia e da Bética em período romano. Este importante eixo viário servia as explorações mineiras das proximidades (em Vuelta Falsa, Grupo Malagón, Paymoguillo el Viejo, La Romanera e La Sierrecilla do lado espanhol e Serro de Ouro e São Domingos do lado português). No entanto, não dispomos de qualquer dado que permita a sua associação a Fines para além da situação fronteiriça desta passagem do Chança (act. 2022).

Viae ab ARUCCI
Mapa
Moura (Arucci?)
Os vestígios encontrados em Moura indiciam a existência de um aglomerado urbano secundário construído sobre um anterior povoado da Idade do Ferro. Necrópoles romanas no Bairro das Sete Casas e em São Sebastião. A sua importância como nó viário advém da sua posição estratégica, articulando as ligações a norte (por ex. Évora e Monsaraz) com povoações a sul como Beja, Serpa, Mértola e mesmo Sevilha. É possível que corresponda à estação de Arucci mencionada no Itinerário e sede da Civitas Aruccitana. No entanto, a descoberta de quatro selos de dolia do período alto-medieval com o possível topónimo LACALTA e a inscrição: «Eclesiae Sanctae Mariae Lacaltensis Agripi» (Canto, 1997), parece sugerir uma mudança de nome nesse período. Um selo idêntico foi encontrado noutro dolium a cerca de 10 km, no Monte da Salsa (Brinches), presumivelmente do mesmo fabricante sediado em Moura (Wolfram, 2011). O Museu Municipal de Moura (actualmente encerrado!) guarda importante espólio recolhido por Fragoso Lima em meados do século XX, incluindo o miliário de Corte do Alho e a ara funerária de Priscilla, originária de Pax Iulia. As duas necrópoles romanas do povoado, Bairro das Sete Casas e São Sebastião, poderão indicar as saídas das respectivas vias.
Mapa
Évora (EBORA) - Moura (Arucci?) m.p. XLVII
A rota Évora-Moura seguia talvez por São Manços e Monte do Trigo (tesouro de denários no Monte de Pernes, junto à via), continuando depois por Amieira e junto das antas de Chão da Pereira e de Torrejona rumo ao Porto da Moncarxa, onde cruza o rio Degebe. Daqui continuava por Musgos até ao Porto de Évora, onde cruza o Guadiana, seguindo depois para o cruzamento do Ardila na base do Castro de Azougada. Daqui ascendia à povoação de Moura.
Mapa


Moura (Arucci?) - Serpa (SERPA) m.p. XX
Partindo de Moura, a via desviava da EN255 junto a São Lourenço e rumava a sudoeste, seguindo pelo Monte das Sesmarias, Monte Panasco, Monte Branco (villa), Monte da Capela (casal); cruza o Barranco das Amoreiras), seguindo até Pias (lápide funerária de Apolausis na Ermida de Santa Luzia). Continua talvez pelo Alto das Barreira Brancas e Monte Velho dos Canivetes, cruza a ribeira de Enxoé, e segue próximo do Monte da Chilra, junto do qual apareceu um miliário (servindo de limite com a herdade do Monte dos Alpendres de Lagares, actualmente numa casa particular em Serpa), continuando depois pelo sítio romano do Monte da Capela, a oeste da villa de Torre Velha, seguindo depois para Serpa.
Mapa
Moura (Arucci?) - Aroche - Sevilha (HISPALIS)
A via seguia talvez pela Herdade dos Machados onde há notícia de um troço em calçada, continuando próximo da Atalaia da Casinha até Montes Juntos (estela e cupa funerária), continuando por Borrazeiros (villa e necrópole) até à Ermida da Coroada, seguindo depois a margem esquerda da ribeira de Toutalga. Neste troço Fragoso de Lima identificou um miliário em mármore com letras («na extrema da Coroada com o Motum», e próximo da «riquíssima estação do Cabeço Redondo»), fazendo também referência a mais 4 marcos iguais «entre a Coroada e o Monte de José Navas», informação não confirmada. O marco terá ido para Moura onde se perdeu. O local original deverá corresponder ao marco divisório entre as propriedades Motum e Coroada, junto do povoado sidérico do Cabeço Redondo que foi abandonado pelos finais do século V a.C. (Soares, 2012). A via continuava pela Herdade da Negrita (anta; possível mutatio) para a cruzar a Serra de Aroche pelo actual marco fronteiriço designado por Cabeço do Pereira, descendo depois ao vale do rio Chança, onde temos outra possível mutatio no sítio romano de Fuente Seca. Daqui seguia o vale, passando na base do Castelo de Aroche rumo a Sevilha (ver também o itinerário de Beja a Sevilha).
Mapa
Moura (Arucci?) - Beja (PAX IULIA) por Brinches m.p. XXX
Segundo Fragoso Lima a via saía de Moura pelo caminho de terra junto da EN258 que passa nos terrenos do Forte pelo Bairro Oeste nas Encarreiradas e pela chamada calçada da Ladeirinha Branca rumo a Pisões, onde há vestígios de calçada e de uma ponte antiga com possível origem romana sobre o ribeiro de Torrejais (Lima, 1951:188); cruzava depois os olivais de Bogas de Ouro e Farelos, continuando por Pisanto e Brinches rumo à travessia do rio Guadiana no vau de Vale de Brisão/Beirão/Casa da Barca, seguindo depois por Folha do Ranjão (povoado da Idade do Ferro), Baleizão (grande povoado fortificado da Idade do Ferro no Cerro Furado; no Monte do Torrejão apareceu uma curiosa inscrição funerária da filha de Blossius Saturninus, habitante de Balsa, membro da tribo Arniense e natural da Colónia Iulia Neapolis, cidade situada na actual Tunísia junto à moderna cidade de Nebel Kedin, CIL II 105; IRCP 294; na Herdade do Passo do Conde, apareceu a cupa funerária de Verus, FE 686), cruza a ribeira da Cardeira em Porto Peles (vestígios de ponte antiga) seguindo junto da Quinta da Mongeralda em Ns. das Neves rumo a Beja.

Moura (Arucci?) - Beja (PAX IULIA) pelo Porto da Orada m.p. XXX
É possível um percurso alternativo mais directo que cruzava o rio Guadiana no Porto da Orada, continuando depois por Monte das Aldeias, Monte da Rabadoa, Herdade da Barbas de Lebre, Alto da Amendoeira, Monte das Apolinárias, entrando em Beja pelo nó de São Pedro. Este trajecto perfaz cerca de trinta milhas com o Guadiana a meio percurso, sendo essa a distância entre Arucci e Pax Iulia.
Mapa
Vila Ruiva


Vidigueira

Alcácer do Sal (SALACIA) - Torrão - Serpa (Serpa?)
Este itinerário teria um traçado comum à via para Beja, mas após a travessia do rio Xarrama no Torrão desviava desta para nascente, seguindo na direcção oeste-este rumo a Alvito e ao respectivo vicus em São Romão; cruza pouco depois a ribeira de Odivelas na Ponte Romana de Vila Ruiva e segue rumo a Pedrogão onde cruza o rio Guadiana, continuando depois até Serpa.

De Torrão a Vila Ruiva por Alvito m.p. XVII
A via poderia seguir aproximadamente o trajecto da EN383 para o Alvito, passando por Vila Nova da Baronia, onde há vestígios romanos em Sobral das Barras e na Herdade da Mina (Feio, 2010). Em alternativa a via seguiria directo ao Alvito por Mortais, Vale Paraíso de Cima, Cortes Grandes, Cortes Pequenas, Serrinha, Castelo Ventoso, Lanças, Pereiras, Capela de São Bartolomeu e Velórios. A partir do Alvito, a via continuava até à ponte romana sobre a ribeira de Odivelas.
Ponte Romana-Medieval de Vila Ruiva sobre a ribeira de Odivelas (mutatio?)

De Vila Ruiva a Pedrogão por Vidigueira m.p. XXI
Da ponte romana ascendia à povoação de Vila Ruiva, inflectindo aqui para nascente, desviando assim da via para Beja, retomando a orientação oeste-este com que trazia do Torrão; seguia por Vila Alva (cupa anepígrafa na Ermida de São Bartolomeu), Vila de Frades (junto da imponente villa de São Cucufate), Vidigueira (miliário anepígrafo no cruzamento das ruas Hortinha e Caldeireiros), continuando pela rota da EN258 próximo da Horta da Marineta, Monte do Poço Seco, Monte do Zangarilho, Monte do Malheiro, Monte da Ordem, Monte do Peso até atingir Pedrogão.

Pedrogão (possível mutatio na da Horta do Cano; cupa funerária no Monte das Fontes)
Travessia do rio Guadiana (m.p. XLVII; a vau, no chamado Porto da Orada, havendo vestígios romanos na outra margem, sítio referido de Galeados; daqui ascende pelo Monte dos Galeados e da Mina das Azenhas até confluir na estrada actual, EN265, junto do Monte da Várzea)
Brinches (m.p. LI; continua junto da villa do Monte da Salsa, sítio hoje destruído, onde apareceram 3 epígrafes, a cupa funerária com o epitáfio de Valeria Amma, a estela funerária de Valerianus e uma estátua de Esculápio; de seguida cruza a ribeira de Enxoé em Casa Branca e continua pelo Monte da Torre do Lóbio, Monte Capicua, Monte do Manuel Azevedo, Monte da Cerejoa e Horta do Folgão, entrando em Serpa pela rua Serpa Pinto)
Serpa (SERPA) (m.p. LX; mansio; oppidum?; o epitáfio de Mustia assinala colonos originários de Útica, actual Zana, Tunísia)

Viae a PAX IULIA
Mapa
Porto da Lama




Torrão


Alfundão


Beringel


Alcácer do Sal (SALACIA) - Torrão - Beja (PAX IULIA) m.p. L
A via de ligação entre Alcácer e Beja passava na povoação do Torrão onde cruzava o rio Xarrama. Há três miliários atribuíveis a esta via, o miliário de Porto da Lama junto da travessia da ribeira de Sítimos, o miliário do Monte do Olival referido por Resende e o miliário de Valentiniano I e Valente que apareceu junto da villa da Fonte dos Cântaros em São Brissos, a 5 milhas de Beja. Este itinerário deveria desviar da via Lisboa - Alcácer do Sal junto da estação viária dos Albergues, seguindo depois rumo à travessia da ribeira de Sítimos junto do Monte da Arcebispa, onde cruza com a via de Alcácer do Sal a Évora)

Porto da Lama, Santa Catarina de Sítimos (villa romana do Monte da Lama, provável mutatio dado que na área do desactivado campo de aviação apareceu um miliário da Tetrarquia de Constante, Galério, Maximiano e Diocleciano cortado longitudinalmente, actualmente deitado por terra na área das ruínas do depósito de água em Alcácer do Sal, IRCP 671; Faria, 1986; a montante da ribeira há também vestígios de uma villa em Sta. Catarina de Sítimos; seguia depois próximo do marco geodésico de Vale da Água, cruza a ribeira de Alfebre e continua por Bugiada, Monte da Boavista, Malhadas, Carvalhoso, Fonte Videiros, Monte do Vale de Arquinha e Ermida de São Fraústo, passando próximo da Anta da Lapa de São Fraústo)
Torrão (vicus e provável mutatio situada num importante nó viário que articulava as vias provenientes de Salacia e Ebora com a vias rumo ao sul quer a Beja quer a Faro; há vestígios do vicus na área do Centro Escolar e da Fonte Santa e das respectivas necrópoles no Penedo Minhoto e da Capela de Ns. do Torrão; a via entrava na povoação pela chamada «Calçadinha Romana», troço calcetado com cerca de 300 m que conduz à antiga travessia do rio Xarrama, onde poderia existir uma ponte romana e seguia talvez pelo Monte de Vale Paraíso de Baixo, Monte da Fonte Longa, Monte das Soberanas de Baixo, Monte da Ervedosa, Monte das Faias para cruzar a ribeira de Odivelas junto do Monte do Olival)
Odivelas (André de Resende e depois Túlio Espanca referem um miliário no Monte do Olival entretanto desaparecido, atestando a passagem da via a nascente de Odivelas por Monte Outeiro, Penique e Casa Branca, passando a nordeste do fortim romano de Casa Branca que deveria controlar a sua passagem, actual limite concelhio, continuando depois por Moutinho, Vilar e Monte da Caçapa, cruza a ribeira de Alfundão e segue por Monte Rossio e Figueiras até Alfundão, passando próximo das villae de Fonte Boa, Castelo Ventoso e Barranco de Rio Seco)
Alfundão (a via segue pela rua da Estalagem, atravessava a povoação e cruza o Barranco da Aldeia numa ponte antiga com provável origem romana, prosseguindo pelo caminho da Coimeira/Alto de Beja, passando a norte do provável vicus de Vilares/Vilar/Vila Verde/Alto do Pilar, junto do depósito de água, onde poderia existir uma mutatio; continua até cruzar o Barranco do Corvo e a EN387, nas proximidades da villa no Monte do Corvo, onde apareceu um cipo funerário, FE 295)
Peroguarda, Ferreira do Alentejo (seguia a nordeste da povoação próximo do habitat do Monte da Carrascosa, villa do Monte/Malhada da Zambujeira, Habitat de Funchais e Horta dos Coutos)
Beringel (a via passava a norte da povoação, cruzando o rio Galejo na Ponte de Lisboa, hoje submersa pela barragem do Pisão, construção com provável origem romana onde foram reutilizados 2 cipos romanos, talvez provenientes da villa da Herdade da Ponte de Lisboa/Misericórdia, onde apareceu também uma ara a Júpiter)
São Brissos (continua em calçada ao longo da margem esquerda da ribeira de Álamo, cruza o barranco na Ponte Romana? da Fonte dos Cântaros, perto da qual apareceu um miliário de Valentiniano I e Valente, actualmente no Museu de Beja (nr. B-148), associado aos vestígios da villa da Fonte dos Cântaros, continuando pelo Monte da Diabrória, Monte de Arcediago e Lobeira da Horta, entrando na cidade de Beja pela Porta de Évora)

Beja (PAX IULIA; vestígios da via na rua Aresta Branco; decorrem escavações no templo; ara com o epitáfio de Nice, CIL II 59 = CIL II 5186, poder ler-se a palavra VIATO[r; seria o curator viarum da região?; ver Museu Regional de Beja)

  • Ramal de ligação a VIPASCA (Aljustrel) e ARANNIS (Castro da Cola)
    A via para Beja poderia bifurcar logo após a travessia da ribeira de Odivelas junto do fortim romano de Casa Branca, inflectindo para sul rumo a Vipasca, passando a nascente das villae da Herdade da Fonte Boa e Courela dos Alpendres até Ferreira do Alentejo, continuando pela calçada do Monte da Serra (passando a nascente da villa do Monte da Chaminé, 3 km a sul de Ferreira), rumo a Ervidel (villa da Herdade do Pomar), continuando depois próximo das villae de Alcarias 1 e 2, rumo à travessia da ribeira do Roxo junto do «Castelo Velho do Roxo» (grande povoado fortificado da Idade do Ferro romanizado), continuando depois por Corte Margarida até Aljustrel (VIPASCA) (importante couto mineiro designado por Metallum Vipascensis; parte do espólio está actualmente na colecção do Museu Geológico de Lisboa, incluindo a famosa placa de bronze contendo o regime legal da exploração mineira; ver MuMA; o povoado indígena estaria no Morro de Mangancha progressivamente abandonando com a transferência já em Época Romana para o povoado próximo da «Chaminé da Transtagana/ Casa do Procurador», situado junto da Mina de Valdoca, onde há necrópole)

    Esta via poderia ter continuação para sul passando junto da villa de Almeirim (possível mutatio onde cruza com a via de Mirobriga a Myrtilis), continuando depois talvez rumo ao Castro da Cola (Arannis?) onde entronca na rota para o Algarve descrita no Itinerário XXI.
Mapa
Beja (PAX IULIA) - Serpa (SERPA) - Sevilha (Hispalis)
Via romana partindo de Pax Iulia para nascente seguindo por Serpa rumo a Arucci. (Saa, 1967; Sillières, 1990; M. C. Lopes, 1997, 2000).

Beja (PAX IULIA) (sai da cidade pela Porta de Mértola e Falcões pela rua Bento Jesus Caraça, marginando a villa da Quinta da Abóbada, continua pelo CM1045 pelo Bairro de São João, Tanque dos Cavalos, Horta de Todos e Alcoforado, seguindo depois pelo CM1046)
Padrão (alusão a miliário?; topónimos viários «Monte da Estrada» e «Monte da Ponte»; continua pelo Monte do Zambujeiro e ao longo da margem do Barranco da Azinheira/ de Quintos, passando próximo do Monte Alto)
Quintos (ara dedicada à Deae Sanctae, actualmente no Museu de Évora; cruza a ribeira da Cardeira em Pisões e segue próximo da villa do Monte do Corte Piorno)
Travessia do rio Guadiana no Vau da Guinapa (sobe as ladeiras do Guadiana e acompanha o Barranco da Amendoeira por Horta do Farrobo, Monte do Farrobo, Horta da Chaminé, Horta da Barca, Marreira e Calçada da Bemposta, nas traseiras da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural, entrando em Serpa pelo caminho de terra que passa a sul dos silos da Quinta do Fidalgo)
Serpa (SERPA) (mansio; oppidum?; a via continuava aproximadamente pelo percurso da EN517 e marginando várias villae e casais, como Monte de Santa Justa, Cidade das Rosas, Horta da Alcaria, Maria da Guarda, Monte da Laje, Capela de Santo Estevão e Monte Alto, Meirinho, Figueiras, atravessa a Herdade da Abóboda onde apareceu uma ara votiva a Júpiter e logo depois cruza a ribeira de Enxoé em Vale de Vargo)
Vale de Vargo (provável mutatio na Herdade de Corte de Messangil; junto da Fonte de São Miguel Finis apareceram 4 aras, sendo uma delas o epitáfio de Masculus, originário de Turibriga; segundo Mário Saa continuava pelos «planaltos do Pocinho do Mota e Fernão Teles», cruzando a linha divisória entre os concelhos de Serpa e Moura dirige-se para «Portela do Álamo»)
São Pedro da Adiça (sítio romano do Gargalão, junto da vetusta Igreja de São Pedro, a cerca de 3 km a norte da actual povoação de Sobral da Adiça)

Itinerário para Sevilha (HISPALIS) por Aroche
Esta via continuava para o actual território espanhol por Aroche rumo a Sevilha, continuando talvez por Cortegana («Camino de los Molinos»), Almonaster la Real (por Calabazares e La Corte e depois sensivelmente paralela à N-435), Santa Eulalia (Vama?) (a ermida reutiliza um edifício romano com o podium e partes das paredes ainda visíveis; segue para a travessia do rio Odiel na Puente Vieja junto do Embalse de Odiel- Perejil, da qual restam alguns vestígios, seguindo depois próximo do topónimo viário Ventas de Arriba), Campofrío, La Granada de Río-Tinto, Peroamigo, Arroyo de la Plata, El Cañuelo e El Garrobo até entroncar via Mérida - Sevilha próximo de Las Pajanosas, a cerca de 16 milhas de Sevilha. Esta via passa a norte da importante exploração mineira de Río-Tinto e presumível localização de Urium, assentamento referido por Ptolemeu.

Itinerário para Mérida (EMERITA) por Badajoz
Continuação da via para norte seguindo para a travessia da ribeira de Toutalga junto da junto da Ermida da Coroada, passando na base do sítio romano de Vila Ruiva. Depois de cruzar a ribeira seguia por Santo Amador (epitáfio da Pacense Modesta) rumo à travessia do rio Ardila junto desta povoação. Continuava talvez a sudeste de Granja, cruzava a ribeira de Guadalim e seguia pelo Alto da Meada para cruzar a ribeira de Alcarrache (derivando talvez do topónimo viário «Carrache», carreiro) rumo a Villanueva del Fresno; aqui toma o «Camino Viejo de Alconchel», percorrendo 12 milhas até Alconchel (3 estelas funerárias) e mais 12 até Olivença, passando próximo da Finca da Villavieja (epitáfio de Calvus e Proculus) e Finca de Escarramón (epitáfio de Aquilia Severa). A partir de Olivença a via cruzava a Ponte de Ramapallas e seguia a leste de São Francisco de Olivença próximo da Igreja Visigótica de Valdecebadar (ara a Silvano), cruza a ribeira de Olivença no «Puente Viejo», continuando depois sob a estrada actual por Venta de Sevilla rumo a Badajoz, entroncando na via para Mérida proveniente de Lisboa.
Mapa
Beja (PAX IULIA) - Serpa (SERPA) - Huelva (Onuba)
Itinerário de Beja a Huelva cruzando o rio Chança para Paymogo, continuando por Gibraleón até Huelva, o porto de Onuba, localizado no estuário formado pela confluência dos rios Odiel e Tinto.

O trajecto de Beja a Serpa está descrito no âmbito do Itinerário de Beja a Sevilha. A partir de Serpa a via desvia para sudeste pela rota da actual EN265, passando junto ao Monte do Peixoto e não muito longe do Monte da Tapada, onde apareceu uma ara, seguindo em direcção a Santa Iria (villa em Romeirinha, onde apareceu uma inscrição funerária e uma ara dedicada à Dea Medica; cruza depois na ribeira de Limas e segue pela Herdade da Corga da Fonte, Monte Carapetal, Monte do Topo, Alto da Perdigoa e Monte da Mó onde reencontra a EN265, seguindo pelo Alto do Vale de Milhados até ao Alto das Fontainhas (nó viário a norte da aldeia de Vales Mortos, onde poderia existir uma mutatio dado que este local se encontra a 12 milhas de Serpa; continua pela CM1096 na direcção SE até ao sítio de São Marcos, junto do antigo posto da Guarda Fiscal, descendo depois ao rio Chança pela Fonte dos Contrabandistas para cruzar o rio junto à Casa do Bertolo e actual fronteira luso-espanhola. A partir daqui dirigia-se a Paymogo (m.p. XXV; povoado mineiro em Paymogo el Viejo, onde Fragoso Lima encontrou uma inscrição; estaria associada às explorações mineiras de Paymoguillo el Viejo, Grupo Malagón, La Romanera e La Sierrecilla) e depois de cruzar o rio Malagón seguia talvez por Puebla de Gusmán (minas), Alosno, São Bartolomé de la Torre, rumo à travessia do rio Odiel em Gibraleón e daqui ao porto romano de Huelva (ONUBA).

ITER XXII - Item ab BAESURIS per compendium PACE IULIA m.p. LXXVI
Mapa
Mértola








ITINERARIO XXII - Foz do Guadiana (BAESURIS) - Mértola (MYRTILIS) - Beja (PAX IULIA) m.p. LXXVI
Item ab BAESURIS
per compendium
PACE IULIA

MYRTILIS
PACE IULIA


m.p. LXXVI
m.p. XL
m.p. XXXVI
No Itinerário XXII de Antonino esta rota é chamada de «per compendium», ou seja pelo caminho mais curto, perfazendo um total de 76 milhas até Beja, cerca de 121,6 km, o que corresponde aproximadamente à actual distância entre a Foz do Guadiana e Beja, distinguindo assim do Itinerário XXI que também seguia para Beja, mas por uma rota muito mais longa e que interligava as principais cidades romanas do litoral algarvio e alentejano. Neste itinerário há apenas uma estação intermédia situada em Mértola, constituindo o mais importante porto fluvial no hinterland alentejano pelo que é muito provável que a etapa inicial do itinerário se fizesse por via fluvial, até porque se trata de uma das principais rotas comerciais do período romano, possibilidade defendida por Jorge de Alarcão (188b:101; contra Mantas, 1997a:315; Guerra, 2006; Fraga da Silva, 2002 e 2005; Rodrigues, 2004; M. C. Lopes, 2006; Pérez Macías, 2018). A possibilidade de uma via terrestre ao longo da margem direita do rio carece de validação arqueológica e teria de percorrer um terreno extremamente acidentado, continuamente cortado pelos afluentes do Guadiana. Acresce que as 40 milhas indicadas no itinerário não andam longe da distância por via fluvial entre Mértola e a paleo-foz do Guadiana em período romano. O povoamento parece também confirmar esta via fluvial, dado que em geral os vestígios romanos concentram-se maioritariamente nas margens do rio, formando pequenos ancoradouros dispostos ao longo do trajecto. Alguns destes locais como a chamada "villa" do Montinho das Laranjeiras poderiam funcionar como estações fluviais do mesmo modo que as mutationes nas vias terrestres. Este facto parece confirmado pela própria marcação miliária que acerta com estes locais, sendo que alguns apresentam ocupação bem anterior, como é o caso das fortificações sidéricas do Cerro do Castelinho dos Mouros (a 26 milhas de Mértola, onde há vestígios de um fortim romano Republicano) e no povoado do Castelo de Alcoutim (a 20 milhas de Mértola). Aliás, a importância deste último local advém da sua localização, precisamente a meio-caminho (20 milhas) entre a paleo-foz do Guadiana e Mértola. A partir de Mértola, a via percorria 36 milhas até atingir Beja, cruzando a ribeira de Terges talvez junto do povoado romano do Mosteiro, onde deveria existir uma pequena estação viária. Alguns autores como Mário Saa, Vasco Mantas e mais recentemente Francisco Bilou fazem passar a via pela rota da EN122 por Algodor e Vale de Açor, cruzando a ribeira de Terges junto da ponte actual, continuando depois por Alfarrobeira, Marco Quebrado, Picamilho, Falcões e Misericórdia rumo a Beja (artigo aqui). Este caminho apresenta de facto um trajecto mais suave e mais curto, mas é difícil aferir a sua antiguidade.
Neste contexto importa referir que o I.A. refere um outro itinerário partindo também da foz do Guadiana, o Itinerário XXIII intitulado «Item ab Ostio fluminis Anae Emeritam usque» que seguia rumo a Sevilha, inflectindo para norte próximo dessa cidade (em Italica, seguindo depois rumo a Mérida. Mais uma vez se verifica no I.A. que não se trata de vias independentes, mas um agrupamento de vários troços para formar um grande itinerário. Ao contrário do que se tem afirmado, um trajecto junto ao litoral rumo à primeira estação, Onuba (actual Huelva), não nos parece viável. A linha de costa no período romano obrigava a via a seguir primeiro para nordeste até Praesidio (24 milhas, talvez em Villanueva de los Castillejos), seguindo depois por San Bartolome de la Torre e Gibraleón, onde cruza o rio Odiel, seguindo depois para Huelva, a antiga Onuba (farol romano sob o Convento da Las Agustinas). O itinerário tomava depois a direcção de Sevilha passando em Illipla (Niebla), mais 20 milhas, e Tucci (Tejada la Nueva; mais 22 milhas), seguindo para nascente até entroncar na via N-S que ligava Sevilha a Mérida. Neste importante nó viário, a 18 milhas de Tucci, viria a ser construída uma cidade denominada por Italica da qual subsistem grandiosos vestígios. Daqui poderia seguir para sul, ligando ao porto fluvial do Guadalquivir em Sevilha (cruzando o rio no local da «Ponte das Barcas de Triana»), ou rumar a norte em direcção a Mérida percurso que é descrito neste itinerário (act. 2021).

Foz do Guadiana (BAESURIS) a Mértola (MYRTILIS) m.p. XL
O trajecto fluvial até Mértola é bordejado por sítios romanos relacionados com esta rota comercial, que por sua vez tinha ligação terrestre ao interior rico em minérios. Seguindo o Guadiana para norte, temos sinais de povoamento romano em ambas as margens, coincidindo com a distância percorrida em milhas, em Los Santos (m.p. IV), El Rocín (m.p. VII; sigillata; fortim?), Santa Ana (m.p. VIII), sigillata), Los Baños (fornos de ânforas), Foz de Odeleite (m.p. IX; milha 10 na divisão concelhia), Álamo (m.p. XI; fortim, barragem romana, villa e necrópole, onde apareceu uma estátua de Apolo), Guerreiros do Rio (m.p. XII), Montinho das Laranjeiras (m.p. XII; villa sobranceira ao rio; visitável; possível mutatio a 12 milhas de Baesuris), Castelinho dos Mouros (m.p. XIII; fortim), Vale de Condes (m.p. XVII; necrópole) e Casa de la Cerva/Estero del Buey (m.p. XVIII; sigillata).

Alcoutim (m.p. XX; o castelo assenta sob um povoado fortificado romanizado; continua por via fluvial passando junto dos sítios romanos de Lourinhã, Premedeiros, Enxoval, Puerto de la Laja, Pomarão, Cabrassada e Barranco do Azeite)
Mértola (MYRTILIS) (m.p. XL; oppidum; porto fluvial; o carácter comercial da cidade atraiu colonos do norte de África como atesta o epitáfio de Peregrinus, originário de Útica, actual Zana na Tunísia).

Mértola (MYRTILIS) a Beja (PAX IULIA) m.p. XXXVI
Mértola (a via partiria do Rossio do Carmo, junto do Museu da Basílica Paleocristã, onde se observaram vestígios de calçada e uma necrópole, e seguia pelo Cerro do Furadouro sob a EN122, desviando desta pela EN510 para Corte Gafo de Cima, passando no Monte de Vale Covo, antiga albergaria da estrada real mencionada no «Roteiro Terrestre» situada a 4 milhas de Mértola)
Corte Gafo de Cima (cruza a aldeia e segue por Atalaia e Alto da Légua)
Monte do Mosteiro (povoado romano e provável mutatio relacionada com a travessia da ribeira de Terges; continua pelo Monte de Demangas e Herdade de Barbas de Gaio)
Vale de Russins/Rocins (continua talvez pelo Monte de Vale Loução de Baixo, Monte da Atalaia por estradão rectilíneo até ao Monte da Lagoa)
Salvada (entra pelo cemitério e continua pela rota da EM511, passando próximo do Monte de Mértola)

Beja (PAX IULIA) (chegava à cidade pelo Tanque dos Cavalos/Bairro de São João, marginando a villa da Abóboda e entrava na antiga malha urbana pela Porta de Mértola, demolida em 1876 e posteriormente transladada para a Igreja de Ns. da Conceição onde ainda se encontra)

Aliis ITINERIBUS

Mapa
Outros Itinerários Romanos
O Itinerário de Antonino menciona apenas uma pequena parte da rede viária romana, existindo muitos outros percursos interligando os principais pólos de povoamento, formando uma rede intrincada de estradas que cobriam praticamente todo o território nacional. Os itinerários apresentados seguem grosso-modo uma sequência geográfica de norte para sul.

Viae ab BRACARA
Mapa
Agrela


Ponte da Barca


Azere


Portela


Troporiz


Monção


Itinerário de Braga a Monção por Arcos de Valdevez (XLIX m.p.)
A velha estrada medieval de Braga a Monção corresponde a um importante eixo viário S-N que ligava o rio Cávado ao rio Minho pelo Vale do rio Vez. O caminho já seria utilizado em época romana apesar da ausência de miliários, funcionando como uma alternativa paralela à via principal para Valença. A existência de várias pontes ao longo do seu percurso construídas na Alta Idade Média atestam a importância que este percurso teve nesse período, mas não sabemos ainda se alguma delas já existiria em época romana como é o caso da ponte sobre o rio Cávado em Vila Verde, mencionada num documento do ano 960 como ponte petrina (in PMH DC 81), a Ponte de Ázere que apresenta marcas de fórfex e o típico aparelho almofadado embora subsistam dúvidas sobre a sua datação, e a Ponte de Vilela sobre o rio Vez que é mencionada já em 1258 nas «Inquirições» de D. Afonso III (PMH Inq. 388). Partindo de Braga, a via seguia então por Vila Verde, Arcos de Valdevez e Portela do Extremo rumo à travessia do rio Minho junto a Monção; a via poderia cruzar o rio Minho em três pontos, todos a jusante de Monção: um no lugar da Barca, outro junto do antigo povoado de Cortes/ «Monte Santo» e o terceiro junto da Torre Medieval de Lapela; uma destas variantes cruza o rio Gadanha em Troporiz na chamada Ponte da Calçada, construção algo atípica eventualmente com origem romana dado utilizar silhares almofadados no seu único arco; no entanto, tal como na Ponte de Azere, esta técnica construtiva foi também utilizada em épocas bem mais recentes pelo que a sua cronologia permanece incerta. (Almeida CAF, 1968; Marques, 1984; Almeida CAB, 2005); apresentam-se ainda algumas dos possíveis percursos antigos na região de Melgaço e Castro Laboreiro.

Braga (a saída da cidade, tal como o Itinerário, fazia-se talvez pela porta noroeste, na confluência da rua Frei Caetano Brandão com o edifício do Patronato da Sé, actual Praça Conselheiro Torres Almeida; seguia depois sob a actual rua de São Martinho até Dume; continuando depois por Espeçande, Gontijo, Alminhas da «Sra. das Travessas», lugar do Assento, talvez a milha 3, Aldeia, Paço de Palmeira e Lamela, vencendo a milha 4 junto da Capela de Santo António)
Travessia do rio Cávado (a referência a uma ponte petrina neste local no ano 960 indicia uma possível cronologia romana desta travessia, PMH DC 81; o «Nicho do Sr. do Rio» assinalava o local de passagem, mas foi entretanto transladado para junto da Capela da Sra. dos Milagres; na outra margem subsiste o topónimo «Lugar do Barco»)
Itinerário de Vila Verde a Portela de Vade
Partindo do rio Cávado, seguia talvez por Lagoa, Felinho, 6 ª milha na divisão de freguesias, Giestal, Cruzeiro da Venda e Lampadela, onde vencia a milha 7; continua pela actual Av. Cruz do Reguengo que passa junto do novo complexo desportivo, onde vencia a 8ª milha; continua pelo estradão que passa junto da Quinta de Fundevilla para cruzar a ribeira do Tojal na Ponte Românica de Sabariz; cruza o CM1199 e segue pela rua da «Via Romana» até à Capela de São Bento; cruzava a EN308, actualmente cortado e segue pela junto da pouco depois vencia a milha 9 junto do Cruzeiro, na divisória entre freguesias; daqui segue pelo CM1200 por Cantinhos, Paço e Lajes, onde vencia a 10ª milha; continua pela EM531-3 por Mouriz, cruzando a ribeira de Tojal num pontão feito de grandes lajes, onde vencia a 11ª milha; daqui ascendia a Pico de Regalados, onde subsiste o edifício da albergaria de São Cristóvão, junto da Capela da Senhora da Salvação; continua por Vinhais e Barral até à igreja e alminhas de Pico, onde vencia a 12ª milha, distância típica entre estações viárias pelo que aqui poderia haver mutatio; daqui seguia pelo CM1210, junto da Igreja Matriz e lugar do Outeiro, confluindo depois na EN101 até atingir Portela de Vade.

Rio Vade (a estrada actual segue pela margem direita do rio Vade, obrigando à sua travessia na Ponte Medieval da Agrela; este caminho poderá ser posterior como parece comprovar o topónimo «Venda Nova» na outra margem; deste modo o trajecto na época romana seria antes pela margem esquerda, cruzando o rio Fervença em Veiga, local onde vencia a 19ª milha; daqui ascendia a Permedelos em direcção ao lugar de Crastro, na 20ª milha, e Cachada na 21ª milha)
  • Termas de Caldelas: a sua utilização durante a época romana está atestada pelo achado em 1803, durante a construção do actual edifício, de duas aras votivas dedicadas às Nymphas, divindades associadas ao culto das águas; actualmente estão depositadas nos jardins do Hotel da Bela Vista; outros achados como necrópole e alguns fustes de colunas parecem apontar para a existência de um local de culto.
  • Achados romanos nas proximidades
  • Castro de Caldelas: não muito afastado desta via existe um importante povoado castrejo conhecido por Citânia de São Julião de Caldelas, onde apareceu uma estátua guerreiro, sinal da sua relevância
  • Na elevação conhecida por «Os Castros» em Aboim da Nóbrega, apareceu uma ara votiva colocada por Flavinus talvez à divindade Belso.
  • Na Casa da Pousada em São Tomé de Vade apareceu uma estela com inscrição a Meducea.
Ponte da Barca (o topónimo refere-se à barca que cruzava aqui o rio Lima; a ponte medieval foi construída no século XIV; povoado no Outeiro de Santar; o exacto local de travessia do Lima é incerto, mas é provável que esta se fizesse um pouco a jusante da ponte actual, junto à foz do Vade, evitando assim a travessia deste na Ponte Medieval que ali existe)
Arcos de Valdevez (cruzado o rio Lima, a via poderia continuar por Cerdeirinhas, Igreja de Oliveira, milha 25, Alminhas do Barral, Alminhas do Paço, milha 26, cruza o lugar de Morilhões e desce à travessia do rio Ázere passando próximo do Paço de Giela, importante estrutura medieval com vestígios de uma anterior ocupação romana, eventual mutatio; na vizinha Quinta do Real apareceram duas inscrições funerárias; seguia talvez pelo «Caminho do Paço», vencendo a milha 27 junto do Cruzeiro)
  • Ázere: aqui existia um convento junto da actual Igreja Paroquial; o Castro de São Miguel-o-Anjo, situado num outeiro dominando esta travessia, com sinais romanização como as aras a Lalaecus (?), actualmente no Museu Pio XII em Braga; mais a poente temos outro castro romanizado, o Castro das Eiras, também chamado Monte Castro ou Castro de Vilar.
Ponte Romana?-Medieval sobre o Rio Ázere (silhares com marcas de fórfex indiciam uma possível origem romana; continua pelo «Caminho da Ponte Velha» e «Caminho da Pedra Chão» por Bouça, Porta, Couto e Pedreira, onde vencia a milha 30 e actual divisória entre freguesias; continua pela actual EN202-2 junto da Capela de Castro e cruza a ribeira de Cabanas)
Gondoriz (m.p. XXI junto à Igreja; continua por Zebra, Gerei, São Cosme e Damião; na Igreja de São Pedro em Sá apareceu uma ara dedicada a «Soli Invicto»; outra ara anepígrafa foi descoberta nas proximidades; na outra margem do Vez situa-se o castro romanizado de Anhó/Reboreda em Santa Vaia de Rio Moinhos, de onde será proveniente a ara à divindade «Carus Conservatori» que apareceu na capela de São Cipriano ou do Cidrão, actualmente no MNA)
Vilela (cruza o rio Vez na Ponte Medieval; continua por Choças, cruza o ribeiro Frades e segue por São Martinho, Alto do Castro e Portela de Vez, onde vencia a milha 37; daqui segue +- a EM505 por Frades)

Portela do Extremo (m.p. XXXIX nas alminhas; nó viário e eventual mutatio)

Após a Portela do Extremo a via poderia dividir-se nos seguintes itinerários rumo ao Rio Minho:
  • Itinerário a Monção por Moreira: no lugar da Venda em Extremo, corta recto pela rua da Coutada de Baixo, seguindo a vertente poente do monte até Cova da Loba, atravessa o rio da Gadanha e segue por Rio Bom, milha 41, e Chim; continua junto da Capela de Santo Estevão, a milha 42, e depois por Tariz e Sande, onde vencia a milha 43; daqui continua pelo caminho da Covela, Venda e Cidade, topónimo relacionado com vizinho povoado do Outeiro da Torre, na base do qual cruzava o rio do Vale; seguia depois junto da Igreja de Moreira onde vencia a milha 44; continua pelos lugares de Prados, Parentela, Cheira, Brejoeira e Eirado, onde cruza a EN101 e continua por Breia e Igreja de Requião (Santa Cruz) e Igreja de Mazedo, onde vencia a milha 47; daqui seguia para a travessia do rio Minho por Pegadeira e Boavista rumo ao topónimo «Barca», junto a Monção, entre Quinta das Vianas e Lodeira (Almeida, 2005), ou seguir por Cruzeiro, Chão do Marco e Quinta da Portelinha rumo ao povoado do «Monte Santo»/«Subidade» em Cortes, situado entre Ribeiras e Bergela (Marques, 1994).

  • Itinerário a Monção por Troporiz e Ponte da Calçada: esta variante derivava da anterior entre Rio Bom e Chaim, cruzando o rio Gadanha na «Ponte Pedrinha» em São João da Portela; seguia depois a margem esquerda deste rio (+- a EM507), passando por Lapa, Capela da Sra. da Agonia, Cristelo, Pias (EM506, EM502 até ao campo de futebol), continua por Motas, Soalhosa, Souto (CM1088 destruído pela criação da zona industrial), cruza o rio Gadanha na Ponte da Calçada (pedras almofadadas no intradorso do arco, mas sem marcas de fórfex; serão romanas ou mais recentes?), continuando depois para a travessia do rio Minho nas proximidades de Cortes (Almeida CAB, 2005).
    • Ligação a Lapela, derivando da anterior na zona entre Pinheiro e Motas, descendo depois pela Quinta da Serra e Quinta de São Lourenço até à Torre Medieval de Lapela, estrutura medieval que controlava esta local de travessia do rio Minho, subsistindo na outra margem o topónimo «Barca» (Almeida CAB, 2005); é muito provável que este ponto de travessia já fosse utilizado no período romano.
    • Variante por Longos Vales: também poderia existir uma outra via por Longos Vales rumo ao rio Minho, seguindo entre a Citânia da Cividade no Monte Castro e o Castro de São Caetano (vestígios romanos no Mosteiro de São João), descendo depois a Monção ou a Bela para cruzar o rio Minho.

Monção (m.p. XLIX; o antigo povoado seria no chamado «Monte Santo» junto da grande necrópole de Cortes; registou-se também actividade mineira nas proximidades)

  • Ligação de Monção a Melgaço: não é segura a sua utilização em período romano, podendo ser já uma criação medieval, interligando diversos povoados que antes se relacionavam através do rio Minho; de Monção seguia para Troviscoso (talvez pelo caminho vicinal que passa em Reiriz, margem do rio Minho, onde apareceu um cipo funerário, uma ara votiva e uma estatueta de um homem togado), passaria depois próximo dos castros romanizados do Monte Redondo e de Cristêlo, cruzando a ribeira de Silvas nas Poldras, continua por Bela, Barbeita (Castro romanizado no Monte de Ns. da Assunção), Ponte Medieval de Mouro, Ceivães, Valadares, Sá (Castro romanizado da Sra. da Graça; topónimos Portela e Albergaria; 2 aras), Penso (Monte do Castro), Paderne (Cividade), Ponte Medieval sobre a ribeira de Folia (junto das Termas do Peso), Remoães e finalmente Melgaço. Esta via poderia continuar para a Galiza saindo da povoação pelo Bairro da Calçada, EN301, e passando junto da Capela de São Julião e na Igreja Românica de Ns. da Orada rumo à travessia do rio Trancoso na Ponte Velha de São Gregório, entrando por aqui no actual território Galego, local onde entronca na via descrita abaixo.
Mapa
Naia

Itinerário de Braga a Areias de Vilar
Há vestígios de uma via antiga que saía de Braga pela «Calçada de Naia» ligando ao porto fluvial de Areias de Vilar no rio Cávado.

Braga (partindo do forum no Largo Paulo Orósio, seguia pela rua de São Sebastião, aproximadamente a decumanus, marginando o anfiteatro e a necrópole de Maximinos, seguindo depois pela rua Direita, rua Padre Cruz e rua da Naia)
Ferreiros (continua pela chamada «Calçada da Naia», troço da via que ainda conserva o lajeado por 337m, contornando o Monte de São Gregório, onde apareceu tégula associada a um possível casal romano; o caminho passa numa capela em ruínas a cerca de uma milha de Braga)
Gondizalves (continua entre caminhos florestais até à rua Monte da Amarela, perdendo-se o seu rasto daqui à rua da Venda)
Sequeira (continua pela antiga estrada Braga-Barcelos pelo sopé sul do Castro romanizado do Monte das Caldas, CM1322, seguindo pelos topónimos viários, Venda e Pousada, continuando pela rua das Caldas, rua Cabrita, Calçada da Cabrita, onde há marcas de rodados da chamada «Estrada Velha», continuando pela Viela da Seara até ao ribeiro; daqui a Porto Martim a via desapareceu, mas é possível que seguisse entre campos agrícolas do lugar de Corgas e depois pela rua de Mondinhos, rua Padre Moreira, cortada pela A3, e Av. Sr. dos Passos, cortada pela A11)
Porto Martim (m.p. IV, junto da linha divisória entre Braga e Barcelos; topónimo indicia um porto fluvial)
Martim (villa ou mutatio na área da igreja; a via passa a norte da actual EN103 Braga- Barcelos pela rua da Estrada Real, passando em Martim de Além, rio Labriosque, junto da Capela de Santo António na m.p. V, e no lugar da Venda)
Encourados (m.p. VI; continua pela rua da Estrada Real, CM1079, marginando a villa ou mutatio? da Casa do Adro, lugar do Assento, a 6 milhas de Braga)
Areias de Vilar (vestígios romanos nas proximidades do rio Cávado indiciam a existência de um porto fluvial, em particular o povoado romano em Aveleiras, de onde terá vindo a ara da Igreja de São João Baptista; necrópole na Capela de Sta. Maria Madalena e tégula na Capela São Sebastião; a travessia do Cávado poderia fazer-se junto do topónimo Bouça da Barra, passando para Manhente)

Alternativas a partir do Porto de Areias de Vilar:
  • Por via fluvial ao longo do rio Cávado até à sua foz em Esposende para depois seguir por mar rumo à Galiza (Morais, 2005).
  • Continuar por hipotética via terrestre ao longo do rio Cávado, seguindo a EM556 por Adães (calçada; topónimo «Estrada Velha», na milha 8 a Braga) e Sta. Eugénia de Rio Covo (villa ou mutatio? em Assento) até Barcelos e daqui a Fão cruzando na Barca do Lago/Outeiro dos Picotos com a karraria antiqua proveniente de Cale (Morais, 2005).
  • Rumar a norte em direcção a Ponte de Lima, cruzando o rio Cávado na Bouça do Barco ou no Vau de Manhente, continuando depois rumo à Ponte do Anhel onde cruzava o rio Neiva pelo itinerário descrito a seguir (Almeida CAF, 1968).
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Neiva


Itinerário de Areias de Vilar a Ponte de Lima pela Ponte de Anhel
É provável que da travessia do Cávado no vau de Areias de Vilar/Manhente partisse uma via romana rumo a Ponte de Lima atravessando o rio Neiva na Ponte do Anhel, via denunciada pelo povoamento romano ao longo do seu trajecto e pelas várias referências toponímicas tal como «pousada» e «breia». Partindo de Manhente (Assento), seguiria algures por Sta. Maria de Galegos e Roriz, passando no sopé da Citânia de Roriz/Cidade de Canhoane da Alto do Facho (topónimo «Breia» em Quiraz; tégula na igreja de Roriz e na igreja São Pedro de Alvito; ara Eberonius e ara a Bandue, num pilar do lagar da casa paroquial em São Martinho de Alvito), continuando por Alheira (atalaia em São Lourenço; povoado no Monte de Lousado; topónimo «Fonte da Breia»), para ir atravessar o rio Neiva junto da Ponte de Anhel (Adel na documentação medieval, tal como a sua cronologia), seguindo depois um traçado próximo da EN306 por Friastelas (Castro do Calvário) até Ponte de Lima.

Item BRACARA AUGUSTA a AUGUSTA EMERITA
Mapa


Sande




Campelos




Negrelos


Vizela


Espindo




S. Vicente


Braga (BRACARA) - Mérida (EMERITA)
O Itinerário de Antonino não menciona uma rota entre estes dois importantes centros urbanos como eram Bracara e Emerita. Na verdade, não existe uma via estruturada como tal pois o itinerário utiliza diversas vias independentes. O itinerário partia de Mérida e seguia até Cáceres pela «Via de la Plata», rumando daqui para noroeste rumo à Ponte Romana de Alcântara, onde cruzava o rio tejo, entrando pouco depois em território português através da Ponte Romana de Segura (Idanha-a-Nova), ambas mantendo grande parte da estrutura original, continuando até ao assentamento de Torre de «Centum Cellas» (Belmonte). Neste local a via bifurcava, seguindo um ramo para norte por Guarda, Mêda e Freixo de Numão rumo à travessia do rio Douro junto ao Vesúvio enquanto outro seguia para poente transpondo a Serra da Estrela. No cimo da serra voltava a bifurcar, seguindo um ramo por Folgosinho até Viseu, e daqui ao litoral, em última instância, ligando Mérida ao mar, enquanto outra via dirigia-se para noroeste seguindo por Linhares e Ponte de Juncais/Mondego rumo também ao vale do Douro na zona da Régua. Daqui seguia por Santa Marta de Penaguião, Cotorinho e Campeã para a travessia da Serra do Marão, cruzando depois o rio Tâmega a montante de Amarante. Também é possível um itinerário alternativo por Viseu, Cárquere, Tongobriga e Braga, com 3 miliários a assinalar o trajecto da via entre o rio Douro e o rio Tâmega - «Carreirinha», Soalhães, Freixo e Tuías. A parte final deste itinerário seguia pela Ponte do Arco em Felgueiras, Ponte de Campelos (Guimarães) e São Martinho de Sande (miliário) rumo a Braga. As duas variantes do Itinerário de Braga a Mérida aqui proposto é descrito nas seguintes etapas:



Braga (BRACARA) - Guimarães - Douro
A parte inicial do percurso deveria cruzar a Serra da Falperra para São Martinho de Sande onde apareceu o tal miliário; no entanto, este é um trajecto com fortes pendentes pelo que não podemos descartar uma alternativa contornando a serra pela vertente sul seguindo por Esporões:
  • Itinerário por Esporões: partindo do Largo de Maximinos em Braga, seguia pela rua Peão da Meia Laranja e rua Felicíssimo Campos para cruzar o rio Este na «Ponte Pedrinha» (alusão à antiga ponte com presumível origem romana; continua pela rua dos Presidentes até entroncar na EN309, vencendo a primeira milha junto das Alminhas); continua por Mouta e Estrada, onde sai da EN309 e segue a direito pelo CM1333-2 por Boucinha, Ventosa, Capela, cruza a ribeira do Barral e continua por Mosqueiros e Quinta para Esporões (terceira milha no lugar de Além?); passa junto da Capela de Ns. da Caridade e segue por Bocas (ara a Júpiter no adro da igreja); em Trandeiras continua talvez por Bouça da Cruz, Morreira e Balazar até São Lourenço de Sande onde conflui na variante pela serra.
  • Itinerário pela Serra da Falperra: Partindo da porta sudeste da antiga Bracara seguia próximo da Necrópole da Rodovia ou da Necrópole de São Lázaro na zona da actual Quinta do Fujacal, actualmente muito alterado pela Av. da Liberdade, até São João da Ponte, onde fazia a travessia do rio Este; continuava junto da Fonte e Capela de Santo Adrião (m.p. I) por Devesa e Espadanido; entrando na freguesia de Fraião (possível miliário na capela, suportando o altar), seguia por Calçada dos Padres, Fonte Seca, Boavista, vencendo a m.p. II no entroncamento com a EN309, junto das alminhas; daqui ascende à serra pelo caminho de terra paralelo à EN309 até à Serra da Falperra (castro do Monte Sta. Marta das Cortiças); cruza o santuário junto da Igreja de Sta. Maria Madalena, onde venceria a milha III e inicia a descida da serra até Longos (m.p. IV; troços lajeados na descida para Carvalheiras/Laje), continuando pela rua Outeiro de Oleiros e rua Duas Vendas, junto do topónimo Quinta da Carreira, até ao sítio da «Estrada Velha», onde conflui na outra variante.

São Lourenço de Sande (m.p. V; do sítio da «Estrada Velha» seguia por rua Cimo de Vila/Lapa marginando as sepulturas medievais dos «Quatro Irmãos»)
São Martinho de Sande (m.p. VI; em 1855 apareceu um miliário de Trajano na casa paroquial, CIL II 6214, actualmente no MSMS com o nº 78; aparentemente na linha final indica 4 milhas pelo que o seu local original poderia ser na área de Longos; a via segue pela rua Quatro Irmãos e rua Vinhas, cruza a EN101 junto do cemitério de Burgão e continua pela rua do Cruzeiro da «Casa da Mogada», onde existe um habitat romano)
  • Ramal de ligação a Caldelas / Taipas: em Pontes poderia atravessar a ribeira de Paus e seguir segue por Lameiras e Alvite rumo às Caldas das Taipas, onde no século XIX apareceram vestígios de um complexo termal, logo soterradas, associado a um vicus (Ara de Trajano, imponente penedo junto da igreja com inscrição honorífica a Trajano; ara votiva às Ninfas).
São Clemente de Sande (m.p. VII; continua pela rua Trás do Rio e em Vieite toma o caminho da Torre)
Vila Nova de Sande (m.p. VIII na igreja; rua do Falcão, rua de Santarém, na Igreja Paroquial toma o caminho de Lajes, passa a asfalto na travessa das Cruzes, continua por Souto e desce ao rio pela rua 10 de Junho)

Ponte Romana de Campelos sobre o rio Ave, São João da Ponte (m.p. IX; imponente ponte romana com 4 arcos com muita da sua construção original ainda intacta; estalagem medieval também mencionada no «Roteiro Terrestre» com possível origem numa mutatio)
  • A ponte é referida num documento do ano 957 e noutro de 1059 como «ponte petrina» (PMH DC 71; PMH DC 420); neste último documento surge também uma referência à via romana como «strata maior»; num documento do ano 924 de doação de terras em Portela dos Leitões também é referida uma «uia antiqua» e uma «carrariam maiorem»; «uia antiqua et uadit post in porte de Goncado. et inde per carrariam maiorem que uadit a ecclesiam sancti martini» (VMH LXIII); próximo, na Igreja de Brito, apareceu uma ara votiva.
  • Após cruzar o Ave na ponte romana, a via continua por Silvares, atendendo à referência a uma «carreira antiqua» num documento do ano 1079 (PMH DC 570), seguindo pela base do castro de Sta. Eulália por Venda do Porco/Capela do Sr. dos Aflitos (milha X), cruza a A11 e segue por Costa, Corgo (milha XI), Carvalhais, Cruz (cemitério), atravessa o rio Selho talvez entre Mouril e Rebôto (milha XII) para pouco depois dividir-se nas 3 rotas para o rio Douro descritas abaixo.
  • O Museu Martins Sarmento em Guimarães guarda o miliário de São Martinho de Sande pertencente a esta via e mais 5 miliários encontrados na periferia de Braga, os 2 exemplares da Ponte do Prado pertencentes à Iter XIX - Braga-Valença, o miliário da Quinta de Germil, e ainda mais 3 miliários que estavam na Quinta do Cravinho, nomeadamente o miliário de Caracala e Cómodo, o miliário de Constantino Magno indicando 36 milhas, regravado no tempo de Constâncio II e o miliário de Valentiniano e Valente. Para além dos miliários, o museu tem uma vasta colecção epigráfica, das quais destacam-se as seguintes: ara à divindade CORONVS, nº 25, achada no «Campo de Pinheiros» (Serzedelo), talvez proveniente do povoado da «Cidade de Pedrauca», assim como a ara a Júpiter, nº 48, achada na Casa Paroquial; ara NYMPHAE LVPIANAE de Tagilde, nº 32; ara NYMPHAE, nº 50, achada em Guimarães, na rua 5 de Outubro).

As 3 rotas de Guimarães ao rio Douro (Porto / Eja / Aregos)
A possível existência de três travessias do rio Vizela em época romana (na Ponte Romana de Negrelos em São Martinho do Campo, na Ponte «Romana» das Caldas de Vizela e na Ponte Romana do Arco de Vila Fria) sugerem que a via dividia-se pouco depois da travessia do Ave na Ponte de Campelos, seguindo pela primeira rumo a Cale (Porto), pela segunda seguia rumo a Anegia (Eja) e pela terceira seguia para a Tongobriga (Freixo) e daqui à Barca de Aregos, todos estes antigos pontos de travessia do rio Douro; esta última rota poderia corresponder ao itinerário principal para Mérida dado passar nesta importante cidade romana e pela existência de uns poucos miliários pontuando o seu trajecto rumo ao rio Douro.

    Rumo ao Porto (Cale) pela Ponte de Negrelos
    Os silhares almofadados com marcas de fórfex da Ponte de Negrelos sobre o rio Vizela em São Martinho do Campo, atestam a existência de uma ponte anterior na via romana para Cale e que funcionava assim como ramal do eixo Braga-Mérida que seguia sudoeste da cidade de Guimarães; «ponte lapidea» num documento do ano 983 (VMH XVII); «ponte de auizella» num documento de 1059 (PMH DC 420); ver itinerário no sentido inverso na Via Cale a Vimaranis.
      Outras ligações a partir da Ponte de Negrelos:
    • Rumo a sudeste em direcção a Lousada, seguindo por Vilarinho (tesouro), Burreiros, Costeira, Mosteiro, Estrada, Paradela e Lustosa, onde entronca na Via Guimarães-Vizela-Penafiel.
    • Rumo a Paredes e Castro de Vandoma, de encontro à Via Cale - Tongobriga, seguindo para sul por Arnozela, Escorregoura e São Mamede de Negrelos, passa na vertente leste do Castro do Monte do Socorro por Portelas, Lamoso (ara votiva a Turiaco na igreja paroquial, actualmente no Museu de Sanfins; dólmen; pela rua do Progresso e da Corredoura, cruza a EM513-4 em Vista Alegre), Eiriz (segue por Adosinde entre os rios Eiriz e Carvalhosa e próximo da necrópole de Isqueiros; rua da Boavista, Cales), Meixomil (necrópole em Bouçós/Devesa Grande, na base dos Castros da Vila e de Busto), segue por Marco e atravessa o rio Eiriz em Sobrão e continua para Frazão (povoado no lugar do Crasto, actual São Brás, com necrópoles em Santa Maria Alta, São Brás e Boavista), atravessa o Rio Ferreira na Ponte de Vila Boa da Arreigada (rua dos Ferradores e da Calçada) e segue para Paredes por São Martinho e Aboim (topónimo rua da Ponte Romana).
    • Rumo a Baltar por Paços de Ferreira, rota que desvia da anterior e segue por Codessos, Raimonda (Povoado de São Pedro), Figueiró, Freamunde, a leste de Paços de Ferreira (junto do povoado de São Domingos), continuando por Sobrosa, Cristelo, Vila Cova de Carros até entroncar na Via Cale - Tongobriga em Baltar.

    Rumo a Penafiel por Caldas de Vizela (Oculis Caldarum) (XX m.p.)
    Este itinerário seguia na direcção do vicus Oculis Caldarum situado junto das actuais Caldas de Vizela, onde cruzava o rio homónimo; daqui segue pelo concelho de Lousada rumo ao vicus de Magnetum em Meinedo, importante povoação romana e antiga sede de um bispado suévico, continuando depois até Santa Marta em Penafiel onde encontrava a via proveniente de Cale a Tongobriga, podendo continuar para sul rumo à travessia do rio Douro em Eja/Entre-os-Rios, marginando o notável Castro Romano do Monte Mozinho (Mendes-Pinto, 2008:49-51; Sousa, 2012). Este itinerário poderia derivar do Itinerário Braga - Mérida talvez junto da Igreja de Santo Amaro em Mascotelos. Seguia depois junto do povoado do Monte de Lijó na Polvoreira, continuando por Bouça da Quinta para Infias (topónimo Quinta da Carreira), seguindo depois a meia encosta pelas ruas do Caniço, do Carvalhal, das Veigas, do Bacelo e da Vinha atendendo à inscrição votiva ao Genius Laquiniensis, actualmente no MSMS com o nº 36 que apareceu na rua do Aidro junto do lugar de Sub Carreira, topónimo viário que indicia a passagem da via na base da Igreja de São Miguel junto do cemitério até desembocar na zona urbana de Vizela.

    Caldas de Vizela (OCULIS CALDARUM) (vicus termal; duas inscrições a Bormanicus, denunciam o culto a esta divindade termal, uma apareceu no sítio da Lameira, actual Praça da República, actualmente no MSMS, nº 23, e outra provém do Banho do Médico em Mourisco, também no MSMS com o nº 22; duas inscrições votivas a Júpiter e a desaparecida inscrição da Quinta do Sobrado dedicada a várias divindades entre elas Mercúrio; lápide votiva às Nymphis Lupianis, divindade aquática, encontrada no passal da Igreja de Tagilde, actualmente no MSMS com o nº 32)
    Ponte Medieval de Vizela sobre o rio Vizela (31 m; construção medieval não havendo indícios de uma ponte anterior romana; na outra margem segue pela rua Joaquim Sousa Oliveira até Cruz Caída onde entronca na EN106)
    Sta. Eulália de Barrosas (segue a rota da EN106 por Portelas, Baixinho e Carreira Chã; necrópoles no lugar da Senra e em Rielho; ara votivas em Quinta de Sá, Rielho e Santa Eulália, esta última dedicada à divindade Castaecis pelo lapidário Reburrinus)
    Lustosa (passa a leste do castro de São Gonçalo)
    Sousela (segue ao longo da vertente poente da Serra de Campelos, pelo caminho em terra da Boca da Ribeira, passando na Capela de Sta. Águeda e São Cristóvão, onde apareceu uma ara, continua em asfalto pela rua do Bretelo, rua da Boucinha, rua da Soeira e rua da Loja para a travessia do rio Mezio junto da Quinta de Eira Vedra, provável villa onde apareceu uma estela funerária, actualmente no MNSR; continua por Covas e Servecia)
    Cristelos (contorna o Castro de São Domingos pela vertente oeste; na vertente sudeste existem vestígios de uma casa romana à margem da EM1132; segue talvez as ruas Castro, Almas e Ns. da Conceição)
    Lousada (talvez pelas ruas de Santo André e 1º e Maio em Arcas)
    Boim (forno em Irmeiro; segue talvez o CM1155)
    Travessia do rio Sousa (há dois possíveis pontos de travessia, na Ponte de Sousa ou na Ponte Medieval de Espindo; calçada próximo com 100 m?; continua por Bustelo onde há vários topónimos viários como Tresvia, Padrão e Carreira Branca, este já referido em documentos medievais como «Portus Carrarius»; a via passaria próximo do lugar de Monteiras onde há necrópole, e ascendia ao cruzamento de Santa Marta/ Croca talvez pelo caminho do Mosteiro de Bustelo onde apareceu um altar funerário)
    Meinedo (Magnetum; provável ramal de ligação ao vicus romano que se estendia por Casais, Igreja Paroquial, Campo de Futebol e Quinta dos Padrões, junto do apeadeiro)
    • Nó viário de Santa Marta de Croca: neste local cruzava com a via este-oeste proveniente de Cale (Porto) rumo a Tongobriga (Freixo), mas este itinerário norte-sul poderia ter continuidade rumo à travessia do rio Douro em Eja/ Entre-os-Rios pela rota descrita a seguir.

    Itinerário de Meinedo (Magnetum?) a Eja (Anegia?)
    Penafiel (segue junto do sítio romano da Igreja de Santa Luzia)
    Póvoa de Marecos (povoado romano junto da Capela de Ns. do Desterro, local onde apareceu um tesouro e uma ara a Nabia, actualmente no Museu de Penafiel; a respectiva necrópole está no lugar da Pedreira)
    Rans (atravessa o rio Cavalum em Ponte Nova e um seu afluente na pequena Ponte de Lardosa ou Ponte Velha, hoje abandonada)
    Galegos (segue pela base do castro romanizado de Abujefa; necrópoles em Bairro e no passal da casa paroquial; tesouro em Boavista e Quinta do Bairro)
    Oldrões (provável nó viário do vale da ribeira de Camba, na base do importante Castro Romano do Monte Mozinho, aberto ao público, e cujo espólio está no excelente Museu de Penafiel; mons Monachino em 1158, LPTS 25; desvia talvez da EN106 pela rua do Perrelo, travessa das Sete Pedras, rua de Real de Cima e rua Fonte da Arcanja até ao cruzamento na EN106, onde segue a EM590-1 para Quintãs.
    • Ligação Oldrões - Monte Mozinho: acesso ao castro romano de Mozinho, derivando no cruzamento de Oldrões para sudoeste rumo ao lugar da Sra. dos Caminhos em Valpedre (topónimo Pousada), subsistindo ainda um troço lajeado na subida para Mesão Frio, nó viário, onde cruzava com a via Mozinho - Eja/Entre-os-Rios que seguia pela crista da serra.
    • Ligação Oldrões - Várzea do Douro: do cruzamento de Oldrões, partiria uma via rumo a sudeste cruzando a ribeira da Camba e subindo a encosta por um notável troço lajeado da calçada entre Bodelos e Agrelos, actualmente designada por «Rua da Via Romana», continuando por São Miguel de Paredes, pela rua da Sagrada Família, Fonte Carreira, rua da Via Romana, rua Cimo de Vila, rua do Calvário e rua 1º de Maio até Lajes, seguindo depois para o Cruzeiro das Lampreias, bifurcando junto do Igreja do Sr. dos Aflitos para as diversas travessias do Tâmega que entroncavam na outra margem no eixo viário romano no direcção nordeste-sudoeste entre a cidade de Tongobriga e o vicus da Várzea do Douro:
      • rumo à Foz do Tâmega, seguindo a meia-encosta por Jugueiros rumo à foz do rio Tâmega em Entre-os-Rios.
      • rumo à Barca da Ribeira/Barca do Souto, seguindo por Perosinho, Corcumelos e Sra. dos Remédios até Rio de Moinhos rumo à travessia do Tâmega na Barca da Ribeira ou na Barca do Souto, ambas comprovadamente usadas no período medieval, mas que poderiam já estar em utilização na época romana.
      • rumo à Barca da Várzea, seguindo para nordeste pela rota da EN312, talvez pela rua Vales, rua Avessadas, EN312 até Montinho de Baixo, onde desce à direita por Barreiros e Granja de Cima até Passinhos, antigo povoado romano, e não longe do casal romano da Bouça do Ouro, um km a montante, descendo depois ao rio pelas traseiras da Capela dos Passinhos, onde existe restos da calçada na descida ao rio.
      • Via ao longo do Tâmega, a ligação entre as diversas travessias do Tâmega, poderia ser feita por uma via sudoeste-nordeste com origem em Entre-os-Rios e seguindo ao longo da margem direita do Tâmega, actual rota da EN312, por Rio de Moinhos, Boelhe, Ribela até Boriz, onde entronca na via para Cale Tongobriga.
    Valpedre (continua pela EM590-1 por Maragossa, Cavadas e Vilela)
    Termas de São Vicente (subsistem importantes vestígios das termas romanas, designada na Idade Média por villa banius no ano 1047, PMH DC 357; continua pela EM590-1, passando entre as ruínas da zona termal e o castro romanizado do Outeiro Divino)
    São Paio da Portela (continua por Curveira e entronca na EN319, saindo pouco depois pela EM580-1 por Outeiro, Ponte das Ardias, Abôl, São Sebastião, Alminhas e São Miguel até à base da Cividade)
    Eja (Civitas Anegia na documentação medieval; castro romanizado da Sra. da Cividade/ de São Miguel; necrópole na encosta junto da Ponte Hintze Ribeiro; calçada; a inscrição votiva dedicada ao Laribus Anaecis encontrada na antiga igreja paroquial de Lagares é uma provável referência a esta civitas)
    • Ligação Eja - Castelo de Paiva: é provável que depois de cruzar o rio Douro a via continuasse por São Miguel de Sardoura> e Castelo de Paiva até Sobrado, onde entronca na via proveniente da Várzea do Douro; próximo da via apareceram duas necrópoles, no Campo da Torre (epitáfio de Avitianus) e no Terreiro (ara a Laribus Ceceaicis, FE 470); o trajecto seria por Soalheira, São Martinho de Sardoura, Espinheirinho, Montouro, Cruz da Agra, Pomarelho, Santa Cecília (necrópole e tesouro) e Sobrado de Paiva
    • Ligação Eja - Pejão - Fermedo: uma outra hipotética via seguia para sudoeste por Santa Maria de Sardoura (seguindo entre o castro romanizado do Pedregal e o Castro de São Gens; no vale há a necrópole em Valbeirô), continua por Carreira (necrópole de Valdemides em Cruz da Carreira), Ribeiro, Portela, Sabariz, Pejão e Almansor, onde cruza o rio Arda (no sítio de Balaído), continua por Lázaro, Baloca, Alto do Vizo, Covelas, Belece, Parameira, Fermedo e Cabeçais, onde cruza a via Porto - Viseu.
Mapa
Vila Fria








Barrimau


Tongóbriga










Braga - Guimarães - Canaveses (TONGOBRIGA)
Continuação do itinerário de Bracara a Tongobriga cruzando o rio Vizela na Ponte Romana do Arco de Vila Fria e seguindo por Felgueiras e Alto da Lixa rumo a Tongobriga; o percurso é baseado nas propostas de Mendes-Pinto e Lino Tavares Dias que diferem apenas em alguns troços (Almeida CAF, 1968:40; Mendes-Pinto, 1995:279- 280; Dias, 1997:319-320).

Guimarães (depois de cruzar o rio Ave na Ponte Romana de Campelos, a via romana proveniente de Bracara seguia a sudoeste desta cidade de fundação medieval rumo à Ponte do Arco de Vila Fria, passando talvez em Santiago de Candoso (inscrição rupestre num penedo no lugar de Chãos onde se lia AVICIRF/I/DH e habitat em Bogalhós), Veigas, Belavista, Igreja de Santiago, contorna o Alto do Pombeiro até Santo Amaro (nó viário na milha XIII); continua pela EN576 por Vista Alegre, servindo de divisória entre as freguesias de Mascotelos/Urgeses e Polvoreira, tomando depois a rua de Covas que cruza a EN105 e a linha férrea e segue pela rua Portelinha dos Remédios (m.p. XIV; topónimos viários Portela e Breia; possível referência à via nas Inquirições de D. Afonso III em 1258 como «viam veteram de Ladroeira»; PMH Inq. 690); cruza o rio de Moinhos e segue até à Igreja de Pinheiro (m.p. XV; topónimo viário Quinta da Carreira), São Tomé de Abação (nas proximidades do lugar da Devesa Escura/Lapinha há vestígios arquitectónicos e uma sepultura, indiciando uma possível villa, reforçada pelo achado no «Campo do Cruito/ Curuito» da urna cinerária de Sulpicius, eventual proprietário da mesma, actualmente no MSMS com o nº94); continua pela Portela da Fornalha (sepultura em Alegria), e segue depois o caminho que parte da antiga Escola Primária e percorre a meia-encosta até desembocar na rua da Presa Nova junto do acesso à Quinta do Novelo, desviando pouco depois à direita no nr. 399 pelo caminho de terra, cruza a rua de Sizalde e segue a rua das Alminhas por Tomada até Venda da Serra (estalagem medieval; estação viária mencionada no «Roteiro Terrestre»), prosseguindo por Venda da Botica, Souto da Bouça, Barraqueiro, rua da Pedreira e rua das Pernícias até ao Cimo de Eiriz, descendo depois à Ponte de Vila Fria por um caminho florestal, actualmente interrompido pela A7 e que serve de linha divisória entre as freguesias de Calvos e Serzedo, até desembocar na rua 24 de Julho que cruza e segue pela rua Ponte do Arco)
Ponte Romana-Medieval do Arco de Vila Fria sobre o rio Vizela (m.p. XX; reconstrução medieval com materiais romanos como pedras almofadados no arco; a jusante da ponte, no lugar de Sá, apareceu um cipo funerário, actualmente no MSMS; depois da ponte surge um troço bem conservado de calçada subindo pela vertente poente do Castro do Monte da Boavista, passa a asfalto até à EM563 no Sardoal, segue à direita até ao lugar da Rua onde vira à esquerda para a rua do Burgo, CM1160-1, junto à Casa do Paço e segue junto ao seminário até ao cemitério; na residência paroquial apareceu uma lápide de um Lanciense Transcudani, actualmente no MSMS com o nº 47)
  • Possível ligação a Sendim, derivando da Ponte do Arco para sudeste rumo à villa romana de Sendim (vídeo); há um troço de 400 m de calçada em Lourido e um trecho no lugar da Estradinha, talvez relacionada com esta via, mas para onde seguiria?
Pombeiro de Ribavizela (m.p. XXI; sobe pelo troço de calçada que ladeia o muro do Mosteiro, até confluir com o CM1175 que segue para os lugares de Ribeiro, Chã e Cascalheira, no sopé do Castro do Monte Picoto, até confluir com a EN101-3)
Sta. Eulália de Margaride, Felgueiras (m.p. XXII em Água Empregada/Campas; a via sai da EN101-3 à esquerda por Estrada, onde atravessa a EM562, continuando por Corvas, Taco e Forca)

Nó viário da Forca em Varziela: estação viária mencionada no «Roteiro Terrestre» como «Deveza da Escorva», possivelmente com origem numa mutatio romana; daqui partia uma variante deste itinerário para Tongobriga que passava por Caíde de Rei e Recezinhos; este trajecto cruza o rio Sousa na Ponte Romana de Barrimau, ponte destruída nos anos 80 e substituída pelo actual pontão em betão, indubitavelmente uma construção romana dado existirem fotografias das obras mostrando o intradorso do pilar direito ainda com o aparelho almofadado original (Sousa, 2003).

  • Variante de Felgueiras a Tongobriga por Recezinhos
    Partindo do cruzamento da Forca, a via segue a estrada local por Pedra Maria, contorna o Bairro de São Miguel pelo oeste até entroncar na EN207 que passa a seguir no essencial, passando por Estrada, Cimalha (junto do povoado da Idade do Bronze), Longra, Monte Belo, Moutas, Paço e Unhão, desvia junto da igreja românica da EN207 e segue por Cruzeiro, Sargaça, Covas para São Miguel de Lousada, continua por Cernadelo, Ponte do Moinho sobre a ribeira das Barrosas, Cavadinha, Casas Novas, Agrela, Barrimau de Cima, cruza o rio Sousa na Ponte Romana de Barrimau, continuando por Caíde de Rei (passaria junto da villa e necrópole de Vila Verde e depois pela EN207-2 que segue pela estação CF, Almeida, Tapada de D. Luís e Lordelo), São Mamede de Recezinhos (cruza a EN15 na Serrinha e continua por Portela e junto do povoado romano da Suvidade), São Martinho de Recezinhos (castro romanizado e necrópole na Quinta do Castro em Vilar; continua por Portela, Venda do Campo, Alminhas e Soutinho, divisória com a freguesia de Castelões; topónimos Carreira e Corredoura), continua pelo CM1244 que divide as freguesias de Vila Boa de Quires e Constance, seguindo por Monte do Ladário (contorna uma possível atalaia no Alto da Poupa) até Venda Nova de Cima, onde reencontra a via proveniente do Alto da Lixa, seguindo por Barrias (rua Direita) rumo à travessia do rio Tâmega em Sobretâmega e daqui a Tongobriga (Almeida et al., 2008; Sousa, 2013).
  • Ligação de Felgueiras a Magnetum: Uma outra possível via teria origem no castro de Macieira da Lixa, passaria nas proximidades das necrópoles de Veigas e de Maçorra (perto do rio de Passarias), cruzava a via principal em Caramos e seguia por Airães (junto da necrópole do Monte das Campas e próximo do povoado e necrópole do Outeiro de Babais), continuava por Vila Verde (necrópole em Eido), Aião (passando no sopé do castro da Trovoada em Sta. Cristina de Figueiró), Torno, Vilar do Torno e Alentém (casal? no lugar da Herdade), podendo daqui seguir pela Quinta dos Ingleses para a travessia do rio Sousa na Ponte Romana de Barrimau rumo a Lousada, onde cruza a variante anterior, ou continuar por Caíde de Rei rumo a Magnetum (Sousa, 2013).

Continuação do Itinerário para Tongobriga:
Varziela (do lugar da Forca seguia pelo actual CM1175 por Barreiras, Venda, Várzea e Camarinho para cruzar o rio Sousa no Pontão do Ameal, continuando depois em calçada por 350 m entre o Castro de São Simão e Devesa Alta por Souto, Pereira, Lama e Estrada, onde segue à direita por Borlido, Mouta, passa por dois troços de calçada que ligam a Espiuca, seguindo depois por Cerdeira das Ervas, junto da Capela de Espiuca e do sítio do Santo, até confluir na EN101 junto do campo de futebol)

Vila Cova da Lixa (a via contorna o Povoado do Ladário no Alto da Lixa, nó viário junto do sítio romano do Campinho do Muro em Campelo, eventual mutatio; aqui a via bifurcava, um ramo seguia para a travessia da Serra do Marão cujo percurso está descrito no Itinerário Braga - Régua enquanto o outro ramo seguia para sul rumo a Tongobriga)
Freixo de Cima (seguia talvez próximo do Alto do Monte da Sorte por Bouça e Várzea)
Santiago de Figueiró (talvez por Calvário, Porta)
Mancelos (segue talvez por Carreiros, Alto da Bandeira e Pidre, percorrendo a base do Castro romanizado do Banho/Ladoeiro pelo lado oeste até Vale da Estrada)
Banho e Carvalhosa (a partir de Vale da estrada, as propostas de Mendes-Pinto e Tavares Dias divergem, o primeiro fazendo passar a via pela vertente leste do Castro da Sra. da Graça, enquanto o segundo propõe uma rota por Pimpinela, Carreira Chã e Torre, passando a oeste do castro)
Vila Caiz (continua por Carvalhal, Furnas, Sordo e Outeiro)
Travessia do rio Odres em Soutelo (continua pelo Paço de Soutelo e Fontelas)
Constance (segue por Venda Nova, Barrias e rua Direita até ao «Terreiro dos Santos», junto da Capela de São Sebastião)
Sobretâmega (a via com o topónimo «Rua», continua a descida ao rio passando junto da Igreja de Sta. Maria, mas a partir daqui ficou submersa pela albufeira da Barragem do Torrão)

Ponte Romana sobre o rio Tâmega (em 1941, durante as obras de remodelação da ponte para alargamento do tabuleiro, verificou-se que a ponte medieval (provavelmente do século XII) assentava sobre os pilares de uma anterior romana, reaproveitando partes dos arcos e parte do 1º pegão da margem esquerda, este apresentando ainda a típica silharia romana almofadada. Em 1988, a ponte ficou submersa sob as águas da barragem do Torrão e em 1991 foi dinamitada pela EDP (!). Daqui a Tongobriga são 3 milhas; há notícia de uma "coluna cilíndrica" junto da ponte com a inscrição DIB. IOVVE; Dias, 1995:265)
São Nicolau (referência a um miliário no lugar do Outeiro, hoje perdido; ara a Cibele no Museu Municipal; depois de cruzar a ponte passava junto do Cruzeiro do Sr. da Boa Passagem entretanto deslocado para cota superior e sobe a rua de São Nicolau, onde ainda existe a antiga Albergaria de Canaveses)
Tuías (miliário de Valentiniano I e Valente, encontrado in situ na Quinta de Baixo, lugar da Herdade em Portela de Tuías, actualmente no Museu da Pedra em Alpendurada; daqui a via poderia seguir junto da Igreja Matriz de São Salvador de Tuías, onde apareceu uma ara aos Lari Cerenaeci, CIL II 2384, actualmente no acervo do MNA)

Freixo, Marco de Canaveses (TONGOBRIGA)
Importante cidade romana e capital da Civitas Tongobrigensis com base numa ara dedicada ao genius Toncobricensium (CIL II 5564), encontrada no local e actualmente no MSMS; Martins Capela refere um miliário junto à Igreja onde se lia INVICTO/AVG.P.M / TRI.P.P.P.; este marco reapareceu em 1992 já muito mutilado durante as obras para a instalação da Escola Profissional de Arqueologia, onde actualmente se encontra; o território da civitas era delimitado a sul pelo rio Douro e a leste pela Serra do Marão, integrando os vici de Meinedo, Várzea do Douro e Quinta de Guimarães (Sta. Marinha do Zêzere), e já no actual concelho de Amarante, Gatão e Lomba.
  • Variante de Tuías a Várzea do Douro: é muito provável que um ramal derivasse da via principal em Tuías rumo à travessia do rio Douro junto do vicus da Várzea do Douro; o seu trajecto seria aproximadamente o da actual EN210, passando na Quinta do Outeiro (villa), continuando por Vilar, Mória (necrópole dentro do Convento de Avessadas), Cobreira, Ponte, Talegre, Tenrais e Bairral, local onde entronca na via que vinha do centro de Tongobriga rumo a Várzea do Douro (ver Itinerário Freixo - Arouca).

Viae ab TONGOBRIGA
Mapa
Outras vias na civitas de TONGOBRIGA
A importância Tongobriga como nó viário é atestada pelos diversos indícios da rede de antigas estradas que cruzavam a região; além da suposta via principal para o rio Douro rumo a Viseu e a Mérida, existiam várias outras ligações secundárias de importância regional que ligavam a outros pontos relevantes do povoamento romano, mormente para nordeste para Amarante (Lomba) rumo à travessia da Serra do Marão e para sudoeste rumo à travessia do rio Douro junto do vicus de Várzea do Douro (Dias 1987, 1996, 1997 e 1998).

Itinerário de Tongobriga ao Marão pela margem direita do rio Tâmega
É possível que existisse uma via rumo a Amarante partindo da ponte romana em Sobretâmega e seguindo pela margem direita do rio Tâmega, percurso medieval que já estaria em uso na época romana visto que passava junto do vicus termal e viário das Caldas de Canaveses (necrópole; termas romanas Aquae Tamacana?) e da villa e necrópole de Vilarinho junto do apeadeiro de Vila Caiz, onde terá aparecido a estela funerária de Meidutius que actualmente está na Quinta da Pena, além de um tesouro monetário; atravessava o rio Odres talvez na zona da actual Ponte Românica do Bairro e seguia por Forcado, Santo Isidoro (casal/necrópole no lugar do Castro em Alvim), Toutosa, Coura (povoado fortificado no lugar do Castro), Vilarinho, Retorta, Carreira, Louredo, Fregim e Gatão, onde entronca no Itinerário Braga - Régua.

Itinerário de Tongobriga à Serra do Marão pela margem direita do rio Ovelha:
Parece existir uma via romana (com origem em Várzea do Douro) que cruzava Tongobriga na direcção sudoeste-nordeste rumo à Serra do Marão. Esta via acompanha a margem direita do rio Ovelha pelo caminho de festo que passa em São Salvador do Monte e na Lomba (Amarante), onde poderia existir uma estação viária, possivelmente um vicus com mutatio; daqui seguia para a travessia da Serra do Marão passando a leste de Vila Chã do Marão, onde se unia com outra via proveniente de Braga, seguindo depois por «Estalagem Velha», Capela de São Bento, Covelo do Monte e Lameira para Campeã. Próximo de Vila Chã do Marão conflui no Itinerário de Braga à Régua.

Tabuado (descia de Tongobriga talvez por Povoação Pequena para cruzar o rio de Galinhas no fundo do vale; continua por Quelha, Chão da Igreja e junto da Igreja Românica até ao lugar de Vendas, onde se regista o topónimo «Estalagem»; daqui desce ao rio Ovelha por Canhões, CM1251)
Travessia do rio Ovelha na Ponte da Várzea (casal romano em «Torre» e villa em Telheira; continua pela EM570 por Légua e Picoto)
São Salvador do Monte (continua junto da necrópole de Louredo das Almas e do habitat da Quinta do Couraceiro, seguindo entre o Alto do Santinho e o Alto de São Salvador do Monte, onde há 6 sepulturas escavadas na rocha)
Lomba (lugar da Estrada, junto do vicus no Lugar das Paredinhas e do Paraíso, onde poderia existir uma mutatio; descia depois a Padronelo junto da necrópole do Prazo e pela «Quebrada» até Devesa)
Padronelo (da Devesa continua por Cruz e Vendas de Moure, continuando pelos altos de Marancinho, da Capela Velha e da Mó)
Vila Chã do Marão (recebia a via proveniente de Braga um pouco antes do marco geodésico do Alto dos Picotos e seguia a leste este da povoação pelo caminho de festo que passa na «Estalagem Velha» e em São Bento)
A partir daqui o percurso da via está descrito no Itinerário de Braga à Régua.

  • Via de acesso às Minas do Teixo: via hipotética partindo da travessia do rio Ovelha no Vau de Gondar rumo às Minas do Teixo em plena Serra do Marão; a via seguiria por Vilela (habitat em Vila Leça) e Vila Seca (habitat em Paneleiros), junto do campo da bola toma a Calçada da Portela, Caminho da Costa, marginando o castro romanizado de Tubirei (tesouro em Valinhos), continuando pelo Caminho da Tapada até Bustelo; a partir daqui a via subia à serra pelo Caminho do Alto da Sra. da Corba Chã ou Corvachã, desce depois a Murgido e ascende por Cimo da Vila ao chamado Caminho do Trigal, estradão que percorre a cumeada do monte e serve de linha divisória entre os concelhos de Baião e Amarante, passando junto de um penedo com a inscrição Castra Oresbi que tem sido interpretada como assinalando um acampamento militar romano relacionado com a exploração mineira nas Minas do Teixo (Lopes, 2000). No entanto, estudos posteriores refutaram esta tese, podendo ser antes um marco territorial (Martins, 2009); em 2016 foi apresentada uma nova leitura da inscrição como Est Castram Santi Oresbi, ou seja «é propriedade de Santo Oresbio» que remete para um período tardo-romano ou alto-medieval (vídeo); a via seguia para as Minas Romanas do Teixo no Alto do Penedo Ruivo (Dias, 1997); é possível que a via continuasse para o marco geodésico junto da Capela da Sra. da Serra, mas a partir daí teria de vencer os fortes declives das vertentes nascentes da Serra do Marão, o que não parece viável.
Mapa
Freixo (TONGOBRIGA) - Várzea do Douro - Arouca - Viseu (VISSAIUM)
Esta via ligava Tongobriga ao vicus e provável mansio em Várzea do Douro, seguindo depois por Arouca e albergaria da Serra, e daí a Viseu. Partindo da aldeia do Freixo, seguia pelos lugares de Covas, Esmoriz (na base do castro homónimo), Rosém de Cima (no alto do monte, junto do possível casal romano de Casinhas), Alto do Confurco (junto da mamoa), Chentadiços e Bairral.
  • Uma referência medieval a uma «carraria antiqua» em São Cristóvão de Sande (PMH DC 688), indicia um caminho alternativo rumo ao Douro, derivando do anterior em Rosém de Cima e seguindo por Bouça Baixa (calçada; pedreira na vertente poente do Alto da Bouça) e pela Portela de Mexide (nos limites das freguesias de Sande e Vila Boa do Bispo, cruzamento com a CM1266), descendo daqui pela calçada da Bouça da Carreira até Veiga, onde seguia à direita pela ER108 e logo depois à esquerda para Loureiro, onde poderia bifurcar, seguindo um ramo até à foz da ribeira de Sande e outro, cruzando a ribeira, seguia até ao Cais do Vimieiro no rio Douro.
Vila Boa do Bispo (de Bairral segue a EN210 pelos lugares da Estrada e Lamoso)
Favões (segue por Golas e Vila, passando a cerca de 500 m da necrópole da Tapada das Eirozes e a 1000 m da necrópole da Fraga, continuando por Requim de Cima e de Baixo; será daqui a estela funerária embutida numa casa de Ariz, na rua da Sede da Junta (FE 676))
Alpendurada (segue junto do Castro de Arados no Alto de Santiago/Monte do Ladário, mons kastro aratros em documentos medievais, passando em Mondim, Memorial, Vista Alegre e Ventosela, até atingir o Cais de Bitetos; num documento medieval sobre o termo de Guilhade há uma provável referência à via como strata pro ad oriente, PMH DC 416; referido também como castellum Benevivere num documento de 1123)

Várzea do Douro (travessia do rio Douro; vicus e possível mansio junto do porto fluvial romano hoje submerso pela albufeira da barragem de Crestuma; sancto martino num documento do ano 964; os vestígios encontram-se dispersos por uma vasta área compreendida entre o rio Douro e a EN222, e desde os limites da Quinta da Várzea ao extremo leste do Alto das Penegotas, povoado fortificado romanizado que dominava esta travessia; principais núcleos na Quinta do Passal, Igreja Velha, residência paroquial, Quinta da Rua de Várzea, proximidades do cruzeiro e proximidades da Capela da Senhora da Guia); numerosas epígrafes atestam a importância deste vicus: epitáfio de Elávia; ara a Júpiter, entretanto perdida; inscrição a Cláudio reutilizada num muro do Convento de Alpendurada e actualmente nos respectivos claustros; ara a Manes na Quinta da Rua da Várzea; a referência a um suposto «Miliário de Adriano» junto desta travessia trata-se de um equívoco de Emil Hübner (CIL 6211) que o confundiu com miliário de São Mamede de Infesta também dedicado a este imperador (Lima, 2000:45).

Travessia do rio Douro na Várzea do Douro
  • TAMEOBRIGA: segundo Martins Sarmento, no lugar do «Castelo de Baixo», na margem esquerda do Douro, apareceu uma inscrição votiva a Tameobrigus (CIL II 2377, actualmente no MSMS com o nº 33), eventual divindade relacionada com o Rio Tâmega (Tameo ou Tameco?), sugerindo a existência de um povoado designado por «Tameobriga» próximo da confluência do rio Paiva no Douro. Este povoado poderia corresponder ao chamado «Castelo de Fornos» dado que a inscrição apareceu na base deste castro romanizado que tinha uma posição privilegiada para controlo desta importante passagem. A sul do rio, identificam-se dois itinerários em ambas as margens do rio Paiva; o primeiro partia do Castelo de Fornos e dirigia-se pelos altos da «Serra da Sicca» (conforme é referida em documentos medievais) rumo ao Castro de Valinhas em Arouca enquanto o outro partia do Outeiro do Castelo, na margem direita do Paiva, junto à sua foz, e seguia por Escamarão e Nespereira rumo a Viseu (?), sendo designada por «karraria antiqua» em documentos alto-medievais.
  • MIROBIEVS: na freguesia de Tarouquela surgiram importantes vestígios romanos, em particular a importante villa de Passos (ara a Júpiter, FE 245) e os sítios romanos de Tudovelhos/Todovelos e da Lameira; a inscrição rupestre do Vimeiro, supostamente cortada de um penedo marginal ao Douro e actualmente recolhida no MNA, parece indicar o nome deste local na época romana pois lê-se «MIROBIEVS LOCO» na epígrafe além de indicar o origo do promotor da inscrição, um [- - -]apiobricesis. Estes vestígios poderão estar associados a uma outra travessia do rio Douro mais a montante (?).

Itinerário Várzea do Douro - Escamarão - Espiunca: a via seguia a meia encosta pelo Vale do rio Paiva pela «carraria antiqua», velho caminho mencionado na documentação medieval (PMH DC 459); a «carraria» partia do rio Douro e ascende à Igreja Românica de Escamarão, onde existiam vestígios de calçada, cruza a actual EN222 e sobre pela rua da Boavista, rua da Bouça, rua da Lameira e rua de Trás até às alminhas de Couto (referência à via como «karreira antiqua» num documento de 1120, DP IV 24); daqui continuava pela rua Galheira até à Capela de Santo António em Fonte Coberta (passando cerca de 500 m da sepultura romana de Cancelhô), e depois pelo caminho que segue paralelo à EM556 até às alminhas de Covelo (m.p. III; referência às «incruciliadas» em 1107); continua na freguesia de Fornelos (referências à «carraria antiqua» e «caria antiqua» num documento de 1067 inventariando a uilla fornellus; PMH DC 459) por Torre, Chousas, Figueiredo, Portela (m.p. V), Cunha (m.p. VI), Alminhas, Devesa e Sailas, Feiras (m.p. VII). A partir daqui poderia tomar as seguintes hipotéticas direcções:
  • Para Viseu por Castro Daire, por Nespereira, Paradela, Cabril (próximo do Castro do Cabeço dos Mouros/Monte do Cabeço), Meã, Parada de Ester até Castro Daire, onde reunia com as vias provenientes de Porto Antigo e Caldas de Aregos
  • Para Viseu por São Pedro do Sul, seguindo por Ameixiosa e Posmil, de encontro à na Via Porto - Viseu (?).
  • Para Arouca, cruzando o rio Paiva em Espiunca e ascende ao Cerro do Cão, onde entronca na via proveniente do Castelo de Fornos descrita a seguir.

Itinerário Várzea do Douro - Arouca - Albergaria da Serra - Viseu: da mesma travessia partia uma outra estrada rumo a Arouca; partia do cais junto do Castelo de Fornos e seguia para sul por um trajecto em altura pela «serra sicca», designação medieval da serrania que separa Arouca e o rio Douro; via passaria próximo do povoado romano de Alvariça, onde foi escavada uma enorme necrópole tardo-romana com cerca de 40 sepulturas (8 estelas funerárias em xisto entre as quais o epitáfio de Celer), possivelmente um vicus mineiro relacionado com a exploração aurífera da Gralheira d'Água/Poço dos Mouros. Num documento de 1108, a via é designada por «via antiqua», servindo de limite ao couto da Igreja de São Martinho de Espiunca (DMP DR, 13). Em 1257, na «Carta de Couto do Mosteiro de Arouca», concedido por D. Afonso III, a via é designada por «strada» e servia para indicar os limites do couto pelas portelas de Cerquedelo e de Moção, actual alto do «Cerro do Cão», confrontando com o termo de Espiunca: «ad stradam et deinde vadit ad Portelam de Cerquedelo et de Monzom et est ibi positus unus patronus et per hic dividitur Arouca cum Sancto Martino de Spiunca» (MSMA, liv. 243, fl. 81v) (Lima, 2004). O itinerário seria o seguinte: partindo do rio Douro, a via ascendia a encosta pela vertente leste do castro passando em Cepa, Gião, Gondim (EM502-1) até Sobrado (Castelo de Paiva); continua por Ladroeira, percorrendo depois o caminho de festo (CM1138) que passa nos altos de «Eira dos Mouros», «Calhaus Altos» (atalaia?), «Santo Adrião» e «Moção», actual Cerro do Cão, onde tomava a direcção sudoeste por alturas de «Arreçaio» (passando junto das mamoas), descendo depois por Parada a Novais, onde cruza a ribeira de Moção, na base do Castro do Monte Valinhas.

Arouca - Travessia do rio Arda:
Depois de cruzar a ribeira de Moção, a via continuava junto da Igreja Paroquial de Santa Eulália, passando junto dos vestígios de um possível casal romano em «Casal de Adros», por trás do cemitério, seguindo depois por Alminhas de Santo António rumo à travessia do rio Arda junto da «Quinta de Alhavite», possível pousada; depois de cruzar o rio, seguia por Romariz (Cruz das Eiras) e Figueiredo rumo à Serra da Freita.
  • uia antiqua: num documento de 1085 sobre a «villa minianos», actual lugar de Minhãos (Santa Eulália), refere que o respectivo limite «uadit por uia antiqua» (PMH DC 639).
  • uia maurisca: num outro documento do mesmo ano surge outra referência à estrada agora como «via maurisca», servindo para delimitar a villa Romarici, actual lugar de Romariz, entre os lugares de Eiriz e Figueiredo (PMH DC 614).

Variante pela «Carraria Antiqua»
  • Vila Minhãos: no referido diploma do ano 1085 sobre a «villa minianos», há referência a uma outra via designada por «carraria antiqua inter iugarios et nouales», ou seja entre os actuais lugares de Jugueiros e Novais (PMH DC 639); assim, esta via teria um orientação norte-sul passando por Novais, Santa Eulália e Burgo (passando próximo do Memorial de Santo António e cruzando o rio Arda no sítio da Cavada), continuando por Sá até Jugueiros. Mantendo a directriz, é possível que a via continuasse por Santa Maria do Monte e Cales até entroncar na via principal.
  • Vila de Pousada: noutro documento de 1152 firmando a doação ao Mosteiro de Arouca da vila de «Pousada» (MA 108), os limites desta propriedade situada na actual freguesia de Urrô, mas a sul do rio Arda, são assinalados pelo «porto de Ponte et deinde per carreira et inde ferit et expart cum Saa», mais uma clara referência a esta mesma via cruzando o Arda rumo a Sá. O facto de esta travessia ser servida por uma ponte já no século XII é um sinal da importância e antiguidade da «Carraria Antiqua», embora a sua utilização em período romano não esteja assegurada.
  • Cividade de Urrô: a cerca de 1 milha a jusante desta travessia apareceu um tesouro monetário do período romano no lugar do Reguengo (Urrô), com 3047 numismas (Alarcão, 2005d); este local situa-se junto de um outeiro com o sugestivo topónimo de «Cividade», indiciando a existência do povoado antigo associado a outra possível travessia do rio Arda na zona da actual Ponte do Rossado, talvez o «Porto de Colom» referido no documento anterior (act. 2020)

Itinerário Arouca - Albergaria da Serra: depois de cruzar o rio Arda, a via deveria seguir para Albergaria da Serra (ou das Cabras), ascendendo a íngreme encosta da vertente norte da Serra da Freita (o «Mons Fuste» da documentação medieval); a via ascendia às antenas e seguia depois pelo planalto até Albergaria, onde se reunia com a via Porto - Viseu; um outro caminho cruza a serra por Cabeiros e Candal directo a Manhouce, mas a sua antiguidade é incerta (act. 2020).
Mapa
Soalhães


Carreirinha



Cinfães




Montemuro








Ervilhais




Freixo (TONGOBRIGA) - Castro Daire - Viseu (VISSAIUM)
Dois miliários encontrados numa antiga via que ligava Tongobriga ao rio Douro, um em Soalhães e outro em Mesquinhata, evidenciam a importância da ligação da cidade ao grande rio. Esta via poderia dividir-se em vários ramais de acesso às tradicionais travessias do Douro, Porto Antigo, Caldas de Aregos ou Porto de Rei. Todas estas travessias teriam continuidade para Viseu, o grande nó viário da Beira Alta; a travessia em Porto Antigo é trajecto mais curto até Viseu, mas o caminho mais curto para Viseu atravessa o rio em Porto Antigo, mas também a travessia em Caldas de Aregos dava acesso a Viseu, passando próximo do importante povoado romano de Cárquere e mesmo a travessia em Porto de Rei apresenta-se como uma alternativa plausível, dando acesso ao eixo Lamego-Viseu; sabemos através de Plínio que a sul do Douro existiam pelo menos dois povos, os Turduli Veteres e os Paesuri, e se no caso dos primeiros sabemos que ocupavam comprovadamente os actuais concelhos de Vila Nova de Gaia e da Vila da Feira, com oppida no Monte Murado (Ceno Oppido?) nos Carvalhos e no Monte Redondo em Fiães (Langobriga) enquanto os Paesuri ocupariam a região dos actuais concelhos de Cinfães e Resende com prováveis oppida em Cárquere, Castro de Sampaio e Castro de Coroas, todos com vestígios de alguma monumentalidade (Vaz 1976, 1979, 1997; Dias, 1987, 1996, 1997, 1998; Pinho et al., 1999; Lima, 2000; Resende, 2013).

Freixo (TONGOBRIGA)
Travessia do rio Galinhas (talvez na confluência da ribeira do Juncal com a ribeira da Lardosa; depois segue talvez por Richão da Forca, Ladário e Outeiro; logo depois começa um troço preservado da via que circunda o «Castro Soalhão» pelo sopé da vertente poente)
Castro de Soalhães (milha VIII; o chamado «Castro de Soalhão» é um povoado da Idade do Ferro romanizado que na Idade Média era designado por Suylanes; em lugar indeterminado desta freguesia apareceu um miliário de Constantino II indicando 8 milhas, actualmente depositado no Museu Soares dos Reis, no Porto. O ponto inicial da contagem miliária tanto poderia ser o rio Douro como o rio Tâmega pois ambos os trajectos distam 8 milhas do castro, portanto a meio caminho entre estes dois rios. A via iniciava a descida para Mesquinhata por terrenos ainda actualmente conhecidos por «Vale Trajano/Vale Trajanas», topónimo que sugere uma referência a este Imperador, tendo sido identificado uma necrópole nesta área)
Mesquinhata (passa junto do Alto dos Encambalados e segue por Casal, Geguintes e Passadouro, talvez pela rua do Cruzeiro)
Grilo (miliário da Carreirinha de Galieno encontrado in situ e actualmente no Museu Municipal de Baião; cruza a ribeira no Passadouro e continua pela Capela de Ns. do Loureiro)
Gôve (cruza o rio Ovil na base do Castro romanizado do Cruito e segue até à Portela de Gôve)

Daqui derivam 3 possíveis ligações ao Douro:
A partir da Portela de Gôve a via poderia dividir-se em três troços distintos de encontro às prováveis travessias do rio Douro localizadas em Porto Antigo, Caldas de Aregos e Porto de Rei, todas com continuidade para Viseu, traduzindo a importância económica destas travessias do Douro. Apesar da forte marca medieval destes percursos, não há qualquer dúvida sobre a sua utilização já em período romano e anteriores. Os indícios no terreno sugerem uma rede secundária que articulava estas travessias do Douro com os vários castros romanizados e sítios romanos; aliás, este alinhamento de sítios romanos a sul do rio levou alguns autores a propor a existência de uma via paralela ao rio ao longo da margem esquerda o que parece de todo improvável dada a necessidade de construção de inúmeras pontes para cruzar os vários afluentes do Douro, alguns de grande caudal, e um percurso sempre em zig-zag, tal como a actual estrada EN222 (ver mapa).

Rumo a Porto Manso/Porto Antigo rumo a Viseu por Castro Daire
Ancêde (derivando logo após a Ponte do Gôve, seguia por Eiriz, Penela, Ancêde; a leste, na outra margem do rio Ovil, há vestígios romanos, na Casa de Viombra e Quinta de Esmoriz, e mais a leste a necrópole do Bairral, associada a uma villa ou aldeia em torno da Igreja de Sta. Leocádia de Baião, onde se achou uma ara a Júpiter e uma estela funerária na casa paroquial, ambas no Museu de Arte Sacra e Arqueologia do Porto)
Porto Manso, Ribadouro (a via continua junto da Capela de São Domingos rumo ao Castro de Porto Manso e daqui desce ao Douro pela vertente poente por uma via lajeada que acompanha a margem esquerda do rio Ovil)
Travessia do rio Douro entre Porto Manso e Porto Antigo (2 km a montante, na Quinta de Mosteirô, sobranceira ao rio, existem vestígios de um provável vicus e mutatio, onde apareceu outra ara a Júpiter, entretanto perdida)
Porto Antigo, Cinfães (daqui a via, designada na Idade Média por carraria antiqua seguia para a Serra de Montemuro pelo caminho da escola primária onde ainda há restos de calçada; Pinho et al., 1999).

Itinerário de Porto Antigo a Viseu pelo Vale do Bestança: a via seguia ao longo da margem direita do rio Bestança (rivulo Bestantia) pela vertente poente da Serra de Montemuro (designada por mons Geronzo no ano 925 e mais tarde como mons Muro; PMH DC 30), passando talvez por Boassas, Lodeiro, Desamparados, Ruivais e Aldeia, marginando o possível casal junto do ribeiro de Lameirão e o Castro romanizado das Coroas, seguindo o actual CM1027-1 até Ferreiros de Tendais (tesouro; referência a um reguengo como estando «sub via e super strata» nas Inquirições de 1258; PMH Inq. 983); a partir daqui a via subia ao alto da serra, podendo tomar o caminho que passa a norte do marco geodésico da Alvagueira (pelo Caminho do Marco ou calçada da Devesa?), rumo a Pimeirô (entra junto da Capela de São Martinho) e daqui pelo CM1030 para Vale de Papas (nó viário designado na Idade Média por castellum de Aquilar; hipotético diverticulum pela Ponte de Panchorra, embora esta não apresente sinais de romanidade). A via surge nas Inquirições de 1258, servindo de limite das villis Bonis (actuais aldeias de Vila Boa de Baixo e de Cima; «dividet per Aguiar et per estrada», PMH Inq. 983) e da vila da Graleyra (actual Gralheira; «et vadit ad castellum de Aquilar et ferit in cruce et per carreirum antiqum et ferit in termino de Ovadas et in Cabrun», PMH Inq. 984); de Vale de Papas a via seguia então para Gralheira, cruza a povoação e segue o CM1030 até ao limite concelhio onde entronca a via proveniente da travessia do Douro em Caldas de Aregos, descrita no Itinerário Aregos - Cárquere - Castro Daire.

Via de Porto Manso a Espiunca por Cinfães
Outra via partiria para sudoeste pelo vale da ribeira de Sampaio atendendo à referência a um carril veterem que venit de Sancto Fiiz per super Sanctam Mariam de Caaes (PMH Inq. 958), ou seja o «carreiro velho que vinha do Castelo de Sanfins sobre a Capela de Santa Maria de Cádiz». A travessia do rio Douro seria por barca entre Porto Manso e Souto do Rio, evitando assim a travessia do Bestança; subia depois a encosta pela Quinta das Casas Novas, estrada já referida no ano 1083 como «kararea que vadi pro ad riu de Bestionza» (PMH DC 615); seguia depois por Cidadelhe (m.p. II; a via delimita a Quinta do Soalheiro pelo caminho do Covelo) até atingir Cinfães (m.p. III), nó viário e actual sede concelhia, de onde rumava ao Castro de Sampaio (possíveis casais em Paradela e na Quinta da Chieira). localizado num pequeno outeiro na freguesia de São Cristóvão de Nogueira, este povoado romanizado apresenta um vasto espólio com alguma monumentalidade como colunas, bases de capitéis e pedras almofadadas, o que levou Jorge de Alarcão a situar aqui o oppidum dos Paesuri (Alarcão, 1988); deste povoado provêm também a estela de Flavus, a lápide de Cloutio, actualmente no MSMS com o nº 72 e a inscrição consagrada a Augusto também no MSMS com o nº 55; o vicus romano localizava-se no lugar de Aldeia, a cerca de 500 m a sudeste do castro, por onde passava via, indiciando a existência de uma possível mutatio neste local. A partir do castro da via continuava ao longo do vale da ribeira de Sampaio pela rota do CM1016 e CM1035, passando em Joazim, Vilar e Peso (m.p. V; calçada), Ervilhais (m.p. VIII; calçada), Valado e Pindêlo (m.p. X; inscrição rupestre no sítio da Volta, FE 299, possível limite da civitas); a via deveria continuar para Arouca cruzando o rio Paiva em Espiunca (Pinho et al., 1999; Lima, 2000:46)
  • Alternativa cruzando o rio Douro na Barca de Mourilhe: poderia existir um outro caminho que partia de uma outra travessia do rio Douro mais a jusante, a «Barca de Mourilhe» junto da actual Barragem do Carrapatelo; ascendia a encosta próximo de Arcela, inde há vestígios romanos, e pelo lugar da Groba, onde há referência medieval à «via de Grovaa»; daqui seguia próximo da Igreja de São Cristóvão de Nogueira («via que vadit ad ecclesiam» em 1232) e do Outeiro da Cerdeira até ao Castro de Sampaio (Lima, 2000:46).

Rumo a Caldas de Aregos, Cárquere e Castro Daire rumo a Viseu
Gôve (seguia por Portela do Gôve, Favais, Lamas, e Casa Nova, na base «Castelo do Gôve», continua por Casal, Arco de Lordelo, descendo por Aguincheiras e Venda das Caldas à margem direita do rio Douro, cruzando o rio junto do topónimo viário Senhor da Boa Passagem)
Caldas de Aregos (albergaria medieval desde pelo menos o século XII; daqui segue para São Romão de Aregos, passando em Pousada; a via é referida na documentação medieval como «karraria antiqua», PMH DC 888)
Cárquere (aqui apareceram numerosas lápides funerárias, sinal de um povoado com alguma importância, eventualmente o oppido dos Paesuri; actualmente conta-se com mais de 70 epígrafes provenientes daqui; uma ara a Júpiter indicaria o nome do povoado antigo, mas só resta a parte inicial, «Castelani»)
De Cárquere a Viseu: a via deveria continuar para Viseu transpondo a Serra do Montemuro, seguindo talvez o caminho que passa junto da Capela de São Francisco, continuando depois por Canizes e Vila Pouca (em Ovadas apareceu uma Inscrição a Júpiter colocada por um militar da coorte prima, actualmente na Capela de Ns. dos Vales, FE 267), Rossas, Granja, Talhada, continuando pela EM553-1 pelo Alto do Cotelo, confluindo na divisão concelhia na via proveniente de Porto Antigo, seguindo depois por caminho comum por Cruz do Rossão, a milha 16, onde inicia a descida a Castro Daire por um caminho actualmente quase imperceptível até à Senhora da Lapa em Vilar, onde vencia a milha 19, continuando por Lamelas de Lá e de Cá até Castro Daire, descendo depois à Ponte Pedrinha onde cruza o rio Paiva, a 24 milhas do rio Douro/ Caldas de Aregos. Aqui recebe o Itinerário proveniente de Lamego, cruza o rio Paiva e segue para Viseu.

Da Portela de Gôve a Lamego por Porto de Rei e Castro da Mogueira
Desviando na Portela de Gôve, esta via seguia a rota aproximada da EN108 por Vila Monim, Paredes de Cima, Gaia (povoado do Passal junto da Igreja de Santa Cruz do Douro), desvia pelo caminho de Cedofeita, Senra e Eiras (seguindo pela vertente sul do Castro de Mantel), continua por Castelo, Outeiro, Quinteiros, Volta de Viosinhos, Lama Susã, Quinta do Corgo, Portela, Passos e Barreiro (possível mutatio) em Sta. Marinha do Zêzere (estátua de touro encontrada no lugar do Castro, actualmente no MSMS; tesouro e Gestaçô). A via continua pela Calçada de Lajes, Brête, Sernado e Míguas, passando junto Quinta de Guimarães (ara funerária a Manes) e por Ervedal cruzava o rio Teixeira; continua por Cruzeiro e Outeiro em Frende (mosaico, 3 baixos-relevos e inscrições funerárias provenientes da Capela de São João que assenta num antigo castro), descendo depois pelo Caminho de Porto de Rei até ao Douro. Cruzava o rio por barca e seguia por Nogueiras, Castelo, Carvalhal e Vila Verde, passando junto do castro romanizado da Mogueira (pelo menos 8 inscrições rupestres de carácter votivo, possível santuário); continua por Pardelhas e Seara, seguindo depois o CM1067 que passa junto do castro romanizado de Penajoia, até atingir o nó viário do Alto da Venda/ Avões de Lá (possível mutatio a 12 milhas de Porto de Rei), onde entronca na via que vinha da Barca de Moledo rumo a Lamego.

  • Variante a Lamego pela Ponte do Douro: as referências medievais a uma ponte sobre o rio Douro, ligeiramente a montante de Porto de Rei, entre as povoações de Barqueiros e Barrô, indica que existia uma variante que seguia de Frende até Barqueiros, cruzava o Douro na referida ponte, e seguia por Barrô, Outeiro, Pousadoiro (lugar referido em 1314 como «Albergaria de Pousadoiro»; Saraiva, 2003, doc. 45), continuando talvez por Cete até Seara, onde reúne com a estrada que vinha da Barca de Porto de Rei rumo a Lamego.

Viae Lamecum a Vissaium
Mapa
Lamego
Tarouca















Lamego (Lamecum? / Caelobriga?)
Povoado romano no morro do Castelo de Almacave, possível oppidum dos Coilarni; segundo Plínio Caelobriga seria a sua capital pelo que esse poderia ser o nome romano de Lamego posteriormente convertido em Lameco já no período suévico, mas não passam de hipóteses sem provas conclusivas; encastrado na frontaria da Capela visigótica de Balsemão, existe um terminus augustalis de delimitação de território, apesar de não indicar as civitates que separava. A partir de Lamego seguiam dois itinerários rumo a Viseu, um passando por castro Daire e outra seguindo por Tarouca que reuniam em Almargem para a travessia do rio Vouga (Vieira, 2004:31-38; Castro, 2013).

Lamego (Lamecum?) - Tarouca - Viseu (VISSAIUM)
Este itinerário ligava Lamego a Viseu seguindo a margem esquerda do rio Varosa passando em Alvelos, Várzea de Abrunhais, Ferreirim, Tarouca, Teixelo, Bustelo, Ponte do Touro, Corgo do Altar e Vila Cova-à-Coelheira; cruza depois o rio Paiva no Corgo do Bacelo e segue para a travessia do rio Vouga em Almargem, onde conflui também a via proveniente de Castro de Daire, e daqui para Viseu. A via partia provavelmente da zona da Sé de Lamego e descia ao rio Balsemão não pela rua da «Ponte da Calçada», mas pela calçada do Sr. dos Aflitos que passa na Igreja de Ns. dos Meninos para cruzar o rio Balsemão na «Ponte de Lamego»; há referências medievais a uma ponte de madeira neste local (Viterbo, 1799, vol. 2, p. 227); cruzado o rio, seguia pela rua da Ponte e Capela de São Lázaro e a sul da Capela da Sra. da Guia até atingir a Capela de Alvelos, a cerca de 2 milhas de Lamego.
Várzea de Abrunhais (cruza a ribeira de Recião na ponte medieval e segue por Fontão, Cerro e Sra. da Lapa, a milha 4)
BairralCastelo de Britiande», povoado romanizado; a via passaria junto da Capela do Sr. dos Aflitos, próximo da Capela de São Gonçalo, onde há uma ara a Júpiter suportando a pia baptismal, talvez proveniente do castro romanizado; continua por Venda do Caranguejo; calçada na Quelha da Azenha)
Ferreirim (continua por Vila Meã e a poente do Castro de Sta. Bárbara em Dálvares, até Castanheiro do Ouro, onde cruza a ribeira de Tarouca na Ponte Pedrinha)
Tarouca (m.p. VIII; três possíveis miliários; o primeiro na Av. Sá Carneiro nº 9 em Tarouca, o segundo junto da Capela de São Pedro, na Rua Alberto Pereira Martins, relacionados com a oitava milha que era vencida em Tarouca; o terceiro marco foi provavelmente reutilizado como marco monástico e encontra-se junto do Arco da Paradela a nascente da via (FE 752); da Ponte Pedrinha a via segue à direita pelo caminho que ascende por Esporões, junto do cemitério)
Cravaz (cruza a povoação e segue pela calçada paralela e a cota inferior da EN530, passando próximo da Capela de Ns. dos Aflitos)
Teixelo (a via entra na povoação junto da Capela da Senhora da Ajuda, onde ainda subsiste um troço lajeado, cruza a EM1176 e continua pela rua de Santo António; no sítio do Padrão existe um possível miliário reutilizado como marco monástico, assinalando os limites do couto do mosteiro de Tarouca; Alarcão, 1988a e 1998; Teixeira, 1998; Castro, 2013a)
  • Ramal para Castro Daire: poderia existir um itinerário este-oeste partindo de Teixelo, seguindo pelos topónimos Chão de Ferreiros (habitat), Pouso das Pipas e Malhada (calçada; habitat), rumo à travessia do rio Paiva em Portela de Lá (villa? do Outeiro com vestígios em Missa e Parceiros), continuando por Mões e Ribolhos (passa no Sr. da Boa Morte em Vila Boa, junto do habitat de Rebolada), até entroncar na via Lamego-Viseu por Castro Daire descrita abaixo (Vieira, 2004:31-38).
Bustelo (continua a poente da povoação, junto do cemitério, seguindo pela margem esquerda do rio Varosa)
Ponte do Touro, Almofala (ponte sobre o rio Varosa reconstruída em 1839; daqui a via seguia pela calçada com 2 km que passa na elevação do Corgo do Altar até entroncar no CM 1169 próximo de Cascano, seguindo até à torre eólica onde segue à direita pelo estradão de terra até Fraga Gorda)
  • Ramal para Fráguas e Sátão: é possível que um ramal desta via derivasse em Fraga Gorda na direcção sudeste, passando junto da possível vicus no sítio das Duas Igrejas, continuando depois pelo Alto de Penedais (junto do sítio da Alagoa, possível mutatio) e pelo sítio de São Paio (a extinta aldeia medieval de São Pelágio) rumo à travessia do rio Paiva em Fráguas, podendo continuar para Sátão passando no povoado mineiro da Dorna em Queiriga (?).

Itinerário de Fraga Gorda a Viseu: retomando o percurso na Fraga Gorda, a via continuava pela margem direita do rio Covo, passando no sítio do Gafo, topónimo viário, onde cruza a ribeira de Mourisca, rumo a Vila Cova-à-Coelheira. Continuava depois próximo do Alto de Teixelo, Sítio da Cruz, Minas do Pendão e Quinta da Clara, rumo à travessia do rio Paiva no Corgo do Bacelo, continuava na outra margem por Covelo do Paiva e pela vertente nascente do Castro romanizado de São Lourenço, passando muito próximo do sítio romano da Cumieira (outra possível mutatio onde apareceram moedas e uma ara anepígrafa, próximo da aldeia de Zonho, provavelmente a Osonia do Paroquial Suévico); continua pelo CM1162 por alturas de Cota, seguindo pelo Alto do Arco, de Salvador e da Fonte Santa, onde inicia a descida para a travessia do rio Vouga junto a Almargem, seguindo depois para Viseu pelo itinerário Lamego-Viseu por Castro Daire descrito abaixo.
Mapa


Lamego (Lamecum?) - Castro Daire - Viseu (VISSAIUM)
A via para Viseu seguia para a travessia do rio Paiva em Castro Daire, onde conflui com as vias proveniente das travessias do rio Douro em Porto Antigo (por Cinfães) e Caldas de Aregos (por Cárquere), seguindo depois para a travessia do rio Vouga na Ponte de Almargem, ascende depois pela magnífica Estrada Romana de Almargem rumo a Viseu. (Vaz, 1976, 1989; Teixeira, 1998; Nóbrega, 2003a e 2003b; Vieira, 2004:31-38; Lourenço, 2007).

Lamego (parte da base do castelo de Almacave pela rua Fafel e segue pela vertente nascente do monte da Carreira de Tiro, próximo do sítio romano da Fonte d'El-Rei, conflui no CM1081 junto do cemitério, descendo depois à Ponte de Lamelas para cruzar o rio Balsemão, continua pelo caminho de terra até confluir no CM1082 pouco antes da povoação de Quintela de Penude)
Póvoa (margina o sítio romano da Póvoa, de onde será proveniente a inscrição funerária que apareceu no Cimal; a via sai do CM1082, cruza a povoação e segue entre o Alto de Montedufe e o Alto da Cruz da Camba, passando a poente do sítio romano do Paço em Meijinhos, onde apareceu a inscrição funerária de Cesea e a ara votiva dedicada ao Soli Sacrum, o «sol sagrado»)
Bigorne (percorre depois o caminho do alto da Serra de Lazarim, paralelo à A24, marginado o sítio romano de Parafita, cruza Ribabelide, segue o caminho pelo Alto da Fraga do Seixo que vai cruzar a A24 pouco antes da Igreja de Bigorne, conflui na EN2 ao km 121 e poucos metros depois desvia à direita pela calçada da Portelada onde cruza a ribeira do Mezio, continuando depois em calçada)
Mezio (entra pela Capela da Sra. das Antas e segue por Rua e Cimo de Aldeia, talvez pela rua da Mocidade e rua de Santo António, continuando para Castro Daire pelo caminho que percorre o dorso planáltico entre Colo do Pito e Moura Morta)
Castro Daire (margina a Capela de Ns. da Ouvida, continua por Vila Pouca e Outeiro e desce ao rio Paiva pela rua 1º de Maio, rua Direita e rua 1º de Dezembro, contornando assim o importante castro romanizado que dominava esta travessia)
Travessia do rio Paiva na «Ponte Pedrinha» (referência a uma ponte antiga com possível origem romana, demolida em 1877, tendo aparecido aqui uma árula votiva, CIL II 5247)
Ribolhos (da ponte ascende pela EN2 até próximo da Capela de São Domingos, onde toma a chamada «Estrada Romana», subindo a meia-encosta paralela à EN2 por Estalagem, Quintãs, Cerca e Colmeia, até reunir com a EN2, saindo depois pela rua da Ponte de Courinha, cruza a EN2 em Ribolinhos e segue pela Av. Central que atravessa as Termas do Carvalhal)
  • Inscrição de Lamas de Moledo: notável e rara inscrição votiva na chamada «língua lusitana» que foi gravada num penedo da aldeia de Lamas de Moledo por Rufinus e Tiro; tratar-se-ia de uma oferenda de animais a divindades protectoras, mas subsistem muitas dúvidas na sua interpretação; segundo Inês Vaz, é possível identificar os teónimos Crougeai Magareaicoi e Ioeva Caielobricoi e os povos Veaminicori e Patravioi; a proximidade fonética de Magareaicoi com topónimo Maga sugere que os Patravioi habitariam o castro do Outeiro da Maga e os Crougeai Caielobricoi poderá estar relacionado com a aldeia de Cela mais a sul ou com Caelobriga, povoado mencionado por Ptolomeu, mas são meras hipóteses; na área da aldeia deveria existir um vicus dado o aparecimento de outras inscrições, o epitáfio de Apinna e o epitáfio de Cabureina (Vaz, 1989; Miguel, 2013).
Mamouros (segue a EM562 e o estradão pela margem direita do rio de Mel?)
Arcas, Mões (sai da EN2 pela rua da Ponte das Arcas, onde cruza o rio de Mel; continua talvez pela EN2 e rua dos Carvalhos)
Rio de Mel (travessia na confluência das ribeiras de Cabrum e Freixiosa, subindo por caminho carreteiro)
Calde (cruza a povoação e desce a Póvoa de Calde)
Travessia do rio Vouga em Almargem (300 m a jusante da ponte actual?)
Bigas (do rio Vouga ascende pela Calçada de Almargem, continuando pela rua da Estrada Velha)
Campo (referências a uma calçada em Campo indicia a passagem da via, designada nas Inquirições de D- Afonso III como «carril velo de Transpicoto», PMH Inq. 862; continua pelo sopé do Castro de Sta. Luzia por Moure da Madalena; a calçada do Salgueiral e o "Caminho da Ponte Romana" da Raposeira, junto à prisão parecem fora desta rota)
Abraveses (segue pela rua da Estrada Velha, Quinta de Cimalha e Quinta da Corga, zona actualmente urbanizada, subsistindo um troço lajeado junto da escola C+S)
Viseu (VISSAIUM) (continua pela «Estrada Velha de Abraveses» até à chamada «Cava de Viriato», estrutura fortificada talvez já do período alto-medieval, cruza a Av. da Bélgica e segue pela rua Capitão Salomão, rua Cava de Viriato, cruza o rio Pavia, rua Ponte de Pau, entrava no burgo pela Calçada de Viriato e pela antiga porta da cidade, onde existia necrópole, até ao Largo da Sé, antigo forum)
  • Variante Castro Daire a Viseu por São Pedro do Sul: poderia existir uma variante Figueiredo de Alva, Ladreda (a poente, em Ucha, calçada para o Castro do Mau Vizinho/Castro dos Súmios/Castelo dos Mouros/Cafúrnea, onde apareceu uma ara votiva aos Bande Ocelensi, actualmente no MNA e uma inscrição a Marte, Genius Defensoris), Monte Forneco, Cobertinha (Vila Maior), Modelos (por São Félix; na Igreja de Pinho apareceu ara votiva ao Bande Alabaraico Sulensi, CIL II 403, entretanto perdida), seguindo até à travessia do rio Vouga em São Pedro do Sul, onde entronca nas vias provenientes de Cale e Talabriga rumo a Viseu por Moselos.

Viae ab AQUAE FLAVIAE
Mapa
Outros itinerários a partir de Chaves (AQUAE FLAVIAE)
A rede viária romana no território do Alto-Tâmega tinha como epicentro a cidade Aqua Flaviae, nó viário da maior relevância de onde partiam diversas vias quer para norte rumo à Galiza, ligando a Lucus e Asturica, quer para sul rumo a vários pontos de travessia do rio Douro. O rio Douro que teria um importante papel económico no escoamento das ricas explorações de minério existentes na região. Um caso paradigmático é o eixo viário N-S que cruzava as alturas da Serra da Padrela servindo a região mineira de Tresminas (com vários troços de calçada e uma ponte romana sobre o rio Pinhão, a Ponte do Arco), continuando por Panóias (mutatio) em direcção à travessia do rio Douro em Covelinhas, e daqui pelo Castro de Goujoim atingia o nó viário de Moimenta da Beira. Um ramal desta via desviava em Campo de Jales para sudeste rumo à travessia do Douro na Sra. da Ribeira/Quinta do Vesúvio, passando junto dos castros do Pópulo e de Carlão, seguindo em direcção a Marialva e Celorico da Beira. Estes itinerários são claramente do período romano, apesar de não se conhecerem miliários assinalando o percurso, com a notável com excepção de um miliário de Trajano transcrito em 1549 por João de Barros no seu «Antiguidades» a uma légua a este de Vila Real que deveria estar em Panóias. Por último, também existia uma via a poente da depressão Verín-Régua seguindo pelo alto da Serra de Alvão, descendo depois próximo da Campeã rumo ao rio Douro, podendo bifurcar para a Barca de Moledo e Peso da Régua, tradicionais locais de travessia deste rio. Estes eixos viários teriam continuação para sul (pelas civitates dos Coilarni, Paesuri, Meidubrigenses e Aravi) e em última análise ligando aos grandes eixos viários para Mérida, principal caput viarum da Lusitânia (act. 2023; Teixeira, 1996; Losada, 2002; Lemos, 2004, 2010; Colmenero et al., 2004; Batata et al., 2008; Soutinho, 2021a, 2021b).
Mapa
Santa Marta




Rabal


Lamas


Chaves - Oímbra - Sandiás (Via Aquae Flaviae - Geminas) XL m.p.
A via partia da cidade rumo a norte ao longo da margem direita do rio Tâmega por Santa Cruz (miliário) e Outeiro Seco (habitat em Ribalta e junto da Igreja Românica da Sra. da Azinheira; ara a Hermes Devoris, aludindo a combates de gladiadores que apareceu junto da ponte sobre o ribeiro da Torre, actualmente na Capela de Ns. do Rosário (CIL II 2473)); continua junto Capela de São Miguel, Capela de Ns. da Portela (3 m.p.) e do cruzeiro de Ns. dos Desamparados, onde tomava o chamado «Caminho da Teixugueira» (contornando a zona industrial pelo lado poente), Vilarelho da Raia (9 m.p. junto da Sra. das Almas; duas aras a Júpiter na Igreja Matriz talvez provenientes do vicus viário do Vale da Ermida, possível mutatio na milhas seguinte, junto da ribeira de Cambedo; miliário a servir de pilar de uma casa em Rabal); continua depois por San Cibrao (11 m.p. na fronteira; miliário de Dalmácio), Oímbra (12 m.p.), cruza o rio Porto do Rei Búbal e segue pela Portela (15 m.p.; miliário de As Lagoas; documentado desde o século X servindo de marco divisório concelhio Monterrei/Verín). Continua por Vilaza, Albarellos (miliários numa vinha), Guimarei, Lamas (22 m.p. junto de dois miliários anepígrafos), Penaverde, Alto das Estivadas (25 m.p.; miliário desaparecido), Villaderrey, Trasmiras (28 m.p.), Paredes (32 m.p.) e Xinzo de Lima (35 m.p.), seguindo depois recto até Torre de Sandiás, provável local de implantação da estação viária de Geminas, onde entronca na «Via Nova», totalizando 40 milhas.

Chaves - Lama de Arcos - Florderrei Vello (Via Aquae Flaviae - Senabria - Asturica?)
Inicialmente seguia a margem esquerda do rio Tâmega pelo Caminho de São Roque, onde se achou um miliário de Licínio (Carneiro S., 2005), percorrendo depois a Veiga de Chaves até Vila Verde da Raia (ara votiva na igreja e ara a Júpiter). A partir daqui inflectia para nordeste passando na base da Capela de Santa Marta, onde no adro está um miliário de Carino, partido em dois fragmentos (CIL II 4795), que deveria assinalar a sexta milha, onde actualmente há um cruzeiro. Continua por Vila de Frade e Lama de Arcos (provável vicus; ara a Júpiter na igreja), cruza a actual fronteira e continua por Vilarello de Cota, contorna Arsadegos pelo norte rumo à aldeia de Florderrei Vello, a 15 milhas de Chaves, junto da qual existe um povoado fortificado da Idade do Ferro intensamente romanizado situado no outeiro anexo à povoação onde actualmente está a Ermida de Ns. das Portas Abertas (4 epígrafes, uma das quais é dedicada a Reve e suporta actualmente o altar da Ermida de São Roque). Rodriguez Colmenero sugere que aqui estaria a sede da civitas dos Tamagani, povo mencionado no «Padrão dos Povos» que estava colocado na ponte romana. A via teria continuação para nordeste talvez por Terroso, Barza, Tameirón (miliário) e Puebla de Senabria rumo a Astorga (Colmenero et al., 2004:684).

Chaves - Verín (Via Aquae Flaviae - Tamacum - Lucus Augusti?)
Inicialmente seguia a rota da anterior até Vila Verde da Raia, cruza a fronteira para Feces de Abaixo e continua por Tamaguelos (miliário), Mourazos (Coelobriga, no lugar de «Raposeiras»), Tamagos, Queizás (miliário), Verín (possível sede dos Tamacani no Castro de Monterrei; 3 miliários, um é anepígrafo e está na «Casa dos Acevedo», outro é de Constante e está no bairro de San Lázaro), Vilela (miliário de Caro) e Vilamaior (miliário), rumando depois talvez em direcção a Salientibus em Xinzo da Costa entroncando assim na «Via Nova».

Chaves - Ponte de Cigarrosa (Via Aquae Flaviae - Nemetobriga - Forum Gigurrorum?)
É uma variante da anterior que desviava em Lama de Arcos rumo a Vilar de Vós (miliário) seguindo talvez por Feces de Acima e Vilar de Cervos, ou em alternativa por Vilarelho da Cota e Enxames, continuando depois por Progo, Castrelo, Sao Lourenzo de Pentes, A Gudiña, Terras de Viana de Bolo, de encontro ao Itinerário XVIII/«Via Nova» que cruzaria pouco antes da Ponte Romana-Medieval de Cigarrosa, ligando assim Chaves às mansiones de Nemetobriga e Forum Gigurrorum (Lemos, 2010).

Chaves - Sanjurge - Soutelinho (Estrada Velha de Montalegre)
A chamada «Estrada Velha de Montalegre» poderá ter também origem antiga, segundo entre as povoações de Sanjurge e Bustelo rumo a Soutelinho. Partindo de Chaves, seguia pelo Bairro do Telhado (rua da Paz/EM507) e lugar da Seara em Sanjurge (minas em Barrocos), continua pela calçada da Portagem, entre Bustelo e Sanjurge, ascende por 300 m ao Alto da Salgueira, reúne com a EM507 e segue por Lajedo e Alto do Queimado, continuando depois por Campina e Sra. do Bom Caminho, percurso balizado pelo possível vicus em Casas de Castelões, o povoado fortificado romanizado do Alto das Coroas e a necrópole de São Caetano, continuando daqui até Soutelinho da Raia onde entronca no Itinerário XVII rumo a Braga.
  • Minas romanas de Campo Queimado e de Outeiro Machado, onde há um penedo gravado com diversos símbolos talvez relacionados com a actividade mineira. Próximo há ainda vestígios da Barragem Romana Abobeleira.

Aquae Flaviae a Durius flumen
Mapa
Jales






Galafura


Armamar












Moimenta


















Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Rio Douro (Covelinhas) - Moimenta da Beira (Arabriga?)
Itinerário norte-sul interligando Chaves ao rio Douro, seguindo por alturas da Serra da Padrela, cruzando a importante região mineira de Tresminas, descendo depois à travessia do rio Douro em Covelinhas e daqui pelo Castro de Goujoim rumo a Moimenta de Beira, importante nó viário da Beira Alta (ver Lopes, 1994; Teixeira, 1996; Batata et al., 2008; Lemos e Martins, 2011).

Região Mineira de Tresminas
As minas romanas estão dispersas por Tresminas, Jales, Ribeirinha, Lago Pequeno e Corte de Covas e há vestígios de um possível hipódromo ou anfiteatro (Batata et al., 2008). Próximo da aldeia de Covas, assentava o vicus mineiro da Veiga da Samardã, subsistindo vestígios de habitações e de um canal de água proveniente de duas barragens em Tinhela de Baixo (Ferraria e Vale das Veias) que abastecia o processo de lavagem do minério. Um vasto conjunto de inscrições provenientes da necrópole deste povoado, entre as quais várias inscrições de imigrantes Clunienses; no aro da aldeia da Ribeirinha apareceram duas inscrições votivas a Júpiter, uma por soldados da Iª Coorte Gálica Equitata, actualmente no MSMS, nº 46, e outra por um soldado da Legião VII Gémina Pia, testemunhando forte presença militar relacionada com o controlo da exploração mineira (Batata, 2017).

Chaves (inicialmente seguia o Itinerário XVII por São Lourenço e São Julião de Montenegro, derivando depois para sul pouco depois da mutatio do Alto do Cavalinho; a bifurcação seria junto do Cruzeiro, onde era vencida a milha VI, seguindo depois por alturas da Serra da Padrela a fim de evitar o cruzamento de cursos de água, seguindo pelas aldeias de Paranhos, Alto de Gondar, Nogueira da Montanha (inscrição desaparecida dedicada ao veterano Emiliano Flacus, CIL II 2480, signífero da Legião II Augusta procedente do castellum Tureobriga ou Iureobriga, provavelmente situado no Castro de Lagarelhos/ Santiago), Ladário, Aveleda, São Cipriano e alturas de Vilarinho do Monte e Seixedo, sucedendo-se os topónimos viários como Vidual, Marcos, Lampaça e Caleiros, assinalando a passagem da via com vestígios romanos em Outeiro do Coxo e Pedra Alta, possivelmente tabernas junto à via)
Padrela (desemboca na ER206 junto da villa ou mutatio dos Milagres, a poente da aldeia, continuando pelo estradão paralelo à estrada moderna, marginando o possível assentamento militar romano do Alto da Cerca que controlaria o acesso ao complexo mineiro de Jales, localizado entre os rios Tinhela e Curros, seguindo depois o estradão paralelo à EN206 até à base do marco geodésico «Padrela 2», onde toma o caminho que vai pelos altos do Morouço, da Cabeça da Cheda e do Marco Preto, cruza a ribeira do Muro e continua por alturas de Vilarelho até ao Alto da Forca, onde segue à direita para a travessia do rio Tinhela na Ponte da Fonte da Ribeira)
Campo de Jales (barragem do Alto da Presa na estrada para Guilhado; estela funerária, actualmente no MNA; continua junto das Minas de Jales por Borralheiros, entra na EM567 e passa junto de Ns. da Saúde)
Vreia de Jales (continua pela EM567 até à Cruz da Vreia e 100 m depois segue à direita para o centro da povoação; continua pelo troço de via romana que segue por Milhapão)
Barrela de Jales (a via romana continua a poente a aldeia, passando junto da interessante estátua-estela do Marco até Estalagem, onde entronca no CM1237 que segue por 400 m até desviar pelo troço calcetado que leva à Ponte do Arco)

Ponte Romana do Arco sobre o rio Pinhão (vários indícios apontam para uma cronologia romana como pedras almofadados no arco e estribos, arco de volta perfeita e pavimento em grandes lajes de pedra; no outeiro adjacente há sinais de um povoado fortificado conhecido por Murada ou Castro do Corisco; retoma o CM1237 por 800 m, onde segue à direita pelo caminho da Laje do Cavalinho que volta a reunir-se com estrada junto do cruzeiro do Sr. dos Aflitos; continua por 500 m, onde desvia por caminho carreteiro que vai cruzar o ribeiro dos Carrojos na Ponte do Prado)

Pinhão Cel (lápide consagrada a Tutela Turiensis achada na igreja de Sta. Maria da Ribeira, actualmente no MSMS; a via passa a poente, cruza a CM1237, pouco depois segue à esquerda por caminho por Vidual, topónimo viário, actual Rua do Souto, cruza a EN15 e segue o caminho defronte por Bouça da Velha)
Justes (passa a poente da povoação por Cabeça Gorda)
Lamares (na base do Castro da Murada, povoado da Idade do Ferro; continua junto do Alto de Lamares até Lagares, seguindo daqui pelo Alto da Lomba Queimada na Serra do Rebordo Longo, e por alturas de Magarelos e Carvas, caminho actualmente interrompido devido à construção da A4)

Panóias, Vale de Nogueiras (mutatio?; a via passaria a nascente do Santuário de Panóias; este local se encontra-se a 12 milhas do rio Douro e a 16 milhas de Jales, sendo portanto um ponto intermédio deste grande itinerário, justificando a existência de uma estação viária, eventualmente uma mutatio, atendendo aos importantes vestígios romanos descobertos no lugar do Assento como capitéis, frisos e colunas, assim como a algumas inscrições embutidas nas paredes da casa paroquial da Igreja de São Pedro)

Nó viário de Panóias
Esta região de planalto delimitado pelos rios Corgo e Pinhão era chamada de «Terras de Panóias» em tempos medievos, poderia ser sucedânea de uma civitas romana, supostamente ocupada pelos Lapitiae, nome que aparece no monumental Santuário Rupestre de Panóias, exemplo maior da transformação religiosa inerente à romanização (Cortez, 1947; Alarcão, 2001b). O CIL inclui um possível miliário de Trajano (CIL II 4797), citando João de Barros que apareceu a «huma legoa de Villa Real» (Barros, 1549, c. 13); posteriormente Russel Cortez dá-lo como procedente de Constantim (Cortez, 1947). No entanto, poderá ter havido confusão deste autor com uma estela funerária levada em 1888 para a colecção do MSMS em Guimarães (Lemos e Martins, 2010). Apesar das dúvidas quanto à sua localização original, é realmente possível que o miliário estivesse não em Constantim mas antes junto da via romana que passa a nascente do santuário rupestre. Por sua vez, há vestígios de povoado em Constantim (talvez um vicus), na área compreendida entre o centro da povoação e a Capela de Sta. Bárbara, incluindo cerâmica de construção e um pedestal no topónimo Mamoas; o local era designado na Idade Média por «Feira de Constantim», seguramente relacionada com a proximidade da estrada.

Itinerário de Panóias ao Douro
De Panóias continua pela cumeada do monte entre Andrães e São Cibrão, descendo depois à travessia da ribeira de Tanha junto do topónimo Santiago; continua por Fonteita, onde inflecte para sul pelo caminho de festo que passa na Senhora da Guia, no Alto do Monte Agudo, entre Jorjais e Magalhã (tesouros monetários em Agó e Caxada), continuando a nascente da povoação de Abaças (castro romanizado), passando junto da Capela da Sra. do Bom Caminho, a 6 milhas do Douro (possível ligação ao Povoado de Guiães, onde apareceu uma ara de Reve Marandigui, actualmente no Museu de Vila Real); continua junto da Mamoa de São Pedro rumo à Senhora da Boa Morte)

Nó viário da Senhora da Boa Morte
Aqui a estrada poderá dividir-se em dois ramais de acesso à travessia do rio Douro em Covelinhas, separados pela ribeira homónima; um seguia por Poiares (onde existiu albergaria medieval), Castro do Muro e Fonte do Milho até à Sra. da Boa Passagem em Covelinhas enquanto o outro ramal (talvez o principal) seguia um percurso mais directo e mais facilitado passando por Galafura:
  • Variante por Poiares: desvia na Capela da Sra. da Boa Morte para sudeste, seguindo a sul de Bujões por Estalagem, Estrada, Vila Seca e Poiares; continua para sul rumo ao Douro, passando junto ao Castro do Muro e da villa fortificada (?) da Fonte do Milho ou da Pousa, em Canelas, grande estrutura rural romana que poderia eventualmente funcionar também como mutatio; daqui desce a Covelinhas pela Quinta do Muro, Quinta de Viandos e Sra. da Boa Passagem, santuário com vestígios de tégula que assinala a passagem do rio Douro para Folgosa.
  • Variante por Galafura: a partir da Capela de Ns. da Boa Morte, seguia por Lamas de Bujões, Caminho dos Salgueirinhos, Galafura, Aveleira, Barreiro, Muro e Covelinhas.

Covelinhas (cruza o rio Douro junto da Capela do Senhor da Boa Passagem; inscrição num mosaico tumular, entretanto destruída; referência à stratam no Foral de Covelinhas em 1195; PMH LC 493)
Travessia do rio Douro para Folgosa (daqui a via seguia talvez pela Quinta da Folgosa Velha, Quinta da Cruz do Monte e Alto da Forca)
Vila Seca (4 m.p.; continua a poente de Arícera, onde apareceu um término augustal, continuando depois próximo de Quinta da Silveira e Quinta do Esporão)
Gogim (7 m.p.; marcos nas ruas da povoação; a cerca de uma milha a norte do Castro de Goujoim, na Quinta das Lameiras, apareceu um término augustal e no povoado uma árula votiva dedicada a VACO, possivelmente relacionado com o rio Vouga, FE 823)

Bifurcação de Gogim
Em Gogim a via bifurcava em três ramais: o primeiro seguia por Passô rumo à Ponte do Touro, o seguindo seguia por Leomil e o terceiro por Moimenta da Beira, reunindo estes dois últimos trajectos no nó viário de Cabeça de Alva (act. 2024).

Ligação de Gogim à Ponte do Touro por Passô
Esta via derivava em Gogim (7 m.p.), seguindo por Cimbres (10 m.p. junto da Capela do Espírito Santo e 11 m.p. no alto da Cabeçada) até à Ponte das Tábuas, onde cruza a ribeira de Salzedas (12 m.p.). Continua pelo micro topónimo Carril e cruza a riberia de Passô (13 m.p.). Continua pela base do Castro de Mondim e junto da Capela de São José de Pinheiro (14 m.p.); Continua a nascente da povoação pelo topónimo viário Portela rumo a Vila Chã do Monte, onde cruza o rio Varosa (17 m.p.), seguindo depois ao longo da margem esquerda deste rio, e descendo pelo micro topónimo Paulas, atingia a calçada da Ponte do Touro (20 m.p.), entroncando assim na via Lamego-Tarouca-Viseu (act. 2024).

Itinerário de Gogim a Cabeça de Alva, por Leomil:
Partindo de Gogim, segue entre as povoações de Lumiares e São Cosmado pelos topónimos Quinta do Vale, Quinta de Lama de Frades, Carvalhal, tomando depois a calçada de Lajeirão pelos topónimos Castelo, Lagoeira, Plaino e Lameira Longa (local onde conflui com a via proveniente da Régua e existe marco do Mosteiro de Salzedas, possível miliário, no local onde a via vencia a 12ª milha a partir do rio Douro. Continua a oeste de Sarzedo (junto do menir), rumo Leomil (possível miliário incorporado num muro do Solar dos Mergulhões, junto da igreja paroquial) e cruza ribeira de Leomil (16 m.p.), seguindo pela serra em direcção a Carapito (20 m.p.; possível miliário, FE 725). Cruza o rio Paiva e reúne em Vila Chã de Caria com a variante por Moimenta da Beira, seguindo daqui para o nó viário de Cabeça de Alva.

Itinerário de Gogim a Cabeça de Alva, por Moimenta da Beira:
Parte de Gogim na direcção sudeste por São Martinho das Chãs (8 m.p.; 3 marcos, possíveis miliários, na rua do Outeiro), São Cosmado (9 m.p.), Lapinha (10 m.p.), cruza a ribeira de Leomil (11 m.p.) e continua por Vale do Mogo (12 m.p.; nó viário; próximo deste local, junto do ramal que ligava a Nagosa existe um possível miliário no sítio da Cerca, FE 732; o topónimo Mogo significa marco divisório). Continua cruzando a povoação de Castelo (13 m.p.) em direcção de Moimenta da Beira (18 m.p.; nó viário e presumível estação viária a 18 milhas do rio Douro); a via continua a sua orientação sul por Toitam (19 m.p.), Aldeia de Nacomba (20 m.p.; calçada na rua da Via Romana com cerca de um Km, percorrendo o Alto da Surrinha/Serra da Aldeia, por alturas de Carapito e junto da Sra. dos Caminhos em Vila Chã de Caria), reunindo com a variante por Leomil em Vila Chã, e daqui ao nó viário de Cabeça de Alva (nó viário junto da Capela de Ns. dos Aflitos).

Itinerário de Cabeça de Alva a Aguiar da Beira: seguindo talvez por Caria e Quintela da Lapa (na área apareceu uma estátua de um homem togado; possível miliário descoberto no sítio de Charangões ou Chingalhões, muito próximo da divisória concelhia com Sernancelhe (FE 733); continua pela EM584, cruza o rio Vouga e segue até Aguiar da Beira.
Mapa
Sanfins


Carrazeda




Mêda


Celorico






Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Rio Douro (Vesúvio) - Celorico da Beira
Este eixo viário deriva da Via Chaves - Covelinhas junto da provável mutatio de Campos de Jales, seguindo depois na direcção sudeste por Alfarela de Jales, Alto de Pópulo e Carlão, onde cruzava os rios Tinhela e Tua, seguindo depois pelo termo de Carrazeda de Ansiães rumo ao povoado mineiro da Quinta da Sra. da Ribeira, onde cruzava o rio Douro para a Quinta do Vesúvio, continuando depois por Mêda e Trancoso rumo a Celorico da Beira (importante nó viário junto da travessia do rio Mondego), interligando aos eixos viários para Mérida por Belmonte. (Almeida, 1992-1993; Lemos, 2011).

Itinerário de Chaves ao Pópulo: inicialmente segue o Itinerário Chaves - Covelinhas até Campo de Jales, desviando aqui por Alfarela de Jales (topónimo Corredoura), Cortinhas (estela funerária do Gestal em Moreira de Jales) continuando talvez pela aldeia de Asnela e pelos altos de Portelinha, Modorras e Cabeço do Carril (caminho que serve de divisória entre os concelhos de Alijó e Murça) rumo ao nó viário do Alto do Pópulo.

Alto do Pópulo
Provável mutatio; tesouro; duas inscrições nas redondezas, uma estela funerária em Vale de Cunho e uma ara a Júpiter de Santa Ana/Santo Ovídio em Ribalonga, entretanto perdida (CIL II 2386). A via continuava por Pópulo próximo da EN212, servindo os povoados romanizados da Idade do Ferro do Castro de São Marcos/Touca Rota, Castelo do Alto da Murada, Castelo de Castorigo e Castelo de Vale de Mir/ Castelo de Trás, seguindo pela vertente ocidental da Serra da Botelhinha, por Pópulo, Pousada, Cal de Boi, Alto de Pegarinhos e Vale de Mir (passando a cerca de 500 m a este da Anta da Fonte Coberta), entrando depois no troço de calçada junto do Aeródromo de Alijó, a nordeste da povoação de Chã, provável nó viário e trifínio entre as freguesias de Pegarinhos, Vila Chã e Carlão, de onde partia um ramal de ligação ao Pinhão (act. 2024).

    Ligação de Chã ao Pinhão (XV m.p.)
    Ramal em direcção à travessia do rio Douro no Pinhão derivando do Itinerário Chaves - Vesúvio próximo do Aeródromo de Alijó em Vila Chã, seguindo um percurso pontuado por povoados fortificados da Idade do Ferro, partindo do nó de Chá pelo caminho do Alto da Portela do Cabeçudo, Giesteira e Alto do Areeiro até Sanfins do Douro (necrópole na Igreja de Ns. da Conceição que reaproveita uma ara romana; tesouro de moedas romanas na Senhora da Piedade, povoado fortificado da Idade do Ferro sobranceiro à povoação). Continua pelo troço lajeado o que passa na Ponte de Rio Moinhos de cronologia incerta que cruza a EN322 junto do topónimo viário do Marco, seguindo em direcção a Favaios (passando na base da vertente oeste do Castro de Vilarelho; vestígios de um possivel vicus na povoação, junto ao cemitério e ao Povoado de Sta. Bárbara; estela funerária na Quinta de São Jorge, possível villa). Continua pelo topónimo viário Corredoura, saindo pouco depois da EN322-2 pelo caminho em altura que passa no Alto da Portela da Serra, em direcção a Vilarinho de Cotas (povoado fortificado romano no Cerro do Castelo; castelum?). Daqui desce ao Pinhão por Casal de Loivos (topónimo rua Calçada) (ver o outro itinerário para o Pinhão).

Carlão (17 m.p.)
Nó viário junto do povoado conhecido por Castelo do Carlão, onde inicia a descida ao Tua pelo Alto da Figueirinha, cruzando o rio Tinhela na Ponte «Romana» de Caldas de Carlão (20 m.p.; referência a uma ponte antiga destruída por uma cheia em 1739, onde há registo de calçada em direcção ao Tua)
Travessia do Rio Tua (21 m.p.; junto do castro romanizado de Santa Catarina; continua por Brunheda, passando na Capelinha dos Passos e alturas de Santrilha, rota da EN314-2)
Pinhal do Norte (continua talvez pelo caminho da Capelinha de Santa Marinha até ao extremo sul da povoação de Pombal)
Pombal (na Igreja de Pombal apareceu uma inscrição dedicada a Júpiter pelos vica(ni) Cabr(...), actualmente na Igreja de São Salvador do Castelo de Ansiães; cruza a estrada actual no extremo sul da aldeia, local onde vencia 16 milhas ao Douro; continua pela calçada que passa junto do vicus da Costa/Mós, presumível estação viária)
Paradela (14 m.p. junto da Igreja Paroquial; cerca de 1 km a oeste, há um povoado romano no Curral dos Moiros)
Parambos (11 m.p.; topónimo Venda Nova)
Arnal (10 m.p.; passa a nordeste da povoação pela rua do Vale)
Marzagão (8 m.p.; cruza a ribeira de Linhares na Ponte Medieval do Galego)
Selores (6 m.p.; possível mutatio na base do povoado no Castelo de Ansiães, nó viário de onde partia o ramal para a travessia do Douro em Arnozelo, continuando a via para o Castelo de Numão)

Itinerário pela Senhora da Ribeira/Vesúvio a Mêda: De Selores continua pelo caminho sensivelmente paralelo à rota da EM632, até Seixo de Ansiães, continuando para Douro pelo caminho que passa na base da Ermida da Senhora da Costa (4 m.p.) e no Alto de Arejadouro (3 m.p.), conhecido pelo micro-topónimo "calçadas". A partir daqui iniciava a descida ao rio, passando na divisória entre freguesias (2 m.p.), com uma forte pendente até à margem direita do rio, onde há vestígios de um povoado mineiro romano na Quinta da Senhora da Ribeira, a 43 milhas de Jales e a 22 do Tua, seguramente relacionado com a exploração em Covas dos Mouros. Na Capela de Ns. da Ribeira apareceu uma ara votiva a Bandu Vordeaeco e um ex-voto dedicado à divindade Tutela Liriensis ou Tiriensis pelo que o povoado poderia ser designado por Liria ou Tiria em época romana (actualmente no MSMS com o nº 37; Encarnação, 1975, 1992; Alarcão, 1988 e 2004b; Lemos, 1993; Guerra, 1998:185-186).

Depois de cruzar o rio para a Quinta do Vesúvio, ascendia a encosta por Seixas do Douro (possível vicus na Quinta do Vale, destruído pela construção da barragem do Catapereiro), continua pela estrada da cumeada do monte que passa próximo da villa de Rumansil (a parte escavada corresponde à pars rustica e a villa seria no sítio de Rumansil II), seguindo recto ao nó viário da Quinta da Pedra Escrita, junto da importante villa do Prazo (onde cruzava uma via este-oeste que ligava a Freixo de Numão; ver «Rede Viária de Freixo de Numão»). Continuava a nascente da Quinta dos Bons Ares (villa junto da Capela de Sta. Eufémia), cruza a EN222 e segue pelo Alto da Touça, Quinta das Alminhas e Capela de Sta. Bárbara em Sequeiros (possível miliário em Fonte Longa, a nascente da via); continua pelo Alto do Poço do Canto/Santa Columba, passando nas proximidades do vicus ou villa de Vale da Aldeia (ara consagrada aos Lares Placidus).

Mêda (Amindula?; nó viário, provável mutatio; seria a «Amindula» referida na documentação medieval?; ara aos Bandi Vordeaicui; aqui a via bifurcava, seguindo um ramo para Marialva e outro para Trancoso rumo a Celorico da Beira).

Itinerário de Mêda a Celorico da Beira: partindo de Mêda para sudoeste, a via seguia a rota da EM600 por Canadinhas (passando entre os povoados do Castelo de Nunes e Santa Bárbara), até Pai Penela (junto do sítio romano da Fonte da Telha/Campo da Moura, continuando pelo marco geodésico de São Simão rumo ao Castelo de Casteição (provável povoado proto-histórico junto deste importante nó viário, onde cruza com a via Moimenta-Marialva). Continuava por alturas de Moreira de Rei e Golfar até Trancoso. Continua a nascente de Fiães, pela cumeada pela calçada de Vale Longo, passando nos topónimos Alto de Fiães, Grila, Quinta das Tarulas, Alto da Silva, Barreiros e Murça (por alturas da Quinta do Salgueiro, servindo os casais ao longo da ribeira da Quinta das Seixas) até Forno Telheiro. Finalmente segue até São Gens, onde cruza o rio Mondego, rumo a Celorico da Beira.
  • A travessia do Mondego tem sido colocada na Ponte Medieval da Lavandeira, ascende depois a Celorico da Beira por calçada até ao Bairro de Sta. Luzia(Carvalho P., 2009). No entanto, a directriz da via aponta para a travessia do rio em período romano seria junto do sítio romano de São Gens, um pouco a montante. Deste modo, é possível que este local corresponda a uma mutatio ou taberna junto desta travessia que depois seguia próximo da Quinta da Picheleira até Celorico, também assente noutro povoado proto-histórico.
  • Este itinerário com origem nas travessias do rio Douro na Sra. da Ribeira/Vesúvio e Foz do Sabor/Monte Meão, continuava o seu trajecto pela vertente oeste da Serra da Estrela até Bobadela e daqui a Conimbriga, formando um eixo viário transversal com directriz geral NE-SO em direcção ao litoral; ver continuação da via para Bobadela (Oliveira do Hospital); é provável que um ramal desta estrada seguisse em direcção à Guarda, descrito no Itinerário Celorico - Guarda.
Mapa
Chaves
Régua




Ola


Chaves (AQUAE FLAVIAE) - Rio Douro (Peso da Régua)
Um outro eixo viário norte-sul partindo de Chaves seguia pelo alto da serra a poente da depressão Verín - Régua rumo também ao rio Douro; dois miliários logo à saída de Chaves (Campo da Roda e Outeiro Jusão) que apesar de estarem deslocados da sua posição original parecem assinalar esta via que seguia por Vidago rumo à Ponte de Ola onde cruzava o rio Avelames, continuando por Cabanas, estação viária onde poderia existir uma mutatio (Batata et al., 2008); percorria depois as alturas da serra rumo ao Vale de Campeã, onde cruzava o rio Sordo e recebia a via vinda de Braga pela Serra do Marão. Daqui seguia por Santa Marta de Penaguião rumo à Régua.

Chaves (depois de atravessar a Ponte de Trajano, rumava a sul cruzando a ribeira do Caneiro; na Quinta do Caneiro apareceu o miliário do «Campo da Roda», talvez de Constantino Magno, actualmente no MRF)
Outeiro Jusão (miliário anepígrafo numa casa derrubada da aldeia; ara aos Lares Tarmucenbaecis Ceceaecis; ara dedicada a Ísis no MRF e estela funerária de Daphnus talvez provenientes da villa da Quinta do Pinheiro; neste local apareceram os términos dos Praen e Coroq; a via seguia talvez por Pereira de Veiga e Vila Nova de Veiga pelo Alto da Conceição, Alto do Turigo e Parada onde apareceu uma ara a Baco)
São Pedro de Agostém (ara aos Lari Erredici no adro da igreja, entretanto perdida; a via segue talvez por Fonte Fria e junto do castro romanizado do Alto do Castro/Monte de Sta. Bárbara e do respectivo habitat romano da Fonte do Mouro; inscrição a Laribus Pindeneticis em Selhariz)
Pereira do Selão, Vilas Boas (segue pela rua da Paz e campo de futebol e pelos topónimos viários Carquejo, Corgo e Alto da Portela)
Vidago (castro; termas romanas em Salus, divindade que designa saúde, onde apareceu uma inscrição referindo Aqua Flaviae; a via cruzava a ribeira da Oura junto a Vidago ou mais a jusante numa ponte hoje arruinada na EM549, próximo do sítio romano de Couces, ascendendo depois ao planalto da Serra de Oura, continuando pelo Alto do Baldio, junto da Quinta do Marco, Alto do Miradouro e aldeia de Vilela, passando assim a nascente do castro romanizado do Monte do Castelo em Capeludos, sobranceiro ao Tâmega, onde apareceu uma estátua de guerreiro; inscrição aos lares gegeiquis (?) na igreja paroquial de Arcossó)
Bragado (cruza o rio Avelames na Ponte Medieval de Ola, e sobe a encosta pelo Parque de Lazer)
Pensalvos (cruza a ribeira da Azenha e segue pela rua do Cabo, Igreja e rua do Calvário)
Cabanas (possível mutatio no sítio da Castanheira/Reguenga, a 150 m do campo de futebol, onde apareceu um tesouro monetário do século III d.C.; cruza a aldeia pelo Largo da Capela e Largo do Outeiro e continua pelo CM1155 junto dos topónimos viários Portela e Pipa, seguindo pelo planalto da Serra do Alvão)
Afonsim (a nascente pelo CM1155 e EM555 por Alto de Couces e Praina dos Molhadinhos)
Paredes do Alvão (continua a nascente pelo CM1153 por Colonos de Paredes, Alto do Porto da Lage/Alto da Chã da Fonte, Colónia de Baixo e Povoação)
Gouvães da Serra (continua por Lages das Portas e Cadouço, topónimos viários, Alto da Sombra, Alto dos Merouços e Alto da Meroucinha, servindo de linha divisória entre os concelhos de Ribeira de Pena e Vila Pouca de Aguiar, continua pelo Alto dos Fornos, Alto do Seixinhal e Alto das Caravelas, onde inicia a descida da serra até cruzar a EM313 junto da Barragem Cimeira a sul de Lamas de Olo)
Lamas de Olo (nó viário junto da Minas da Seara; possível estação situada num trifínio entre freguesias, a 18 milhas de Cabanas e a 9 milhas do rio Sordo; continua do outro lado da barragem por Ranhadouro, contorna o Alto e Minas dos Vidoais, Planalto do Vaqueiro, novo trifínio entre freguesias; continua pela cumeada do monte pelos topónimos Outeiro dos Fiéis e Alto da Cota, onde inicia a descida das alturas da Serra do Alvão para o vale da Campeã; a via continua bem marcada na paisagem contornando o Alto da Cota pela vertente sul)
Gontães (escoriais de ferro testemunham um possível ferraria nesta povoação; continua por Foz onde cruza o rio Sordo)

Nó viário de Lameirões: possível estação viária junto da travessia do rio Sordo, onde se regista uma calçada; neste local recebia a via proveniente de Braga cruzando a Serra do Marão e pelo vale da Campeã. Juntas, seguiam por Santa Marta de Penaguião rumo à Régua, onde cruzava o rio Douro. Na margem sul, esta via seguia rumo a Moimenta da Beira, importante nó viário da região).
Torgueda (seguia talvez por Fonte Seca, Vendas de Cima e Moçães, continua pelo CM1244 por Arnadelo, rua da Carreira, passando junto do povoado pré-romano do Alto do Castelo, no outeiro da Capela da Sra. dos Remédios; continua pela EM1244-1 marginando os sítios romanos do Rodelo e Veiga, este último junto do campo de futebol de Pomarelhos; a partir daqui a via descia à travessia da ribeira de Aguilhão junto da Quinta de Valflores e do povoado fortificado do Monte Maninho; na outra margem há vestígios romanos em «Cabanelas»)
Sever (passa junto da Igreja, nó viário onde conflui a via de acesso ao Castro de Fontes; daqui desce pelo lugar de Pedras a Santa Marta)
Santa Marta de Penaguião (continua por Encambalados de Cima, ascendendo daqui ao alto da Capela de Ns. da Guia de Lobrigos pela vertente poente; continua pelo viso do monte por Outeiro, Casaria, reúne com a EN2 e pouco depois desvia novamente desta na Capela de São Gonçalo pelo caminho de festo que passa junto da Capela da Sra. da Graça, descendo depois ao rio Douro talvez pela Quinta de São Domingos.
Peso da Régua (travessia do rio Douro)


Mapa
Campeã


Braga (BRACARA) - Rio Douro (Régua) pelo Marão
Itinerário que ligava Braga às travessias do rio Douro na Barca de Moledo e em Peso da Régua, seguindo depois por Moimenta da Beira rumo a Mérida. Inicialmente seguiria o mesmo trajecto da Via Bracara - Tongobriga até Alto da Lixa, derivando desta para sudeste rumo à travessia do rio Tâmega junto do povoado do Ladário em Gatão, cruzando depois a Serra do Marão até ao Campeã (Lopes AB, 2000:290; Balsa, 2017:44; Soutinho, 2021b:28-29). O percurso cruza o Tâmega a montante de Amarante, tendo este antigo percurso sido abandonado na Idade Média com a construção da Ponte de São Gonçalo. A partir de Campeã bifurcava rumo às travessias do rio Douro em Peso da Régua e na Barca de Moledo (Cidadelhe/Penajoia). Esta barca surge na documentação medieval como a «barca de por Deus» (gratuita) tendo sido no século XII beneficiada por D. Teresa de Leão com uma albergaria, junto da actual Ermida da Virgem da Ajuda em Moledo. Na outra margem, em Caldas de Moledo, há vestígios romanos possivelmente associados a um pequeno vicus. Segundo António Lima este local de passagem corresponderia na Alta Idade Média ao «portu de aliovirio» referido num documento do ano 922 (PMH DC 25), levando este autor a propor o nome de «Aliobriga» para o antigo povoado no Castro de Cidadelhe (Lima, 2008).

Itinerário de Lixa a Campeã pela Serra do Marão
Lixa (partindo do nó viário do Alto da Lixa, seguia talvez pelo actual CM1193 por Castanheiro Redondo e São Brás, passando nos topónimos Pousada e Portela, continuando pelo CM1206 por Cruz das Bouças, Soutelo, Pedra de Leite e Silvares até lugar de Gatão)
Gatão (o Povoado do Ladário que deverá corresponder ao vicus Atucausium com base na ara dedicada a Júpiter pelos Vicani Atucausensis que apareceu na Quinta dos Pascoais (CIL II 6287), actualmente no MSMS, nº 44 e a ara de Adus entretanto desaparecida que servia de pia na Igreja de São João Batista, CIL II 2383; daqui segue por Meios para a travessia do rio Tâmega junto da foz do rio Olo)
Vila Chã do Marão (do rio sobre ao Alto dos Picotos, onde recebe a via proveniente de Tongobriga, continuando a leste da povoação pelo caminho de festo que passa em Pousadela, «Velha Albergaria» e São Bento, descendo a Covelo pela «Tapada dos Bebedouros»)
Covelo do Monte (contorna a nascente do rio Ovelha e segue pelo caminho da serra até ao «Parque da Lameira», próximo do marco geodésico do Alto da Neve, iniciando depois a descida a pela vertente nascente do Alto do Gavião pelos topónimos Rodas do Marão, Alto de Espinho, Fonte do Ladrão, Corredoura, Vale do Mogo e Ferreirinho (Dias, 1997; A. B. Lopes, 2000:290; Balsa, 2017)
Campeã (importante nó viário que articulava todo o trânsito que cruzava a Serra do Marão; provável mutatio no lugar das Vendas, junto da Capela de São Roque, a 17 milhas do rio Tâmega; a via continua pelo chamado «Caminho Romano» com vestígios do lajeado no topónimo Chão Grande, passando junto do Marmoiral do Arco, seguindo até ao sítio da «Estalagem Nova» junto da EN304, estação viária de onde partiria o acesso ao rio ao Douro pelo Cotorinho)
  • Campeã - Lameirões: é muito provável que a calçada do Arco tivesse continuação, mantendo a sua directriz sensivelmente paralela à estrada actual. Henrique Botelho refere as mamoas do Coto ladeando a antiga estrada real de Vila Real para o Porto (Botelho, 1896), assinalando o percurso até Lameirões, onde se registou um troço lajeado entretanto destruído. Lameiões era outro importante nó viário, a 2 milhas da Estalagem Nova, cruzando aqui com a via norte-sul proveniente de Chaves que seguia por Santa Marta de Penaguião rumo à travessia do rio Douro em Peso da Régua.
  • Campeã - Fontes: derivando na Estalagem Nova, esta via percorria o caminho de meia-encosta que percorre a vertentes nascentes da Serra do Marão rumo ao nó viário de Fontes, onde voltava a bifurcar em dois ramais rumo às travessias do rio Douro na Barca de Moledo (rumo a Lamego) e em Peso da Régua (rumo a Moimenta da Beira). Partindo da Estalagem Nova seguia aproximadamente o trajecto do CM1240, passando nas aldeias de Cotorinho, Soutelo, Paradela da Serra, Senhora do Viso e Capela de Santa Quitéria até ao lugar de Fronteira, junto da Igreja Paroquial, importante nó viário relacionado com o Castro de Fontes.
  • Castro de Fontes: próximo deste nó viário existe um importante povoado castrejo fortificado na colina da Pena Aguda, actualmente ocupado pela Capela de São Pedro de Fontes; deste povoado, também conhecido por «Castelo dos Mouros», provém uma ara dedicada à divindade Auge; este povoado controlava esta importante plataforma viária de acesso ao rio Douro; mais a norte, já na freguesia de Fornelos, existe um forno romano junto da Ponte da Arcadela sobre a ribeira de Aguilhão.

Itinerário de Fontes ao Douro (Barca de Moledo) por Mouramorta
Desviando em Fronteira, seguia para sul rumo ao rio Douro pelo caminho de festo por alturas de Medrões, passando no viso do monte pelos Alto da Sra. do Monte e no Alto da Mouramorta/Sra. dos Remédios; continua por Mó, Alto de São Gonçalo e sempre pela cumeada até Quinta da Boavista, descendo depois em zig-zag até à Quinta do Carvalhal, possível estação viária a 1 milha da travessia do rio Douro na Barca de Moledo. A via atinge o Douro junto da foz e na margem direita do rio Sermanha no lugar de Granjão, na base do Castro de Cidadelhe, povoado castrejo romanizado junto da actual aldeia de Cidadelhe ocupa um alto na lombada na margem direita do rio Sermanha, portanto na margem oposta à via. Este povoado deverá corresponder à sede da paróquia sueva (séc. VI) e ceca visigótica (séc. VII) de Aliobrio (Fernandes, 1997:74-75; Lima, 2008:87-88).
  • Carrale Antiquo: esta via é referida num documento de 970 como «carrale antiquo», servindo de limite nascente de uma propriedade do Convento de Bagaúste, partindo do rio para norte até confrontar com as «terras» de «Lombadela» e Nostim, e daí ao rio Sermanha; estes limites são ainda hoje usados como divisão concelhia; diz o documento: «et inde per lombo usque in sarmenia et de dextera parte per carrale antiquo usque ubi diuidet cum uilla de lombadella et cum uilla de nausti usque in sarmenia» (PMH DC 101).
  • Barca de Moledo («portu de aliovirio»?): na outra margem, parte do cais de Penajóia, ascende a encosta por Pousada e Torre até Avões de Lá (Alto da Venda), onde recebia a via proveniente de Porto de Rei, e continua junto da Capela da Senhora do Pilar até Lamego.
  • Miliário em Cidadelhe?: em meados do século XX, Russel Cortez alude a um possível miliário no «Lugar do Marco» que assinalaria a passagem desta via por Cidadelhe (Cortez, 1951:46). No entanto, parece haver confusão com um outro miliário registrado em Vide (Caria, Moimenta da Beira) por Viterbo em 1799 (Elucidário, p. 237); em 1859, Levy Maria Jordão inclui a respectiva epígrafe no "Portugalliae inscriptiones romanae" (PIR, 288), mas curiosamente coloca uma outra com texto absolutamente idêntico «junto a Cidadelhe», integrando a inscrição sendo um miliário da via «A Bracara (Braga) ad Cariæ (Caria) territorium per Cidadelhe» (PIR, 230) usando como fonte um artigo anteriormente publicado por Pereira Caldas (Caldas, 1853:14); Emil Hübner viria a publicar a inscrição no CIL II, acrescentando que se trata de um miliário de Numeriano (CIL II 4641). Parece assim haver confusão de Cortez que interpreta mal o texto de Levy. Mas acaso o marco estivesse em Cidadelhe, e aceitando que o numeral «IIXX» da última linha corresponder à indicação de 18 milhas, não deixa de ser curioso que essa é a distância medida no terreno entre o rio Douro em Moledo e o lugar das Vendas em Campeã, deixando assim uma hipótese para sua localização junto da travessia do rio Douro em Cidadelhe (Soutinho, 2021b).

Itinerário de Fontes ao Douro (Régua) por Santa Marta de Penaguião
Retomando o percurso em Fronteira, seguia junto do Castro de Fontes, descendo depois à Igreja de Sever, local onde entronca na via proveniente de Chaves, continuando até Santa Marta de Penaguião, onde cruza a ribeira de Fontes (topónimo «Quinta da Calçada»; daqui à Régua (vide no Itinerário Chaves - Régua) (Soutinho, 2021b:31).
Mapa





















Peso da Régua - Moimenta da Beira (Arabriga?) pelo Monte Raso
Esta via atravessava o planalto beirão seguindo em geral uma orientação noroeste-sudeste, dando continuidade às várias travessias do rio Douro na zona da Régua e em Covelinhas. A existência de miliários nas aldeias de Vide e Faia em Moimenta da Beira, possível território dos Arabrigenses, sugere que a travessia do rio Távora seria nesta zona, onde afluía também uma outra via proveniente de Viseu que corria sentido SW-NE, seguindo depois em direcção à Civitas Aravorum com sede em Marialva (Sá Coixão, 2000, 2004, 2009; Teixeira, 1998). Depois de cruzar o rio Douro junto de Peso da Régua, a via ascendia a encosta por Valdigem e Queimada até ao Monte Raso, onde se regista a referência a uma «strada mourisca» que na época servia para definir o limite norte e nordeste do Couto do Mosteiro de Salzedas (LDMS 61). Este trajecto de altitude evita fortes vertentes e difíceis travessias de cursos de água na área de Lamego e Salzedas (Soutinho, 2021a). Um ramal desta estrada desviava em Moimenta da Beira para sudeste rumo à Serra da Estrela que cruzava por Linhares até Centum Cellas (Belmonte), onde entronca na importante rota para Mérida pela Ponte de Alcântara (act. 2023).

Peso da Régua a Moimenta pela «estrada mourisca»
A «estrada mourisca» referida na Carta de Doação a D. Teresa Afonso de 1152 constituía o limite norte do couto do Mosteiro de Salzedas numa linha que atravessa o planalto do Monte Raso e divide com Queimada («et per illa strada mourisca et dividit per Ceimada»); num outro documento de doação datado de 1161 é referida como «viam antiquam usque in monten rasum» (DMP, DR, 277). Um documento de 1314, o Testamento de Lourenço Peres, refere a «Albergaria de Queimada» (Saraiva, 2003; doc. 45). Esse limite norte do couto é assinalado por vários marcos (em São Lourenço, Soito, Padrão e Alto de Santiago), todos eles ostentando uma cruz gravada no topo referente ao Mosteiro de Salzedas (Castro, 2013; Castro, 2013a; 2014). O facto destes marcos apresentarem a forma cilíndrica e a dimensão típica dos miliários romanos, assim como o seu posicionamento junto à via romana, sugere que estes seriam originalmente marcos romanos. Entretanto, o recente levantamento efectuado por José Carlos Santos e José d'Encarnação levou à identificação de outros marcos ao longo desta rota (Pocinhos, Vale Cavaleiro e Lameira Longa) e de vários fragmentos nas povoações próximas à via (São Romão, Passos e Santiago), sendo as fotos publicadas retiradas desse trabalho (Encarnação e Santos, 2021). Este estudo veio reforçar a nossa proposta inicial de fazer passar a via romana por Queimadela, Monte Raso e Moimenta, onde deveria bifurcar, seguindo um ramo para a travessia do rio Távora entre as povoações de Faia e Freixinho, rumo talvez a Marialva e outro seguia para sudeste rumo a Linhares (act. 2023).

Partindo da travessia do rio Douro na Régua, passagem controlada pelo povoado romanizado do Torrão que assenta num outeiro adjacente ao rio, ascendia pela vertente norte do povoado (caminho actualmente destruído pela plantação de vinha) seguindo depois o caminho de terra que segue a margem direita do rio Varosa (numa cota superior às estradas actuais), vencendo a primeira milha entre a Quinta de Santa Bárbara e a Quinta de Garcia. Continua em direcção a Valdigem passando junto da Quinta de Vale da Lajea (2 m.p.), Quinta de Brolhas, Lugar da Estrada (3 m.p.) e Rodelo, onde cruza o ribeiro. Daqui ascendia à referida «Albergaria de Queimada» pelo caminho a meia-encosta que passa nas alminhas do cemitério de Cimo de Vila, seguindo em direcção à Ermida da Sra. das Aveleiras (5 m.p., na base do Castro de São Domingos; habitat na Quinta da Raposeira, na vertente poente do castro), continuando pela base leste do «Alto do Ladário», outro topónimo viário, até Queimada (6 m.p.), onde existia albergaria medieval, possível sucedânea de uma mutatio romana. Daqui, continua a nascente da aldeia de Queimadela e da Ermida de São Lourenço, próximo da qual está um marco divisório do Couto de Salzedas, possível miliário reutilizado. Seguia depois pelo caminho paralelo e a norte da estrada actual ao longo do planalto conhecido por Monte Raso (8 m.p. no trifínio entre as freguesias de Queimadela, Queimada, Salzedas e São Romão), percurso que seria assinalado por mais dois marcos do couto, o marco do Casal (9 m.p.; anteriormente designado por marco do Soito) e o marco do Padrão (junto ao nicho da Senhora da Livração, entre Meixedo e Passos), trajecto que ainda hoje serve de divisória entre as freguesias de Salzedas e Passos. A via continuava por esta divisória com orientação sudeste, mas os seus vestígios foram apagados com a construção do «Campo de Aviação de Santiago» (entretanto desactivado e convertido num pomar), atendendo à existência de outros dois marcos de delimitação, marco do Campo 1 e marco do Campo 2, num alinhamento que cruza o campo da aviação junto da antiga torre de controlo (10 m.p.), até entroncar na EM520 no Alto de Santiago, onde está o referido marco e ainda hoje quadrifinium das freguesias de Salzedas, Santiago, Santa Cruz e Cimbres. Continua sob a EN520 passando a sul da Ermida de São Gregório, junto da qual apareceu uma possível estátua-menir, e pela base do Alto da Senhora da Graça, servindo parte do percurso de divisória entre as freguesias de Cimbres e Santa Cruz, em direcção ao Alto da Senhora da Saúde junto a Vila Nova (12 m.p.); aqui toma o estradão em terra com orientação N-S que passa nos topónimos Novais e Pocinhos (possível miliário relacionado com a milha 13 e novo trifínio separando as freguesias de Cimbres, Santa Cruz e Vila Chã da Beira), subindo ao Alto da Serra, onde há outros dois possíveis miliários (marco de Vale Cavaleiro na 14 m.p. e poucos metros adiante o marco Lameira Longa), local onde conflui na via proveniente de Covelinhas por Gogim. Daqui descia encosta sul junto da Fonte de Mouções até ao vale de Sarzedo (16 m.p.), seguindo depois por Beira Valente (18 m.p.), onde subsiste um troço lajeado conhecida por «Estrada Larga» que cruza um ribeiro numa pequena ponte com presumível origem romana.

Moimenta da Beira
Presumível estação viária situada a 20 m.p. da travessia do rio Douro na Régua. A via passa próximo do sítio romano da Cabeça e do Povoado de São João. A vigésima milha seria atingida junto ao Terreiro das Freiras, na confluência das actuais Rua da Corujeira e Rua Luís Veiga Leitão, onde a via bifurcava para Aguiar da Beira por Cabeça de Alva. Existe um possível miliário no canto noroeste do terreiro, no início da rua do Lidador. A via para Marialva manteria a sua orientação oeste-este, seguindo por Arcozelos e Vide, rumo à travessia do rio Távora junto a Faia (percurso atestado por miliários em Vide e Faia), continuando depois em direcção ao nó viário de Casteição já em território da Civitas Aravorum, com sede em Marialva.

Mapa





Moimenta da Beira (Arabriga?) - Marialva (ARAVO)
Moimenta da Beira (possível miliário encastrado numa casa da rua Vasco Baptista Mergulhão; partindo da Igreja, segue o caminho do Bairro da Corujeira para Arcozelo do Cabo, onde resta um troço de calçada no lugar de Portela e um fragmento de outro possível miliário na rua do Forno; daqui continua por Arcozelo da Torre, onde apareceram silhares almofadados)
Granja de Oleiros (importante vicus de Rochela/Arrochela estendendo-se até Vide; epígrafe de um Colarnus em granito reutilizada no pavimento da Capela de Ns. de Fátima; FE 672)
Vide (na frontaria da Capela do Divino Espírito Santo existe uma placa honorífica com a inscrição «BONO REI PVBLICE NATO» (CIL II 4643) e um fragmento de um possível miliário; na rua do Outeiro e na rua de São João há outros fragmentos similares; referência ao achamento de um tesouro monetário na Vila da Rua; continua para leste contornando o Alto da Ranhã)
Faia (calçada em Ladário; miliário possivelmente do tempo de Constantino a servir de suporte a um telheiro de uma casa particular em Raposeira; FE 712; daqui seguia para a travessia do rio Távora para Freixinho na base da Capela de Ns. da Aflição; em 1951 Russel Cortez refere a existência de poldras para cruzar o rio)

  • Miliário em Vide - Segundo Viterbo, em 1788 apareceu uma inscrição nas «Casas do Beneficiado Lourenço Manoel de Almeida» no lugar de Vide (Elucidário, 1799:237; PIR, 288); o texto é posteriormente publicado no CIL por Hübner como sendo um miliário de Numeriano (CIL II 4641). O numeral «IIXX» da última linha pode ser interpretado como «18 m.p.»; assim é possível que este miliário indicasse a distância ao rio Douro como foi sugerido por diversos autores (Figueiredo, 1953:61; Vaz, 1982:85). No entanto, esta hipótese não se confirma, segundo o traçado aqui proposto, pois a distância entre Vide e o rio Douro é muito superior, rondando 24 milhas. Deste modo, o ponto inicial para a contagem miliária teria de ser outro. Se percorrermos 18 milhas, para oeste de Vide atingimos o Castro de São Domingos e a presumível estação viária da Queimadela. No entanto, também é possível que contagem seja feita para leste, atingindo essa mesma distância atingimos o nó viário de Casteição, local relevante no contexto viário dado que aqui cruzava um outro itinerário importante, a via N-S que ligava a travessia do Douro na Ns. da Ribeira/Vesúvio a Celorico da Beira.

Itinerário do Távora (Freixinho) a Marialva
Partindo da aldeia de Freixinho (fragmento de um possível miliário junto da Igreja Matriz), seguia talvez por Sarzeda (habitat em Mata Roivos), Guilheiro («Estrada Velha»), continua para leste, atravessa o rio Torto e chega à Cruz do Guilheiro, nó viário e divisão concelhia, continua pelo estradão que contorna o Alto da Escudeia pelo vertente norte e entra em Torre do Terrenho (miliários?), desce à ribeira da Teja que atravessa nas Poldras da Bernarda, sobe a Casteição, importante nó viário onde cruza a via Mêda-Celorico da Beira. A continuação da via para leste a partir de Casteição rumo a Marialva não parece viável pelo que haveria de seguir inicialmente para norte até Pai Penela, desviando aí para leste por Vale Flor, Sra. da Saúde, e pela calçada que passa no Convento de Vilares (Coixão et al., 2009:60), Quinta do Prazo e Salgueiral, atingia finalmente Marialva.
  • Marialva - Calábria: esta via teria continuação até ao Castelo de Calábria cruzando o rio Côa na Quinta de Ervamoira (act. 2023).

Nó viário do Guilheiro: era um nó viário fulcral desta região a sul do Douro. A este local afluíam nada menos do que três (além da via descrita acima) provenientes de diferentes pontos de travessia do rio Douro. Depois de reunidas nesta paragem, a via seguia em direcção da Ponte de Juncais onde cruzava o rio Mondego (passando em Carapito e Queiriz), e daqui ascendia à Serra da Estrela por Linhares, descendo do lado nascente à Torre de Centum Cellas em Belmonte, onde entronca no itinerário para Mérida pela famosa Ponte de Alcântara sobre o rio Tejo. Trata-se assim dos grandes eixos que cruzavam as bacias destes três grandes rios da península. (act. 2023).

O trajecto destas vias está descrito a seguir:
Mapa
Itinerário de Lamares ao rio Douro (18 m.p.)
Desvia da via Trêsminas-Panóias-Douro em Lamares, seguindo para sudeste próximo da mamoa da Serra das Cebolas, em direcção a Vilar de Celas (15 m.p.); continua por alturas de Arcã junto da mamoa de Madorras, rumo à mamoa e Capela da Ns. da Azinheira (13 m.p.), descendo daqui a São Martinho de Anta (12 m.p. junto do marco divisório da rua da Rapa, possível mutatio na base do povoado fortificado do Castelo). Da rua da Rapa toma o caminho da Fonte Seca que passa a sudoeste de Fermentões, pelos topónimos viários Vale Carrão e Quinta da Serra, contornando o Alto do Infantado pela vertente oeste em direcção a Vilela (8 m.p.). Continua em direcção à Serra de São Domingos, onde bifurcava nos dois acessos ao rio, (a 7 milhas da foz do Tedo e a 5 milhas da foz do Pinhão):

Variante para Foz do Tedo 7 m.p.
A via passava junto da mamoa da Meieira (7 m.p.), seguindo depois uma rota a oeste do actual CM1268 por alturas da serra, passando junto da mamoa do Cerro do Carvalhal (6 m.p.) e a cerca de 150 m da mamoa do Picoto, onde desvia do CM1268 pelo caminho em altura que passa a cerca de 150 m da mamoa de Cimo das Devesas (5 m.p.) e junto da mamoa do Alto das Roseiras, descendo depois pela Quinta da Sobreira e Quinta da Costa (1 m.p.) à foz do rio Ceira/foz do rio Tedo.
  • Travessia do rio Douro: poderia haver continuidade desta via na outra margem, seguindo a via que parte da foz do rio Tedo, cruzando o concelho de Tabuaço por Barcos, Longa, Arcos e Riodades rumo a Guilheiro (ver itinerário Têdo-Guilheiro).

Variante para Foz do Pinhão 5 m.p.
Uma variante desta via, desviava do CM1268 próximo da mamoa de Meieira e seguia o caminho pela vertente nascente da serra em direcção à Cruz de S. Domingos (4 m.p.; encruzilhada de caminhos da Mantelinha, próximo a várias mamoas, dispostas ao longo do acesso ao alto da capela); continua por alturas de Gouvães do Douro (3 m.p.) até ao lugar de Calvário, descendo talvez pela Quinta da Eira Velha ao rio Pinhão.
  • Foz do rio Pinhão: na estação C.F. apareceu uma inscrição com o epitáfio de Aelius Reburrus da tribo Quirina, natural de Astorga e veterano da legião VII Gemina (CIL II 6291), actualmente no MSMS, e que poderá ser o mesmo Alius Reburrus que mandou colocar a ara a Júpiter de Vilar de Maçada (Alijó).
  • Travessia do rio Douro: poderia haver continuidade desta via na outra margem, seguindo uma das vias que partem da foz do rio Torto, a via por São João da Pesqueira rumo a Horta, e a via por Paredes da Beira rumo a Belmonte.
Mapa
Longa




Arcos


Chosendo


Tabuaço






Douro (Foz do Tedo) - Guilheiro por Longa e Chosendo (XXXI m.p.)
Itinerário partindo da travessia do rio Douro na Quinta de Vale Longo, junto da foz do rio Tedo, seguindo a rota da EM512 próximo de Adorigo até à Quinta do Vale da Asna, onde há vestígios romanos espalhados por 1,5 ha, possível mutatio a 5 milhas do rio Douro, de onde partia o ramal de ligação a Tabuaço. A via seguia por Barcos, Vale Figueira, Longa, Arcos, Aldeia, Riodades, Carapito, Chosendo e Seixo rumo ao nó viário de (act. 2023).

Barcos (VI m.p. junto da igreja)
Vale Figueira (IX m.p.; escultura «Cabeça de Guerreiro» da Idade do Ferro)
Longa (XII m.p.; inscrição em latim de 1835 no Largo da Praça, junto ao pelourinho, refere o termo viator em relação directa com a estrada que entrava na povoação pelo Caminho dos Covais onde há um possível miliário, a 12 milhas do rio Douro, continuando pelo topónimo «Carril», nas traseiras da Capela da Sra. da Saúde, cruzando a serra por Rebolos)
Arcos (XIV m.p.; possível miliário numa casa da aldeia, a cerca de 75 m da via, mas que estaria originalmente junto ao pelourinho; segue a Carreira do Cepo, cruza a povoação e a EM515, onde toma o caminho de terra para Sendim pelo topónimo «Carreira de Aldeia»)
Sendim (XVI m.p. em Aldeia; vicus do Fontelo, na base do povoado do Cabeço de São João)
Travessia do rio Távora (XIX m.p.; junto do Castro de Riodades , actual Capela da Senhora da Alegria; continua por Areite, Lajes e Cruzeiro)
Carapito (XXII m.p. junto do Castelo do Carapito, povoado com ocupação do Calcolítico à Idade do Bronze, entre Macieira e Castainço; trifínio concelhio conhecido por «Laje dos Três Concelhos» denuncia um nó viário no sopé do povoado que poderia ser cabeça de uma chefatura da Idade do Bronze)
Chosendo (XXV m.p.; miliário de Constantino na rua da Praça de Constantino, FE 864; continua por Quinta das Olgas)
Seixo (XXVII m.p.)
Guilheiro (XXXI m.p. ao rio Douro; nó viário onde cruza a via Moimenta-Casteição)

Nó viário de Longa (Perpétuo et al., 1999)
Outros caminhos calcetados a partir do nó viário da Longa, situado na base da Citânia do Muro, ponto focal da rede viária no concelho de Tabuaço, a 12 milhas do rio Douro e a 20 milhas do nó viário de Guilheiro.
  • Ligação Longa - Tabuaço pelo Alto da Escrita, subindo por Vale Figueira ao Alto da Escrita, onde recentemente apareceu uma estátua-menir, descendo depois a Tabuaço por Alto da Escrita ainda preservada.
  • Ligação Longa - Tabuaço por Chavães, seguindo por Penedo do Forneiro/da Forca, junto da Citânia do Muro e da Capela de Santo Isidoro e Chavães, descendo depois por calçada ainda bem preservada até Tabuaço (villa de São Vicente; Núcleo Museológico no Posto de Turismo).
  • Ligação Longa - Goujoim , seguindo o caminho da Capela de S. Miguel até Granja do Tedo, cruzando este rio na Ponte Medieval, e daqui a Goujoim por Ronção e Quinta do Pombo.
  • Ligação Goujoim - Barcos: do Castro de Goujoim, descia a Ribeira de Goujoim onde cruza o rio Tedo, e daqui ascende suavemente em direcção a Barcos pelo caminho em calçada que passa junto do povoado fortificado de Ns. do Sabroso, seguindo até à Igreja de Barcos, onde entronca na via principal.
  • Ligação Tabuaço - Sendim: caminho seguindo para sul pela calçada do Fradinho até Távora, continuando em estradão pelo topónimo Passa-Frio, na base do povoado fortificado da Sra. do Calfão/Galfão, rumo a Paradela, onde toma o estradão que passa na Eira do Monte (lagar), seguindo depois pelo troço lajeado no topónimo Vale de Vila, passando junto da Capela de Santo Ovídeo rumo a Sendim (Perpétuo et al., 1999).
Mapa
Ranhados


Antas
Selores - Rio Douro (Arnozelo) - Numão - Ranhados - Antas - Guilheiro (XXII m.p.)
Itinerário que deriva em Selores da via Trêsminas-Sra. da Ribeira, descendo por Lavandeira à Quinta do Cachão do Arnozelo, onde cruzava o rio Douro, continuando por Arnozelo e próximo dos povoados de Numão, Castanheiro do Vento e Ranhados até Antas. A via segue o caminho que passa a poente do Castelo de Numão em direcção a Horta de Numão (6 m.p.), junto do povoado do Castanheiro do Vento que remonta ao Calcolítico; continua a poente de Cedovim rumo ao Castro Sanjurge, a 11 milhas do Douro; na sua base há vestígios romanos de um possível vicus viarum na Tapada da Bita Peneda (Naldinho, 2004). Continua pela povoação de Ranhados, na base do Castelo de Ranhados, povoado fortificado romano, localizado a 12 milhas do rio Douro. A via continuava pelo estradão que começa na Fonte da Póvoa, junto do cemitério, e segue pela Capela da Senhora da Estrada rumo a Ourozinho, cruzando na Ponte Pedrinha (actualmente submersa pela barragem) até à povoação de Antas (18 m.p.). Deste modo, esta rota está dividida em módulos de 6 milhas com três estações no trajecto perfazendo um total de 18 milhas do rio Douro ao nó viário de Antas, onde entronca na via também proveniente do Douro por Penedono, seguindo por mais quatro milhas até Guilheiro (act. 2023).
Mapa
Douro (Foz do Torto) - São João da Pesqueira - Horta (XXII m.p.)
Uma variante da via anterior partia também da travessia do rio Douro próximo da foz do rio Torto, mas da margem direita deste rio, seguindo por Ervedosa do Douro (talvez sob a estrada actual, passando na base da anta da Sra. do Vencimento) em direcção a São João da Pesqueira (vestígios romanos junto do campo de futebol, possível estação viária associada ao povoado de São Salvador do Mundo, sob o actual santuário sobranceiro ao rio Douro; na respectiva ermida está encastrada uma lápide funerária de um imigrante Limicus, e há outra inscrição na escadaria); de S. João da Pesqueira, seguia até Sra. da Estrada, topónimo viário, seguindo aproximadamente a rota da EN222 em direcção a Horta de Numão, estação viária junto do povoado do Castanheiro do Vento, onde conflui na via proveniente da travessia do rio Douro em Arnozelo. Este percurso totaliza 22 milhas ao Douro, com uma estação viária intermédia em S. João da Pesqueira, povoação situada a meio-percurso, ou seja, a 11 milhas do Douro e de Horta de Numão (act. 2023).

Via Durius flumen a Centum Cellas
Mapa
Muxagata


Algodres


Bom Sucesso


Douro (Foz do Torto) - Belmonte (Centum Cellas) por Queiriz e Linhares (XL m.p.)
Grande itinerário ligando do rio Douro a Belmonte cruzando o rio Mondego junto da Ponte de Juncais (Fornos de Algodres), atravessando depois a Serra da Estrela por Linhares rumo à estação viária de Torre de Centum Cellas em Belmonte.

Valença do Douro (partindo da margem da margem esquerda do rio Douro, junto da foz do rio Torto, no topónimo Bateiras, seguia aproximadamente a rota da EM504 por Castanheiro do Sul)
Paredes da Beira (XIV m.p.; vicus; os vestígios no lugar do Cruzeiro e os vários elementos arquitectónicos reutilizados em casas da aldeia indiciam a existência de povoado romano estrategicamente localizado junto da via que percorria o planalto no sentido noroeste-sudeste. Aqui apareceu uma ara anepígrafa e um berrão com a inscrição «Ateroecon» ou «Ambroecon», actualmente no Museu Eduardo Tavares em São João da Pesqueira; a via seguia a meia encosta entre o povoado pré-romano do Alto da Serra do Reboledo e a Serra de Sampaio, onde há calçada, continuando por Britelo e junto da inscrição rupestre do sítio do Marcadouro/Mercadoura onde se lê «Visancoru(m) / Camali / Concili», provável marco de divisão de propriedades)
Penela da Beira (XVIII m.p. junto do vicus viário de Casteidal, localizado num esporão junto da Quinta de Santo Tirso, também chamada de «Penela Vedra», seguindo depois junto das minas de ouro de Santo António, em Granja de Penedono; inscrição rupestre na Gruta de Rodelas onde se lê TVROS / BANIE(n)SV(m), possível referência a um imigrante Baniensis)
Penedono (XXII m.p.; 8 milhas a Guilheiro; três possíveis miliários nas ruas da povoação; continua pelo antigo caminho para o menir de Penedono, onde reúne com a EN229)
Antas (XXVI m.p.; continua pelo caminho que passa junto do menir de Maria Pais)
Guilheiro (XXX m.p.; nó viário, ponto de confluência das vias provenientes do rio Douro)
Arnas (III m.p.; segue pela vertente poente da Serra de S. Gens e do Castro de Murganho, povoado fortificado da Idade do Ferro, entrando na povoação pela Capela de Santa Bárbara)
Cunha (V m.p. junto do local de achado de um tesouro monetário; pouco depois cruza o rio Távora, continuando por Peroferreiro, 7 m.p., e Alto da Cabresteira, seguindo por alturas de Antela, na décima milha)
Carapito (XII m.p. paragem associada ao Povoado do Carapito, romano e medieval)
Queiriz (XIV m.p.; Castelo de Queiriz, povoado romano e medieval no sítio do Castelo; a inscrição votiva a Bandi Tatibeaicui (AE 1961, 341) poderá ser proveniente deste povoado; daqui parte um ramal em direcção ao nó viário de Rasa de Ínfias; continua por Sobral Pichorro)
Mata (vestígios romanos e Povoado da Malhada, Idade do Bronze; continua junto do povoado romano da Trepa, onde apareceu uma ara anepígrafa, FE 710)
Muxagata (possível miliário na Igreja Matriz; Marques, 2011; ara anepígrafa achada numa fonte de mergulho, actualmente no Museu do CIHAFA; continua por Povolide, seguindo a meia-encosta da vertente nascente do Castro de Santiago rumo ao vicus viário de São Pedro da Torre, onde vence a 23ª milhas)
Figueiró da Granja (XXIV m.p.; daqui desce ao Mondego)
Travessia do rio Mondego (XXVI m.p. junto da Ponte de Juncais)
Mesquitela (entra na povoação por troço preservado em calçada e cruza a ribeira de Linhares na Ponte Medieval)
Carrapichana (XXIV m.p.; nó viário a 8 milhas do Mondego, onde cruza a via Celorico da Beira-Bobadela; vestígios na Capela do Anjo; notícia de um «marco com letras», possível miliário, em Vila Ruiva, Pinheiro, 1938)
Figueiró da Serra (19 m.p.; cruza a ribeira de Linhares e ascende à povoação pela Calçada da Corredoura, também chamada de Estrada dos Almocreves)
Linhares (21 m.p.; provável mutatio, junto da Igreja da Misericórdia; continua a ascensão da serra por calçada actualmente abandonada)
Alto dos Carvalhos Juntos (24 m.p.; importante nó viário da Serra da Estrela a 12 milhas do Mondego/Juncais; aqui conflui também a via proveniente de Viseu)
  • O restante itinerário está descrito na via Viseu-Belmonte, seguindo para a travessia do rio Mondego junto da Quinta da Taberna (27 m.p.), e daqui por Barrelas (31 m.p.) atingia a estação viária de «Centum Cellas» em Colmeal da Torre em Belmonte (40 m.p.).

Ramal de Queiriz a Algodres (VIII m.p.)
Ramal da via anterior desviando em Queiriz rumo à Rasa de Ínfias, nó viário onde a via bifurcava, um ramo para oeste rumo ao Castro do Bom Sucesso e outro por Ínfias, mas o seu destino final continua incerto. Partindo de Queiriz, a via seguia por Maceira (4 m.p.), continua pelo caminho do Alto da Serra até ao cruzamento da Quinta do Carvalho, linha divisória entre freguesias, onde vence a 19ª milha (a cerca de 300 metros, no sítio de Calpedrinha apareceram bases de coluna, fustes e capiteis); continua próximo, a cerca de 500 metros, da Anta de Cortiçô. onde vence a 20ª milha, continuando rumo a Algodres, provável mutatio a 8 milhas de Queiriz (restos de calçada junto da Capela de Ns. da Saúde; ara anepígrafa no Museu do CIHAFA). A via continuava até ao nó viário de Rasa de Ínfias vencendo a nona milha na bifurcação de caminhos rumo a Ínfias e São João da Fresta, ambos com destino final inseguro (act. 2023).
  • Ligação ao Castro do Bom Sucesso, seguindo a sul de Ramirão (lápide funerária) e por São João da Fresta, onde apareceu uma ara funerária na Capela de Santo Amaro (FE 56). O Castro da Sra. do Bom Sucesso é um importante povoado romanizado, possivelmente o castellum Nacosos com base numa ara votiva dedicada aos Lari Couticivi (?), descoberta na base do castro, numa casa em ruínas da Quinta do Casal em Casais (FE 55; Vaz, 1997); a leste do castro há um troço de calçada com 50 m; há notícia de um duvidoso miliário no Monte de São Caetano, junto ao povoado.

Via Centum Cellas a EMERITA
Mapa
Belmonte










Capinha


Namorados


Idanha








Segura


Alcântara




Belmonte (Centum Cellas) - Idanha-a-Velha (IGAEDITANA) - Mérida (EMERITA)
Este trecho do itinerário é relativamente bem conhecido, contando com 5 miliários neste trajecto para Idanha-a-Velha, mas só em dois deles é possível ler as milhas indicadas, o miliário da Torre dos Namorados indicando 22 milhas, o que corresponde à distância a «Centum Cellas» que seria assim caput via, reforçando assim a importância deste povoado romano no contexto viário da Cova da Beira, e o miliário de Águas que indica a milha VIII a Igaeditana. A via atravessava o território dos Lancienses Transcudani, dos Lancienses Oppidani e dos Igaeditani, povos mencionados na inscrição da Ponte de Alcântara. A definição dos seus limites territoriais permanece ainda em discussão, mas é possível que os Lancienses Transcudani ocupassem o planalto da Guarda com sede no castro romanizado de Castelos Velhos em Póvoa do Mileu enquanto os Lancienses Oppidani estariam mais a sul com base no terminus augustalis que apareceu em Salvador (Penamacor), não existindo consenso sobre a localização do respectivo oppidum que oscila entre «Centum Cellas», Vale da Póvoa e Sabugal, mas que na nossa opinião corresponde ao povoado da Idade do Ferro de Sortelha Velha, como inicialmente sugerido por Mário Saa (Saa, 1964, p. 228, 273). No vicus da Quinta de São Domingos em Pousafoles do Bispo (Sabugal) apareceu uma inscrição onde se lê «VICANI · / OCEL[O]N[E]/NSES», remetendo para os Ocelenses mencionados por Plínio, havendo dúvidas se seria uma outra tribo Lanciense ou uma designação alternativa a Oppidani (FE 310.2; Belo, 1960 e 1964; Curado, 1982:89-92; Alarcão, 2001b; Silva AJM, 2002: 308-309; P. Carvalho, 2007; Guerra, 2007a).

Catraia da Torre (Centum Cellas)
Ribeira do Colmeal (na margem direita apareceram dois miliários, um miliário de Constâncio Cloro e um miliário anepígrafo, ambos depositados no Castelo de Belmonte)
Belmonte (m.p. II; próximo da Igreja de Santiago existe um miliário inédito de Probo reutilizado como ombreira de uma casa particular proveniente do sítio do Castelão na freguesia de Gonçalo; outros 4 miliários dentro do Castelo, provenientes da ribeira do Colmeal e das Lameiras; a via passava no vale, contornando o esporão de Belmonte pelo lado nascente, passando próximo do sítios romanos do Muro/Quinta do Bouzieiro e da Fonte do Soldado, continuando depois paralela à Serra da Esperança pela rota da EN345; a via é referida no foral de Belmonte concedido por D. Sancho I em 1199 como «viam veteram que ducit ad Montem Sanctum», ou seja a «caminho velho que leva a Monsanto» PMH LC, 506)
  • Possível ligação para sudeste partindo de «Centum Cellas» ou da villa da Quinta da Fórnea rumo ao povoado de Ns. da Estrela em Inguias, existindo na Capela uma inscrição a Júpiter por Iulius Rufus, indiciando a existência de um vicus na divisória entre os concelhos de Belmonte e Sabugal, eventualmente no sítio da Tapada da Casa; aqui cruzava a ribeira de Inguias e seguia por São Amaro, ribeira da Cal, Alto das Cruzes, Portela, Vale de Castelões e Serra da Opa em direcção ao Vale da Senhora da Póvoa ou ao Sabugal de encontro à via para Salamanca.
Quinta da Fórnea, Malpique (m.p. IV; via passa a nascente desta importante villa romana; pouco depois cruza a ribeira das Inguias no Sítio do Gagameio/ Quinta da Ribeira)
Caria (m.p. VII; possível mutatio; calçada com 40 m em Fonte do Ruivo, na direcção E-O, mas a via deveria seguir para a ribeira de Caria pela calçada que existia junto da igreja paroquial, no caminho para a Fontinha e nas ruas Fonte do Prior e Fonte do Carvalho até Barcinho, onde atravessa a ribeira de Caria)
  • Ligação Caria - Meimoa: Possível diverticulum para sudeste cruzando a ribeira de Caria no sítio da Laje do Freixo, onde se registou uma calçada. Seguia talvez por Monte do Bispo e Cabeço de Escarigo (povoado romanizado; durante a demolição da Capela de Sta. Maria Madalena em Salgueiro apareceu uma inscrição votiva aos Bandi Vorteaeceo). Daqui seguia para a travessia do ribeiro de Casteleiro, a cerca de 600 m da villa do Convento do Anascer. Neste local apareceu uma ninfa em mármore e outros vestígios que sugerem a existência de uma mutatio junto desta travessia. Este trajecto teria continuação por Benquerença, onde existe um fuste de um possível miliário reutilizado numa casa da rua da Praça, e daqui seguia até à Ponte de Meimoa, onde entronca no Itinerário N-S que ligava Sabugal a Idanha-a-Velha passando por Penamacor.
  • Variante de Caria a Torre dos Namorados: Segundo proposta de Fernando Curado (1982:87), a via seguia pelo chamado "caminho dos castelhanos" que seguia por Santo Antão, Cavada e Quinta da Caneca (provável villa a 500 m da via, onde apareceu uma inscrição funerária consagrada aos Deuses Manes, actualmente no MAMJM), continua junto do sítio da Caneca II, provável estação viária para a travessia da ribeira da Meimoa, junto dos Moita do Espinheiral (sítios romanos em Moita do Pinhal, Quinta de João Silvestre e Coito de Baixo II), continuando depois junto da Quinta da Ferreira até Torre dos Namorados.
Peraboa (m.p. X; villa? na Quinta do Cameira; atravessa a Serra de Santo António, passando próximo do castro romanizado da Tapada das Argolas ou «Vila Velha», descendo depois pelo Sítio da Bica, onde apareceu o epitáfio de Tanginus, actualmente no MNA)

Capinha (m.p. XV; vicus e provável mutatio situada no cruzamento com a via para Salamanca, ocupando a área em torno da arruinada Capela da Tapada de São Pedro que reutiliza muito material romano; várias inscrições serão daqui provenientes, entre elas o epitáfio do Meidubrigense Hispanus na Quinta de São Pedro, a ara votiva a Bandi Arbariaico no caminho para Três Povos, CIL II 454, a ara dedicada a Quangeius e o epitáfio de Dutia, assim como as duas inscrições retiradas da ponte, o epitáfio da Lanciense Oppidana Amoena e o epitáfio de Cabrula, todas recolhidas no MAMJM; a tradicional designação de Talabara provém de uma leitura duvidosa de uma inscrição rupestre onde alguns autores leram V(ico) (Tal)bara, também no MAMJM; da Fonte de Cima na aldeia, a via descia à ponte pela calçada da Capela de São Marcos e pela calçada do Sítio das Lajens, entretanto destruídas, cruza a ribeira e Meimoa na Ponte Romana?-Medieval e continua por Vale de Paredes e Freixa)

Quintas da Torre/Torre dos Namorados (m.p. XXII; vicus e provável mutatio atendendo ao miliário de Maximiano indicando 22 milhas e às várias epígrafes aqui encontradas e recolhidas no MAMJM como a lápide de Lubaecus, a inscrição a Júpiter, a ara votiva a Bande Luguano, a ara da Quinta da Feijoeira, ara da Quinta de Antão Alves e ara de uma Cluniense que apareceu na Quinta da Azinheira, mas recolhida na Quinta de Matos Barrinhos; uma releitura da referida inscrição a Júpiter aponta para o etnónimo MA[…]/TICE(N)S[ES] (Curado, 2014:84), possível designação desta aldeia no período romano)
Pedrogão de São Pedro (m.p. XXVII; no sítio da Líria apareceu um cipo com dois cruciformes gravados, provável miliário, actualmente no Museu de Penamacor; a via continua pelo caminho das «Calçadeirinhas», cruzando a ribeira das Taliscas a cerca de 500 m montante da Ponte dita «Romana» sobre a ribeira das Taliscas, em risco de ruína que será já do período medieval)
Bemposta (m.p. XXIX; possível vicus a 8 milhas de Igaeditana; o miliário da 4ª Tetrarquia de Maximiano, Maximino Daia, Constantino e Licínio, que apareceu numa casa em ruínas próximo de Águas e que hoje está numa casa particular da Aldeia de Santa Margarida (Henriques, 2015), deveria ser daqui pois indica 8 milhas a Igaeditana; conjunto de várias epígrafes no Núcleo Museológico da Bemposta na Capela de São Sebastião, sendo duas delas dedicadas a Bandi Isibraiegui e a terceira é dedicada a Quangeius; villae em Nave de Baixo, Quinta da Meijoana e Represa)
Medelim (m.p. XXXII; 5 milhas a Igaeditana; na Capela de Santiago apareceram 3 aras votivas, uma dedicada a Mercúrio Esibraeo, outra dedicada a Reve Langanidaeigui e a terceira lê-se apenas a palavra Reve pelo que seria dedicada à mesma divindade; estão todas no MTPJ; Ponte em ruínas; calçada dentro da povoação; a via seguia talvez paralela à EN332, próximo dos sítios romanos da Tapada da Senhora e Chãos da Malhada, do acampamento militar romano de Oliveira das Almas e da villa ou vicus de Vale de Cavalo, desviando da EN332 pouco depois para cruzar a ribeira de Moinhos no Pontão de Beiradas (?), seguindo depois pelo cemitério até Idanha; a via é referida em 1229 no foral de Idanha-a-Velha como «Calçadam Veterem»; Almeida 1956 315)

Idanha-a-Velha (IGAEDITANA) (sede da Civitas Igaeditanorum a 120 milhas de Emerita; magníficas ruínas desta importante cidade romana; excelente colecção de epigrafia no museu, parte das mais de duas centenas de epígrafes conhecidas na região; existem pelo menos cinco miliários conhecidos no território Igaeditano, entre eles o miliário de Alcafozes atribuído com reservas a Augusto e o fragmento de Vale da Portela no caminho para Monsanto onde apenas se lê «milha I»; os restantes 3 são anepígrafos ou ilegíveis; um está junto da Igreja Visigótica de Idanha-a-Velha, o outro em Alcafozes e o último em Segura; ver outros trajectos da Rede Viária de Igaeditana; o povoado indígena deverá corresponder ao chamado «Castelo dos Mouros» localizado a cerca de 4 km da aldeia num meandro do rio Ponsul, junto da actual albufeira da barragem Marechal Carmona, que poderá corresponder ao povoado indígena de Igaedis)

De Idanha-a-Velha a Mérida
Ponte Romana-Medieval de Idanha-a-Velha sobre o rio Pônsul (reconstrução medieval da antiga ponte romana que estaria em ruína um pouco a montante)
Alcafozes (m.p. IV; três miliários; miliário onde apenas se lê «Imp(erator?) / Aug[ustus?]», actualmente no Museu de Idanha-a-Velha junto com outro onde apenas se lê umas letras; Sá, 2007, p. 158, nº 238; miliário ilegível num cruzamento de caminhos junto da igreja paroquial; estela funerária; segue talvez pelo estradão do «Barreiro Vermelho» até Horta da Granja, onde cruza a ribeira de Aravil, continua por Cale do Vigário, Silveirinha, Cabeço Vermelho, continuando pelo Vale de Cancelas, «Fonte dos Ferreiros» e ao longo da Ribeira da Calçada)
Segura (m.p. XVI; a via entrava na povoação junto do Calvário situado no outeiro oposto à vila, monumento que integra uma ara romana e que poderia ser um antigo santuário; na berma da estrada existem vários fustes de possíveis miliários; entra na vila pela rua do Pelourinho, passa junto do fragmento de um possível miliário e segue para a Porta Sul, onde existe outro possível fragmento de miliário, saindo da aldeia pela rua da Calçada e junto do «Chafariz da Calçada» rumo ao rio Erges; 2 aras dedicadas a Erbine na Capela de Sta. Marina, 2,5 km a norte de Segura e junto da ribeira homónima, indiciam um templo romano no caminho para Salvaterra do Extremo)
Ponte Romana de Segura sobre o rio Erges (m.p. XVII; imponente ponte romana na fronteira luso-espanhola da EN355; arco central e tabuleiro reconstruídos)
Piedras Albas (m.p. XXI; segue sob a EX-207 por 4 km e depois por caminho carreteiro)
Ponte Romana de Alcântara sobre o rio Tejo (m.p. XXVI a Igaeditana; ex-líbris das pontes romanas na Hispânia)
Alcántara (continuava talvez pela Dehesa El Castillejo, Brozas e Malpartida de Cáceres, seguindo em parte o antigo caminho conhecido por «Cordel de Ganados»; ver traçado)
NORBA CAESARINA (Cáceres) (onde entronca na via norte-sul conhecida por "Via da Prata" que ligava Mérida a Astorga, passando na mansio intermédia de Ad Sorores)
AUGUSTA EMERITA (Mérida) (caput viarum)

Viae ab Civitas BANIENSIS
Mapa
A Civitas BANIENSIS
Os Banienses foram um dos povos lusitanos que contribuíram para a construção da Ponte de Alcântara sobre o rio Tejo, sendo mencionados na famosa inscrição. A sua localização ainda não é segura, mas tudo indica que ocupariam o fértil vale da ribeira da Vilariça onde abundam os vestígios romanos. De facto, junto do Povoado do Baldoeiro, localizado próximo da confluência da ribeira da Vilariça e do rio Sabor, apareceu uma ara dedicada a Júpiter e à «CIVITATI BANIENSIVM» colocada por Lucius Basus. A inscrição apareceu entre as ruínas da Capela de São Mamede/Mesquita, possível sucedânea de um Templo Romano e está actualmente no MNA. No entanto, estranha-se o aparecimento da inscrição a norte do Douro, no que seria já território da Província Tarraconensis contrariando a informação dada pela inscrição de Alcântara que aparentemente os coloca em território lusitano. Apesar desta aparente inconsistência, a grande quantidade de sítios romanos ao longo do vale da Vilariça apontam para a existência de uma civitas nesta região. Eventualmente os seus limites poderiam ir além do rio Douro, justificando a sua integração na Lusitânia, mas não dispomos de dados suficientes para esclarecer a questão. O povoado sidérico do Baldoeiro não apresenta sinais de romanização, tendo os seus habitantes passado para o vale, onde se multiplicam os assentamentos rurais tirando partido dos férteis terrenos à margem da ribeira. Nenhum deles apresenta características evidentes de uma sede de civitas, sendo que as propostas dos diversos autores variam consideravelmente. Tem-se sugerido que a sua sede seria em Vila Morta de Santa Cruz da Vilariça, mas o local não apresenta vestígios romanos. Próximo deste local há 9 lápides romanas reutilizadas na parede norte da Capela de Ns. do Roncal, junto da Quinta da Portela e mais duas no lugar próximo da «Estalagem da Silveira» (Lemos, 1993, 347-348), mas não sabemos a sua origem. Mais a norte, temos o importante sítio de Chão da Capela (ara, 6 lápides, Pinho Brandão recolheu 3 lápides no Museu Municipal de Vila Flor e uma outra está com o proprietário da quinta; Cruz, 2000:390), que poderá corresponder a uma villa rural. Entre estes dois locais surge um outro núcleo de povoamento formado pelo Olival das Fragas e Quinta da Terrincha, na base do povoado da Senhora do Castelo (Garibo Bodí e Pereira, 2014:545-550); na outra margem, na Quinta de Vila Maior em Cabanas de Baixo, existe um outro povoado romano que poderá corresponder a um vicus, dado que aqui apareceu uma ara dedicada a Júpiter pelos Vicani ILEX[---]; (FE 75; Lemos, 1993); na área apareceram também 17 estátuas zoomórficas, em particular no sítio do «Olival dos Berrões». Estudos mais recentes apontam o sítio de Olival das Fragas como a provável sede da civitas, atendendo à sua longa diacronia de ocupação, com destaque para o período romano (Cruz, 2000, 417-418), no entanto, não há certezas, até porque a inscrição não constitui uma prova definitiva da sua localização.

Apesar da indefinição sobre a localização da sede dos Banienses, a matriz de povoamento alinhada ao longo do Vale da Vilariça, aponta para um eixo viário principal na direcção norte-sul pela margem esquerda da ribeira da Vilariça cruzando o território Baniensis até à travessia do Douro na Foz do Sabor. Este eixo viário teria origem na travessia do rio Rabaçal na Ponte Medieval de Picões cruzando o Itinerário XVII de Chaves a Bragança em Lamalonga. O respectivo percurso está descrito a seguir.
Mapa
Ervedosa


Argana


Nozelos


Ponte de Picões - Vilariça - Foz do Sabor - Freixo de Numão
Provável eixo viário norte-sul que partia da travessia do rio Rabaçal junto da Ponte Medieval de Picões, seguindo depois por Ervedosa (miliário), Argana (miliário) até Lamalonga, onde cruza o Itinerário XVII (Mendes, 2006). Continua por Nozelos onde apareceu outro miliário, seguindo depois junto do Castro de Pinhovelo em Macedo de Cavaleiros, percorrendo depois o Vale da Ribeira da Vilariça, território dos Banienses. Este itinerário deveria cruzar o rio Douro na Foz do Sabor, subindo depois por Freixo de Numão rumo a Celorico da Beira ou por Vila Nova de Foz Côa rumo ao Castelo de Calábria. O Vale da Vilariça está coberto de vestígios romanos que se estendem até à Foz do Sabor no rio Douro como bem revelou os trabalhos arqueológicos efectuados na sequência da construção da barragem do rio Sabor (Sá Coixão, 2002 e 2004; Lemos, 2011).

Nuzede de Baixo (povoado mineiro romano no sítio do Cabeço; cruza o rio Tuela junto do povoado fortificado do Castelo ou Castrilhão e segue por Soutilha e Minas da Ervedosa)
Ervedosa (continua junto do povoado romanizado do Castelo; na povoação da Ervedosa existe um miliário suportando uma varanda de uma casa da aldeia; continua pelo chamado «Caminho do Bugio»)
Argana (fragmento de um miliário numa casa da aldeia, servindo de base de uma mesa; continua pelo «Caminho de Pombal»)
Lamalonga (cruza com o Itinerário XVII de Chaves a Bragança)
Nozelos (fragmento de miliário na aldeia, encostado a uma casa da esquina da Rua de Baixo com a Rua de Cima, apresentando algumas letras apesar da sua reutilização como peso de lagar)
Ala (talvez próximo do habitat de Perafita/Pia dos Mouros, situado a sul do castro romanizado do Carrascal; continua pelo Alto da Serra da Ala até Latães e daqui pelo Cabeço do Poço das Ondas até Amendoeira)
Macedo de Cavaleiros (passaria a poente da vila, junto do castro romanizado da Terronha de Pinhovelo, onde apareceu uma ara, actualmente numa casa particular; no Solar dos Sarmentos apareceram 4 estelas funerárias, uma delas está no MA)
Grijó de Vale Benfeito (segue junto do sítio romano da Madorra, possível mutatio junto da Estação CF, continuando pelo interior da povoação, onde apareceu uma estela funerária)
Vale Benfeito (cruza a povoação; a cerca de uma milha a noroeste da aldeia há o importante sítio romano designado por Mêda, talvez uma villa)
Trindade (talvez pelo Alto da Cabeça e Alto da Cabeça Gorda, passando próximo do sítio romano de Salgueiro)
Santa Comba de Vilariça (seguia talvez pela vertente a sudeste da Serra de Bornes, algures entre os povoados mineiros fortificados do Castelo de Macedinho e Fragas do Castelo, servindo as minas auríferas de Vila Verde, Freixiosa e São Salvador, e marginando o sítio romano de Santa Cruz)
Assares (continua por Assares e Lodões, tendo a nascente o importante povoado fortificado da Ns. dos Anúncios, já na freguesia de Vilarelhos)
Lodões (passa junto do sítio romano de Freixeda, a nascente do povoado fortificado de São Pedro e do respectivo vicus na sua base)
Junqueira (cruza a ribeira da Vilariça e continua pela margem esquerda, bordejando os núcleos de povoamento Baniense em Olival Grande, Olival do Rei, onde cruza a ribeira de São Martinho, Chão da Capela, Cevadeiras, Olival das Fragas, Boedo e Quinta da Terrincha, estes na base do povoado da Sra. do Castelo)
Adeganha (continua pelo Vale da Vilariça passando na base do Povoado do Baldoeiro, com sítios romanos no Olival do Bico, até atingir a base da Vila Morta de Santa Cruz da Vilariça, onde atravessa o rio Sabor; continua depois rumo ao Pocinho pela base do castro romanizado do Cabeço de Alfarela)
Travessia do rio Douro na Foz do Sabor

Da Foz do Sabor a Freixo de Numão
Seguia junto do vicus da Sra. da Veiga (passando a nascente do Castelo Velho de Monte Meão, povoado com larga diacronia de ocupação, do Bronze Final ao período romano), seguindo depois o caminho que ascende ao Alto do Picoto, continuando pela cumeada da serra por Santo Amaro, passa na base importante povoado pré-histórico do Castelo Velho de Numão e daqui pelo estradão de terra que atravessa o Vale das Negras até Freixo de Numão, onde haveria um vicus viarum. Continuava depois pela Fonte dos Amieiros em direcção ao nó viário da Quinta dos Bons Ares, onde entronca na via proveniente do Vesúvio que seguia por Mêda rumo a Celorico da Beira.

Viae ab Civitas MEIDVBRIGENSES
Mapa
Numão






Penedono




Rede viária de Freixo de Numão (Meidubrigenses?)
Freixo de Numão
Vestígios romanos espalhados pela povoação de Freixo em Numão sugerem a existência de um vicus viarum que poderia integrar o território dos Meidubrigenses, um dos povos mencionados na famosa inscrição da Ponte de Alcântara, no entanto, não há evidências que o suportem; notícia de uma inscrição rupestre dedicada a Iuno Veamvaearvm (CIL II 430) e uma ara consagrada aos Lares Turolicis (CIL II 431), ambas sem paradeiro; na igreja, há um altar votivo do Coniumbrigense Tiberius Claudius Sailcius, cavaleiro da 3ª Corte dos Lusitanos, CIL II 432. Algum do espólio recolhido nas imediações está actualmente no Museu Arqueológico da Casa Grande (Sá Coixão, 2000). O facto de neste local existir um cruzamento de diversas vias vicinales justifica a existência de uma estação viária. Daqui partia uma via rumo a norte seguindo por Murça em direcção ao rio Douro, talvez referida como «carraria de sancto Johanne» (PMH, LC, 370). Outra seguia para oeste rumo ao nó viário da Pedra Escrita, junto da villa do Prazo.
Freixo de Numão a Murça do Douro: sai do Freixo pela calçada que passa na Quinta de Redoído e em Regadas (possível ferraria e mutatio), continua paralela à EN324 mas a cota mais baixo, passando nas proximidades do Moinho das Regadas e da villa da Vinha de Zimbro, no sítio da Colodreira/Escorna Bois, cruza a EN324 na Capela de Ns. da Esperança e toma o caminho que cruza a povoação de Murça do Douro; continua depois pelo sítio do «Chão do Cláudio» (vestígios de uma villa rustica) rumo ao rio Douro, ou desvia em Murça em direcção do vicus no sítio da Cruzinha em Mós do Douro (uma inscrição funerária regista um imigrante Taporo; calçada em Torrão) (Sá Coixão, 2000 e 2001).

Ligação de Freixo de Numão ao Prazo
Segue por Sta. Bárbara, passa no Pontão da Nogueira e segue até ao cruzamento junto da villa do Prazo (ara a Júpiter) e da Quinta da Pedra Escrita, onde entronca na via N-S do Vesúvio a Mêda (Sá Coixão, 2000 e 2001).

Castelo de Numão a Mêda
Esta via teria origem na travessia do rio Douro no Vesúvio, seguindo para sul junto do Castelo de Numão (Fonte Campelinho) e pelo caminho da Telheira, junto do qual existe uma inscrição rupestre assinalando provavelmente os limites de propriedade de um tal Reburri (villa na Quinta da Cabreira); existe um troço lajeado no sítio do Areal, junto da confluência das ribeiras de Tourões e Duas Casas, onde há outra inscrição rupestre onde se lê «AS(s)ANIANC(ences) VIA(m) FECERVNT», traduzindo, 'Os Assaniancenses construíram a estrada' (Sá Coixão, 2000 e 2001). A via seguia para o cruzamento da ribeira da Teja próximo da Ponte da Zaralhôa (inscrição rupestre gravada num penedo no sítio do Conde assinala o trajecto: ARREA · SE[- - -] / TRAIECTV · M[- - -]). Continua para sul por Sebadelhe (possível vicus viarum e mutatio a 10 milhas do Douro junto do topónimo Quinta das Vendas), cruzando o Vale de Trás da Serra até confluir na via Vesúvio-Mêda próximo do Alto da Touça, seguindo daqui até Mêda (Sá Coixão, 2000 e 2001).

Mêda - Longroiva
A via poderia seguir para Longroiva pelo caminho do Alto do Vale de Olmo, havendo duas possíveis variantes::
  • Rumo à Quinta Veiga, possível mutatio, junto da exploração de chumbo das Minas de Areias, onde cruzava a ribeira de Centieira, subindo depois em calçada por Quintas e Abrolhos até Chãs, onde entronca na via de Marialva a Calábria.
  • Rumo a Longroiva, descendo por caminho de terra até Longroiva (castellum Longobrica, com base no altar dedicado ao Bandi Longobricu por Quintus Iulius da Legião Equestre VII Gémina, FE 44); daqui descia a Coutada (vicus?, villae? nas quintas em redor; provável mutatio na Quinta da Coutada, destruída pela nova IP2!), cruza a ribeira de Centieira na Ponte da Relva (no CM1013, a 50 m da EN102), subindo depois de encontro à via de Marialva a Calábria que passava em Relva.

Viae ab Civitas ARAVORUM
Mapa
Longroiva




Rede viária de Marialva (Civitas ARAVORUM)

Marialva (ARAVO)
Provável capital dos Aravi no lugar da Devesa em Marialva com base numa inscrição honorífica dedicada a Adriano pela Civitas Aravorum, actualmente no Museu da Guarda; altar votivo colocado por um Cobelco; estela funerária de Paramaeco Bovati em Ervilhões, FE 47; inscrição ex officina, FE 46; podium do Templo Romano numa casa particular; Barragem em Salgueiral/Lago; sendo um importante nó viário na região, a capital dos Aravi era atravessada por vários eixos viários, um eixo norte-sul que articulava a travessia do rio Douro junto ao Pocinho (vinda por Mêda e Fonte das Duas Bicas), com as ligações a sul à Via Braga-Mérida; uma outra via importante seguia rumo à civitas da Bobadela por Celorico da Beira e Vale do Mondego, na vertente ocidental da Serra da Estrela. (Alarcão, 1993; Sá Coixão, 2004, 2009).

Itinerário de Marialva ao Castelo Calábria
Ligação de Marialva ao Castelo de Calábria (junto ao Douro), seguindo por Chãs e Quinta da Ervamoira. Inicialmente seguia próximo da Quinta dos Sr. dos Aflitos, passava a noroeste de Santa Comba por Alto da Frágua Negra, Quinta dos Gamoais, Quinta do Meio e Alto do Chão Redondo até Chãs (villa ou vicus nas Quintas), passa no cemitério e segue por Carris e Sra. do Monte (nó viário de onde partia um ramal para Almendra), continuando pelas cumeadas de Muchões, Trigueiras e Curral do Pregador rumo à travessia do rio Côa na Quinta de Sta. Maria da Ervamoira (junto da ribeira de Piscos), onde existia uma mutatio; ascende depois a Castelo Melhor (vicus?), e daqui por Carril (cruza a EN222 ao km 220) rumo à travessia da ribeira de Aguiar em Turão do Castelo; continua pela Quinta da Leda até ao vicus de Olival de Telhões, localizado na base do importante castro romanizado do Monte Castelo ou Monte Calábria, povoado proto-histórico romanizado localizado num esporão sobranceiro ao rio Douro, e que deverá corresponder ao povoado de Caliabria referido em 579 no Paroquial Suevo (Cosme, 2002).
  • Ramal de Chãs a Almendra pela Quinta da Barca: da Sra. do Monte seguia pela Tapada do Muro para a travessia do rio Côa junto da estação romana da Quinta da Barca, possível mutatio e ascendia na outra margem pela Calçada da Penascosa, passando na villa da Quinta do Andrade/Prado Grande, até atingir Almendra (vicus no Chão do Morgado, a norte da Igreja Matriz; villa em São Lourenço). .

Itinerário da Barca do Pocinho ao Castelo de Calábria
Partindo da margem esquerda do rio, ascendia pela chamada «Estrada da Costa», passando junto da villa da Gricha, Cortes da Veiga, sobe ao monte a Chã e segue pelo Vale de Grilo e Tudão, cruza a povoação Vila Nova de Foz Côa (villa ou vicus a nascente da fonte do Paço, junto ao Castelo; Sá Coixão, 2000a) e segue pela Capela de Ns. do Amparo ou do «Azinhate», onde apareceram importantes vestígios, incluindo uma ara a Júpiter (actualmente na igreja paroquial); este local assinala o início do caminho romano que corria para sul até Flor de Rosa, inflectindo aqui para sudeste, rumo à travessia do rio Côa próximo da Quinta de Sta. Maria da Ervamoira, continuando por Castelo Melhor até ao Monte Calábria (ver esta parte do trajecto na via Marialva - Calábria).

Itinerário do Castelo de Calábria a Almofala
Partindo da travessia do Douro Quinta da Olga, junto da estação C.F. de Almendra, ou 1500 m a montante no vau da Quinta do Douro/Braço dos Leais, contorna a «Canada do Armazém» por Garrocho, junto do vicus de Olival dos Telhões/Aldeia Nova, na base do Castelo Calábria (Caliabria?), continua por Tapada do Matos para cruzar a ribeira de Aguiar na ponte medieval junto à Capela da Sra. do Campo, rumando depois a Almendra, continua por Quinta de São Lourenço, Fonte da Torre, Vilar de Amargo (Fonte da Pereira, romana?), Figueira de Castelo Rodrigo (villa junto ao cemitério), continuando pelo Convento de Santa Maria de Aguiar e Nave Redonda até Torre de Almofala (Cosme, 2002).

Itinerário de Marialva à Guarda por Castelo de Prados
O importante sítio romano de Vale do Mouro (Gravato, Coriscada) está relacionado com a via proveniente de Marialva e que aqui cruzava a ribeira de Massueime rumo a Guarda. Partindo de Marialva, seguia até à ponte sobre a ribeira de Marialva, com possíveis alicerces romanos, continuando pela calçada que atravessa a Quinta da Lobeira/Leveira (necrópole) até Caspina, cruza a EN102 ao km 101,1 e atravessa a ribeira do Prado junto ao Cabeço Seixo até Coriscada (inscrição e elementos de colunas). Continua pelo caminho que passa junto do Povoado de Santa Bárbara e a oeste da villa de Vale de Mouro (mosaico com representação do Deus Baco), rumo à travessia da ribeira de Massueime. Seguia depois por Vieiro rumo à Ermida da Senhora das Fontes em Sorval (nas imediações há vestígios de um possível povoado mineiro, uma inscrição rupestre dedicada à divindade Leia por Pabanicus e na aldeia apareceu uma ara votiva a Reve). Seguia depois por Reigadinha (marginando os vestígios de um possível casal e a leste da villa do Barrocal), continuando a nascente de Prados, junto do sítio romano da Quinta dos Ferreiros, na base do povoado fortificado do Castelo de Prados (onde há indícios de um acampamento militar romano), continua por Freixedas, cruza a ribeira de Gouveias e segue por Espedrada (junto da arruinada Capela da Senhora Velha, onde havia fustes de colunas), Codesseiro (pela Alto do Galo, «Rua da Carreira»), Pêra do Moço (vestígios de calçada no Alto da Rainha), Menoita (tesouro), continuando pelo Alto do Seixal, Cabeço da Maunça e junto do povoado fortificado do Outeiro de São Miguel e da Quinta da Rasa (cipo funerário), cruza a ribeira de Massueime e logo depois o rio Diz em Corredoura, junto da estação CF, ascende daqui ao povoado romano de Póvoa do Mileu na Guarda.

Itinerário de Marialva a Almofala por Cidadelhe
Possível ligação a Almofala, desviando da anterior após cruzar a ribeira de Massueime, seguindo próximo da villa do Juízo (epitáfio de Malgeinus) e da villa de Afonso até confluir na EM607-2 no Barroco Alto, desviando logo depois pelo estradão em terra que desce ao Côa pela Quinta do Bacharel, longo troço da via que ia cruzar o rio na actual Ponte da Faia Brava, próximo do castro romanizado do Castelo dos Mouros. Daqui seguia a EM607 por Freixeda do Torrão e Figueira de Castelo Rodrigo, rumo à capital dos Cobelci em Torre de Almofala (Perestrelo, 2006).

Itinerário de Marialva a Videmonte
Marialva (em Coriscada inflectia para sul pela rua Lúcio Saraiva/EM602, saindo desta logo depois pelo caminho para a Quinta do Campo)
Quinta do Campo (vicus Sangoabonia ou Segoabonca junto da Capela de São Brás, com base numa ara consagrada a Júpiter pelos Vicani S[?]/goaboaic(enses), actualmente no Museu da Guarda; a área do vicus estende-se pela Quinta das Cardosas com fustes colunas, capitéis, silhares almofadados, sigillata e sinais de mineração de estanho)
Cótimos (cruza a ribeira dos Cótimos em banhos?)
Freixial, Cogula (a poente fica a villa da Quinta da Tapada do Oleiro situada na base do Castro romanizado do Castelo, onde apareceu a inscrição funerária de Apana, actualmente no MNA, além de capitéis e sigillata; a via cruza a povoação e segue pelo caminho das Quadradas e Alto do Seixo, passando a sudeste de Vila Garcia e cruzando a ribeira Vale de Mouro na Laje Velha)
Póvoa do Concelho (villa da Quinta do Prado a sudeste, dividida pela ribeira de Vale de Mouro, onde apareceu uma tégula com a inscrição [...]ERRVS / [...]NIENSE, actualmente no Museu da Guarda, interpretada como nome e origo do seu proprietário actualmente truncado; a via continua talvez junto da villa da Quinta das Eiras/Casal da Fonte Grande e a meia-encosta do Alto do Feital)
Vilares (provável vicus na zona das Eirinhas, na base do Castro da Broca; na Lapa Chã há uma inscrição rupestre paleocristã do ano 495 d.C., celebrando a construção de um templo por Caturo Areini; a via romana passaria a nascente do vicus por Maçal da Ribeira?)
Maçal do Chão (cruza a aldeia e continua a nascente de Baraçal, talvez pelo caminho que passa na Quinta do Juncoso, Quinta das Bocas, Quinta de Santo André e Quinta Amaro Ferreira até Aldeia Rica, com vestígios na Quinta da Torre/Aral)
Açores (vicus de Panelas/Calvário na periferia da aldeia, onde recentemente apareceu uma ara a Júpiter; casais? em Olival do Clergo, Forca e Quintal da D. Maria)
  • Daqui poderia seguir para Serra da Estrela cruzando o Mondego junto da Ponte do Ladrão em Lageosa do Mondego (da ponte segue pela margem direita da ribeira da Cabeça Alta pela rua Chão da Nora, cruza a EN16 e sobe ao Alto da Carrapicha, continuando pelo caminho a meia-encosta que margina a Quinta das Freiras e a Quinta do Prazo), continuando depois por Rapa (onde cruza a via Celorico-Guarda), podendo continuar pelo Penedo do Livreiro e Alto da Atalaia até Videmonte, descendo ao Mondego ou continuando até ao nó viário do Alto dos Carvalhos Juntos, onde entronca na via Viseu - «Centum Cellas».

Via ASTURICA a COBELCORUM
Mapa
San Vitero


Carril Mourisco






Alpajares


Cobelcorum


Moncorvo


Astorga (ASTURICA) - Torre de Almofala (COBELCORUM)
Grande itinerário que deriva da via Chaves-Astorga para sul, partindo da estação viária de Compleutica para sul, rumo à travessia do rio Douro em Barca Dalva. A estrada é citada num documento afonsino de 1172 como "Carril Mourisco" que cruzava o planalto Mirandês entre os rios Sabor e Douro. A sua utilização em período romano é confirmada pelos muitos vestígios dessa época ao longo do seu trajecto, assim como um vasto conjunto de monumentos megalíticos que permitem recuar este caminho ao Neolítico Final. Os locais de passagem da via são mencionados pelo Padre Francisco Alves em 1915 (o famoso Abade de Baçal) com base nas anotações do Major Celestino Beça (Alves, 1915) A via está assinalada nas cartas militares da série M888. Além de diversas aras dedicadas a Júpiter, assinala-se ainda a presença de veteranos com o epitáfio do signífero Aemilio Balaeso, porta-estandarte (vexillum) da unidade de cavalaria Ala Sabinianaque apareceu em Aldeia Nova (Miranda do Douro). Uma outra derivação da via Chaves-Astorga, desta vez a partir da estação viária de Babe, seguia por Vimioso até Vila de Ala, onde conflui no Carril Mourisco, seguindo depois para Barca Dalva. Continua depois por território da Civitas Cobelcorum (Torre de Almofala) e da Civitas Igaeditanorum rumo a Mérida (act. 2022).

Astorga (ASTURICA) (segue o Itinerário XVII até à estação de Compleutica)
Figueruela de Arriba (COMPLEUTICA; daqui ruma a sul)
Gallegos del Campo (III m.p.; miliário de Macrino na povoação)
San Vitero (VIII m.p.; miliário de Trajano que assinalava 6 milhas a Caesera e oito milhas a Compleutica)
San Juan del Rebollar (X m.p.)
Alcañices (XIV m.p.; continua por Vivinera/ «Bebineira» e depois pelo caminho do «Chalet Espanhol» seguia até à actual fronteira)
Cicouro, Miranda do Douro (XX m.p. junto da Cruz de Canda ou Cândena, actual fronteira luso-espanhola, e segue pelo Alto das Eiras da Cruz e Malhadona)
Constantim (segue a poente da povoação pelo Cabeço dos Brunhos, cruza Fontes e pouco depois segue à esquerda pelo sítio do Pito no Alto da Carneira)
Póvoa (continua por Veneita, Penhas do Gordo, Capela de Sra. do Picão, a milha 26, e Chãos)
Malhadas (XXIX m.p.; de Chãos segue à esquerda até à Cruz das Lombardas, cruzamento com EN218, de onde partia um ramal de ligação ao povoado romano de Trás da Torre em Malhadas; continua junto do cruzeiro da Lagoa Grande, na milha 30, Lagoa Pequena e Alto da Zebra, milha 31, até à Cruz de Martins Fernandes, na milha 32; este troço serve de fronteira concelhia com Vimioso; lápides romanas na Igreja de Ns. da Expectação)
Duas Igrejas (ramal de ligação ao sítio romano de Faceira, onde apareceram várias moedas e lápides funerárias, provenientes talvez da necrópole na Sra. do Monte; da Cruz de Martins Fernandes continua por Chanas, Cula, Alto de Fontelatassa, Rodelas, Cabeço da Matança, Fonte dos Campos e Reboleira; O Abade de Baçal refere os topónimos «Quinta da Urreta da Silva», «Fonte dos Asnos» e «Tapada de Piçoulos»)
Fonte de Aldeia (XXXVIII m.p.; a via passa a poente da povoação pelo Alto de Sta. Catarina e Cruzeiro até ao apeadeiro, acompanhando a partir daqui a linha férrea, passando a poente da Capela de Ns. da Trindade)
Prado Gatão (continua junto à linha férrea a sudeste da povoação, passando segundo o Abade de Baçal na «Marra de Prado Gatão» e «Ponte de Vale de Carrasco»; povoados em Trampas Carreiras e em Toural, Palaçoulo, onde apareceram ">três lápides romanas e alguma sigillata)
Sendim Gare (XLI m.p.; a mesma distância ao rio Douro, estando portanto a meio percurso; continua paralela à linha férrea pelo Alto da Alubreira, confluindo na EN221; o Abade de Baçal indica a sua passagem pelo «Vale de São Pedro, pelo meio das Eiras ou prado de Sendim» e junto da Capela de São Sebastião)
Urrós Gare (XLV m.p.; miliário anepígrafo junto do apeadeiro; continua paralela à linha férrea, passando nos topónimos «Cabeço Obreiro», «Vale Mourisco» e «Penas Turvas»; possível ramal de ligação ao Castelo de Oleiros, povoado romanizado sobranceiro ao rio Douro junto a Bemposta, onde apareceram 11 lápides funerárias e há vestígios de calçada na travessia para Fermoselle em Espanha)
Brunhosinho (XLVI m.p.; a 40 milhas do Douro; o Abade de Baçal refere a passagem da via a 100 m do «Castro Gel» pelos topónimos «Cruz da Bandeira», «Vale de Sendim», «Eiras da Canada de Brinhozinho» e «Pena da Mosqueira»; este trajecto deve corresponder à continuação do caminho a norte da povoação de Brunhosinho, passando no Alto das Penas da Areia, seguindo paralela à linha férrea até à encruzilhada, onde abandona a linha e segue para sudoeste pelo caminho que margina as mamoas 3 e 2 da Pena Mosqueira)

Nó viário da Pena Mosqueira
O conjunto megalítico da Pena da Mosqueira conta com quatro mamoas, actualmente muito destruídas. As mamoas 3 e 2 correspondem à marcação miliária (respectivamente a milha 38 e 37 ao Douro), assinalando os locais de onde partiam as derivações do «Carril Mourisco» rumo a Pena Roias e Mogadouro, mostrando mais uma vez que tanto a via como a marcação miliária pode ser recuada ao período Neocalcolítico. A partir deste ponto a indicação miliária é referida ao Douro.
  • Ligação a Penas Roias: a via derivava do «Carril Mourisco» para noroeste um pouco antes da mamoa 3 da Pena Mosqueira em direcção à Capela de Santo Amaro em Sanhoane (ara na igreja e estela, talvez provenientes da Fonte da Moura, na base nordeste do povoado romano de Castrijelo, junto a Figueirinha), continuando depois por Vilariça (junto da mamoa do Mural e pela base do povoado sidérico da Fraga do Castelo) em direcção a Penas Roias. Junto do cemitério desta povoação existe um sítio romano designado por Fonte do Sapo que poderá corresponder a uma mutatio desta via, dado se encontrar a oito milhas do nó viário da Pena Mosqueira. Na igreja existe uma ara que poderá ser daqui. A via cruzava a ribeira do Moinho Albeiro, mas não se conhece para já o seu destino (act. 2022).
  • Ligação a Mogadouro: segundo o Abade de Baçal, a via derivava do «Carril Mourisco» para poente a partir da «Pena Mosqueira» (mamoa 2) seguindo depois junto da mamoa 1 e mamoa 4 da Pena Mosqueira e pelos topónimos «Vale de Unfiz» (Vale de Variz?), «Valdrugueira» (Vale de Urgueira?), «Brenha do Cazarelhos no sítio da Devesa» (Alves, 1915). Este último, corresponde ao sítio romano de Casarelhos, possível mutatio na base do Castro de Santiago onde apareceu uma inscrição funerária e sigillata, continuando por Santiago até Mogadouro (ara a Júpiter no sítio do Mural, próximo de Zava, FE 589) (act. 2022).

Nó viário de Vila de Ala
A via continuava pelos topónimos «Fonte da Pena Mosqueira», «Pinhal do Brinhozinho», «Lagoa de Thó», «Fornos da Telha» e «Pontão de Thó» rumo a Vila de Ala. Na entrada norte da povoação existe um cruzeiro que assinala o local onde o «Carril Mourisco» recebia uma outra via com orientação genérica N-S, proveniente de Vimioso. Esta via integrava um outro grande itinerário proveniente do nó viário de Babe (na estrada de Braga-Astorga) e que se dirigia também para a travessia do rio Douro em Barca Dalva, cruzando o rio Maçãs junto a Outeiro (travessia mais facilitada que a alternativa pela Ponte Medieval de Carção, apesar de estar registrado no Endovélico como «Caminho Romano») e o rio Angueira na Ponte Velha de Algoso.
  • Via norte-sul entre Babe e Vila de Ala pela Ponte de Algoso
    Partindo do Sagrado, percorria a linha de festo que separa o rio Sabor do rio Maçãs num traçado sem grandes variações de cota pelo chamado «Caminho da Canada» e «Caminho do Corso» que segue por alturas de Milhão (Facho), continuando por Rio Frio, Paçô e Outeiro (dois fragmentos de estelas em Carva), onde cruzava o rio Maçãs para Vale da Pena rumo a Vimioso. Continua por Vimioso, Campo das Víboras, Cabeço das Olgas (minas) e Algoso (a poente do sítio romano de São Martinho, contíguo ao povoado alto-medieval fortificado do Cabeço da Forca; Lemos, 1995:123), cruza o Rio Angueira junto da Ponte Medieval de Algoso, continuando por Valcerto e a nascente de Castanheira, junto da mamoa de Paizeda (ou Manga 1), cruza a via Brunhosinho-Penas Roias junto da mamoa do Mural, seguindo depois a nascente do Castro de Santiago, passando junto da Capela de Ns. da Orada rumo a Vila de Ala, onde entronca no «Carril Mourisco» (act. 2022).
  • Ramal para Saldanha: um ramal desta via ligaria a Saldanha, onde há vestígios de povoamento romano com diversas inscrições funerárias, uma inscrição a Júpiter Depulsori na igreja paroquial colocada por um veterano da Legião VII Gémina, e uma árula a Júpiter Óptimo Máximo Salvador (FE 662). Santa Marinha (act. 2022).


Continuação do Carril Mourisco para Barca Dalva
Vila de Ala (XXXII m.p. ao Douro; continua junto dos topónimos «Eiras de Paçô» e «Corriça», passando ligeiramente a sul do lugar de Paçô)
Vilar de Rei (XXVIII m.p.; a via soterrada corresponde ao caminho que passa em Carvas, «Ponte do Mourisco»/ ribeira da Veiga(?), «Urreta Mourisca», «Calçada» e «Prados dos Reis», topónimos viários que denunciam a passagem da via em direcção à Serra de Gajope, acompanhando a linha férrea por Cabeço da Quinta, Atalaia, junto do Alto de Brucó e Ponte dos Almocreves)
Lagoaça (XIX m.p.; o «carril» continua pela base do Cabeço de Sta. Marta, também designado por «Carvalhal da Lagoaça»; árula a Júpiter proveniente da necrópole de Vale Travesso, possível vicus)
Fornos (XVIII m.p.; por «Lameiras de Vale de Ladrões» e junto da estação CF, onde apareceu a estela funerária de PRISCVS)
Lomba do Carvalhão (XVII m.p.; continua para sul por Ferrarias onde cruza a ribeira homónima)
Mazouco (XIII m.p.; cruza a povoação marginando a igreja e 250 m adiante inflecte para poente pelo caminho que cruza a ribeira dos Mercadores e continua pelo Alto do Pinho, Coraceira e Canadinhas)
Santa Luzia (X m.p.; passava a poente do importante povoado romano de Santa Luzia, possível vicus e mutatio junto da milha 10 onde apareceram epígrafes funerárias, rumo à Ponte Medieval do Carril sobre a ribeira de Moinhos)
Freixo de Espada à Cinta (VIII m.p.; villa na Quinta de São Caetano; há «notícia de um miliário enterrado junto a uma fonte» ainda não confirmada)
Poiares (continua para poente passando junto Castro de São Paulo, onde apareceu uma ara a Júpiter, descendo ao Douro pela Calçada de Alpajares até à confluência da ribeira da Brita na ribeira do Mosteiro, cruzando esta na Ponte Medieval do Diabo da qual já só restam os arranques, seguindo depois pela margem direita até ao rio Douro; este local estratégico era controlado pelo Castelo de Alva, povoado fortificado tardo-romano, onde apareceu uma ara a Júpiter, entretanto perdida, CIL II 2400)
Barca Dalva (travessia do rio Douro junto da Quinta da Barca, na base do povoado fortificado tardo-romano do Castelo de Alva; inscrição funerária na frontaria da Capela de Santo Cristo regista um Cobelcus, talvez proveniente da vizinha villa da Quinta da Pedriça; ascendia depois a encosta sensivelmente paralela à EN221 coincidindo com esta em alguns pontos, seguindo pelos topónimos Milheiro e Vale Gamão, onde havia troço de calçada junto do km 120 da EN221, entretanto destruído, Bolata e Chã de Mouros)
Escalhão (passa na igreja)
Mata de Lobos (passa no cemitério e na rua Santo Cristo)
Torre de Almofala (sede da Civitas Cobelcorum)

Viae ab Civitas COBELCORUM
Mapa
Vilar Maior




Vermiosa


Rede viária de Torre de Almofala

Torre de Almofala (sede da Civitas Cobelcorum)
Importante povoado romano localizado em torno da chamada Torre das Águias em Almofala que assenta sobre um magnífico Templo Romano que urge salvar da ruína; a imponência do monumento e em particular o achamento de uma ara dedicada a Júpiter pela Civitas Cobelcorum (CIL II 429), ajudaram a situar aqui a capital dos Cobelci, apesar dos vestígios de habitações aqui de encontrados não indiciarem mais do que um pequeno povoado, longe da dimensão esperada para uma capital de civitas; este facto levou a reconsiderar o estatuto de outros importantes sítios romanos como Póvoa do Mileu e Centum Cellas, também fortes candidatas a sede de civitas. Deste nó viário deveriam partir várias estradas romanas rumo aos oppida adjacentes, mas o grande número de caminhos antigos numa região de forte matriz medieval e a total ausência de miliários, torna difícil a identificação dos trajectos romanos; muitas das calçadas identificadas parecem servir pequenos povoados formando uma rede intrincada de viae vicinales, mas os eixos principais seriam uns seguintes: para sul, seguia uma via rumo a Idanha-a-Velha (entroncando na via Braga-Mérida), para sudoeste seguia uma outra via rumo à Guarda. De Almofala para norte, a via parece dirigia-se para a travessia do rio Douro em Barca Dalva (ver Itinerário Astorga-Almofala).

Torre de Almofala (COBELCORUM) a Sabugal (Equotule?)
Continuação do eixo viário romano norte-sul que seguia aproximadamente paralelo à actual fronteira luso-espanhola descrito no Itinerário de Asturica à Civitas Cobelcorum seguindo a linha de festo que separa o rio Seco da ribeira de Tourões pelo chamado «Caminho do Carril», referido na documentação medieval (AN/T, Aguiar, m.1, doc.23) da qual subsistem grandes troços perfeitamente planos e rectilíneos no planalto, passando nas proximidades do povoado romano de Moradios/Verdugal em Malhada Sorda, possível vicus associado aos Vettones, tribo celta cujo território se estendia por Espanha adentro, conhecida pelas suas esculturas zoomórficas em pedra, chamadas de «berrões». A via seguia até Aldeia da Ponte (Sabugal), onde cruzava a via para Salamanca.
  • Variante de Mata Lobos a Vilar Formoso: parece existir um itinerário alternativo que seguia a poente da Torre de Almofala, desviando um pouco antes em Mata Lobos para cruzar o rio Aguiar para Nave Redonda, seguindo depois por alturas de Vilar Torpim e Reigada (Alto da Devesa, Alto do Carneiro e Alto da Perdigueira) até ao Arrabalde de Santo António e daqui a Almeida, contorna o povoado pelo nascente e continua próximo de Junca (vestígios na Sra. do Mosteiro) até Vilar Formoso, onde reúne com o itinerário anterior.

Almofala (a via ladeada o vicus romano pelo nordeste, cruza a estrada moderna EN604-2 junto da Capela de São Sebastião e segue pelo caminho de linha de festo entre a ribeira de Toulões e o rio Seco, hoje linha divisória entre as freguesias de Escarigo e Vermiosa pelo Alto das Piçarras, Cruzeiro, Devesa de Cima, Alto das Missadas e Nave Calçada, marginando sítios romanos como Quinta da Tapada da Machada e Pinhal da Sacristia, continua pelo Alto dos Barreiros, Prado das Fátimas, Vale da Coelha até à estação viária de Vale da Mula)
Vale da Mua (possível mutatio no cruzamento com uma suposta via este-oeste proveniente de Marialva rumo a Ciudad Rodrigo por Pinhel e Almeida; a via cruza a povoação e segue pelo Alto das Corças, passando a nascente da villa da Sra. do Mosteiro)
São Pedro do Rio Seco (cruza a povoação e segue pela Eira do Silva e Alto dos Pluviões)
Vilar Formoso (segue o «Caminho do Carril» por Atalaia/Alto de Vilar Formoso e Alto da Lomba, passando a nascente de Freineda)
Malhada Sorda (a via seguia pelo Alto do Cabeço Madeira, Carril, Alto dos Castanheiros e São Pedro do Carril, passando a nascente do vicus do Verdugal/Moradios, junto da Pedra da Anta, confluindo pouco depois em Batocas na EN332 que passa a seguir pelo Alto do Guinaldo e Alto da Lomba)
Aldeia da Ponte (entronca na via para Salamanca)
  • Variante por Vilar Maior: uma variante da anterior desviava em Malhada Sorda em direcção à Ponte Medieval de Vila Maior, sobre o rio Cesarão, continuando pelo Alto da Lomba, entre Escabralhado e Aldeia da Ribeira, rumo à Aldeia da Ponte, entrando na povoação junto da Capela de Santa Catarina.

Itinerário de Torre de Almofala (COBELCORUM) a Guarda
Ligação entre os povoados romanos de Torre de Almofala e Póvoa do Mileu (Guarda) pela «Ponte Velha do Côa». Esta via cruzava a fronteira e seguia por Escarigo seguia próximo das villae em Cabeço da Recta e Cabeço da Prata, rumo à travessia da ribeira de Aguiar/rio Seco na Ponte Medieval da Vermiosa (continua em calçada por 500 m contornando pelo norte a villa de Vale de Olmos), continua por Passagens, Fonte do Espinho, junto do vicus ou villa de Pedregais, chega a Reigada pela Capela de Santo António, continua pelo Barrocal e inicia a descida ao Côa pelo caminho abaixo de Cinco Vilas, conhecido por «Estrada de França», até à calçada de Poço Cavalo que percorre a margem direita do Côa até à «Ponte Velha».
Travessia do rio Côa (a designação «Ponte Velha» refere a ponte medieval destruída em 1907 por uma cheia, conservando 3 dos 5 arcos primitivos; continua pelo alto das Poças rumo à travessia da ribeira das Cabras na Quinta da Ponte)
Pinhel (ver espólio no Museu de Pinhel; a via subia ao povoado, seguia paralela e a nascente da EN221 por caminho em terra, tomando depois a EM574 pelo Alto da Pêga)
Vascoveiro (continua pela cumeada por Feiteira, Seixal, Alto do Bandarra, passa junto da Capela de Sta. Bárbara, seguindo para o Manigoto pelo Alto das Lameirinhas)
Manigoto (marca de tégula referente à Legião IV Macedónica na Quinta da Urgeira atesta a presença militar nesta área; via passa na igreja, cruza a ribeira da Pega e segue a leste de Vendada pelo Alto da Brôa/Alto da Folha da Lomba, Santa Maria e Lajinhas)
Pomares (cruza novamente a ribeira da Pega e segue por Sobreiras e Porto de Avelãs, na linha divisória entre concelhos)
Argomil (ver Estela de Argomil na igreja; continua por Sra. da Lagoa, passa junto do casal romano de Vilares)
Rapoula (calçada
na rua da Lagoa desce à povoação, passa na igreja e segue por Caneirinhas, junto do tesouro de Ladeira e Amial)
Menoita (o restante percurso está descrito na via Marialva - Guarda)
Guarda (povoado romano em Póvoa do Mileu)

Viae ab LANCIA TRANSCUDANA
Mapa
Guarda


Castelo
Mendo


Meimoa


Rede viária de Póvoa do Mileu (Lancia Transcudana?)
Póvoa do Mileu, Guarda (povoado romano em torno da Capela da Sra. do Mileu, situado na base do Castro de Castelos Velhos, provável capital dos Lancienses Transcudani da inscrição da Ponte de Alcântara; o castro foi destruído na década de 90, 'engolido' pela cidade, mas ainda se preservam importantes vestígios do vicus romano na área da capela; daqui provém uma ara dedicada a Bande Brialeacus, divindade indígena que aparece também em Orjais, um cipo funerário e uma inscrição a Frontoni, imigrante taporo)

Ligações a partir de Póvoa do Mileu: Mileu era um importante nó viário marcado pela passagem dos eixos norte-sul rumo ao rio Tejo; para norte seguia uma via para a Civitas Aravorum (Marialva) rumo à travessia do rio Douro no Vesúvio; para nordeste uma outra via dirigia-se para a cidade dos Cobelci (Torre de Almofala) (ambas descritas acima); na direcção sul partiam dois importantes itinerários, um ligando a «Centum Cellas» (Torre de Belmonte) onde entronca na via para Mérida pela Ponte de Alcântara, e o outro seguia mais a nascente, cruzando a via Tomar - Salamanca a oeste do Sabugal, continuando depois por Meimoa e Penamacor até Igaeditana entroncando também na mesma via para Mérida. A via saía da cidade pelo Bairro da Sra. dos Remédios, onde existiam vários troços de calçada que foram entretanto destruídas durante a construção da nova circular 1997, não restando hoje mais que o pequeno troço no parque público. Por outro lado, as vias transversais este-oeste apresentam o trajecto muito dificultado pelos vales cavados que caracterizam a região e não fariam parte de grandes itinerários, mas antes de pequenas ligações entre os diversos povoados. Para poente seguia uma via rumo a Celorico da Beira descendo a íngreme encosta pela calçada do Castro do Tintinolho; alguns autores sugerem ainda a existência de uma via para nascente rumo Salamanca (Perestrelo, 2003), mas o seu traçado apresenta-se muito problemático (act. 2022).

Póvoa do Mileu a Belmonte (Centum Cellas)
Partindo da Capela de Mileu, segue talvez pela Sra. dos Remédios (topónimo Quinta da Calçada) e Monte Calvo, cruza o rio Noéme na Ponte Pedrinha em Barracão, continua por Póvoa de São Domingos, onde toma o estradão que vai pela cumeada da serra por alturas de Ramela pelo Alto de Santa Cruz e Alto do Barrocal do Conde (duas aras em Aldeia Nova, FE 396–397), continua pelo Alto da Galgueira e Catraia da Serra (epitáfio de Proculo, CIL II 458, na fachada da igreja de Santo Antão em Benespera, proveniente talvez da villa da Quinta de São Domingos, onde o caminho descia para a travessia da ribeira do Vale da Teixeira); daqui seguia por Colmeal da Torre, Santo Antão e Quinta da Torre até ao povoado romano de «Centum Cellas», onde conflui na Via Braga-Mérida.

Póvoa do Mileu a Idanha-a-Velha (IGAEDITANA)
Esta via partia da Guarda rumo a sudeste, passando a nascente do importante Santuário Luso-Romano de Cabeço das Fráguas, onde existe uma rara inscrição rupestre em língua «Lusitana» sobre o sacrifício de animais a divindades indígenas, entre outras a Trebaruna, Reve e Labbo, esta última reaparecendo como a divindade Laepo no vicus da Quinta de São Domingos, situado no sopé do santuário, em 3 aras votivas na Capela da quinta, umas das cerca de vinte aras achadas na área do vale em torno do povoado romano, muitas destas anepígrafas, sugerindo a existência de um local de culto a esta divindade; numa das aras parece ler-se vicani Ocelonenses, colocando o santuário no território da civitas dos Ocelenenses.

O percurso inicial seria comum à via para «Centum Cellas» até bifurcar em Barracão, seguindo esta por Panoias de Cima e Santana da Azinha (possível miliário num muro; estátua-menir do sítio da Tapada, a cerca de 500 m a oeste da via; estela funerária na Quinta Da Erva, FE 312), continuando por Fernão Luís, Fonte Velha, Coito, Aldeia de Santa Madalena (inscrição funerária na Igreja, FE 365), Lameiras, Pousafoles do Bispo (possível mutatio na villa ou vicus mineiro? do sítio do Lameiros das Casas), continua por Lomba e Águas Belas (por Fonte da Estrada e Lomba dos Palheiros), podendo aqui bifurcar em dois ramais que iam entroncar na Via oeste-este de Tomar a Salamanca, seguindo um ramo por Urgueira (marginando o possível vicus da Tapada do Açude, relacionado com minas de cobre; daqui partia uma ligação ao Sabugal pela Nave da Queixada); continuava pela Aldeia de Santo António até ao vicus da Tapada Velha, onde aliás se achou o miliário de Alagoas descrito abaixo (Perestrelo, 2003; Osório, 2006; Pedro Carvalho, 2008).

Alagoas, Sabugal (provável mutatio a 21 milhas de Mileu no cruzamento com a Via para Salamanca; estação viária associada ao vicus da Tapada Velha, de onde será proveniente o miliário que apareceu no centro de Alagoas a servir de cruzeiro (FE 102); a via para Igaeditana continuava para sul cruzando a EN233, seguindo depois pelo estradão que acompanha a linha divisória entre os concelhos do Sabugal e Penamacor por alturas de Meimão, passando em Cabeço da Vela, Alto de Santo Estevão e Alto da Cabeça Calva, descendo depois a Meimoa talvez pelo caminho próximo da villa? do Cabeço do Lameirão)
Meimoa (vicus VENIA) (excelente colecção de epigrafia na Casa-Museu Dr. Mário Pires Bento; epitáfio de Gracilis achada em Vale dos Frades; epitáfio de Postumus, um imigrante Cluniense; ara a Júpiter Solutorio; a ara honorífica dedicada ao Imperador Trajano pelos Vicani Veniensis indicia a localização do vicus Venia nas proximidades, devendo corresponder ao sítio romano da Canadinha, situado na margem oposta à actual povoação, junto da confluência do ribeiro da Queijeira com a ribeira de Meimoa)
Ponte Filipina sobre a ribeira de Meimoa (7 arcos; duas inscrições funerárias incorporadas na ponte; a via continuava para sul passando junto do vicus da Canadinha rumo ao Alto de Santo André)
Penamacor (ver materiais romanos no Museu Municipal; ara a Bandi Vorteaecio de Vale Queimado; ara a Júpiter Conservatori; ara de Attius Rufus a Júpiter na Capela de São Pedro; inscrição a Victoria; a nordeste, junto da Carreira de Tiro, há largas cortas mineiras em Presa e Salgueirinha, associadas a um possível acampamento militar romano em Lenteiro/Covão do Urso (Sánchez-Palencia e Brais Currás 2017 400); a via desce do Alto de Santo André e contorna Penamacor pelo vertente nascente e segue junto da villa de Olival Queimado, onde apareceu a ara votiva de Coutilius também dedicada a Bandi Vorteaecio, rumo à travessia da ribeira das Taliscas na Quinta das Adelinas (?), junto do topónimo «Carril», continuando depois próximo do sítio romano da Quinta do Frazão e da possível mutatio no sítio do Ferrador, situado na base do Cabeço da Atalaia, onde ainda há 20 m em calçada, marginado duas possíveis villae, uma na Tapada do Robalo e outra recentemente descoberta em Saibreira)
Aldeia de João Pires (fragmento de ara a Júpiter junto da igreja; ara votiva a Diana, FE 590; segue a nascente, cruza a ribeira homónima e continua pelo Alto do Carvalhal/Malhada da Viseira)
Monsanto (a via passava próximo da villa de São Lourenço em Monsatela e continuava pelo sítio romano de Chão do Touro, onde apareceu ara a Arentio e a leste do sítio do Salgueiral, onde há uma inscrição num palheiro, continuando por Carroqueiro e Vale da Portela, onde apareceu um miliário muito desgastado onde apenas se lê [… …] A / MILIA, actualmente no Museu de Idanha-a-Velha (Baptista, 1998), ou seja «a milha», no entanto, a distância medida no terreno é cerca de 2 milhas (?); a via cruza a ribeira da Bica e continua em calçada junto do sítio romano da Serrinha, contorna o Alto da Bigorna e segue por Carrascal da Serrinha e Horta do Pereiro rumo à Porta Norte de Igaeditana)
Idanha-a-Velha (IGAEDITANA) (a entrada na cidade fazia-se junto da necrópole da Tapada da Eira pela Porta Norte)

Viae ab IGAEDITANA
Mapa
Proença


Pônsul





Itinerários de Castelo Branco a Idanha-a-Velha
  • Castelo Branco a Idanha-a-Velha (IGAEDITANA) por Oledo: partindo de Castelo Branco seguia Bonfim, Fontainhas, cruza o aeródromo no Alto da Cancela Cimeira e continua por Monte Brito, Vinha do Marco, Escalos de Baixo (calçada na saída norte), Escalos de Cima (seguia a nascente pelo alto de Vale de Lobo; vestígios em Vale da Alagoa, incluindo uma ara a Júpiter Conservador por Iulia Rufina, actualmente no MTPJ; árula votiva a Di (is) Cai(riensibus) numa casa particular; epitáfio de Licinio na igreja paroquial), Lousa (seguia junto dos vestígios em Vale de Zinho e Quinta das Mandanhas; epitáfio de Lancius proveniente do Chafariz Mãe d'Água; epitáfio de Turacia proveniente da propriedade do "Vascão", ambos no MTPJ), cruza a ribeira de Alpreade (talvez no sítio do «Porto Cavalo» (?), a jusante da ponte actual na EN233), Oledo (villa? em Sebes; habitat em Fontanhão; segue talvez pelo caminho que passa junto de Vale do Covado, próximo da importante villa dos Barros, continuando pela Quinta dos Cebolais e Barreiros, possível vicus), Proença-a-Velha (passa no Chafariz Longe/EN239, onde está enterrado um cipo, possível miliário; ara dedicada a Reve Langanitaeco), continuando talvez pela calçada de Muros que cruza o rio Torto e segue rumo a Medelim (?), onde entronca na via para Idanha-a-Velha (IGAEDITANA).

  • Castelo Branco a Idanha-a-Velha (IGAEDITANA) por Ladoeiro: poderia existir uma rota mais curta para Idanha-a-Velha passando próximo dos sítios romanos da Fonte da Bica, Granja dos Belgaios e Sra. do Almortão. Partindo de Castro de São Martinho pela calçada que ainda subsiste, a via seguia para nordeste rumo à villa da Quinta da Sra. de Mércoles, onde há referências a um possível miliário, continuando em calçada para a Ponte sobre a ribeira homónima (fundação romana?), junto da qual subsiste uma barragem romana; daqui seguia talvez pelo alto da Garalheira rumo ao vicus e possível mutatio da Fonte da Bica, continuando pelo alto das Ferrarias (lagar e mina) para a travessia do rio Pônsul na Ponte da Munheca/Monheca (EN240; alguns silhares almofadados na base de um dos pilares da ponte actual sugerem uma origem romana), passando assim a montante do importante sítio romano da Granja dos Belgaios, na confluência da ribeira do Povo com o Pônsul, onde se acharam duas aras que estão no Museu de Castelo Branco e uma terceira que apareceu na povoação actualmente no Museu de Idanha-a-Nova; duas delas são dedicadas a Oipaengia (Alarcão, 2001b; Sá, 2007; Encarnação, 2011); continuava próximo dos vestígios do Monte Velho e Monte da Antinha passando assim a noroeste de Ladoeiro (minas; villa? no Monte Rochão), tocaria Idanha-a-Nova pelo sul (topónimo «Calçadinha»), tomando a estrada que passa na Ermida de Ns. do Almortão (sítio romano com provável origem no culto à divindade indígena Igaedus a partir de uma ara aqui encontrada; Encarnação, 1975); do santuário continua pelo estradão de terra que passa no Alto das Ciadas e que se dirige para a Ermida de Ns. do Loreto em Alcafozes, rumando daqui Idanha-a-Velha.

Outras possíveis ligações partindo de Castelo Branco
  • Castelo Branco a Ponte de Alcântara por Segura: possível ligação mais curta de Castelo Branco à Ponte de Alcântara, evitando assim a passagem por Igaeditana; desvia talvez do itinerário anterior em Ladoeiro e seguia talvez junto da Fonte de Pias e do Monte do Gonçalão, rumo à travessia do Rio Aravil (no Monte da Marcelina?); continua depois a sul de Zebreira (ara à Deusa Victoria, por Aprodisia, actualmente no MTPJ e ara aos Lares Cairienses na Quinta da Nave Aldeã), talvez pelo Monte do Calqueira e alto de Zebros, Monte de São Domingos, Monte da Loba do Chorão, Vale da Loja e Granja, existindo importantes vestígios romanos ao longo do caminho que percorre a margem da ribeira da Enchacana até à confluência com o ribeiro do Freixinho (povoado e estela funerária), continuando depois até Segura pelo Chafariz da Calçada e daí a Alcântara.
  • Ligação a Malpica do Tejo e Monforte: outra via seguia sudeste pela base do Castro de São Martinho e pela Ponte Medieval sobre o rio Pônsul (EN18-8), atravessa a ribeira de Malha-Pão em Farropa e segue rumo aos povoados mineiros de Malha Pão, Senhora das Neves e Monte de São Domingos. Um outro caminho inflectia para leste após a travessia do Pônsul e seguia para o povoado do Monte Castelo em Monforte da Beira e respectivas minas do Pó e da Tinta; o minério seria transportado até ao Tejo pela calçada da Moura.
  • Ligação aos Vicani Nertaicenses: também é possível um diverticulum rumo ao sítio romano da Fonte de São Tiago, 2,5 km a leste da aldeia do Rosmaninhal, de onde são provenientes 3 aras, 2 estão desaparecidas e a terceira é dedicada a Júpiter (?) pelos Vicani Nertaicensis (?) cujo vicus poderia ocupar a área da actual povoação do Rosmaninhal (ara à divindade Arantius Tanginiciaecus na Tapada da Ordem; estela colocada por Philete, à filha Superata na Granja de São Pedro).
  • Ligação Castelo Branco a Coimbra/Bobadela: é possível que de Castelo Branco partisse uma via para noroeste rumo à travessia do rio Zêzere em Cambas com base nos sulcos de rodados em torno de Estreito (V6 em Batata, 2006); num traçado hipotético, de Castelo Branco a via seguia por Taberna Seca (EN233), onde atravessava o rio Ocreza na Ponte do Pego Negro (em ruínas), continuando por Vilares de Cima e Espadanal até Sarzedas (inscrição; rua da «Estrada Romana» entre a Capela de São Sebastião e Várzea do Lopes), inflectindo em direcção a Estreito (com vestígios da calçada em São Torcato e na igreja paroquial; passa na base do Castro do Picoito), continuando em direcção à travessia do Rio Zêzere em Cambas pelo Alto da Portela.
  • Ligação às Minas da Lisga: vestígios de sulcos de rodados no alto da serra em Lisga e Corgas, indiciam a existência de um diverticulum perpendicular à anterior que de Estreito seguia pelo Alto da Safra e Serra do Caniçal, continuando pela linha de festo que que faz extrema entre concelhos e passa junto do complexo mineiro da Lisga (V7 em Batata, 2006), podendo continuar pelo Alto do Fatelo (Corgas), com vestígios de calçada em Vale de Amodéis e Cabeço das Corgas, rumo a Proença-a-Nova (?).

Mapa

Fundão






Itinerário de Castelo Branco ao Fundão
Segue o percurso da via para o Sabugal até Atalaia do Campo, onde inflecte para noroeste, seguindo por:
Póvoa de Atalaia (calçada; epitáfio de Graecinius Langon no MAMJM)
Alpedrinha (vicus; duas inscrições funerárias e uma inscrição a Marte, actualmente no MAMJM; a via romana parte do Largo D. João V, junto do Palácio do Picadeiro e da Capela de São Sebastião, segue em calçada por 190 metros, cruza o IP2 e sobe por Canada, transpondo a Serra da Gardunha)
Alcongosta (a via desce a Portela entroncando na «Estrada da Floresta», onde apareceu a árula de Boutia, FE 701; daqui desce à povoação pela Capela de São Sebastião, continuando por Alcambar e Quinta do Ouro até ao Fundão)
Fundão (vicus? na base do Castro romanizado de São Brás; ara votiva a Victoria colocada por um soldado veterano da coorte II Lusitanorum, actualmente no MNA)
  • O Museu Arqueológico Municipal José Monteiro no Fundão tem em exposição diversas epígrafes, nomeadamente a ara a Trebaruna, colocada por um soldado Igaeditano e o notável marco territorial, o terminus augustalis de Pêro Viseu que assinalava a fronteira entre os Igaeditani com capital em Idanha-a-Velha e os Lancienses Ocelensis cuja capital seria Ocelum ainda sem localização segura. No sítio romano da Quinta da Madeira, a poente de Ferro apareceu uma ara votiva dedicada a Arantio Ocelaeco junto da ribeira de Moinhos.

  • Possíveis ligações partir do Fundão
  • Fundão - Covilhã por Pêro Viseu
    Valverde (segue por Várzea e Ínsuas, ribeira da Pouca Farinha e a poente do Alto da Esparrela), atravessa a ribeira da Meimoa na Ponte Medieval de Pêro Viseu/Moinhos, seguia depois a poente de Pêro Viseu por Vale Feitoso com troços de calçada em São Marcos, Ferrarias e Lameira do Forno, cruzando depois a cumeada da Lomba da Pedra Aguda junto do povoado sidérico da Quinta da Samaria, onde existe uma inscrição rupestre designada por Laje de Adufe ou «Pedra do Livro» dedicada à divindade Nabia, local que actualmente divide os concelhos de Fundão e Covilhã e possivelmente o local original do terminus augustalis encontrado em Peroviseu (Redentor et al., 2006:57). Continuava talvez pela Quinta da Madeira, a poente de Ferro (grande dispersão de vestígios de um provável vicus) rumo à travessia do rio Zêzere (na Ponte Pedrinha?) e daqui à Covilhã. No entanto, este percurso ainda não foi confirmado no terreno. Esta estrada pode antes estar relacionada com uma derivação via proveniente de Mérida a partir da Ponte de Capinha, rumando daqui a Pêro Viseu pelo caminho de festo que parte de Chãos da Barroca, rumo a Tortosendo ou à Covilhã (act. 2022).
  • Fundão - Idanha-a-Velha
    Seguindo talvez por Donas (passaria próximo da villa de Santa Menina, de onde serão provenientes as 3 inscrições funerárias achadas em casas da povoação: o epitáfio de Flaccino, o epitáfio de Arius e o epitáfio de Maeloni e Arantonio, todas actualmente no MAMJM), Fatela (villa? em Chafurdas) ou Alcaide, Mata da Rainha (lápide de Tapora; segue por Vale das Vacas para depois cruzar a ribeira do Taveiró entre Cadaval e Poldras? e a ribeira de Ceife em Lajinhas?), Aldeia de Sta. Margarida (lápide funerária na parede do campanário da igreja; pulvinus no sítio de Terra da Estrada; o miliário, actualmente a servir de pé de mesa numa casa da aldeia provém das proximidades de Águas pelo que pertencia à via para Mérida) e daqui seguia talvez pela Ermida da Sra. da Granja que assenta sobre um templo romano anterior (inscrição com o epitáfio de Maternus) e fincado no exterior um fragmento de um possível miliário), continua pela calçada da Quelha do Medo até à Fonte da Goma e Capela do Calvário já em Proença-a-Velha, rumo a Idanha-a-Velha.

Mapa
Nisa


Castelo Branco a Aramenha (AMMAIA)
Ramais da via para Salamanca rumo ao Tejo, uma desviando de Benquerenças rumo à Barca de Perais e outra desviando em Sarnadas do Ródão rumo a Vila Velha de Rodão, onde cruzava o Tejo para Salavessa até reencontrar a variante anterior. A via por Perais corresponde a um velho caminho de transumância que foi utilizado até ao século passado, permitindo o trânsito dos rebanhos que vinham da Beira Baixa para o Alentejo e Algarve em busca de pastagens. Depois de cruzar o Tejo, a via continuava para sul por Montalvão e Castelo de Vide rumo a Ammaia (Baptista, 1998; Bilou, 2000a, 2005; Carneiro, 2000a, 2004 e 2008).

Itinerário a Ammaia pela Barca de Perais
De Benquerenças segue por Represa, Retaxo (junto da Capela da Sra. da Guia) rumo à travessia do rio Tejo a sul de Perais; o traçado da via deverá corresponder ao caminho que cruza a EM1265 e continua pelo Alto do Mulato, Monte dos Ratinhos (necrópole) e Monte da Coutada (villa?), cruza a ribeira de Lucriz na Casa da Ribeira (EN355; junto do povoado da Cadaveira, onde apareceu uma inscrição funerária de um natural de Concordia, actualmente no MTPJ), continuando talvez sob a EN335. Existe um caminho alternativo a partir de Retaxo, seguindo próximo de Cebolais de Baixo (por Alto do Pato e «Ladeira de São Gens»), Vidigueira e Vale de Pousadas (junto do topónimo «Meia-Légua») (act. 2019). A partir da Igreja Matriz de Perais, a via inicia a descida ao rio seguindo por Estalagens e Calçados, tomando depois o caminho da Barreira da Barca pela Calçada da Telhada, serpenteando por sólida calçada até ao rio que atravessava junto da Lomba da Barca (silhares romanos em ambas as margens de um possível cais) (Henriques, 2013; Carneiro, 2008:291), seguindo depois junto dos marcos geodésicos do Pombo e dos Remédios, passando junto da Ermida da Sra. dos Remédios e do sítio romano do Quintal dos Bombeiros em direcção a Montalvão (topónimo «rua da Barca»; fustes de colunas na rua das Almas); continua para sul pela EM525 até ao Alto do Boto, onde toma o caminho pela Capela de São Silvestre, cruzando a Nave Guedelha até reunir com EM525; cruza a povoação de Póvoa e Meadas e continua por alturas da Cabeça, da Légua e da Tinhosa rumo ao nó viário da Senhora da Luz, na base de Castelo de Vide; continua junto da Capela da Senhora da Luz e da Capela de São Pedro, onde toma o caminho que segue a meia-encosta pela vertente oposta à povoação, passando junto dos topónimos viários «Fonte da Mealhada» e «Pouso» até reunir com a EN246-1 junto ao supermercado; cruza depois o vasto vale de Escusa, seguindo talvez um traçado a sul da estrada actual, cortado por entre terrenos agrícolas, entrando da cidade romana de Ammaia pelo Porta Norte junto ao forum.

Itinerário a Ammaia por Sarnadas e Salavessa
Uma variante desta via desviava em Sarnadas do Rodão seguia em direcção à área mineira da Charneca de Ródão, onde cruzava o rio Tejo no Porto da Barca Velha, seguindo na outra margem para Salavessa (ara votiva dedicada à divindade indígena Quangeius Tanngus, IRCP 641). Daqui seguia por Fonte da Feia (possível mutatio, onde apareceram quatro aras (?), duas das quais dedicadas a Júpiter Repulsor), continuando pelo «Caminho dos Barros Vermelhos» até à «Tapada dos Castelhanos», junto do marco geodésico do Boto, local a cerca de 9 milhas do Tejo, onde entronca na via proveniente da travessia do Tejo na Barca de Perais (act. 2023).

    Ramal de Salavessa a Nisa rumo ao Monte da Pedra (Fraxinum?)
    De Salavessa poderia rumar a sudoeste rumo a Nisa, seguindo por São Simão e Fonte da Mina, na vertente nascente do Alto de São Miguel (EN526) rumo à travessia da ribeira de Nisa na base do povoado castrejo conhecido por Castelinhos da Senhora da Graça, actualmente ocupado por um santuário. A Ponte Medieval da Sra. da Graça poderá ter origem romana (com base nas marcas de fórceps nos silhares da base, que terão sido reutilizados de uma ponte anterior romana. No entanto, a construção actual é claramente medieval como atestam as diversas marcas de canteiro nos silhares da ponte. No início do século passado, apareceram muitos vestígios romanos «pelas baixas» do cabeço (Vasconcelos, 1934:181), indiciando a existência de uma estação viária nos arredores do povoado castrejo, eventualmente uma mutatio, dado que este local está a 8 milhas do rio Tejo. Na Idade Média este assentamento romano era designado por Nisa-a-Velha (ara a Quangeius achada num palheiro junto ao cruzeiro, actualmente no armazém da câmara municipal (FE 103), e outra dedicada à mesma divindade que se encontra embutida num anexo da Ermida de Ns. dos Prazeres, FE 106). A via continuava junto da Capela de Santo André até Nisa (no Museu da Misericórdia estão a ara de Priscus, ara da Falagueira e ara da Tapada do Severino), e depois talvez junto da mina romana da Laje de Prata, prosseguindo por Tolosa até ao Monte da Pedra, presumível localização da estação viária de Fraxinum (act. 2023).

Viae ab AMMAIA
Mapa
Ammaia


Almuro


Rede viária AMMAIA
A importante cidade de Ammaia situa-se na margem esquerda do rio Sever, ocupando terrenos das quintas de Deão e Azenha Branca, em São Salvador da Aramenha (Marvão) tem vindo a ser escavada ainda que de forma intermitente após séculos de abandono e saque, apresentando hoje um importante conjunto de ruínas e um excelente «Museu da Cidade de Ammaia» que expõe parte do vasto espólio recolhido. Apesar de não integrar nenhum dos grandes itinerários descritos no I.A., a cidade era servida por uma rede viária secundária de carácter regional que interligava a cidade às principais rotas comerciais na época romana, Igaeditana a norte, Ebora a sul, Aritium a noroeste, Norba Caesarina a leste e claro, a importante via para sudeste, rumo à capital provincial da Lusitânia, Emerita Augusta, articulando com os três grandes eixos viários que ligavam Mérida a Lisboa/Mar Oceânico, os Itinerários XII, XIV e XV de Antonino. O conhecimento da rede viária de Ammaia continua a crescer em resultado dos trabalhos efectuados na cidade nos últimos anos (Carvalho J., 2002; Corsi, 2006; Carneiro, 2011), no entanto, subsistem ainda dúvidas nos traçados e nas eventuais estações de paragem pelo que os roteiros aqui apresentados são ainda meras hipóteses de traçado. Curiosamente, a única ponte dita "romana", a Ponte da Portagem, é na verdade uma construção quinhentista; no entanto, é possível que existissem pelo menos três pontes dom origem romana nas imediações da cidade:

AMMAIA a EBORA
A provável via de ligação a Ebora deveria rumar a sudoeste rumo à Ponte da Madalena sobre a ribeira dos Alvarrões (junto da ponte nova na EN246-1), continuando depois pelo caminho à esquerda para Carris, onde ainda subsistem troços em calçada, continua a sul de Alvarrões (Fonte da Mulher) confluindo pouco depois na EN359 que segue ao longo da Ribeira de Nisa, contorna o Cabeço do Mouro e desce a Portalegre; daqui rumava a Monforte por Assumar, continua para Veiros (passava junto do sítio romano na antiga Capela do Monte de São Pedro de Almuro onde ainda há vestígios da via, e seguia pela Herdade da Guardaria, onde apareceu uma inscrição funerária), segue a São Bento da Ana Loura (villa), entronca na Via XII e segue por Estremoz e Evoramonte até Évora.
  • Variante por Alter do Chão: a estrada para Évora também poderia seguir rumo a Fortios, onde poderia ficar uma mutatio no cruzamento com a Via XV, continuando depois pelo monte da Rua de Castro rumo a Abelterio, onde cruzava a Via XIV e daí a Évora; em alternativa a via seguia por Alto da Crucieira, Monte do Carrascal e Sra. dos Aflitos, atravessava a ribeira da Seda junto do Monte da Mesquita e seguia por Almarjão onde cruzava a mesma Via XIV (Carneiro, 2008).
  • Variante por Arronches: também é possível existisse uma derivação do caminho anterior atendendo à sequência de sítios romanos como a villa do Monte da Capela em Mosteiros e a inscrição na chamada língua «lusitana» encontrada no Vale da Ribeira da Venda/Monte Coelho, seguindo até Arronches, onde conflui na Via XIV; a calçada junto da villa do Monte do Custódio poderia integrar uma via rumo a Ad Septem Aras.

AMMAIA a NORBA CAESARINA (64 milhas)
Esta via seguia para nordeste por Portagem, ao longo da margem esquerda do rio Sever até ao lugar da Ponte Velha, onde uma derivação seguia para Beirã rumo ao rio Tejo, seguindo depois a calçada que vai por Ramila de Baixo, Relva da Asseiceira, Aires rumo à travessia do rio Sever próximo da vila de Pombais, continuando em terras espanholas por Valencia de Alcántara (aqueduto; Puente Romana da Piedra; Pontarrón de los Agravios), Aliseda (a norte da povoação) e Malpartida de Cáceres, rumo a Norba Caesarina, actual Cáceres.

AMMAIA a EMERITA
Saindo da cidade pela monumental Porta Sul, atravessava o rio Sever na Ponte de Olhos de Água (da qual restam apenas vestígios dos arranques do arco na margem direita), continuando depois pelo vale da Serra de São Mamede (EM521) por Porto da Espada (marginando a estação romana de Alagoa), continua junto da Fonte do Carvalho (inscrição), cruzando pouco depois o limite concelhio, onde vencia a milha 4 e São Julião (7 m.p.), cruza a fronteira luso-espanhola em Rabaça (12 m.p.; mutatio?), continuando por caminho carreteiro sempre recto que acompanha o curso do rio Gévora que cruzaria a norte de La Codesera (na herdade «La Calera»), para rumar a Alburquerque (estação viária localizada a 28 m.p. a Ammaia situada a meio percurso entre o rio Tejo, a 54 milhas, e Mérida, a 48 m.p.; neste local poderia cruzar com uma via sudoeste-nordeste que seguia para Norba Caesarina, actual Cáceres, passando junto da arruinada Ermida de Los Santiagos, onde apareceu uma inscrição de um quatuórviro); a partir de Alburquerque, a via a manteria a mesma directriz rumo a Mérida seguindo pela «Cañada del Moro», antigo caminho que percorre a «Sierra del Puerto del Centinela» para cruzar o rio Zapatón num local actualmente submerso pela albufeira de «La Peña del Águila»; ultrapassado este obstáculo, a via seguia talvez entre Puebla de Obando e Roca de la Sierra pelo «Camino de Costanilla» e «Camino del Cordel» rumo à antiga povoação referida na documentação medieval como «Loriana», «Lauriana» ou «Luriana», topónimo que sobrevive como Lurianilla para nomear a ribeira e a serra ali próximo; alguns vestígios romanos poderão indiciar uma estação viária nesta área, a 24 milhas de Mérida; cruzava de seguida a ribeira de Lurianilla e seguia o caminho de «Las Limoneras» rumo a Nava de Santiago (14 milhas a Mérida) e daqui a nordeste da villa de Casa Las Tiendas e entra em Emerita pela Ponte Romana de Albarregas. (act. 2020).

AMMAIA a FRAXINUM (Monte da Pedra?)
Seguia a via descrita acima até ao nó viário da Senhora da Luz em Castelo de Vide, continuando depois pelo apeadeiro e pelo sopé da Serra de São Paulo/Alto dos Lavradores e a norte de a importante villa do Monte do Mascarro (ara votiva), Monte de Santa Marinha (epitáfio de Domitius) e Tapada da Pedreira (villa), seguindo próximo dos Montes da Lameira e Machoquinho rumo ao Porto dos Espinheiros (?) onde fazia a travessia da ribeira de Nisa; continua talvez por Taberna Seca, a sul da villa de Vale da Manceba até confluir na EN246 na travessia de Figueiró, seguindo por esta até à Capela de São Sebastião, chegando a Alpalhão; mantendo a direcção E-O, a via seguia talvez por Gáfete e a sul de Tolosa rumo ao miliário do Monte do Aguilhão e daqui descia ao Monte da Pedra, presumível localização de Fraxinum.

Viae ab CALE
Mapa
Rede viária a partir de Cale (Porto)
O rio Douro era atravessado em Cale, na fronteira entre a Galécia e a Lusitânia. Esta localização privilegiada tornou Cale num importante nó viário de onde partiam muitas outras vias em diversas direcções. Esta rede de vias romanas secundárias assenta em caminhos pré-romanos que interligavam os muitos povoados castrejos da região. A geografia e a resistência acirrada destes povos à nova ordem romana condicionaram um tipo de romanização radicalmente diferente do sul do país. Com as excepções de Bracara Augusta e Aquae Flaviae, ainda assim fundadas por aglomeração da população castreja em seu redor, parece existir uma continuidade da velha ordem castreja através da reorganização do território por populi em torno de um oppidum capital que administrava um território sobretudo com afinidades étnicas quer reutilizando os velhos castros quer através da fundação ex-nihilo de 'novos' castros como é o caso do Monte Mozinho que passam assim a desempenhar funções de capital de um território que passa a designar-se de civitas. Naturalmente a rede viária reflecte esta continuidade que se prolonga até à Idade Média como se observa nas referências em documentos alto-medievais como «karraria antiqua», «karia antiqua», «carraria maurisca» ou «via vetera», e que se projectaram até aos nossos dias como as grandes rotas comerciais da região. Apesar do forte cariz medieval destes caminhos e da ausência de miliários, a sua utilização no processo de romanização da região parece indubitável e o seu trajecto é dedutível através dos vestígios de povoamento romano ao longo do seu percurso como bem demonstraram os trabalhos de Carlos Ferreira de Almeida e de Brochado de Almeida (Almeida CAB, 1979, 1980, 1986, 1996; Almeida CAF, 1968, 1969).

Via CALE a LIMIA
Mapa
Porto
Barcelos


Barcelos
Lima


Itinerário Porto - Rates - Barcelos (Karraria Antiqua) (XXXI m.p.)
Esta estrada deriva da via para Bracara logo à saída do antigo burgo de Cale, tomando a direcção noroeste rumo a Rates, havendo referências da sua passagem em Moreira da Maia em dois documentos do ano 1112, como karraria antiqua (DMP DP 391) e karrarea antiqua (DMP DP 392) e em Gemunde como «caral que uai at ille porto» no ano 1047 (PMH DC 359). Mais adiante surgem outras referências a esta velha estrada como «estrada mourisca» e «via publica» em documentos do Mosteiro de São Simão da Junqueira (Almeida CAB, 2017:20). A via cruzava o rio Ave junto da Ponte Medieval de D. Zameiro e o rio Este na Ponte Medieval de Arcos, seguindo depois rumo à «Barca do Lago», tradicional ponto de passagem do rio Cávado. Sendo hoje também o itinerário principal do «Caminho de Santiago» é muito fácil percorrer esta via através das famosas «setas amarelas», apesar do trajecto escolhido nem sempre coincidir com o antigo traçado.

A via partia do Jardim da Cordoaria no Porto, antiga Porta do Olival, tal como a via Porto-Braga, mas logo depois bifurcava seguindo a via para Braga pela rua Mártires da Liberdade enquanto a karraria dirigia-se para a actual Praça Carlos Alberto, antiga «Praça dos Ferradores», continuando depois pela rua de Cedofeita, designada no período medieval por «Cacarreira» e mais tarde por «rua da Estrada» (até 1781), óbvias referências à antiga via, seguindo sempre recto pela rua do Barão de Forrester até ao Largo da Ramada Alta, onde contorna a Capela do Sr. do Calvário (m.p. I) e segue pela rua 9 de Julho (m.p. II no cruzeiro do Senhor do Padrão), rua do Carvalhido, rua Monte dos Burgos (m.p. III no cruzamento com a Estrada da Circunvalação), rua Nova do Seixo, Padrão da Légua (m.p. IV junto do cruzeiro do Senhor), continua por Recarei (m.p. V; castro no lugar de São Sebastião? na Quinta do Alão apareceu uma ara a Júpiter), Gondivai (referência à «kareira» num documento do ano 1099, PMH DC 915) até ao cruzeiro da Capela do Araújo (VI m.p.), onde desviava pela Travessa de D. Frei Manuel Almeida de Vasconcelos e rua Sousa Prata rumo à travessia do rio Leça na Ponte Romana-Medieval da Azenha/Ronfes/Barreiros (pedras almofadadas romanas reutilizadas nas aduelas do arco na margem direita), cruza a EN13 e sobe pela rua do Souto, continuando depois paralela à linha férrea pela Estação CF da Maia, seguindo a actual ecopista até desembocar na rua Conselheiro Costa Aroso, zona muito alterada pela construção da IC24, podendo seguir pela rua de Godim, rua Carlos Moreira, travessa do Chancidro, Capela do Senhor dos Aflitos (VIII m.p.), rua do Cruzeiro, rua Mestre Clara (IX m.p. junto ao marco); a via foi cortada pela rua Fernando Ulrich (divisão concelhia entre Maia e Vila do Conde), mas reaparece depois na rua de Matamá; retomando o percurso na freguesia de Mosteiró, a via continua pela rua de Matamá e Sete (X m.p.; vestígios da via na laje), continua pelo CM1077, passando por Venda, Padinho, Monte (XI m.p. na divisão entre as freguesias de Mosteiró e Vilar de Pinheiro), Botica e Lameira (vestígios romanos), Costinha, Arribela e Padrão (XII m.p.), na freguesia de Vilar (inscrição ilegível na face sul da Igreja Paroquial de Santa Maria), continua por Carrapata, Nove Irmãos e Lugar do Rochio (XIII m.p.) na freguesia de Modivas (estela funerária de Severo). A partir daqui a via é coincidente com a EN306 (rua da «Estrada Principal»), seguindo por Joudina em Gião (XIV m.p.) e pelo sopé do Castro de Boi/Castro de Santo Ovídeo em Vairão (XV m.p. na base do Castro de Bove como é referido na documentação medieval). Continua por Madalena e Vilarinho (XVI m.p.), onde cruza a EN104, seguindo depois até para o cruzamento do rio Ave na Ponte Medieval de D. Zameiro (XVII m.p.). Daqui seguia próximo do Castro/Atalaia de Santagões (Celtaganes na Idade Média), seguindo a antiga «karraria» junto da Capela da Sra. da Ajuda (necrópole em Vila Verde; possível mutatio na Quinta do Vilar), continua pela base da Cividade de Bagunte (Civitas Bogonti num documento do ano 1036), do povoado do Castro de Argifonso no Alto do Castelo (argefonsi na documentação medieval; habitat do Lugar de Casais e Casal Pedro), passando nas traseiras da Capela de São Mamede (m.p. XIX). Daqui seguia até Boavista, onde desvia da EN306 pela rua Camilo Castelo Branco (CM1048), passando na famosa «Estalagem das Pulgas» e nas traseiras do Mosteiro de São Simão da Junqueira (a vila Fernandi da documentação medieval); em Casal Maria toma o caminho de terra que passa sob A7, passando a leste das Mamoas do Fulom, desce pelo Canivete até reencontrar a EN306 e logo depois atravessa o rio Este na Ponte Medieval de São Miguel de Arcos (m.p. XX; ribulo Alister em documentos medievais). A partir daqui a via deveria bifurcar, seguindo um ramo directo a Barcelos e outro rumava a noroeste para a Barca do Lago, para onde conflui também a via proveniente do Porto pelo litoral.
  • Ramal da Ponte dos Arcos à Barca do Lago, seguindo pelo chamado «Caminho do Porto» (cruza a EN206, continua pela Serra de Rates, servindo de divisória entre os concelhos de Vila do Conde e Póvoa de Varzim até cruzar com a EM1026), continua pela rua de São Félix contornando o Castro do Monte de São Félix em Laúndos pela vertente nascente, confluindo com a outra estrada proveniente de Cale designada per loca maritima, seguindo depois para a travessia do rio Cávado na Barca do Lago.

Itinerário Ponte dos Arcos - Barcelos, seguia talvez próximo de Moldes (XXII m.p.) e Borgonha (XXII m.p.) até à Igreja Românica de Rates (m.p. XXIII), tomando depois o CM1129-3 que passa no Alto da Mulher Morta (m.p. XXIV), seguindo até Merouço, onde conflui na EN504, passa na Igreja de Courel (XXVI m.p. na base do Alto do Castro), continua por Sardoal, entronca na EN306, continua por Ns. da Guia e Silgueiros, corta à esquerda pela EM555 por Pereira (XXIX m.p.; tégula na primitiva igreja) e Pentagões (XXX m.p. na base do castro romanizado conhecido por Castelo de Faria). Daqui seguia até Barcelinhos, a 32 milhas de Cale, cruzando o rio Cávado.

Itinerário Barcelos - Ponte de Lima (XXI m.p.)
Este importante eixo viário durante o período medieval tem certamente uma origem muito anterior dado os imensos vestígios do período romano ao longo do seu percurso; a via interligava o rio Cávado ao rio Lima passando pelo Vale da Facha, num traçado próximo da actual EN204. Partindo da travessia do rio Cávado junto a Barcelos, a via seguia para a Ponte Medieval das Tábuas, onde cruzava o rio Neiva (ponte já mencionada num documento do ano 1135), continuando depois pelo Vale da Facha até à Correlhã, confluindo pouco antes da ponte romana sobre o rio Lima na Via Bracara Augusta - Tudae do Itinerário XIX.

Barcelos (continuava talvez junto da Capela de Santo Amaro, Abade de Neiva, onde se regista o topónimo Breia, passando junto da villa da Quinta do Castelo, na base do castro romanizado do Monte Facho/Alto da Torre; continua por Real, m.p. XXXVI)
Santa Leocádia de Tamel (por Bemposta, junto da Igreja Paroquial)
Carapeços (seguindo pela vertente nascente do Monte de Tamel por Caride/Igreja e Minhotas)
São Pedro de Fins (m.p. XXXVIII; passa junto da igreja, na base do Castro romanizado da Picarreira e próximo do habitat de Souto do Rato, continua pela Sra. da Portela/Portela de Tamel, Mourisca e Giestal, passando assim na base do Castro de São Simão, o «mons cossoirado» citada num documento de 1064 que refere também a karraria antiqua que ali passava (PMH DC 443)
Ponte Medieval das Tábuas sobre o rio Neiva (m.p. XLII; mamoa e povoado na Bouça da Mó)
Balugães (m.p. XLIII; segue a meia-encosta do monte da Citânia de Carmona, o castro mais importante do Vale do Neiva, passando junto da Sra. da Aparecida, por Quinta das Giestas, Calçada, Laje, Fonte da Cal, Peneda, base da Capela de São Martinho e Mó)
Poiares (m.p. XLIV; segue na rota da EN204, a poente da povoação pela vertente nascente da Serra da Padela, passando em Lajes e junto da quinta agrícola romana do Sabugueiro)
Vitorino de Piães (m.p. XLVI; passa junto dos povoados de São Simão e do Cresto, na base dos castros de Alto das Valadas e Trás de Cidade)
Portela (m.p. XLVII; retoma a EN204, saindo pouco metros depois à esquerda para Albergaria)
Maria Velha (provável mutatio localizada junto da bifurcação da via)
Facha (m.p. XLIX; a via continua a poente da EN204 pelo «Caminho de Santiago», com vestígios de tégula de um lado e do outro da estrada em Juncal, Cividade, Frei, Lourinho e Forno, passa na Capela de São Sebastião e junto da villa do Prazil, com vestígios de tégula em Mende, Mangas, Telheiro e Tiandes, continuando até Sobreiro)
Correlhã (m.p. LI; segue junto do Castro romano do Eirado/Anta, Tesido, villa do Paço/Travasselas, Pregal, Castro romanizado de São João, possível mutatio antes do rio Trovela; depois de cruzar o rio Trovela, junto do Castro romanizado de Ns. da Conceição, seguindo depois por Sta. Luzia)
Ponte de Lima (m.p. LIV; a 21 milhas de Barcelos; conflui com o Itinerário XIX Braga - Tui)

    Ramal de Maria Velha à «Barca do Lima» pelo Castro da Senhora da Rocha: junto da mutatio de Maria Velha, deveria partir um ramal rumo ao «Lugar da Barca», topónimo que indicia a existência de uma travessia do rio Lima neste local; inicialmente seguia pela margem esquerda do rio Tinto (EM1259), passando junto da necrópole do Paço Novo, relacionada com a villa tardo-romana chamada de «Paço Velho» (a cerca de 200 m) e na base do castro romanizado de Santo Estevão/Senhora da Rocha, seguindo depois pelos topónimos «Corredoura» e «Quinta da Pousada» até Vitorino das Donas, onde cruzava o rio Lima no «lugar da Barca». A via teria continuação para norte por um trajecto sensivelmente paralelo e a oeste do Itinerário XIX Ponte de Lima - Valença, seguindo pelo caminho na margem direita da ribeira de Estorãos que passa em São Pedro de Arcos (junto do sítio romano da Quinta da Laje), continuando para Estorãos (com vestígios de uma villa na Quinta dos Pentieiros e sinais de exploração mineira em Casais, onde há também vestígios de um povoado castrejo; possível casal também no lugar do Rei, junto da EM1228), seguindo depois para Ponte do Arquinho no lugar de Pica, ponte de cronologia incerta sobre a ribeira do Moinho Velho), seguindo depois junto do topónimo «Breia» rumo à Portela de Cabração (onde também se regista o topónimo Poldras); a partir daqui, a via deveria continuar a mesma directriz até entroncar na via principal entre daqui seguia de encontro à Via Bracara a Tudae, podendo entroncar nesta via algures entre Romarigães e Coura.

Itinerário Famalicão - Barcelos
Estrada entre Famalicão e Barcelos referida num documento medieval do ano 906 como «karraria antiqua» e «estrata de vereda» ao indicar os limites da «villa» de Sta. Eulália (PMH DC 13), actual Santa Eulália do Rio Covo, com vestígios de um provável vicus em torno da Capela da Sra. de Águas Santas, estação termal na época romana e medieval com a sua fonte de águas medicinais (Almeida CAF, 1968); o documento refere uma ou mais «carreiras antigas» directo à igreja, mas é difícil identificar os topónimos referidos.

Derivando da via Cale Bracara em Famalicão, a via poderia atravessar o rio Este próximo de Cavalões, seguindo depois por Minhotães (na igreja apareceu uma ara votiva à divindade Aecus Rougiavesucus ou Corougiai Vesucus , actualmente no Museu Pio XII), Viatodos (por Souto, Montinho e Quinta da Fonte Velha) e Monte de Fralães (passando na vertente nascente do importante povoado romanizado do Monte da Saia/Cividade do Lenteiro; possível villa em Paço; lápide de um veterano proveniente da «Quinta da Honra» em Farelães (Barcelos), actualmente no MSMS com o nº 71); continua por Carvalhos (EN306-1 até São Martinho, onde inflecte para norte passando a nascente da EM505 e da hospedaria medieval na Igreja de São Tiago em Torre de Moldes), Remelhe (segue o caminho rural que passa em Naia, Quinta do Perdigão, traseiras da Quinta do Paranho, Capela de Sta. Cruz e alturas de Portela, na vertente poente do Alto da Vaia), descendo depois pelo Alto de Maio até ao Cávado, pela vertente poente a Barcelinhos ou pela vertente nascente pelo caminho que passa por Quinta da Torre, Vilarinho e Sta. Cruz até Santa Eugénia do Rio Covo.

Via CALE a TUDAE (per loca maritima)

Mapa
Porto
Caminha










Cávado
Lima








Porto
Matosinhos


Porto (CALE) - Viana - Caminha (per loca maritima) (LXIV m.p.)
Esta antiga via seguia a poente da via Porto - Barcelos (a «karraria antiqua»), bordejando castros e villae ao longo do litoral e daí a sua designação de per loca maritima; a derivação da karraria antiqua seria no Cruzeiro de Santiago de Custóias no Padrão da Légua, seguindo para noroeste rumo à travessia do rio Ave em Vila do Conde. Daqui a via seguia para a travessia do rio Cávado na Barca do Lago, tradicional ponto de passagem. Os estudos de Ferreira de Almeida e Brochado de Almeida não deixam dúvidas sobre o traçado da via e a sua antiguidade, dado que o trajecto proposto é pontuado por significativos vestígios de povoados pré-romanos, assim como diversas villae romanas que exploravam uma interessante sinergia entre os recursos agrícolas e os marinhos como comprovam os tanques de salga espalhadas pelo litoral (Almeida CAF, 1968, 1969; Almeida CAB, 1979, 1980, 1986, 1996).

Via Veteris Lordelo do Ouro - Padrão da Légua
Nas Inquirições de D. Afonso III em 1258 é referida uma «via veteris» que partia do rio Douro junto da Arrábida («una via veteris incipitur in fluvio Dorii in loco qui dicitur Arraba»; PMH Inq, 486), seguindo depois pelos limites dos antigos coutos de Cedofeita e Lordelo rumo ao Padrão da Légua (Almeida CAF, 1968; Ramos, 1994). A norte do rio Ave não surgem mais referências à «via veteris» (Almeida CAB, 2017:20). Dois importantes achados na Foz Velha assinalam este núcleo de povoamento ribeirinho; em 1868 apareceu no rio Douro uma estátua de uma figura togada (actualmente no Museu do Carmo em Lisboa) e na Igreja de São João Baptista apareceu uma ara onde se lia «AQVIS Magaudiis» (?) talvez dedicada a divindades aquáticas. Partindo do cais do Senhor da Boa Morte no rio Douro em Lordelo do Ouro (na base de um possível povoado castrejo da Capela de Sta. Catarina), ascendia a «Calçada do Ouro» pela rua do Aleixo e rua das Condominhas, passando junto do provável vicus do Campo do Eirado (vestígios nas traseiras da igreja paroquial), seguindo depois pela rua Serralves e rua Augusto Nobre; a densa urbanização da zona de Ramalde não permite seguir o antigo traçado, mas poderia seguir aproximadamente a rua Prof. Augusto Nobre, cruza a Av. da Boavista junto do «Monumento ao Empresário» (I m.p.), rua Dr. Alberto de Macedo, rua Conde da Covilhã, cruzava a zona industrial, e reaparece na rua Senhora da Penha e segue pela rua de São Gens na Senhora da Hora, rumo ao Padrão da Légua, onde entronca na via karraria antiqua proveniente de Cale.

Itinerário Porto - Barca do Lago (XXXI m.p.)
O nó viário do «Padrão da Légua» ficava assim a 4 milhas do rio Douro quer pela karraria antiqua quer pela via veteris. Esta paragem estará relacionada com o Castro de São Gens em Santiago de Custóias. A partir daqui a karraria antiqua continuava para Barcelos enquanto esta "via litoral" seguia mais próximo da costa rumo a Vila do Conde, onde cruzava o rio Ave, e daí à Barca do Lago, onde cruzava o rio Cávado. Partindo do Padrão da Légua a via por Recarei (V m.p.) pela rua do Senhor, rua da Fonte Velha e rua da Cal, rumo à travessia do rio Leça na Ponte Medieval de Dom Goimil (VI m.p.), na base do Castro de Esposade/Alto da Vela, continua pela rua das Carvalhas (VI m.p. na divisão concelhia) e rua da Estrada até ao Monte das Pedras em Pedras Rubras (VIII m.p., possível mutatio junto ao castro romanizado do Monte das Pedras, referenciado em 978 como montis petrosso, PMH DC 124, e como petras ruivas/rubras a partir do ano 1008, PMH DC 197). Depois de cruzar a linha de metro, continua pela rua da Botica, rua António Rocha, rua da Aldeia, passando próximo do casal e necrópole das Bicas em Vila Nova da Telha, seguindo depois para Aldeia (IX m.p.) e Lagielas (X m.p. na divisão concelhia Maia-Vila do Conde). Neste ponto a via foi cortada pelo aeroporto, reaparecendo do outro lado da pista pelos topónimos viários da Viela dos Adros em Pena, rua da Botica, Mota (XI m.p.), rua da Venda Velha, rua dos Marcos até ao Adro dos Burros (XII m.p.); continua pela rua do Fojo e paralela ao IC1/A28 por Outeiro de Aveleda, rua da Fonte e rua da Estrada Velha, Lugar da Igreja e Granja Nova em Mindelo (XV m.p.; habitat em Moimenta), continua pela rua da Estrada Velha em Árvore (passando na Quinta da Faísca e Quintã) até Pindelo em Azurara (XVII m.p. junto da igreja; a vila Pinitellus da documentação medieval; povoado no Corgo), cruzando pouco depois o rio Ave na base do antigo povoado pré-romano do Castro de São João, actual Mosteiro de Santa Clara, em Vila do Conde (a travessia seria em barca no período romano, no entanto, num documento do ano 1270 é já referida uma ponte como «prope pontem riuolo de Ave, inter Zuraram et Villam de Comde»; no entanto, é possível que no período romano a travessia se fizesse a montante da ponte actual, junto da ponte ferroviária (Polónia, 1999) ou junto do povoado fortificado romanizado do Castro da Retorta (Almeida CAF, 1969:33; Almeida CAB, 1992).

A partir de Vila do Conde (XVIII m.p. junto do Museu Municipal), a via seguir paralela ao aqueduto, talvez delimitando a villa Fromarici (Formariz), a villa Tauquinia (Touguinha), e já no termo de Póvoa de Varzim, a vila Argevadi (Argivai). Continua por Gândara (XX m.p. nas alminhas), Calves e Beiriz (XXI m.p. junto do povoado romano do Alto da Vinha (villa Viarizi em 1044; na necrópole apareceram duas inscrições votivas, um cipo ou pedestal com inscrição ilegível, RAP 600, e uma ara votiva dedicada à divindade Mari por Avitus, ambas no Museu Municipal de Póvoa do Varzim). A via continua pela base da Cividade de Terroso, sendo designada por «carraria maurisca...subtus montis terroso» num documento do ano 953 (PMH DC 67), servindo as diversas villae e povoados que se espalhavam ao longo da costa como a villa de Caxinas (nos terrenos da Escola José Régio), villa Euracini em Martim Vaz, o Castro de Navais (porto na Aguçadora), a villa de Amorim e a Villa Mendo/Menendi em Estela. O percurso da via seria por Pedreira (XXII m.p.), Pé do Monte, Certaínha, Quinta de Sejães (XXXIII m.p. nas alminhas), cortando à esquerda pela rua das Poças para Rapijães, continuando depois pela base do Castro do Monte de São Félix em Laúndos (XXV m.p. junto da igreja). Daqui segue por Águas Férreas, cruza a zona industrial e toma o estradão em terra para a Sra. da Abadia, marginando a exploração aurífera romana da Lagoa Negra (XXVII m.p.). Continua a poente de Barqueiros (XXVIII m.p. na divisão concelhia; tégula em Vilares e povoado em Adro Velho) até Fonte Boa (XIX m.p. junto do povoado do Outeiro dos Picoutos, possível mutatio; outros vestígios em Paço). Daqui segue para a travessia do rio Cávado na Barca do Lago, situada a 31 milhas do porto do rio Douro em Cale.

Itinerário Barca do Lago - Caminha (XXXIII m.p.)
Depois de cruzar o rio Cávado, a via continuava a nascente de Esposende pela travessa da Tomadia até ao lugar do Viso, onde vencia a m.p. XXXII (actualmente cortada pelo IC1), reaparece no lugar do Marco (m.p. XXXIII), passando por São Roque, na base do Monte Faro, seguindo o trajecto da «Estrada Real» pela base do importante Castro romanizado de São Lourenço que vai cruzar a ribeira do Peralta junto a Abelheira (marginado uma possível mutatio junto da Igreja Paroquial de Marinhas e rua de Cancelinho e rua da «Estrada Velha»); continua na «Estrada Real» pela base da Capela da Sra. Paz, por Rio de Moinhos e Lugar de Cima e Rua Marco do Rei), Outeiro (m.p. XXXVII; continua pela rua Padre Almeida), Belinho (m.p. XXXVIII; passa junto da villa da Casa do Belinho, seguindo a antiga «Estrada Real» por Trelopaço, Santo Amaro e Estrada, na base do povoado da Subidade de Belinho), continuava depois entre a provável mutatio do Alto da Ponte e a necrópole da villa tardo-romana no Casal da Agra do Relógio, cruzando o rio Neiva na desaparecida «Ponte Velha», na base do Castro romanizado de Moldes/Monte da Guilheta/Monte do Castelo, actual freguesia de Castelo do Neiva (m.p. XL; espólio na JF; ara aos lari viales(?) na igreja paroquial; necrópole junto da Capela de Ns. de Guadalupe; povoado romano na margem direita do rio; continua por Santiago, Convento de São Romão/Sra. do Castro), Chafé (m.p. XLIII; por «Estrada Velha», Ribeira e Noval), Anha (m.p. XLIV; por Barroco, Paço, Igreja e São João), Darque (m.p. XLVI; ver a «colecção JAE» de miliários que a empresa 'Estradas de Portugal' reuniu junto da EN203; tégula na Quinta do Carteado; contorna o Castro do Alto do Galeão/Faro de Anha, atalaia para controlo da foz do Lima, e desce em linha recta pela Escola C+S, «Fiação Rosa» e «Alminhas» até ao Cais e Capela de São Lourenço, provável mutatio, onde apareceu tégula, uma ara votiva, silhares almofadados e fustes de colunas, onde fazia a travessia do rio Lima talvez por barca), Viana do Castelo (m.p. XLVI na base do Citânia de Santa Luzia, também conhecida por «Cidade Velha»), Lugar do Meio (m.p. XLIX; segue a nascente dos vestígios romanos da Igreja, cruza a ribeira do Pêgo na base do castro homónimo, onde vencia a m.p. L), Carreço (m.p. LXII na base do Castro da Corôa, seguindo por Louvado e Garita), Troviscoso (junto da Eira de São João, continuando por Caneja, cruza a linha férrea e segue junto da Igreja Paroquial de Carreço, Estação e Paçô, pela rua dos Pinheirais; pias salineiras na Praia de Fornelos; tesouro em Gândara), Afife (m.p. LV; passa próximo da villa das Baganheiras, próximo da linha férrea, continua pela Sra. da Lapa, cruza o rio de Cabanas, a ponte actual substitui uma anterior que ruiu nos anos 30/40 do séc. XX, e daqui por Loureiro e Sobreira, passava junto do Castro de Santo António, seguindo depois entre o Castro do Cútero e a importante Cividade de Afife/Âncora no Monte da Suvidade, havendo vestígios da calçada na vertente nascente do castro; inscrição do lapidário Pelcius no NAIAA), Sta. Maria de Âncora (m.p. LVI; ; junto ao Forte do Cão, no Pinhal da Gelfa, há salinas romanas; continua talvez pela rua da Cividade e do Socorro, por Barreiros e Laje, onde há restos de calçada). Depois de cruzar o rio Âncora (m.p. LVII), seguia junto da Anta da Barrosa, percorrendo depois a linha de costa até Caminha, passando em Retorta (m.p. LVIII), Pardinheiros (m.p. LIX), Prado, Moledo (m.p. LXI) e finalmente Caminha (m.p. LXIII na base do Castro da Pena, junto ao cais).

    Itinerário medieval de Caminha a Valença: é provável que a via cruzasse o rio Minho por barca, continuando para a Galiza; em alternativa, subia por via fluvial até Valença. Um hipotético percurso terreste pela margem esquerda do rio não se coaduna com tipologia da viação antiga e poderá ser já uma obra medieval. As duas pontes antigas de São Pedro da Torre são construções medievais, uma sobre a ribeira de Ínsuas e outra sobre a ribeira de Mira, sem qualquer indício anterior. O percurso fluvial é referido na antiguidade, sendo que a meio percurso existia um porto fluvial junto ao Forte de Lobelhe, localizado precisamente a 8 milhas de Caminha e a 9 milhas de Tui, por onde seria escoado o minério de estanho extraído da mina do Couço do Monte Furado em Covas (espólio está na C.M. de Cerveira). O mesmo se aplica ao castro romanizado do Monte de Góis. A distância entre Tui e a foz do rio Minho (Forte da Ínsua) pelo trajecto fluvial é de cerca de 20 milhas, valor compatível com os 165 estádios aparentemente indicados para este trajecto no Itinerário XX, cognominado de per loca maritima.

Itinerários da Barca do Lago ao Vale do Rio Lima (pela Ponte de Fragoso)
Itinerário que deriva da karraria antiqua após a travessia do rio Cávado na Barca do Lago, seguindo na direcção nordeste rumo ao rio Lima; esta rota seguia por Terroso em Palmeira de Faro (junto do castro romanizado do Senhor dos Desamparados e da villa da Linhariça), contornava o planalto de Vila Chã (junto do povoado de Barbeitos), seguia junto do Castro de Palme e do Monte Castro em Aldreu para fazer a travessia do Neiva na Ponte Medieval de Fragoso (passa nos topónimos viários Breia e Estrada; referência à «carraria» na Carta de Couto de Fragoso em 1127), continuando depois por Barroselas e Portela de Susã (vestígios junto da Igreja), Santa Maria de Geraz do Lima (villa a 80 m da igreja paroquial que reutiliza silhares romanos tal como na Igreja de Sta. Leocádia, onde apareceu uma ara anepígrafa e um capitel toscano) e Moreira de Geraz do Lima, atravessando o rio Lima no sítio da Passagem. Na outra margem a via teria continuação para norte, passando na vertente nascente da Cividade de Lanheses (castro romanizado relacionado com as minas de estanho de Cova Alta/Olas e Alto das Mouras, e a mina de ouro de Bouça do Moisés), continuando por Rouparias (necrópole) para São Lourenço da Montaria, passando próximo do Castro de Castelão. (Almeida CAF 1968:36; Almeida CAB 2003:336).
  • Itinerário de Portela de Susã a São Salvador da Torre/ Rio Lima, seguindo por Subportela (vestígios na Igreja Paroquial), seguindo a vertente nascente do castro romanizado do Santinho ou de Roques por Deocriste (no sopé da Sra. do Castro por Igreja e Aldeia), Deão (villa junto da igreja paroquial, no sopé da Cividade de Deião) rumo à travessia do rio Lima em São Salvador da Torre. Daqui a via rumava a norte em direcção à Ponte Medieval de Tourim conforme descrito a seguir.
  • Vila Mou (importante vicus localizado entre as duas travessias do Lima, junto do povoado pré-romano do Monte da Cividade, relacionado com as explorações de estanho em Rasas e Mata; villa tardo-romano no sítio do Passal, com a necrópole a nascente; ara votiva a Júpiter colocada por Rufus Grovius desaparecida, inscrição a Victoria, fustes de colunas e capitéis)
  • Itinerário de São Salvador da Torre a Caminha pela Ponte de Tourim: via ligando esta travessia do Lima a Caminha, seguindo talvez por São Paio de Meixedo (estátua de guerreiro colocada pelos Tubenenses?; minas romanas de ouro e estanho em Vale das Covas e Mata das Cortas), Vilar de Murteda (continua próximo das minas romanas de ouro e estanho em Folgadouro e Bouça da Breia, topónimo viário, e Chão da Pica), Amonde (passa junto do casal situado na encosta do Alto das Folgueiras, possível mutatio, e no sopé do castro romanizado do Alto da Corôa), seguindo para a travessia do rio Âncora na Ponte Medieval de Tourim (possível fundação romana dado que na sua reconstrução no séc. XVIII apareceu a inscrição ...MAN IM IN MNS; OAP, 5:176), continuando por Orbacém (EM526-1), Gondar, Dem, Azevedo (tégula em Paço) e Venade (castro romanizado no Alto do Coto da Pena), continuando por Vilarelho e rua da Corredoura até Caminha.
  • Itinerário da Ponte do Fragoso a Viana do Castelo: via antiga com importantes vestígios romanos e anteriores na sua proximidade ligando esta travessia do rio Neiva a Viana do Castelo; seguia talvez próximo do povoado tardo-romano localizado entre «Páuso» e «Padrão», ambos topónimos viários, passando junto da Igreja até Alvarães, local onde poderia bifurcar, podendo seguir para noroeste por Valverde, Breias, Vila Fria e Ponte Pedrinha para Darque rumo a Viana do Castelo, ou continuar para norte por Vila de Punhe (seguindo o vale na vertente oeste do Castro romanizado do Cotorinho), passando nos topónimos «Igreja», «Quinta da Portela» e «Caminho do Penedo Ladrão», trajecto antigo que passa defronte do Castro de Sabariz e desce por Pinheiro (próximo do povoado romano da Regadia), rumo à travessia do rio Lima (na Barca do Porto?).

Hipotético «Caminho da Costa» por Matosinhos, Lavra e Mindelo
Não é seguro que este caminho já estivesse em utilização em período romano, no entanto, os vestígios romanos de Lavra e Angeiras permite equacionar essa possibilidade. Partindo da foz do rio Douro em São João da Foz, ascendia à Igreja de São Miguel de Nevogilde pela rua da Cerca e rua de Corte Real, continua pela rua de Nevogilde, atravessava a Av. da Boavista e cruzava o actual Parque da Cidade para a Vilarinha e Sendim, seguindo depois para a travessia do rio Leça na desaparecida Ponte Medieval de Guifões, ponte que ruiu em 1979 devido a uma cheia; este local de passagem do Leça era controlado pelo importante povoado do Monte Castelo ou Castro de Guifões; povoado romanizado designado por Castrum Quiffiones em documentos medievais; cruzado o rio, a via seguia por Perafita (entre a necrópole alto-medieval de Montedouro a poente e o Castro do Freixieiro a nascente, mas actualmente toda a zona está muito alterada pela construção do Porto de Leixões, da A28 e do centro comercial; num percurso hipotético seguia talvez pela Travessa da Fonte da Muda, rua Gonçalves Zarco, Estrada do Monte de Godim, interrompida pela A28, continuando do outro lado da A28 pela rua do Abade Mondego, rua do Progresso, rua de Silva Aroso, rua Dr. José Domingues dos Santos e rua da Cruz), Lavra (referência a uma «karia antiqua» num documento do ano 897, PMH DC 12; Lavrentium do Paroquial Suevo; villa de Fontão de Antela atrás da Igreja, relacionada com a actividade piscatória como provam as 36 cetárias na Praia de Angeiras, actualmente cobertas de areia, e os tanques escavados na rocha da Praia da Agudela; algum espólio no Museu Paroquial Padre Ramos/Padre Silva Lopes), continua por Antela para Angeiras, atravessa o rio Onda junto do Castro romanizado de Angeses/Monte Castro e segue por Calvelhe (habitat romano) e Labruge (Castro marítimo de São Paio; cepo de âncora), Vila Chã (villa?; talvez pela rua da Fonte) e Mindelo, onde entronca na estrada Porto - Viana - Caminha.

Via CALE a VIMARANES
Mapa






Porto (CALE) - Alfena - Negrelos - Guimarães
A via entre Porto e Guimarães designada na Idade Média por «Via Vimaranes» ligava a travessia do Douro em Cale à travessia do rio Ave próximo de Guimarães, ponto de passagem da Via Bracara a Tongobriga e que aqui teria uma estação viária. Partindo de Cale, a via cruzava os principais em duas pontes com origem romana, a Ponte de Alfena sobre o Leça e a Ponte de Negrelos sobre o rio Vizela, servindo diversos castros romanizados ao longo seu percurso, em particular o Castro do Monte Padrão/Monte Córdova e a Citânia de Sanfins (Almeida, 1968:188-189). Há referências alto-medievais a uma via antiga na base do Castro do Monte Córdova entre os rios Leça e Sanguinhedo, no ano de 1048 subtus mons cordouo...carera antiqua (PMH DC 366) e no ano de 1097, na «Charta do Couto do Mosteiro de Santo Tirso», «per ipsam carrariam, sicut dividit aquam inter Lezam et Sanguinietum» (PMH DC 864). A partir daqui poderiam existir duas alternativas, uma seguindo junto do Monte Padrão e Citânia de Sanfins (Almeida CAF, 1968, 42) e outra contornando o maciço montanhoso pelo norte por São Miguel do Couto, Burgães, Rebordões, São Tomé de Negrelos e Roriz. Ao longo desta rota surgem diversos vestígios romanos, atestando a sua utilização contínua nessa época:
  • Um silhar almofadado com marca de fórfex na Ponte de São Lázaro em Alfena;
  • A silharia de aparelho romano ainda visível na Ponte de Negrelos em São Martinho do Campo e a ara dedicada a ABNE que apareceu na igreja, divindade de carácter aquático, actualmente no MSMS com o nº 19.
  • A referência a uma «carraria antiqua» num documento medieval do ano 1096 sobre São Tomé de Negrelos (PMH DC 833).
  • A presença militar, assinalada pela inscrição dedicada à divindade Turiaco por um soldado da Legião VI Vencedora, actualmente encastrada na parede norte do claustro do Mosteiro de São Bento em Santo Tirso. (CIL II 2374 = CIL II 5551); num silhar do intradorso do primeiro arco da margem sul da Ponte Romana de Negrelos há também uma inscrição com o numeral «VI» que poderá ser uma referência a esta legião, eventualmente responsável pela construção da ponte (Moreira, 2009).
  • O culto a Cusus Nemedecus, com três epígrafes dedicadas a esta divindade indígena: a inscrição da Quinta do Corgo ou «Campo de São Simão» em Burgães (CIL II 2375 = CIL II 5552) proveniente da villa ali existente e actualmente no MSMS, nº 26, a inscrição da Igreja de São Bartolomeu de Ervosa, actualmente no Museu Abade Pedrosa em Santo Tirso (Encarnação, 1970) e finalmente na famosa inscrição rupestre conhecida por «Penedo das Ninfas» na Citânia de Sanfins, na qual os Fiduaneae, o povo que habitava o castro adjacente, fazem uma dedicatória à sua divindade COSVNE AE / [...] S (CIL 5607).
  • Roriz: inscrição funerária reutilizada na construção da Igreja Românica de São Pedro de Roriz; ara a Júpiter achada perto da Capela de Sta. Maria de Negrelos (CIL II 5568), actualmente no MSMS, nº 42, assim como uma lápide funerária aos deuses Manes (CIL II 5582) também no MSMS, nº 76; no lugar das Bocas existem duas inscrições rupestres em penedos que parecem romanas apesar de ilegíveis.

Itinerário do Porto a Guimarães
Saindo pela demolida Porta de São Sebastião, seguia pela rua do Bonjardim, Pr. Marquês de Pombal, rua do Lindo Vale (antiga «Estrada velha»), rua Costa Cabral (Cruz das Regateiras), continuando por Pedrouços (rua D. Afonso Henriques/EN105), Águas Santas (EN105 por Cruz, Corim, Alto da Maia, passando a sul do castro romanizado do Castelo da Maia), Ermesinde (próximo do Sra. dos Aflitos sai da EN105 pela rua Júlio Dinis, rua Portocarreiro, cruza a linha férrea e continua pela rua Vasco da Gama, Capela de São Silvestre assinalando a milha VII, rua Miguel Bombarda, rua da Fonte, cruza a linha férrea e continua pelas ruas Soutinho de Baixo, Barreira e Central do Reguengo, milha VIII junto do topónimo "Castro", seguindo depois por Castanhal, Cabeda e Costa, rumo à travessia do rio Leça na Ponte Romana-Medieval de São Lázaro em Alfena (provável mutatio na m.p. X; gafanha medieval), continuava pela rua de São Lázaro e rua do Xisto até confluir na EN105, desviando desta mais adiante, em Torrão, seguindo à esquerda pela estrada que vai por Sobradelo, cruzando a ribeira de Pizão na Ponte do Arquinho (pontão de um só arco de cronologia incerta), ascendendo depois pela rua da Serra ao Alto de Vilar, continua por Felgueira, Portela, Simão, Sta. Eulália, Agrinha, cruza a EN105, segue entre a ribeira de Sanguinhedo e o rio Leça conforme indicado na Carta do Couto, por Souto da Venda, São Tiago de Carreiras, Brandariz, Rapinho (onde deriva o caminho de acesso ao Castro do Monte Padrão), continuando depois por Ns. de Valinhas paralela à estrada actual em direcção a Monte Córdova, desviando na povoação pela rua da Fontinha para tomar o caminho de terra que acompanha o rio Leça até Quinchães, onde atravessa um afluente do Leça por um pontão em pedra e segue pela rua dos Lameirões, atravessa a rua São Salvador e continua pela rua da «Via Romana», um caminho em terra que sobe para Santa Luzia até cruzar a EN319 no lugar do Cruzeiro (este local corresponde à milha 41 desde Cale pelo que poderia ser aqui o local original do miliário de Casais identificado por Jorge Pinho a cerca de 1 km deste local, integrado num muro de divisão de propriedade no lugar de Casais; Pinho 2010); a partir daqui, a via rumava à Citânia de Sanfins, seguindo talvez pela rua da Fundação/CM1116 até à Escolha Velha de Redundo, continuando pela rua Central de Redundo, rua Nascente do rio Leça, cruza a estrada asfaltada e segue o caminho pela vertente ocidental da citânia, actualmente parcialmente destruído pela pedreira; daqui descia para o vale do Vizela (seguindo talvez pelas ruas das Agrelas, Plaino, António Maria Gomes, Amial, Montessô, Mosteiro de Singeverga, Pegeiros, Santa Maria de Negrelos, Cedofeita, José Martins Costa e Manuel de Sousa Oliveira) rumo à Ponte Romana de Negrelos em São Martinho do Campo, onde cruza o rio Vizela, continuando depois por Moreira de Cónegos (pela rua de S, Paio, Pereiras, Cruzeiro, Barreiro, Capela de Sta. Luzia, rua das Casas Novas, rua do Arco, cruza o ribeiro de Nespereira e conflui na EN105 em São Martinho do Conde), continua por Cruz, Venda Velha e Santo Amaro, provável local de cruzamento com a Via Braga a Tongobriga que seguia no sentido NW-SE, passando neste local a sudoeste de Guimarães.

Via CALE a TONGOBRIGA
Mapa










Valongo


Porto (CALE) - Marco de Canaveses - Freixo (TONGOBRIGA)
Via romana secundária ligando Cale a Tongobriga (Freixo, Marco de Canaveses), servindo importantes explorações mineiras que se estendiam pelos concelhos de Valongo, Gondomar e Paredes. Esta rota segue no essencial a EN15/A4 numa região densamente povoada pelo que restam poucos vestígios. Salientam-se as travessias dos dois grandes rios da região, o Ferreira e o Sousa, em pontes medievais com possível origem romana e o troço de calçada junto da Ponte Medieval de Cepêda em Paredes (Dias, 1987, 1996, 1997, 1998; Almeida et al., 2008).

Porto (CALE) (saía do núcleo amuralhado do morro da Sé pela Porta de Vandoma, demolida em 1855, continuando pela calçada de Vandoma e rua Chã, antiga rua Chão das Eiras, sobe pela rua Cimo de Vila até antiga Porta de Cimo de Vila, actual Praça da Batalha)
Santo Ildefonso (antiga «rua Direita», actual rua de Santo Ildefonso rumo ao Largo do Padrão, Campo 24 de Agosto, antigo Campo das Mijavelhas)
Bonfim (m.p. I na Igreja; continua pela rua do Bonfim, antigo Chão das Oliveiras, e rua de Godim)
Campanhã (m.p. II; cruza a linha férrea e a AE junto da Quinta de Vila Meã, antiga villa Minhao e actual Quinta da Mitra, mas hoje toda esta área é ocupada pela Estação de Campanhã e a VCI; do outro lado venceria a milha 2 junto da Corujeira; continuando pela rua de São Roque da Lameira e Calçada de Maceda, cruzando o rio Tinto na Travessa da Ponte?)
Rio Tinto (m.p. IV; acompanha aproximadamente a EN15 por São Caetano, Sr. do Calvário, Cavada Nova e Capela de São Sebastião, talvez na milha 4; continua por Venda Nova, Ferrarias e Carreira/rua e travessa da Carreira, atravessa o rio Torto e pouco depois segue talvez pelas ruas D. Inês de Castro, rua das Tulipas, rua Monte Pedra até ao Alto da Serra/Monte Alto)
Valongo (m.p. VIII; mutatio; vestígios de exploração mineira na Quinta da Ivanta com estruturas para lavagem e decantação do ouro proveniente da exploração mineira da Serra de Santa Justa [e.g. Fojo das Pombas]; estela funerárias de Flavus, actualmente no Museu Soares dos Reis no Porto, imigrante Bracari que trabalharia nas minas; no Alto da Serra toma o estradão junto da ETAR pela rua da Estrada Velha e rua Marques da Rocha até reencontrar a EN15, continua pela travessa da Presa, cruza a linha férrea e segue pela rua Alto Fernandes)
São Martinho do Campo (m.p. X; ver possíveis ramais de acesso às minas; segue pela rua do Borbulhão e rua do Calvário)
Ponte Medieval sobre o rio Ferreira (estrutura românica; da ponte seguia por Vilarinho de Baixo, Gandra do Correio, Moreira, «Estrada Velha», Casais e Serra, até confluir na EN15 junto da Sra. da Guia)
Vandoma (m.p. XIV; Castro romanizado do Muro, o Monte Bendoma da documentação medieval, possível centro religioso dos Callaeci, onde apareceu uma inscrição a Nabia; Silva ACF, 1994; a via seguia junto da Capela de São Silvestre, a milha 14, e pela rua do Padrão que passa próximo de uma pequena necrópole, continuando pela travessa de Serzedo até reunir com a EN15)
Baltar (m.p. XV na igreja; necrópoles em Tanque, Calvário e Cruz, indiciam a passagem da via pela actual rua do Areal, marginado a Capela das Almas na milha 16 e a Capela do Sr. dos Aflitos, continuando antiga «Estrada Real» por Castelo e Alqueidão até reencontrar a EN15 em Venda Nova; continua por Mouriz, passando junto da Igreja e na Calçada da Cruz)
Paredes (m.p. XVII; seguia por Fonte Sagrada, Jardim Público, Ponte da Estrebuela e rua de Cepêda)
Ponte Medieval de Cepêda (sobre o rio Sousa; a seguir à ponte subsiste um troço lajeado no CM1325 que margina a casa onde funcionou a estalagem medieval da Costeira, o «Hospital do Espírito Santo»)
Quinta da Aveleda (m.p. XX na entrada; segue depois para Penafiel pela EN596-1, passando na Capela de São Roque e das Alminhas na milha 21)
Penafiel (m.p. XXII; antiga Arrifana do Sousa, estalagem/hospital medieval; segue pela rua do Carmo, antiga rua de «Santo António Velho», rua Direita, rua Paço, Largo de Ns. da Ajuda, rua Alfredo Pereira e Monte Sameiro, onde apareceu uma estatueta de Marte, actualmente no Museu de Penafiel; continua pela Av. Gaspar Baltar por Chãos de Cima até à rotunda da EN15 em Crasto de Cima, junto das Alminhas)
Santa Marta (continua pela rua Castro rumo à Ponte Medieval de Santa Marta sobre o rio Cavalum, continuando pelo pinhal a sul de Paredes e Carvalhos, onde inicia a ascensão da serra pela «Calçada da Arnova», actualmente já muito destruída que ascende ao povoado; existe uma anta a cerca de 500 m a sul da via)
Castro de Quires (m.p. XXVI; importante povoado indígena romanizado; daqui inicia a descida rumo a Sobretâmega por Gaia, Monte da Forca, Caniva de Cima, milha 27 junto ao cruzeiro , Quatro Irmãos, São Pedro, Ponte dos Asnos, milha 30, seguindo para a Capela de São Sebastião no «Terreiro dos Santos», onde entronca na via principal proveniente de Braga, descendo por Rua para a travessia do rio Tâmega na desaparecida ponte romana)
Freixo, Marco de Canaveses (Tongobriga)

Nó viário de Valongo
  • Ligação à Foz do Sousa (X m.p.)
    Ligação às travessias do rio Douro em Arnelas e Crestuma, desviando uma milha antes de atingir Valongo, a milha sete no Alto da Serra/Monte Alto, seguindo depois a rota da Estrada de Dom Miguel que serve ainda de linha divisória da freguesia de São Pedro da Cova (confrontando com Fânzeres e Gondomar), rumo ao Alto de Jovim onde toma a rua do Tronco em direcção a Foz do Sousa, cruzando o rio Sousa logo após a confluência do rio Ferreira. Continua pela rua da Sra. da Aparecida, descendo ao rio Douro por Compostela e Esposade, cruzando para Crestuma. Uma ramal poderia seguir para a travessia do Douro em Arnelas, reunindo pouco depois com a variante por Crestuma (ver continuação desta via em #crestuma_pica).
  • Ligação ao povoado mineiro do Outeiro da Mó
    Poderia existir uma derivação em Campo rumo ao rio Douro atravessando o rio Ferreira no lugar de Milharia (referência a um miliário?) para Corredoura (necrópole), percorrendo depois a vertente nordeste da Serra de Pias/Raio (castro romanizado) em direcção a Aguiar de Sousa (Reis, 1904:71; Mendes-Pinto, 1994), atravessando o rio Sousa talvez em Alvre (necrópole da Valdeira), continuando depois por Santa Comba (duas aras votivas na capela, sendo uma delas uma ara votiva a Calaecia, divindade tutelar dos Callaeci) rumo ao povoado mineiro do Outeiro da Mó, ambos relacionados com a exploração das «Minas das Banjas» e «Poço Romano» (Soeiro, 1984), percorrendo depois a Serra de Banjas até Rio Mau, onde fazia a travessia do rio Douro na Barca de Pedorido; a continuação da via para sul poderá relacionar-se com a necrópole de Folgoso/Picoto em Raiva, onde apareceu a lápide de Aviciano e uma pucarinha com a inscrição CAFVRINVS IX NATV VV. (Sousa, 1960).
  • Ligação ao Castro de Couce e Broalhos
    Poderia também existir via pela vertente nascente da Serra de Santa Justa, passando junto do Castro do Couce (provém do árabe «al-kauç» que significa «o arco», possível referência à ponte aí existente sobre o rio Ferreira), servindo as minas romanas do Covelo e de Medas, podendo descer ao rio Douro rumo ao Castro romanizado de Broalhos (muito destruído pela central eléctrica) ou a Melres (ara funerária no adro da igreja; calçada na ribeira de Mirões).
  • Ligação pela Ponte da Morte: a travessia do rio Ferreira na Ponte da Morte em Luriz indicia a existência de outro ramal em direcçãoa a Terronhas (?). A ponte apresenta silharia almofadada no arco mais pequeno, mas não é segura a sua origem romana.
  • Ligação a Alfena: Uma inscrição a Alboco encastrada na parede exterior da Capela de São Bartolomeu de Susão sugere a existência de uma via de Valongo a Alfena pelo alto da serra, mas o seu traçado continua indeterminado.

Nó viário de Penafiel
Na área de Penafiel afluíam outros eixos viários justificando a existência de uma estação viária tipo mutatio integrada num possível vicus a que estará associada a necrópole no lugar da Estrada: para norte seguia uma via por Lousada e Vizela rumo a Guimarães; para nordeste pelo Alto da Lixa rumo a Amarante, e finalmente, uma via de ligação ao rio Douro, seguia para sul rumo à Cividade de Eja em Entre-os-Rios.

  • Itinerário de Penafiel a Amarante pelo Alto da Lixa: continua pela Igreja Paroquial de Santa Marta e junto do topónimo «Estrada» até reunir com a EN15 ao km 34, voltando a sair desta em Vila Irene pelo CM1285, seguindo a meia-encosta pela rua Campo do Ouro até à Igreja de São Pedro da Croca (povoado e necrópole em Montes Novos), continuando por São Martinho de Recezinhos (rua da Igreja, Casais Novos e rua do Casal do Vidro), cruza EN15 na rotunda de Conchoso, continua por Bouças, onde reencontra a EN15, seguindo por esta pela cumeada da serra por São Mamede de Recezinhos (rua de São Mamede), servindo a partir daqui como linha divisória entre os concelhos de Lousada e Amarante, o que indicia a sua antiguidade, seguindo por Pelato, Cimo de Vila, St. Ildefonso, Capela de São Miguel-o-Anjo, Loureiro (rua da Estrada Real), Serrinha, Estalagem, Cumeeira e Castanheira até ao Alto da Lixa, nó viário, onde cruzava com o Itinerário Braga - Mérida.
  • O itinerário de Penafiel a Entre-os-Rios está descrito na rota Meinedo - Eja.

Nó viário de Vandoma
  • Ligação de Vandoma a Eja pelo Castro do Monte Mozinho: poderia existir uma via norte-sul ligando o Castro do Muro em Vandoma à Cividade de Eja passando próximo do Castro romano do Monte Mozinho; a via desviava da Via Cale-Tongobriga e seguia algures por Baltar e Cête para cruzar o rio Sousa na Ponte do Vau (povoado e necrópole junto da Igreja de Parada de Todeia; possível acesso às Minas de Covas de Castromil), continuava junto do Mosteiro de Paço de Sousa, e por Ermida (inscrição aos Lares Pátrios, actualmente no Museu de Penafiel; memorial); daqui rumava ao Monte Mozinho talvez por Fafiães (?), e no planalto de Mesão Frio, continuava pela cumeada da serra por Cruz de Giesteira, Alto do Convento das Freiras no planalto do Penedo do Corvo, Alto do Mouzinho, podendo depois descer pela Capela de Sta. Luzia à Cividade de Eja ou à villa? de São Paio da Portela em Canelas.

  • Nó viário de Paço de Sousa
  • Ligação de Paço de Sousa a Rio Mau/Eja, itinerário que derivava do anterior em Paço de Sousa, depois de cruzar o rio Sousa na Ponte do Vau, e seguia para sul rumo à travessia do Douro na Barca de Pedorido em Rio Mau; depois de cruzar a Ponte do Vau, seguia a EM592 para Fonte Arcada (passa por Esmegilde, Quintela, Marmoiral, Anho Bom, junto do castro de São Domingos, Castelo e Devesas), Lagares (necrópole e inscrição a Laribus Anaecis na igreja, provável referência à Civitas Anégia da documentação medieval; continua pela encosta do Monte Santo até Nogueira, onde reencontra a EN319), Figueira (continua por São Julião e Cerrado), São Tiago da Capela (estela funerária de Paterna; continua por Vila Meã, Igreja e Telheiro, cruza a EN319 e segue pelo interior da aldeia de Cabroelo rumo ao Outeiro da Velha, local de cruzamento de caminhos onde a via deveria bifurcar, seguindo um ramo para Canelas e Eja, enquanto o outro seguia a nascente de Vilarinho para alto da Serra da Boneca, passando junto da Capela de São Pedro de Pegureiros, descendo depois pela vertente oeste da serra, passando por Louzeira da Boneca, junto da nova central de tratamento de lixo, até à Sra. do Monte, onde desvia pela estrada local, rua das Corgas, até Rio Mau e a Barca de Pedorido (Almeida et al., 2008).

Via CALE a VACCA (per loca maritima)
Mapa
Cale
Vouga






Porto (CALE) - Rio Vouga per loca maritima
Vários indícios apontam para a existência de uma via paralela ao eixo principal Cale-Talabriga passando mais próximo do litoral, designada em documentos medievais por por «estrada mourisca», mas cuja origem poderá ser bem anterior atendendo aos vários castros ao longo do seu percurso. Na época romana esta estrada teria um carácter secundário dada a ausência de miliários, não obstante a descoberta de um pequeno fragmento de um miliário em Tartomil, (lugar próximo da Praia de Valadares, Vila Nova de Gaia), este não pode ser associado a esta estrada litoral dado que foi a ali depositado aquando de uma obras efectuadas na ribeira, possivelmente trazido de algum ponto do itinerário principal para Lisboa que corria bem mais para o interior (Leite, 2013). No que resta da inscrição pode ler-se que o imperador nele referido era trineto de Adriano (I.ANTONINI./ ADRIANI.ABNE), ou seja, será um miliário de Caracala que está actualmente em exposição no Solar dos Condes de Resende em Canelas (Fortes, 1909; Mattos, 1937; Guimarães, 1993, 1995 e 2000; Cidade, 1997).

De Cale ao Rio Vouga pelo litoral (36 m.p.)
O itinerário aqui proposto parte do Castelo de Gaia sendo mencionada em 1161 como a «carreriam quae venit de Gaya» na Carta de Confirmação da Doação ao Mosteiro de Salzedas (DMP, DR, 277). Seguia depois uma rota sem grandes oscilações de cota por Valadares e Gulpilhares, passando junto da necrópole tardo-romana e provável vicus do Alto da Vela, e daqui para o lugar de Brito em São Félix da Marinha, atendendo à referência à «estrada mourisca» na doação de Trutesindo Mendes ao Mosteiro de Grijó das terras que detinha em Brantães e São Félix da Marinha, indicando que estas ficavam acima e abaixo da estrada junto do ribeiro de Serzedo; («subter illam Stratam Mauriscam, discurrente riuulo Cerzedo», Viterbo, 1799, Vol. 1, p. 298); continuava a nascente de Espinho por Anta, Silvalde e Paramos, passando nas proximidades do Castro de Ovil e da necrópole romana do Chão de Grilo em Esmoriz. Este caminho poderia continuar próximo da costa até ao rio Antuã que cruzaria nas proximidades do Castro de Salreu (Estarreja), continuando por Canelas até Roxixo (Fermelã), estação viária e provável porto marítimo localizado no paleo-estuário do rio Vouga (act. 2024).

Vila Nova de Gaia (do Castelo de Gaia segue a rua do Agro e rua José Falcão no lugar de Candal)
Coimbrões (1 m.p.; cruza a linha férrea e segue pela rua Sr. de Matosinhos, marginando o povoado do Monte de Sta. Bárbara, junto da actual igreja paroquial, designado por Colimbrianos no ano 922 [PMH DC 25]; continua do outro lado da A1 pela rua das Oliveiras)
Madalena (2 m.p. no actual nó viário da A1 e próximo da Mamoa da Cama/Telheira; a via serve de divisória entre freguesias em direcção a Aguim, passando no Largo das Oliveiras, onde ainda hoje está o marco delimitador do Couto de Tarouquela referido num documento do Mosteiro de Grijó, e que foi colocado em 1599 na «estrada que vem de Vila Nova pra Madanella». Aguim surge na documentação medieval como Castro Aquilini; continua pela rua da Gândara até Gramoinhos, cruza a EN109/A44 e logo depois a ribeira da Madalena; a jusante desta ribeira situa-se o Castro da Madalena, importante povoado da Idade do Ferro também designado por Coteiro do Castro, onde recentmente foram escavadas diversas casas circulares do primitivo povoado castrejo)
Valadares (3 m.p.; sepultura romana no Monte Sameiro; a via continua pela rua Bernardino Costa, rua do Paço rua da Chamorra e rua Salvador Brandão/EN15)
Gulpilhares (5 m.p.; sai da EN15 pela rua do Pereirinho, junto ao cemitério, rua Nuno Álvares, cruza a ribeira de Canelas e segue pela rua João Ovarense até ao Alto da Vela, vicus viarum onde vencia a quarta milha; aqui apareceu imenso espólio funerária na vasta necrópole tardo-romana entretanto destruída, nomeadamente o fuste de coluna em mármore rosa que hoje serve de base ao Cristo do Padrão em Pedroso; o restante espólio está no Solar dos Condes de Resende; do Alto da Vela continuava pelo caminho de terra, actualmente obstruído, seguindo depois pela rua de Enxomil e rua do Vale)
Arcozelo (7 m.p.; cruza a ribeira do Espírito Santo e continua pelo «Caminho Ribeiro» até confluir na EN1-15; continuava por Corvo de encontro à rua da Carreira Velha, actualmente cortada pela A29)
Brito, São Félix da Marinha (9 m.p.; continua pela rua dos Ligustres, rua da Calçada Romana até ao tanque, onde cruza a ribeira da Granja; daqui subia a encosta pela «Rua de Brito» ou «Rua da Calçada Romana», mas logo depois perde-se o seu rasto, desconhecendo-se o lugar de travessia da ribeira do Juncal)
Espinho, São Félix da Marinha (10 m.p.; cruzada a ribeira do Juncal, a via ascendia à Capela de São Tomé no lugar de Espinho, eventualmente a «vila Spino» referida em documentação medieval; continua talvez pela São Vicente de Ferrer, rua do Canto, rua do Lameirão rumo à travessia da ribeira do Mocho no sítio do Pereiro/Congosta, a montante da actual Ponte de Anta onde a travessia é mais facilitada; no local subsistem alguns vestígios de uma ponte em pedra e os topónimos viários «Carreira do Pereiro», «Ponte do Pereiro» e «Rio da Pedra»)
Anta (11 m.p.; necrópole; cruzada a ribeira, ascende por Quingosta/rua da Congosta, Igreja Paroquial e rua do Passal)
Silvalde (12 m.p.; continua pela rua do Porto que vai desembocar na rua das Quelhas e logo depois cruzava a ribeira de Silvalde na chamada Ponte de Pedreira, estrutura com eventual origem romana; daqui ascende pela rua Escadas do Covelo e rua Professor Castro até à Igreja Paroquial)
Paramos (14 m.p.; o local de travessia da ribeira do Rio Maior permanece incerto, mas seria certamente nas proximidades do Castro de Ovil, povoado proto-histórico abandonado no início da romanização; a travessia poderia ser feita a jusante do castro, junto da Quinta da Germana, ou a montante, junto do topónimo «Ponte Redonda», onde ainda são visíveis os arranques de uma ponte antiga que ali existia)
Esmoriz (15 m.p.; a via deveria passar próximo da necrópole tardo-romana de Chão do Grilo, actual rua das Saibreiras, mas a zona está muito alterada com construção da A29)
Rio Meão (16 m.p.; cruzaria a ribeira de Cortegaça em Mourão, onde existia uma ponte antiga, restando os topónimos «rua da Ponte Romana» e as alminhas da «Sra. da Boa Viagem»; actualmente segue a Rua de Mourão e rua dos 5 Caminhos, entretanto cortada pela A29)
Espargo (17 m.p.; talvez pela divisão concelhia no monte, cruzando a ribeira de Louredo)
Arada (19 m.p.; talvez pela rua do Marco, ao longo da linha divisória dos concelhos de Ovar e Feira, com sugestivos topónimos viários Carrascal, Estrada e Lameiro, 20 m.p.)
Souto (21 m.p.; cruzaria o rio Cáster próximo da Sra. da Guia em Tarei, junto dos topónimos viários «Alminhas da Calçada», Alcapedrinha e Lajes; continua pela Rua da Ponte, Rua do Tanque, passando a nascente do povoado proto-histórico da Amieira (22 m.p.); continua por Alminhas de Valrico, Alminhas de Dentro e Rua de Ns. da Boa Viagem)
São Vicente de Pereira Jusã (24 m.p.; por Torre e Capela do Corgo; referência às salinas de Dagarei em 929, actual Válega [PMH DC 35]; necrópole da Valegia junto dos topónimos Passo dos Mouros/Minas do Mouros/Azenha da Mesquita)
São Martinho da Gândara (25 m.p.; por Alminhas da Cavada, Abolembra e Capela de São Lázaro em Pardieiro)
Loureiro (29 m.p.; junto da Capela de Água Levada, Capela de Ns. da Alumieira, Loureiro e Alminhas de Arrota, na 30 m.p.)
Beduído (31 m.p.; por Capela de Santa Bárbara e Capela de Ns. da Luz em Santo Amaro, onde conflui também a via Lações-Salreu passando por Úl; continua junto da Capela de Santo António e do Cruzeiro do Sr. do Coberto rumo à travessia do rio Antuã na base do Castro de Salreu; 33 m.p.)

  • Castros de Santiais e Salreu: a existência de dois povoados proto-históricos no curso terminal do rio Antuã, o Castro de Santiais na margem direita e o Castro de Salreu na margem esquerda, indicia uma possível travessia do rio Antuã neste local; o abandono destes locais na fase de romanização poderá ser explicado pela deslocação da população para o vicus romano de Cristelo, um pouco mais para interior, numa plataforma rodeada de um fosso natural criado por duas ribeiras tributárias do Antuã (Silva AMSP, 2015). Sabemos da existência de salinas em Estarreja na Alta Idade Média (Bastos, 2009), no que seria a antiga linha de costa.
  • Ligação a Branca pelo vicus de Cristelo: é possível que daqui partisse um ramal para o interior passando próximo do vicus do Cristelo rumo a Branca. Esta última povoação é referida como «Abranca» num documento do ano 922 (PMH DC 25), havendo também referência ao «Castro de Abranka» no ano 1088 (PMH DC 708), que deverá corresponder ao Castro de São Julião.

Salreu (34 m.p.; a via continuava por Antuã, Carapinheira, Santo, Igreja do Couto, Capela de Santo António, Igreja de São Martinho e Cruzeiro de Feiro, 35 m.p.)
Canelas (36 m.p.; cruza a ribeira do Jardim e segue por Carvalhal, Bandulha, Cabeço de Cima, Igreja, Rua Direita e Campo da Cruz, cruzando pouco depois o Rio Seco para Roxico)
Roxico (37 m.p.; antes escrevia-se «Rochico», possível corruptela de «Rio Seco»)

Estação viária de Rio Seco (Roxico/Rochico)
Apesar da ausência de vestígios, o Rio Seco é um ponto estratégico da rede viária, a 35 milhas de Cale junto à antiga foz do rio Vouga; o «riu siccu» é mencionado num documento de 1077 (PMH DC 549) e em 1078 como a «uilla que dicent riu siccu», situada «prope litore maris» ou seja «junto à orla marítima», entre Fermelã e Canelas (PMH DC 557); num outro documento de 1182, são doadas ao mosteiro de Grijó propriedades situadas entre Canelas e Fermelã «subtus monte mansione frigida nuncupato in liture maris oceani Vauga flumine discorrente», mostrando que a villa estava junto ao litoral, na dependência do Monte de Mesão Frio, actual Monte de Ns. do Socorro e à margem do Vouga (Oliveira, 1967:60), in litore maris oceani, Vauga flumine discorrente ipsaque villa introitum ejus in mare ab Orientali parte, ou seja, «no litoral do mar oceano, o Vouga corra junto da dita villa entra no mar pela parte oriental». Deste modo, esta estação viária estará relacionada com um porto de mar na paleo-foz do rio Vouga, justificando a confluência de estradas neste local.

    Possíveis ramais de ligação ao Itinerário XVI
  • Ligação de Canelas ao Monte de Ns. do Socorro: partindo da Igreja de Canelas, seguia junto da «Cruz de Canelas», servindo a partir daqui como divisória entre as freguesias de Albergaria-a-Velha e Branca (e limite norte do antigo Couto de Assilhó), cruza o extremo norte da actual zona industrial directo ao Monte de Ns. do Socorro.
  • Ligação de Canelas a Albergaria-a-Velha: após o cruzamento da ribeira do Jardim, poderia derivar um ramal para o interior, passando próximo do sugestivo topónimo «Porto dos Carros», continuando pelo micro-topónimo «Cruz de Canelas» rumo a Albergaria-a-Velha, confluindo no ramal descrito a seguir.
  • Ligação de Roxico a Albergaria-a-Velha (4 m.p.): partindo da Igreja de Roxico e seguindo o caminho pelo micro-topónimo «Almas do Caterno» (EM566), continuando próximo das mamoas do Taco, continuando pela rua da Semouqueira rumo a Albergaria, entroncando no Itinerário XVI junto da Ermida do Espírito Santo.
  • Ligação ao Cabeço do Vouga: também é possível a continuação da via ao longo da margem direita do paleo-estuário do Vouga rumo a Serém, seguindo por Corredoura, Ventosa, Capela de S. Sebastião, Pelourinho de Angeja e Cruzeiro da Costa, onde cruza a ribeira do Fontão para o lugar de Cabeço de Angeja. Daqui seguia por alturas de Frossos, passando no topónimo viário Raso das Poças, continua pelo Alto de Frias, seguindo próximo da Capelinha de Frias de Cima, servindo a partir daqui de divisória entre as freguesias de Albergaria e Alquerubim, seguindo de encontro ao Itinerário XVI e confluindo neste um pouco adiante do cruzeiro de Serém de Cima, local que dista uma milha do rio Vouga.

Via Lações-Úl-Salreu
Mapa
Úl


Adães


Do Castro de Lações ao litoral por Úl e Salreu
Partindo do nó viário de Lações de Cimas, rumava para oeste passando nas Alminhas de São Miguel, cruzando o centro de Oliveira de Azeméis, talvez pela rua Velha de St. António, Praça José da Costa, rua António Alegria, vencendo a primeira milha na confluência da rua António Bernardo com a rua do Cruzeiro; seguia depois pela Av. Ferreira de Castro, rua do Serro, Lousas e Avelão até à Igreja Paroquial de Úl.

Úl (3 m.p.), a três milhas de Lações e a 28 milhas de Cale, território fronteira na confluência do rio Úl no rio Antuã dominado por um povoado proto-histórico designado por Castro de Úl; durante umas obra na igreja paroquial em torno de 1803, descobriram-se duas pedras epigrafadas reutilizadas nas fundações da igreja; a primeira trata-se de um miliário de Tibério indicando 12 milhas, valor que corresponde à distância entre este local e Langobriga, identificada com o Castro do Monte Redondo em Fiães (Almeida e Santos, 1971:151). A segunda epígrafe é uma placa de carácter territorial, terminus augustalis, assinalando a fronteira entre a Civitas Langobrigensis e Civitas Talabrigensis que se estendia até ao Vouga; está actualmente encastrada na parede traseira da igreja e o miliário foi transladado para o centro de Oliveira de Azeméis, junto à Igreja Matriz (Almeida, 1956; Mantas, 1996:342).

Continuação para Salreu
O miliário em Adães (actualmente depositado na Casa Paroquial de Úl) que esteve junto da Igreja de Ns. das Febres, a cerca de uma milha da igreja e miliário de Úl (Mantas, 1996:342), sugerindo a continuação da via para oeste rumo ao litoral. Deste modo, estaria explicada o facto de o segundo miliário ter sido encontrado a cerca de uma milha do miliário da Igreja Úl, na outra margem do rio Antuã, vencendo a quarta milha desde Lações na Igreja de Ns. de Febres, onde apareceu o miliário. A via seguia depois junto da Mamoa das Almas Mouras (nas traseiras da fábrica de moldes) em direcção a Freixo, continuando por Contumil, Cerrado, Graciosa, Barreiro de Cima (daqui poderia partir um ramal de ligação ao Castro de Santiais), vencendo a décima milha junto da Capela de Ns. da Luz (10 m.p.), em Santo Amaro, onde conflui também a via litoral proveniente de Cale). Daqui seguia até Beduído (Igreja de Santiago, Capela de Santo António e Cruzeiro do Sr. do Coberto) rumo à travessia do rio Antuã na base do Castro de Salreu (11 m.p.); continua por Antuã (EM563) e Santo (12 m.p. no cruzamento para Adou de Cima) e Salreu (seguindo junto da Igreja de São Martinho e vencendo a 13ª milha no Cruzeiro da rua do Feiro), cruza a ribeira do Jardim para Canelas passando por Carvalhal, Bandulha, Cabeço de Cima, Igreja, Rua Direita e Campo da Cruz. Pouco depois atingia a décima quinta milha em Roxico, local muito relevante na rede viária pois encontra-se a 40 milhas a Cale e a 12 milhas da Igreja de Úl, distância que corresponde ao valor indicado no miliário ali encontrado. Deste modo, o miliário de Úl poderá assinalar antes esta via, indicando a distância entre o Castro de Úl e a paleo-foz do rio Vouga em Roxico (act. 2024).

  • Paleo-foz do Vouga/ Acesso ao Cabeço do Vouga: No século XI, o geógrafo árabe Edrici escrevia que «o Vouga é um rio grande, no qual entram embarcações de comércio e galés, porque a maré sobe muitas milhas por ele acima». Assim, tudo indica que a paleo-foz do rio Vouga permitia a navegação rio acima até ao Povoado do Cabeço do Vouga, à qual podemos associar os fornos romanos do Eixo, e já proximo da antiga foz do Vouga, em Cacia, o importante Povoado da Torre da Marinha Baixa, actualmente ocupado pela Igreja de São Julião, que tem sido associado à actividade portuária neste braço de mar, atendendo aos vestígios de um complexo industrial, com fornos de produção de vidro, a escassos 325 metros do povoado. A reconstituição da antiga linha de costa em período romano seria, partindo de Marinha Baixa, por Vagos (junto à Senhora de Vagos e Porto Gonçalo, na antiga foz do Rio Boco), Mira (junto a Cabecinhas, Calvão e Seixo), pelo Cabeço a oeste da Fonte da Barroca, pelo Palhal de Portomar, Lagoa de Mira, Casal de São Tomé, Outeiro da Forca, Ermida, contornando a Serra da Corujeira e entrando mais para o interior até Fervença (Cantanhede), não muito longe dos vestígios romanos na área de Cadima (act. 2024).

Via Crestuma a Lações pelo Castelo da Feira
Mapa
Feira




Mosteirô


Pica


Manica


Crestuma - Castelo da Feira - Ponte da Pica - Lações
Esta variante do Itinerário XVI teria origem no travessia do rio Douro próximo do Castro de Crestuma, quer a partir do cais de Favaios quer do cais de Arnelas, confluindo ambos os ramais nas Alminhas de São Miguel (na divisória entre as freguesias de Olival e Sandim), continuando em direcção ao Alto do Picôto (EN1, Argoncilhe), onde cruza a via para Lisboa, continuando pelo Castelo da Feira e Ponte da Pica rumo a Oliveira de Azeméis, reunindo com o Itinerário XVI para Lisboa. A recente identificação de um miliário de Diocleciano no Castelo da Feira (Teixeira, 2017:49), o primeiro exemplar encontrado nesta rota, veio atestar a utilização deste trajecto em período romano e obriga a rever a relevância desta estrada durante esse período (act. 2024).

Itinerário de Crestuma ao Alto do Picôto (6 m.p.)
A via partiria do cais fluvial de Favaios no rio Douro, na base do castro do Castelo de Crestuma (castrumie na documentação medieval, ou seja, o «castro do rio Uíma», onde apareceu uma inscrição). A via seguiria por Fioso e Aidos rumo às Alminhas de São Miguel, a 3 milhas do Douro. Continua pela rua de São Miguel, rua de Gondesende e rua da Rainha Santa Isabel, atingindo a quarta milha junto ao cruzeiro do Largo da Senhora do Campo em Mozes. Continua pela Senhora do Campo, cruzando a via Porto-Viseu em Camalhões, seguindo depois pela rua de Argoncilhe de encontro à via Porto-Lisboa, vencendo seis milhas desde o rio Douro.
  • Ramal para Arnelas (3 m.p.): uma ramal da via anterior partia do nó viário das Alminhas de São Miguel, seguindo por Seixo Alvo, Olival (rua Central), rumo à Igreja de São Mateus, descendo daqui pela calçada de Santo António até aos cais de Arnelas (foz do rio Sousa na outra margem), terminando junto de um marco, possível miliário.

Itinerário do Alto do Picôto ao Castelo da Feira (9 m.p.)
Partindo do Alto do Picôto, seguia pela rua Central de Godo e pelo caminho da «rua Fronteira» e «rua Romana», actualmente cortado pela A41, até à Igreja Paroquial de Mozelos; continua pela vertente nascente do Alto do Coteiro Murado onde se situa o Castro de Sagitela (referência à via em 1097 «subtus monte saitella discurrente strata ad portum asinarium riuulo maior», PMH DC 867), continuando depois por Sobral, Gesta e Murado, passando junto da Igreja de Santa Maria de Lamas (10 m.p.); logo depois a via cruzaria a ribeira do Rio Maior (seria aqui o portum asinarium referido nommesmo documento?), actualmente cortada pela A1, continuando na outra margem por Mata, Alpossos, Chão do Rio, Ponte, Beire (12 m.p.), Santa Ana, rua Mestra Júlia, rua da Saibreira, rua Ranzal, Alminhas de Gondufe (13 m.p.), Meães, St. André e Capela de Ns. da Saúde (14 m.p.).

Santa Maria da Feira (15 m.p. a Crestuma/Douro; «Civitas Sancta Maria» em documentos a partir do século XI; várias eípgrafes foram reutilizdas na construção do Castelo da Feira, nomeadamente a ara a Deo Tueraeo colocada por um Brácaro e a ara a Bande Velugo Toiraeco; mais recentemente apareceu outra ara votiva e ainda o referido miliário de Diocleciano).

Itinerário do Castelo da Feira ao Castro de Lações por Mosteirô (8 m.p.)
Depois de cruzar o rio Cáster junto do Convento dos Lóios, a «Estrada Mourisca» continuava para sul, ascendendo pela encosta do Castelo da Feira ao Alto de Vinhais e daí à Igreja Paroquial de Fornos (16 m.p.), continuando por Quintã de Baixo, Penedo e Lagoeira (?) para cruzar a ribeira da Laje na Ponte dos Três Arcos (ou Ponte da Ribeira d'Água) em Carregueiras (17 m.p.), continuando por Calvário e Igreja Paroquial de Mosteirô rumo a Proselha (18 m.p.), onde ainda resiste um notável troço lajeado com cerca de 300 m conhecida como «Via Antiga de Mosteirô» que começa no cimo da rua Calçada da Sra. da Caridade, passa na Capela do Ermo e continua pela Calçada General Sousa Brandão, com um extenso troço junto das alminhas da Sra. da Boa Morte, seguindo depois rumo ao lugar do Monte (actualmente obstruído por mato). A orientação da via sugere a sua continuação por alturas de Fermil e Picôto como parece indicar o trecho de um documento do ano 1145 onde se lê «in villa dicta azeuedo subtus illam stratam mouriscam» (Livro Baio Ferrado, fl. 99), mostrando que a «estrada mourisca» seguia em altitude a nascente de Azevedo (lugar da freguesia de São Vicente de Pereira). A via poderia bifurcar junto das Alminhas de Fermil (19 m.p.), seguindo um ramo pela Ponte da Pica, onde entronca na via principal para Olisipo, enquanto outro ramo mantinha a directriz da via rumo ao Castro de Recarei e à Ponte de Manica.

  • Ligação à Via XVI pela Ponte da Pica e ao Castro de Lações, seguindo das alminhas de Fermil para sudeste talvez pela rua Almira Brandão por Costa e Couto de Cucujães (passando na base do convento, Igreja de São Martinho), entroncando na via para Lisboa na Ponte Medieval da Pica (a 21 milhas do Douro), seguindo por esta até ao Castro de Lações em Oliveira de Azeméis.

  • Ramal pelo Castro de Recarei e Ponte de Manica: a via poderia manter a mesma directriz a partir das alminhas de Fermil, seguindo sempre em altura pela cumeada da serra (actual rua António Ferreira da Silva) por Cucujães (m.p. XIII), continuando depois paralela à rua do Castro que margina o Castro de Recarei (m.p. XIV; povoado da Idade do Ferro romanizado, também designado por Castro de São Martinho da Gândara ou do Roncal; castro rekaredi num documento do século X), desembocando na rua das Pedreiras, seguindo depois a rua do Castro em direcção a Felgueira (m.p. XV); cruza a rua de São Mamede e a rua D. Urraca Moreira seguindo o caminho de terra para Madaíl (marginando os sítios romanos da Gândara e Fonte do Soldado), cruza a rua Padre Albergaria e continua pela rua do Rego, rua do Hospital (referência ao albergue medieval), cruza o rio Úl na Ponte Medieval da Manica e segue pela «Calçada da Ponte Medieval» (troço lajeado com 100 m, junto do topónimo viário Fonte Joana) seguindo talvez de encontro ao Itinerário XVI.

Via Sancta Maria a Arauka
Mapa
Feira


Romariz


Santa Maria da Feira - Arouca
Eixo viário na direcção este-oeste transversal aos principais itinerários romanos a sul do Douro. Partindo do Castelo da Feira, a via seguia para Arrifana, onde cruzava o Itinerário XVI Cale-Olisipo, continuando próximo do Castro da Portela rumo a Escariz, onde cruzava a via Cale-Vissaium, continuando depois até a Arouca, rumando daqui ao Douro.

Itinerário do Castelo da Feira a Escariz
Depois de cruzar o rio Cáster na base do castelo, a via seguia talvez por St. António da Laje, Chão de Além, rua Burgo de Ryfana por Vilar e Manhouce até Arrifana, onde cruza o Itinerário XVI e havia albergaria medieval. Continua pelo antigo «Caminho de Gaiate», referido no Tombo Mosteiro de Pedroso no ano de 1575, passando por Felgueiras, Corredoura, Carvalho, Campo da Eira, Choupelo, Lavoura, Pinheiro, Cortinhas, Pomar, Infestas, Moutidos e Mamoa, continuando depois por Mouquim, onde atravessa o rio Úl (Castro, 1987; Conceição, 2006). Apesar da dificuldade da localização de alguns destes topónimos e do constante crescimento urbanístico, é possível percorrer esta via a partir de Souto de Arrifana, seguindo junto da Quinta do Seixal até Pereiro (actual rua Dr. Guilherme Alves Moreira/EN628), rumando daqui a Mouquim, trajecto actualmente interrompido pelo viaduto da A32 (hoje é preciso seguir a rua Conselheiro Costa, junto das alminhas do Fundo da Aldeia em Gaiate e do topónimo «Viela dos Almocreves», seguindo depois junto da Casa de Mamoa pela margem do direita do rio Úl até Mouquim). Depois de cruzar o rio Úl, seguia pela rua Cruz dos Carreiros, rua Cruz da Lavoura e rua de Goim, EM1009, passando nas proximidades do importante Castro da Portela em Romariz(grande povoado fortemente romanizado; ara votiva de Flavus, achada no altar-mor da demolida igreja de Choupelo em Duas Igrejas, actualmente no Museu Convento dos Lóios na Feira, e epitáfio de Avitus num muro do adro paroquial de Pigeiros); continua pelo CM1089 por Lameiros, entra na freguesia de Escariz, cruza o rio Inha em Londral e segue pela Igreja até ao Largo do Cruzeiro, onde cruza a Via Porto-Viseu.

Itinerário de Escariz a Arouca
Atendendo a algumas referências medievais é possível que a via continuasse para o cruzamento da Urreira, onde toma «Estrada Velha de Ver» (1,5 km com troços lajeados actualmente cobertos com saibro) que vai entroncar na estrada que liga Ver a Barrosas, até ao lugar da Estrada em Mansores (tesouro monetário com 20 moedas), continuando depois talvez por Agras e Abitureira (topónimo «Estrada Velha») rumo à travessia do rio Arda na Ponte de Fontão Longo, referida em 1137 como «ponte de alarda» (MA 69), seguindo depois por Tropeço, antiga «Santa Marinha da Oliveira», onde há referência ao carrale antiqua (DP III 14 de 1101) e estrata (MA 158 de 1193), servindo de divisão de um propriedade em Lamas; vestígios de habitat em Venda Nova e na Igreja Paroquial; continua pela EM506, passando acima do casal de Malafaia, junto da Capela de Souto Rei), Minhãos (villa minianos), cruza a ribeira de Moção (topónimo «Porto da Barca», mas a montante) e Sta. Eulália (possível casal em Adros, abaixo da igreja) e daqui à vila de Arouca.

Arouca (Arauka?)
Importante povoado romanizado-povoado proto-histórico no Castro do Monte Valinhas, citado pelo menos desde 1080 como castro Arauka; há também referências a uma via e carral junto da vila de Arouca no ano 1085 (PMH DC 646) e referência ao «carrale» da povoação de Moldes no ano 1087 (PMH DC 684), mas não é claro nos documentos quais as vias referidas nem qual seria a sua função na rede local.

Via CALE a VISSAIUM
Mapa
















Porto (CALE) - São Pedro do sul - Viseu (VISSAIUM)
Itinerário da estrada para Viseu derivando do Itinerário XVI nas proximidades do Monte Murado (Carvalhos, Pedroso), também conhecida por «Estrada Velha de Viseu», «Estrada dos Almocreves» ou «Estrada do Peixe», numa clara referência ao tráfego de mercadorias ligando Viseu ao litoral (Mattos, 1937; Lima, 2004). A via cruzava a Serra da Freita (Arouca), optando assim por um percurso em altitude, descendo depois a Manhouce, onde havia albergaria medieval, rumando depois a Viseu por São Pedro do Sul. A recente destruição do troço de calçada junto ao cemitério de Albergaria das Cabras, apesar de estar numa zona protegida, alerta para a necessidade urgente de proteger os vestígios que restam deste antigo caminho do qual ainda restam importantes troços como o lajeado da «Estrada do Cruzeiro» em Escariz. Viseu era, tal como hoje, era um importante povoado e nó viário da região Beira Alta, possivelmente designado por Vissaium em época romana, atendendo à ara votiva dedicada à divindade Vissaieigo que apareceu na necrópole da Porta de Cavaleiros em Viseu (Fernandes et al. 2009).

Monte Murado (a derivação do Itinerário XVI para Viseu partia da base do Monte Murado, em Vendas de Grijó, seguindo depois a rota da EM521 para Sanguedo, passando em Amial e Camalhões)
Sanguedo (por Cabouços, junto do cemitério, na base da Capela de São Bartolomeu em Terreiro, estação viária mencionada no «Roteiro Terrestre», rua Agrela de Baixo, rua Monte Meão, cruza o rio Uíma na Ponte da Tabuaça e não sobe pela «Rua Romana», mas pelo caminho ainda com restos de calçada que acompanha o rio, continua pela rua Três Fontes até desembocar na EN326 em Candal, continua por São Martinho e Corga do Lobão, sai da EN326 pela rua de Azevedo que foi cortada pela A32; seguir a EN326)
Louredo, São Vicente (sai da EN326 junto a Crasto e segue o caminho de Vale da Mó, passa no cruzeiro, Igreja de São Vicente, rua Direita, Vila Seca, Convento, Ns. da Natividade até reunir com a EN326 em Lagoa)
Cedofeita, Romariz (torna a desviar da EN326 após as alminhas em Mouta e desce pela rua Romana)
Ponte sobre o rio Inha, Sta. Ovaia (sobe pela rua da Ponte, cruza a EN326 para Paradela)
Cabeçais (troço lajeado desce em direcção à Igreja de Fermedo em cuja parede traseira há uma inscrição com o epitáfio de Laetus Caturonis, natural de Aviobriga e executada numa oficina de Olisipo)
Escariz (partindo do largo do Cruzeiro toma a chamada Estrada do Cruzeiro, extenso troço lajeado que cruza a EM504 e segue pelo lugar do Viso até entroncar na EM519)
  • Cruzamento de Escariz: no Alto do Coruto poderá ter existido, um castelo roqueiro dominando, o cruzamento desta via para Viseu com a via transversal ligando o Castelo da Feira a Arouca passando no Castro de Romariz(Itinerário Feira-Arouca).
Gestosa (referência no ano 1085 à uilla genestosa que iacet inter manzores et fajiones et portela [PMH DC 639]; continua pela EM519, cruza a EN327 em Alagoas e 500 m depois segue o estradão que passa na Venda da Serra, possível mutatio, onde ainda restam vestígios de calçada lajeada até cruzar a EN224-1, continuando por Barracão e Borralhal, junto do destruído Castro de Cambra/Monte Castro/Castro do Perrinho, com o trajecto pontuado por um grande número de mamoas)
Farrapa (continua paralela à EN224-1)
Chão de Ave (cruza a EN224 e ascende à serra)
Merujal (percorre a cumeada da serra pelo chamado «Caminho dos Burros», linha divisória entre os concelhos de Arouca e Vale de Cambra, passa no topónimo viário Venda Nova, cruza a aldeia de Merujal e continua a sul do Parque de Campismo rumo ao Cruzeiro de Albergaria)
Albergaria da Serra (antiga «Albergaria das Cabras» onde a rainha Santa Mafalda fundou uma albergaria, em 1280, com possível origem numa mutatio romana; cruza a aldeia até ao cemitério que ladeava por uma calçada que entretanto foi destruída, seguindo pelo planalto de Portela de Anta para Gestoso, marginando o monumento megalítico designado por «Pedra da Anta» junto do qual há também uma sepultura romana; esta estrada é referida em 1257 na «Carta de Couto do Mosteiro de Arouca» concedido por Dom Afonso III como «inter ipsum patronum et petram de Antha vadit strada» (MSMA, liv. 243, fl. 81v))
Gestoso (troço de calçada à entrada da povoação e continua sob a estrada de asfalto, EM612, desviando pouco depois por caminho florestal, desembocando no CM1232 próximo da Quinta das Uchas/Quinta da Barreira e a poucos metros da ponte)
Ponte Medieval de Poço da Barreira sobre a ribeira da Vessa (1 arco; calçada preservada à saída da ponte; a norte, no Candal apareceu a lápide de um Arcobrigense)
Ponte Medieval de Manhouce sobre a ribeira de Manhouce (1 arco, a montante da ponte actual)
Manhouce (desce pela estrada asfaltada até Sequeiro, onde segue à esquerda por troços de calçada em Gandras e Castanheiros, continua por Areeiro e Juncal, passando a poente de Bustarenga, descendo por calçada até à Ponte dos Ovos, estação viária mencionada no